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domingo, 7 de junho de 2009

Movimento Migratório de Peixes Dentro de um Táxi - por Bruno D’Almeida

Lúcio estava explicando suas teorias a mais um passageiro que entrava em seu táxi. Com seus cabelos esvoaçantes e barba por fazer, ele discorria que aquele domingo de pesadas nuvens pairando no céu era um excelente dia para fazer corridas e ganhar um dinheiro extra. Mas as pessoas nesse caso gostam de ficar em casa, retrucou o passageiro tirando melequinha do nariz. Mas o fato é que o senhor está pegando um táxi, meu amigo, eu vou te explicar como isso funciona, disse Lúcio, com cara de oráculo dos filmes de ação da Sessão da Tarde.

Quando chove logo cedinho, realmente eu fico boiando e não pego muitos passageiros. As pessoas adiam alguns compromissos que não são muito importantes e ficam em casa. Só consigo uma corrida ou outra de um cliente conhecido que liga pra mim. O bom mesmo é quando começa a chover depois das pessoas já estarem na rua. Aí é uma beleza. O cidadão já está no médico, na loteria, no shopping, correndo pela cidade, quando as nuvens ficam escuras no céu. A cidade já fica lenta na própria iminência da chuva. É hora de seguir as nuvens para encontrar os passageiros.

Eu prefiro os bairros de classe média nessas horas. Sempre encontro um senhor aposentado ou uma mulher madura com pressa. Aliás, essa é batata. Uma senhora de 40 anos, toda maquiada, com seu perfume francês, salto alto e bolsa tamanho gigante não espera nem chover para pegar um táxi, basta o tempo fechar que ela levanta a mão para o primeiro taxista que aparecer. Sempre quando chove eu faço umas quatro ou cinco corridas na Av. Paulo VI, no bairro da Pituba. Ou então vou para a Barra. Quer dizer que o senhor é taxista somente quando chove, riu o passageiro roendo cuidadosamente as unhas sujas. Não senhor, disse Lúcio, tem estratégia também quando o tempo está bom. Explico.

Quando faz sol, o movimento das pessoas muda. Eu fico na porta dos shoppings, na frente dos bares, eu adoro pegar passageiros em avenidas largas e retas no sol escaldante de meio-dia. Nesse caso, o melhor lugar são os espaços abertos, onde o calor insuportável força alguém a pegar um táxi e me agradecer pelo ar condicionado. Ofereço uma bala, o jornal está aí do lado, ele usa o táxi não só como uma corrida, mas como um alívio. O senhor mesmo, é hora de almoço, o senhor quer ir pra casa, viu aquela nuvem pesada lá na frente, o que pensou? Eu estava atrás daquele ponto de ônibus que o senhor estava, tive que dar a volta no quarteirão para passar bem devagar pela sua frente e o que o senhor fez? Eu aprendi tudo isso com meu pai, que era pescador. Como? Explico.

Eu sempre ia com meu pai nas embarcações da Colônia de Pesca do Rio Vermelho. Pescador adora pescar em dia de chuva. Ele fica torcendo para a chuva acabar depois de uns dois ou três dias, os peixes estão famintos, jogávamos a rede e era um mar de peixe. Muitas vezes, no mar, íamos ao encontro da chuva mesmo para pegar os cardumes de peixes fugindo. Já época de sol, era melhor de anzol mesmo. Tudo que tem vida neste mundo está sempre indo de um lugar para outro, seja fugindo da chuva, procurando comida ou correndo pra não perder o horário. O senhor mesmo está fazendo essas três coisas de uma só vez. Chegamos. São dezesseis reais e vinte. Quinze está bom. Até a próxima. Aqui está o meu cartão.

E lá se foi Lúcio buscando o movimento migratório das pessoas e de corridas através do céu nublado. Foi parando o carro devagar. Para onde vai a senhora? Salvador Shopping? Vamos. Eu sabia que a senhora ia pegar o meu táxi. Como? O tempo está fechado. Explico. É que…



3 comentários:

Ana disse...

Bruno:
Esta eu não conhecia ainda!
MUITO BOA!!!!!
ADOREI!!!!!
Parabéns!!!

_Gio_ disse...

SENSACIONAL!


hauhauhauhauhuahauhauhauhauhauhauuaha

Muito boa!!!

Bruno D'Almeida disse...

Shintoniete e Gio, o meu muito obrigado!