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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 24 de outubro de 2010

Beija-flor - por Alba Vieira

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Um beija-flor dança no ar suspenso em alegria.
Toca de leve as flores coloridas e perfumadas,
Desenhando caminhos de intensa energia
Para os olhos que veem na alvorada.
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Visitem Alba Vieira...........
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.Pintura “Suavidade”, de Alba Vieira.
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Millôr Fernandes e “O Socorro” - Citado por Penélope Charmosa

Ele foi cavando, foi cavando, cavando, pois sua profissão - coveiro - era cavar. Mas, de repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que, sozinho, não conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enlouqueceu de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado.
A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardas. Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouvia mais um som humano, embora o cemitério estivesse cheio dos pipilos e coaxares naturais dos matos. Só pouco depois da meia-noite é que lá vieram uns passos. Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia:
- “O que é que há?”
O coveiro então gritou, desesperado:
- “Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível!”
- “Mas coitado!” - condoeu-se o bêbado. - “Tem toda razão de estar com frio. Alguém tirou a terra toda de cima de você, meu pobre mortinho!”
E, pegando na pá, encheu-a de terra e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente.

Moral: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem se apela.
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In “Pif-Paf”.
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Virose - por Fatinha

Querido Brógui:

Depois de mais de um ano dando olé nas “viroses”, baixei no estaleiro. Por que viroses entre aspas? Porque agora, quando os médicos não sabem o que você tem, classificam a pereba de virose. Essa denominação serve para de um tudo, desde piriri até unha encravada, passando pela dor de cabeça e acabando na sensação de ter sido atropelada por um caminhão desgovernado.
Minha pediatra (pode parar de rir, eu tenho uma pediatra, tá?) diz que os médicos que estão saindo agora das faculdades não sabem nada. Ela diz que escolhe pela idade. Só serve médico velho. Já tem a listinha dela preparada, daqueles conhecidos, mas quando surge uma necessidade de algum profissional diferente, ela liga pro consultório e pergunta quantos anos tem o médico. Menos de cinquenta anos, nem pensar. Com cinquenta anos de idade, ao menos o cara tem uns vinte de profissão. Já é alguma coisa. Eu concordo com ela, trocando apenas o adjetivo “velho” por “antigo na praça” ou “experiente”.
Há alguns milênios atrás, a moda era stress. Eu ia para o médico, com uma baita infecção na garganta e ele perguntava: “Você está estressada?”. Ia mostrar uma irritação na pele e vinha a mesma pergunta. Ia tratar de uma anemia, a mesma coisa. Naquele período, eu já entrava no consultório dizendo que minha vida estava muito bem, obrigada, e que não estava sofrendo de nenhum distúrbio psicossomático.
Depois da moda do stress, veio a moda da alergia. Tudo tinha fundo alérgico. Fiquei preocupadíssima, a ponto de pensar que tinha alergia a mim mesma. Fiz testes alérgicos aos montes e, no último deles, quando peguei o resultado, uma amiga me disse, ainda no elevador, que eu tinha que viver numa bolha de plástico, que nem aquele personagem do John Travolta naquele filme. Lembra? “O rapaz na bolha de plástico”? Um dos micos que esse grande ator pagou antes de ser resgatado das profundezas do ostracismo pelo Tarantino e ir fazer “Pulp Fiction”. Não lembra? Não viu? Nem era nascido? Tudo bem, não perdeu nada mesmo.
Ano passado, depois de duas semanas bombardeada, de cama, achando que não iria sobreviver, fui à emergência de um hospital. Fiquei ho-ras esperando. Acho que eles deixam o cabra esperando na emergência para ter certeza de que é emergência mesmo, porque se não for, ele se levanta e vai pra casa (ou pro cemitério). Menos um pra atender.
Nesse dia, a médica me atendeu, disse que eu tinha tido não apenas uma virose, mas três. Isso mesmo. Emendei uma na outra, apresentando sintomas diferentes. Disse também que eu aparentemente estava com uma crise alérgica. Perguntou ainda se eu estava passando por um momento de muito stress.
Saí de lá com a certeza de que a moça estava atirando pra tudo o que era lado. Não tinha como errar. Ou era virose, ou alergia, ou “pobrema de neuvos”.
De lá pra cá, nunca mais fiquei doente daquele jeito e atribuo isso às doses diárias de Targifor C. Quem receitou? Minha pediatra, lógico.
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Postado, originalmente, em 23/10/2008.
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Visitem Fatinha
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Memórias de um Ex-Seminarista (Parte XX) - por Paulo Chinelate

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FÉRIAS… MAS QUE FÉRIAS!?
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Seis meses me separaram dos familiares desde a última vez que os vi. Muita coisa nova me esperava. Vovô Joanim já não se encontrava mais conosco. Sua morte foi-me participada havia dois meses e só agora o fato teve relevância. Ao visitar vovó Lídia, a viúva, pude observar o vácuo deixado por ele. Homem simples, de fácil se dar, me adotara como seu colega de pescaria. Andávamos longos trechos pelos trilhos da Central do Brasil que margeava o Rio Paraibuna e íamos buscar, em pesqueiros “secretos”, os petiscos do jantar. Agora o vazio.

Meus irmãos cresceram como nunca e exceto por um detalhe interessante, a cada vez que em casa me aportava, tinha a sensação de tudo em casa estar diminuto. A moradia como que se encolhera.

A novidade mais importante foi a inauguração de uma casa bem vizinha à nossa. Era uma construção nova pertencente ao Conjunto JK , no local exato onde antes ficava pequena lagoa, objeto das minhas peraltices infantis.

A saudade do local de velhas lembranças, no entanto, logo se esvaiu. Uma figura está sendo a responsável por isso. O nome dela é Mercedes. Longos cabelos, negros e lisos. Mal pude ainda observar seus olhos. É moda os cabelos estarem caídos pelo rosto, qual burka natural. É linda. Tem a minha idade. Filha de numerosa prole, sendo uma das caçulas. Já frequenta nossa casa, amiga de minha irmã Conceição. Tão logo aqui cheguei veio se apresentar e conhecer o vizinho “padre”. Desde então me vi perdido em sensações e pensamentos nunca dantes experimentados. Algo como fogo ardente queima-me por inteiro. Sinto-me estranho. Muito diferente do que sinto por meus pais, irmãos e amigos.

Nunca foi tão gostoso ir à missa. Voltar junto com o grupo onde ela estava ela era divinamente agradável.

Minha irmã, como soer deve acontecer com algumas mulheres, alcovitando, facilitava os encontros e reencontros. Meus pais, na santa inocência, tinham tudo como muito normal.

O pior é que o tempo dispara justo quando as coisas são boas e favoráveis. Os vinte dias das férias sumiram como por encanto.

Retornando à lide clausural já não tenho mais outros que não pensamentos a Juiz de Fora. Não me seguram mais razões outras que dantes me fixaram tão longe dos meus.

Tudo me parece estranho. As luzes e os verdes deste lugar já não brilham nem colorem mais como dantes .

Iniciou-se o segundo período escolar do ano letivo com as atividades pertinentes. Como “terapia ocupacional” qualquer esforço pareceu-me inútil. Por muitas vezes estou sendo chamado à atenção às aulas. Estou sempre no mundo da Lua. “Lua com cabelos compridos e olhos escondidos”.

Fui chamado a uma reunião particular com o Irmão Reitor. Não imaginava a que se atinha tal encontro. Os resultados escolares do mês em andamento ainda não tinham sido recolhidos. Seria ainda o assunto do cigarro nos bastidores do teatro?

Dia seguinte e após os afazeres matinais, preces e faxinas, sou convocado à tal reunião. Estou mais ansioso que apreensivo. Adentro o gabinete austero do Reitor. Sou convidado a sentar-me e ficar aguardando alguns instantes enquanto o mestre assina uns papéis.

Finalmente, após ler uma ficha que detivera à parte, inicia a conversa perguntando como estou. Respondo-lhe que “bem”. Dá uma espiadela na ficha que, certamente, agora tinha eu convicção, era minha. Diz querer saber o motivo de minhas preocupações atuais, ao que respondo evasivamente, e com sinceridade: “nenhuma”.

Perguntou-me como foram as férias, como encontrara a família, que locais eu visitara e quem eu conhecera.

Sempre fui muito sincero. A lição que papai mais evidenciou foi a de que nunca mentisse, fosse em que oportunidade fosse. Abri-me, pois, ao caro superior como sempre o fiz com papai.

O mestre me olhou com carinho e compreensão. Fez-me ver que o que sentia não era pecaminoso ou errado. Muitos que ao seminário chegavam, depois de algum tempo acordavam para outros sentimentos que não o do celibato e da reclusão. No entanto, convida-me à oração e reflexão. Que permanecesse ainda o restante do ano em observação. Deixasse o tempo passar. Ao final do período em nova conversa decidiríamos, os dois, o melhor caminho a tomar.

Os dias foram rolando, devagar como carroça ladeira acima.

Agosto chegou e não deixei que terminasse. Pedi nova reunião. E expus minha vontade de partir.

Não houve oposição. Foi como se já se esperasse por este resultado. Só foi pedido tempo para uma troca de correspondência entre a Direção e papai.

Os valores necessários para a viagem chegaram com a resposta de papai.

Não obtive, como praxe, oportunidade para despedidas. Não podia ser o motivo ou estímulo a outras deserções. Muito menos pelos motivos supostamente aventados.

Voltei para o “mundo” no dia 5 de setembro de 1964.

Comigo acompanharam valores imensos. Dos Maristas tive a oportunidade de não só ter crescido como cristão, mas como verdadeiro cidadão, esta última virtude inseparável da primeira.

Não imaginava, no entanto, quanta influência teriam estes pouco menos de cinco anos em toda minha existência.
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Convite - por Maurício Limeira

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Minicontos “Volta” e “Lembrete”
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Conto “Uma noite com Paloma”
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O primeiro sorteio do blog
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Confira em
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O Adversário
Livro. Blog.
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Giuseppe Ghiaroni e o “Poema da Máquina de Escrever” - por Adir Vieira

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Mãe, se eu morrer de um repentino mal,
vende meus bens a bem dos meus credores:
a fantasia de festivas cores
que usei no derradeiro Carnaval.
Vende esse rádio que ganhei de prêmio
por um concurso num jornal do povo,
e aquele terno novo, ou quase novo,
com poucas manchas de café boêmio.
Vende também meus óculos antigos
que me davam uns ares inocentes.
Já não precisarei de duas lentes
para enxergar os corações amigos.
Vende, além das gravatas,
do chapéu, meus sapatos rangentes.
Sem ruído é mais provável que eu alcance o Céu
e logre penetrar despercebido.
Vende meu dente de ouro.
O Paraíso requer apenas a expressão do olhar.
Já não precisarei do meu sorriso
para um outro sorriso me enganar.
Vende meus olhos a um brechó qualquer
que os guarde numa loja poeirenta,
reluzindo na sombra pardacenta,
refletindo um semblante de mulher.
Vende tudo, ao findar a minha sorte,
libertando minha alma pensativa
para ninguém chorar a minha morte
sem realmente desejar que eu viva.
Pode vender meu próprio leito
e roupa para pagar àqueles a quem devo.
Sim, vende tudo, minha mãe,
mas poupa esta caduca máquina em que escrevo.
Mas poupa a minha amiga de horas mortas,
de teclas bambas, tique-taque incerto.
De ano em ano, manda-a ao conserto
e unta de azeite as suas peças tortas.
Vende todas as grandes pequenezas
que eram meu humílimo tesouro, mas não!
ainda que ofereçam ouro,
não venda o meu filtro de tristezas!
Quanta vez esta máquina afugenta
meus fantasmas da dúvida e do mal,
ela que é minha rude ferramenta,
o meu doce instrumento musical...
Bate rangendo, numa espécie de asma,
mas cada vez que bate é um grão de trigo.
Quando eu morrer, quem a levar consigo
há de levar consigo o meu fantasma.
Pois será para ela uma tortura sentir
nas bambas teclas solitárias
um bando de dez unhas usurárias
a datilografar uma fatura.
Deixa-a morrer também quando eu morrer;
deixa-a calar numa quietude extrema,
à espera do meu último poema
que as palavras não dão para fazer.
Conserva-a, minha mãe, no velho lar,
conservando os meus íntimos instantes,
e, nas noites de lua, não te espantes
quando as teclas baterem devagar.
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Visitem Adir Vieira
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Poesia Reflete a Alma - por Tércio Sthal

Do poeta e do mundo,
reflete, da vida, a calma,
e o abismo mais profundo,
a amplitude do cosmo
e o nada que o desarma.
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.............................................FotoPoesia
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(Sem Título) - (Anônimo)

Desejar luz imerso em treva
é acalentar o não quando sim
é dor que chega e versa
exigindo muito de mim.

É ter que lembrar de fé
quando derrotado se está
já esquecido de quem é
sem ter mais porque lutar

desejar que tudo se esgote
então enfim descansar
mas dor comigo não pode
desejo é me levantar

E quando erguida estiver
após a enxurrada do mal
recomece algo qualquer
pra ter a luz afinal.
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Sorte - por vestivermelho

Cresci ouvindo falar que chinelos ou sapatos virados com a sola para cima davam azar, tanto que sempre que vejo algum calçado virado tenho que desvirá-lo, mesmo sabendo que isto é pura superstição sem sentido.

Pés de coelho e ferraduras dão sorte?

Mas o que falar então da arruda...
Será o cheiro ou suas folhas meigas?
Azar ou sorte...

Tudo que acontece pode ser sorte ou azar. Depende do que vem depois. O que parece azar num momento, pode ser sorte no futuro.

Melhor nem comentar dos jogos...

Somente sei que tenho muita sorte ou azar... Oh, dúvida cruel!...
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Inspirado em Sortes, de Ana.
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Mutantis - por Ana

Ver uma estrela cadente
Encontrar um grande amor
Perdoar antes da morte
Na mega sena milhões
Sobreviver a acidente
Nascer em família feliz...

São coisas que vêm pra gente
- A cada um uma sorte -
Mudam tudo num repente
De formas tão diferentes...

Esperança, herança, dor,
Fé, sobrevida, grilhões,
Destino, filho, fuzis...
Bisturis que dão o corte.

Fatos que redefinem
A direção da estrada,
Sentimentos que permitem
Uma outra caminhada.

E a vida, tão mutável,
Não nos deixa acomodar
Naquilo que é bom ou ruim,
Está sempre a conclamar
Os homens p’ra novos sentidos
Que temos que acompanhar.
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domingo, 17 de outubro de 2010

Memória x Vida - por Alba Vieira


A memória é mesmo uma faca de dois gumes...
Garante usufruir, depois de já vividos, os momentos bons. Permite que tenhamos outra vez a alegria que experimentamos ao receber um sorriso, um afago, um olhar, uma ação favorável quando é despertada.
Mas, essa mesma capacidade de reter o que nos foi benéfico possibilita que não deixemos para trás as dificuldades. Se podemos nos lembrar dos erros, eles continuarão a nos pedir modificações, reparação e aprendizado. E é certo que isso tem as suas vantagens. Entretanto, nem sempre é possível reverter as falhas do passado e, nesse caso, a memória é um tormento constante, trazendo sofrimento.
Quantas vezes desejaríamos apagar da mente situações vivenciadas com desespero, que foram impostas por outro que, aproveitando a nossa fragilidade, nos atingiu? Tantas vezes experimentamos sensações ruins ligadas à memória de ocorrências que por tão traumáticas não podemos recuperar totalmente, mas cuja dor permanece viva em nós!
Às vezes, é possível pensar que é uma benção a deterioração da mente, apagando o conhecimento do passado tanto remoto quanto recente, criando um vácuo onde parece que a dor é menor. Mas, será que isso realmente ocorre? O que sobra quando a memória se esvai?
É cada vez mais comum a doença de Alzheimer. Mas, será que ela protege o seu portador do que pesa em sua existência ou rouba dele os momentos de glória, os aprendizados, as relações afetivas?
E na velhice que se estabelece naturalmente, quando esquecemos de fatos recentes, talvez sem muita importância no contexto geral, servindo-nos apenas numa atuação competente no presente e lembramos perfeitamente do passado remoto? Será que isso talvez proporcione um convite à reavaliação de nossa vida, com a possibilidade de maior compreensão dos fatos? Quem sabe seja interessante iniciar esse inventário aproveitando a chance que a natureza nos dá, antecipando a análise retrospectiva da vida que, inevitavelmente, seguirá a nossa morte.
Será que perder a memória é possibilidade de poder começar tudo outra vez? Apagar o quadro-negro da vida e reescrevê-la sem tantos erros? Mas, será que começamos realmente a nossa vida como uma tela em branco? Se assim fosse, como poderíamos aceitar a justiça de tantas diferenças entre os homens?
A memória é um bem precioso, mesmo que tantas vezes acabemos deturpando seus conteúdos por pura incapacidade de lidar com a realidade. É uma ferramenta incrível que nos permite acessar a nossa vida e fomentar o auto-conhecimento.
E, se o sentido da vida é experimentar no plano material para aprender e evoluir, é imperativo que ao longo da caminhada possamos fazer um balanço do que já foi vivido. E se evoluir implica em transformação, essa será mais proveitosa quanto maior o conhecimento que tivermos de nós mesmos.
Mas... não basta lembrar. É preciso meditar para entender. E a compreensão dos fatos e das pessoas traz a aceitação da realidade. O conhecimento da realidade nos permite tomar nas nossas mãos as rédeas da nossa vida, uma vez que, no íntimo, cada um de nós sabe exatamente ao que veio nessa existência. Assim, será possível corrigir a rota, caso esta esteja alterada por força das circunstâncias, da nossa incapacidade momentânea ou reincidente de trilhar o caminho pretendido, previamente acordado.
Meditar, ir para dentro de si mesmo é também mergulhar nas profundezas da mente, podendo ter contato com memórias ancestrais. O conhecimento de memórias de vidas passadas muitas vezes nos permite montar o quebra-cabeça que dá sentido a essa vida e corrobora com os aprendizados.
Parece que é preferível lembrar-se, mesmo que isso nos traga dor, porque se ela de fato existe, é melhor ter a consciência a sofrer as consequências da presença do seu fantasma, eternamente a nos espantar. Entretanto, é importante respeitar as possibilidades de cada um, em cada momento. E buscar ajuda para lidar com os conteúdos de memórias perturbadoras é, muitas vezes, imprescindível. Conscientizar permite ressignificar e livrar da dor aquele que o faz.
Memória é vida. E, se a consciência sobrevive, estamos vivos para sempre, mesmo após a morte do corpo físico.
E, mesmo que na vida física a memória se deteriore, ela certamente se recupera na vida do espírito, já que a vida é eterna.
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Imagem: Pintura “Segredo”, de Alba Vieira.
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Visitem Alba Vieira
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Micro - por Leo Santos

Quem és pequeno ser,
chegas mesmo a ser,
ou é acinte o que propus?

Dizes pertencer à natureza,
mas, desafinas de sua pureza,
não vês como ela caminha pra luz?

Se és mesmo seu produto,
porque andas tão poluto
ao invés, de lha fazer jus?

Vives nas chagas do planeta,
rasgos de sua baioneta,
feridas que não se cura;

Ainda que tanto te ufanas,
não se avexa de só fazer da cana,
álcool, em prejuízo da doçura.

E agora que tapastes o sol,
laboras, do artifício em prol,
ocultando tua noite escura.

Sua presunção encerra,
o ter ido ao quintal da terra,
pensando dominar o espaço;

Constróis vastos mirantes,
estudas estrelas distantes,
seguindo-as, passo a passo;

A teus pés, estrelas se apagam,
mas numa última chispa indagam,
quem és, pequeno fracasso…?
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Visitem Leo Santos
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Separação - por Marília Abduani

O corte na esperança
rompeu o dia.
Devagar os olhos fecham-se
estáticos.

A névoa da ausência desfez os laços
lassos que se divergem,
isolam- se
no exílio do pranto.

O grito na noite
acorda a saudade.
Insônia.
Mais nada.
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Tentativas - por Ana

Queria te dizer palavras
Que não soassem clichês.
Queria te fazer perguntas
Que não contivessem “por que?”.
Queria viver nosso amor
Por anos antes de morrer.
Queria chorar nossa dor
Em versos lindos de dizer.

Mas... inspiração limitada,
Poetisa malformada,
Escritora fracassada,
Deixo linhas mal traçadas

Que dizem do meu amor
Que lateja sem pudor,
Que falam de nossa dor
Que sonha com o esplendor,
Que vivem em um ardor
Que agoniza em estupor,
Que choram sem um rumor,
Qual vela no toucador.
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Cretinices - por Fatinha

Querido Brógui:

Essa edição é em homenagem a nós, professores, e à nossa árdua batalha no dia-a-dia. Não é inédita, aliás, pra falar a verdade, nem requentada mesmo é. Digamos que ela é “trequentada”. Ela é datada de 2002, não havia nem ainda o “Querido Diário” e, quando ele nasceu, eu requentei. Sendo assim, é a terceira vez que empurro o mesmo texto pela sua goela abaixo e ele ainda é, seis anos depois, a fiel, pura e cruel realidade de meu alunado.
Lá vai:

“Querido Diário:

Neguinho fica por aí espalhando que essa humilde e simpática professora de História é grossa, que é malcriada, que tem tolerância zero. Já me disseram que eu rosno e que meu olhar irado congela qualquer criatura num raio de cem metros.
Após o meu relato, diga sinceramente se a cretinice do alunado tem limites. Se você não é professor ou nunca teve contato com crianças, atire a primeira pedra.

Cretinice 1
Sete horas da manhã, cara inchada, ainda com cheiro de travesseiro, chegando ao meu local de trabalho, sabendo que vou ter que encarar dúzias de adolescentes e pré-adolescentes e crianças e colegas etc., etc., etc.
“A senhora vai dar aula?”
“Não, eu não vou dar aula, só vim aqui porque acordei às cinco e meia da manhã e como não tinha nada melhor pra fazer eu vim aqui passear e ver se você estava bem de saúde.”

Cretinice 2
Mesmo contexto.
"A senhora veio?”
“Não, eu não vim. O que você está vendo é um holograma, está tendo uma visão do inferno, você está sonhando e tendo um pesadelo.”

Cretinice 3
Mesmo contexto.
“Por que a senhora veio?”
“Por que você veio?”

Cretinice 4
Dia de prova.
“Professora, eu não assisti a nenhuma aula da senhora. O que eu escrevo na prova?”
“Seu nome. E vê se põe letra maiúscula.”

Cretinice 5
O trabalho é para ser feito em folha separada para que eles me entreguem no final da aula.
“Precisa colocar o nome e a turma?”
“Não. Ontem comprei pilhas novas pra minha bola de cristal.”

Cretinice 6
Seis meses depois de iniciado o ano letivo, o aluno pergunta:
“Qual é mesmo a matéria que a senhora ensina?”
“Grego arcaico.”

Cretinice 7
Acabo de passar um exercício no quadro.
“É pra copiar?”
“Não. É que eu estava com vontade de me sujar toda de giz, cheirar um pouquinho de pó e ficar com câimbra no braço.”

Cretinice 8
Continuando a cretinice nº 7, o aluno copia tudinho.
“É pra fazer?”
“Não. Leva pra casa que sua mãe responde pra você.”

Cretinice 9
Já em desespero, com a bexiga quase explodindo, pego a bolsa e aviso que vou descer.
“A senhora vai pra casa?”
“Não. Vou usar o banheiro aqui da escola mesmo.”

Cretinice 10
Dando continuidade, provando minha tese que cretinice não tem limites, o aluno retruca:
“Vai fazer o quê?”
“Brincar de amarelinha.”

Está com pena dos alunos? Tá achando que sou demasiadamente cruel, irônica, debochada e deseducadora? Pois você não entende nada de educação.
Passados alguns meses nessa salutar convivência, ao ouvir perguntas cretinas, apenas digo em voz baixa e com um sorriso sarcástico nos lábios: “É pra eu responder ou se trata de uma pergunta meramente retórica?” E o aluno, que é cretino, mas não é burro, rapidamente responde: “É meramente retórica.”
Viu? Eles sabem o que é retórica. Sou ou não sou uma professora de mão cheia?

Esse texto é dedicado à Michelle, minha ex-aluna, futura professora, provando que ainda há almas a serem salvas nesse mar de cretinice e que, por essa almas, vale o sacrifício.
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Postado, originalmente, em 17/10/2008.
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Visitem Fatinha
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Parabéns, Professores! - por Adir Vieira

Hoje é um dia importante, que devemos festejar,
pois todo mundo na vida teve um mestre a lhe ensinar.
Eu mesma, que sou de um tempo
em que mestre não era tia,
fico aqui, hoje, a pensar, como se mudou esse dia...
Professora, quem não lembra
da sua primeira, aquela,
que com sua mão na dela,
ajudou a formar os “as”.
Hoje, as coisas são outras, vamos prá escola brincar.
Artes, ginástica olímpica, tocar instrumentos, rezar
- dependendo da escola -
são mais importantes que ler, escrever certo, pensar...
Hoje, pobres professoras, com tanta psicologia,
com tantos direitos humanos,
deixaram de ser aquela
a quem reverenciamos.
Pobres dos jovens de hoje que,
quando o tempo passar, não saberão qual a “tia”
que na memória terão, com a globalização.
Talvez tudo tenha mudado,
embora as crianças também, mas
o que importa hoje é darmos parabéns.
Vamos parabenizar a todas, as de ontem, as de hoje,
sabendo sempre que elas, uma ou quatro na turma,
desejam para nós o saber.
Dedicadas sei que são, pois, com tantas dificuldades,
ainda existem aquelas que ensinam, além do projeto.
Mesmo com computador, pesquisas e tudo o mais,
sempre uma novidade vai caber a elas ensinar.
Parabéns mestres, tias, professoras,
chame quem quiser a seu modo,
recebam o nosso carinho e nosso reconhecimento.
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.................................................Visitem Adir Vieira
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Não Adianta Plástica - por Poty

Nada adianta se não te faz bem,
Nada adianta se tua morada interior não se encontra bem,
Se você não se sente segura para seguir a vida.
Quando a plástica recobre os defeitos externos e encobre os internos,
Para quê uma boa estética se a ética encontra-se desmoronando?
Se quiseres fazer, que faças, mas seja num ato de reconciliação do corpo com suas energias.
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Visitem Poty
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A Marcha dos Palhaços - por Tércio Sthal

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Mas depois de iludir a massa..................................................
a cada um deles irão perguntar:..................................................
quanto você quer..................................................
pra deixar de fazer sua graça?..................................................
(Tércio Sthal)..................................................
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Ordinários, marchem:
Isto é uma ordem!
A lei não permite fazer graça
nos programas humorísticos,
mas admite que se faça
no programa eleitoral gratuito.

Palhaços, marchemos:
Até Alta Corte iremos!
Pelo direito de fazer graça
nos programas humorísticos,
e que a democracia se faça
presente nos horários políticos.

Sejam, pois, iguais os direitos
de todos os candidatos,
e, independente dos trejeitos,
o voto eleja, de fato,
quem tenha a ficha limpa
e não mascare os próprios feitos.

E nós, todos os palhaços,
a invadir todos os espaços,
não venderemos nossa alma,
ganharemos, do povo, palmas,
faremos o povo rir e cantar,
ao invés de sofrer e chorar.
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Visitem Tércio Sthal
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Um Convite: - por Paulo Tamburro

No meu blog humor, “HUMOR EM TEXTO”, a crônica desta semana é:
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“TENTANDO EXPLICAR OS SENTIMENTOS: HOMEM E MULHER”
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Eis um pequeno trecho:

“Temos procurado através de intensas pesquisas teóricas, e muito mais práticas, compreender melhor as múltiplas possibilidades que podem ter um homem e uma mulher nos eventos de prazer da sexualidade, quanto aos seus comportamentos, atitudes, emoções e as suas sutis e históricas diferenças.

É tudo muito complexo!”

Tenho certeza de que seu comentário será muito útil para compreendermos melhor esta eterna procura do homem e da mulher.

Um abração carioca!
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Anjo P - (Anônimo)

Você é minha filhinha bonitinha
te amo de paixão
você é não sei mais o quê...
Faz arroz com feijão

Minha filhinha bonitinha
te amo de paixão
você é só minha garotinha
só pra você é meu coração

Não fala que fui eu que fiz
diz que foi você que criou
diz que fez porque quis
e que em mim se inspirou
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