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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sexta-feira, 29 de maio de 2009

Corrente - por Alba Vieira

Conecta
Oração
Riacho
Reprime
Enlaça
Numinoso
Travessia
Enfeite




Visitem Alba Vieira
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Doeu? Eu Faço! - por Daisy

E hoje doeu, doeu fundo. Feriu meu mundo. Nas mesas do restaurante, poucos casais, mas muito distantes. Sequer um olhar... Dar a mão? Nem pensar! Entre uma e outra garfada, nenhuma palavra trocada. Coisa mais sem graça! Que vida é essa, sem conversa, nem promessa? Tudo às avessas! O garçom vai e vem, tenta, intervém. Mas qual o quê? Nada se vê. O jantar acaba. Acontece nada. A vida continua, nua, crua. A rotina impera, severa. Que fera! Mas, amanhã será outro dia! Com certeza, sem poesia, mas com muita melancolia. Oh vida vazia!



Inspirado por Marcelino Freire
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Visitem Daisy
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Augusto dos Anjos e “A Caridade” - Citado por Penélope Charmosa

No universo a caridade
Em contraste ao vício infando
É como um astro brilhando
Sobre a dor da humanidade!

Nos mais sombrios horrores
Por entre a mágoa nefasta
A caridade se arrasta
Toda coberta de flores!

Semeadora de carinhos
Ela abre todas as portas
E no horror das horas mortas
Vem beijar os pobrezinhos.

Torna as tormentas mais calmas
Ouve o soluço do mundo
E dentro do amor profundo
Abrange todas as almas.

O céu de estrelas se veste
Em fluidos de misticismo
Vibra no nosso organismo
Um sentimento celeste.

A alegria mais acesa
Nossas cabeças invade...
Glória, pois, à Caridade
No seio da Natureza!

Cantemos todos os anos
Na festa da Caridade
A solidariedade
Dos sentimento humanos.
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João Cabral de Melo Neto in Morte e Vida Severina - Citado por Raquel Aiuendi

(...)
Os rios que correm aqui
têm água vitalícia.
Cacimbas por todo lado;
cavando o chão, água mina.
Vejo agora que é verdade
o que pensei ser mentira.
Quem sabe se nesta terra
não plantarei minha sina?
Não tenho medo de terra
(cavei pedra toda vida),
e para quem lutou a braço
contra a piçarra da Caatinga
será fácil amansar
esta aqui, tão feminina.
(...)
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Clarice Lispector: “A Lucidez Perigosa” - Citada por Alba Vieira

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.

Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
– já me aconteceu antes.

Pois sei que
– em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade –
essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.



Nota de Alba Vieira
Destaquei este texto da Clarice como demonstração do quanto ela sempre foi antenada, dizendo coisas que alcançava através de suas vivências e que hoje muitos podem ter acesso através dos textos de metafísica.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Grande Inauguração!

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Hoje estamos inaugurando a categoria
“Apenas ContaGio”
que irá ao ar todas as quintas.
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Mais um imperdível!
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Canto Solitário - por Gio

Sentindo um aperto ao coração
Pedindo p’ra do peito extravazar
Aos poucos, vai tomando seu lugar
Um tormento chamado solidão

É dor que dilacera sem doer
Vazio que enche o corpo sem demora
E a alma, entorpecida, perde a hora
Vê o pôr do sol até no amanhecer

É ingênuo quem fala em liberdade
Pois se vê que não tem intimidade
Com essa dor e suas sensações

Quem conhece de fato esse pesar
Sabe que a solidão pode virar
A pior e mais cruel das prisões



Visitem Gio
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As Nossas Palavras XII - por Clarice A.

Tinha um hábito adquirido na infância que achava muito engraçado. Era o rei das perguntas indiscretas.
Cresceu e não percebeu que o que entre crianças era aceito, agora entre adultos tornara-se desagradável. Divertia-se com as “saias justas” que provocava com suas indiscrições. Alguns fugiam dele como o diabo foge da cruz, mas tudo isso só servia para reforçar seu hábito. Não era como os outros, era isso que o tornava diferente e ele gostava. Até os foras que levava tirava de letra, eram os ossos do ofício. Era aceito apesar disso porque tinha lá suas qualidades: solidário, divertido, sempre bem-humorado, mas quando começava com suas perguntas indiscretas era um horror.
Um dia (e sempre tem um dia) um de seus amigos, já cansado daquilo, resolveu dar-lhe uma dose de seu próprio remédio e fez-lhe uma pergunta, assim na lata, que o deixou completamente desbundado. Queria como resposta apenas um sim ou não. A pergunta referia-se a um acontecimento que ele guardava para si a sete chaves e nunca imaginara que mesmo seus amigos tivessem conhecimento de tal fato. Sentiu uma sensação que nunca havia experimentado enquanto perguntava para si mesmo como o outro soubera daquele assunto tão protegido por ele e, se o amigo sabia, quantos mais também saberiam? O amigo insistiu: sim ou não? Ele mentiu ao responder, disse não, o sim que era a resposta correta doeria demais nele.
Aquele dia foi um marco na vida dele. Sentiu-se tão mal, mas tão mal!... Como o seu amigo podia ter-lhe feito uma pergunta daquelas?
Ficou encasquetado vários dias, não parava de pensar naquilo. Decidiu perguntar ao amigo o porquê de tal atitude. Puxa, amizade de infância, pegou pesado, então o amigo não percebeu que o deixou sem graça, e pior, ainda insistiu na resposta? O amigo respondeu-lhe calmamente: mas você fez isso a vida toda, tantas vezes, com todos, nunca percebeu os constrangimentos que causava com suas perguntas? Sempre se achava engraçado e nem ouvia quando falávamos que tinha exagerado?
Mais encasquetação. Precisou de meses para digerir tudo, hábito muito arraigado para ser descartado rapidamente. Fez uma auto-análise, coisa difícil, é preciso admitir para nós mesmos o nosso lado escuro, destrutivo, e pior: ainda tendo os outros como alvo. Em seus flashbacks as expressões faciais após suas perguntas já não pareciam tão engraçadas como havia achado anteriormente. Procurou ser o mais verdadeiro possível em suas análises, afinal, ainda havia algo que lhe incomodava profundamente: havia mentido e uma das coisas que admirava em si mesmo era justamente não ser mentiroso.
Enfim, após esse terremoto interno que sofreu (assim sentia tal a força de sentimentos e pensamentos revezando-se em seu íntimo) decidiu: perguntas indiscretas nunca mais. Sabe que hábitos antigos são difíceis de mudar, mas é só lembrar os maus bocados que passou que, com certeza, a pergunta pode até ser pensada (ninguém é de ferro...), mas formulada jamais.
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Clarice A.

Gostaria de indicar como inesquecível o texto da Alba “Mães Possíveis”, que nos coloca como somos, pessoas reais, normais, cuja idealização só dificulta o relacionamento. O título já fala por si.



MÃES POSSÍVEIS
(ALBA VIEIRA)

Veio à minha mente a seguinte conexão: mãe-guardiã. Pensei no significado de ser mãe. Que complexidade! Que multiplicidade de formas de ser! Como vai além do estereótipo vinculado às campanhas comerciais! Que responsabilidade é ser mãe! Quantas cobranças! Que o digam os que frequentam consultórios de psicanalistas. E como é simples ser mãe deixando-se conduzir apenas pelo instinto!
Mãe é a que concebe, a que geralmente gesta, a que cuida, a que forma, a que guarda e protege (ou deveria). Cabe aos pais, à mãe, em particular, guardar o filho até que ele possa caminhar sozinho pela vida. E, neste aspecto, persiste a diversidade, cada filho tornando-se capaz no seu próprio tempo.
No seu dia as manifestações de apreço se multiplicam, seus valores ficam enaltecidos, a emoção transborda naqueles que contam com suas mães a seu lado e naqueles que a perderam por morte ou afastamento de qualquer tipo. E falam delas como se todas tivessem apenas aspectos positivos. E onde ficam a mágoa, o rancor, a rejeição, a omissão, a maldade, as perversões e tantas variáveis que fazem parte do humano? Porque cada mãe é de um jeito. E todas têm o direito de ser o que são nesta vida de aprendizados. Por que não concebê-las dentro da realidade de cada uma, ao invés de endeusá-las? Até porque a categoria mãe está intrincada numa teia complexa das relações humanas regidas por suas leis naturais, entre elas a de causa e efeito.
Entretanto, quando se fala de mãe, é certo que se acende em nós um grande letreiro luminoso onde se escreve AMOR. E a mãe de cada um expressa este amor dado em abundância, restringido, negado. Seja o que for, no fundo é amor.
Então não seria melhor, ao invés de idealizarmos, dificultando a relação, aceitarmos a mãe que temos, compreendendo, tentando perdoar, adorando, agradecendo de joelhos por ela, engolindo, caminhando ao lado, relevando, odiando, mantendo longe, substitindo etc., todas estas coisas juntas ou separadamente?
Todas as mães são importantes nas vidas dos filhos, mas nem todas são apenas anjos ou demônios. São humanas em toda a sua complexidade e diversidade. Há as que têm vocação para corresponder ao estereótipo, há as que são o oposto dele, há as que grudam nos filhos e exageram, há as que são distantes e omissas, há as chatinhas, as malvadas, as inúteis, as desajeitadas, as competidoras, as depressivas. Há tantas que não caberia aqui citá-las.
Mas para todas elas, as que trouxeram o filho à vida, as que cuidaram e criaram, as substitutas, as de consideração, aos pais-mães, a todos que representam esta categoria, cabe o respeito de todos nós.
E, certamente, cada um de nós, neste dia, terá a quem dedicar o amor e agradecer por ter honrado o título de mãe em sua vida.
Parabéns a todas as mães possíveis deste planeta.
Que possam ter sempre a liberdade de apenas ser.
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Visitem Alba Vieira
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Convite - por Rodrigo de Souza Leão

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Agora - por S. Ribeiro

Mesmas até as palavras novas se
tornam depois de dois dias, os poemas finais e as elegias também; qual o valor do vento ou da
compreensão entre os homens depois desse
tempo, passado dentro dum pedaço torto de
um homem qualquer.

Em buscar os valores para o
deleite idiota, me perturbo, mas não
quero a mim, quero que nos perturbemos; podre e
vazia está minha órbita, por ser
minha, por ser órbita.

Queria falar-vos de amor, mas, vejam só o
quanto a boca espumaria o esquecimento e o
bom senso, lembremo-nos do inevitável instante, em que o mundo gira e a voz seca, e não há
algo para segurar.



Visitem S. Ribeiro
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Chinelos, um Pulo para o Amor (Parte I) - por vestivermelho

Saí da piscina e fiquei um pouco sentada para me secar, fiquei com uma sede... Coloquei a toalha enrolada na cintura e os chinelos...
Cheguei ao barzinho para pedir uma água... pensei uma cerveja, porque não...
Tomei o primeiro gole e me senti bem... mais um gole, nossa, estava muito boa...
Tomei saboreando, fazia tempo que não tinha esse prazer...
Pedi mais uma... chegou uma pessoa do meu lado.

- Posso me sentar ao seu lado?
- Pode.
- Está um calor... somente uma gelada para matar a sede.

Sorri e continuei a tomar com prazer...

- Há pessoas que não percebem o que estão fazendo, acho que estão distraídas...
- Sim, há pessoas que são muito distraídas.
- Acho que já te vi aqui algumas vezes, vem sempre aqui?
- Quando tenho tempo, sim. O calor, a piscina, esse sol maravilhoso nos convidam à boa vida.
- Sim... a boa vida.
- E você, vem sempre?
- Quando tenho tempo sim.

Sorriu e vi que tinha um sorriso lindo...

- Marco.
- Helena.
- Helena, prazer.

Tomamos a cerveja em silêncio.

- Tenho que ir, vou procurar meu chinelo, sumiu.
- Sumiu?
- Sim, achei esse, mas veja a cor...
- De fato não combina com você.

Um chinelo feminino na cor rosa... olhei melhor e vi... era meu chinelo... olhei para meus pés, que vergonha... era um chinelo de homem, tinha que saber que não era meu pela cor e tamanho... tentei esconder meus pés... mas com certeza ele já tinha visto.

- Estou com vergonha...
- Vergonha do quê?
- Olha...

Coloquei meus pés na frente dele.

- Que belos pés.

Fiquei com mais vergonha, pedi mais uma cerveja.

- Vamos repartir ela?
- Sim, acho que já tomei demais...
- Vamos trocar?
- Trocar o quê?
- Emails, fones, chinelos...

Levantei rápido e quase cai. Ele me segurou e não me largou mais...



Visitem vestivermelho
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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Esboço - por Leo Santos

Não há forças em meu argumento,
aliás, nem argumento, em minha fraqueza;
o espelho lança em rosto o tempo,
e este arremessa, no regaço da tristeza…

Tardio sangrar estético, perdido,
surpreende, não ter escoado tudo;
entre destroços, um último vagido,
depois sem gestos, inerte, mudo.

O Fado verdugo e o último pescoço,
saciando a sede de seu machado;
tolhendo um pulso que foi só esboço,
de um triunfar não consumado.

Animal que vegeta, portanto, radicado
à taça da sina, e sua overdose;
mercê de um deus grego mal-humorado
que urdiu a clausura, da metamorfose…

Mas Deus não é grego, aliás, sou ateu,
daqueles que abonam obras injustas;
portanto Ele pode, Ele, que é Deus,
restituir os anos, que comeu a locusta...



Visitem Leo Santos
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As Nossas Palavras XII - por Alba Vieira

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Nunca diga sim para perguntas indiscretas, pois, às vezes, as respostas podem ser constrangedoras.



Visitem Alba Vieira
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As Nossas Palavras XII - por Gio

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PERGUNTAS E RESPOSTAS


Perguntas que não calam
É verdade? Quer dizer...?
Respostas que não falam
Mais ou menos! Vai saber...

Perguntas indiscretas
Como? Quando? Vai contar?
Respostas bem diretas
Nunca! Às vezes! Vai pastar!

Perguntas incisivas
Quem foi? Quando aconteceu?
Respostas evasivas
É segredo... Não fui eu!

Perguntas floreadas
Pra sempre? Até o fim?
Respostas decoradas
Pra sempre! Aceito! Sim!

Perguntas engraçadinhas
Já te disseram...? E vai rolar?
Respostas nas entrelinhas
Ai, que enxaqueca! Me encontre lá...

Perguntas inevitáveis
Qual o sentido? Em que se crer?
Respostas intermináveis
O Céu! A morte! Sonhar! Viver!
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Visitem Gio
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Lélia

Quando li esta poesia aqui no Duelos achei tão emocionante! É linda, sensível, muito bonita e carinhosa. Vale a pena ler de novo!



DANÇA DOS CHINELINHOS
(ZAIRA)

Os chinelinhos andavam
da sala até a cozinha;
na cozinha volteavam,
formando estranhos desenhos
de estrelas e sóis distantes;
depois, à sala voltavam,
iam, vinham, sem cessar
para o seu baile dançar
e decorar de mansinho
os passos desse caminho
que andavam sem tontear;
os chinelinhos travessos
quase viravam no avesso,
marcando os passos do mundo
imenso e tão limitado...
os chinelinhos à esquerda,
à direita os chinelinhos,
bem firmes, depois, no centro,
a esperar e a buscar;
os chinelinhos dançavam,
deslizavam, escorregavam,
os chinelinhos viviam,
os chinelinhos cansavam,
os chinelinhos gastavam,
e nas idas e nas vindas
de sua andança no chão,
os chinelinhos morreram
e, sem querer, imprimiram
na última volta que deram,
a marca de um coração...
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Convite - por Rodrigo de Souza Leão

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SIMPOESIA 2009

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Experiência literária de quatro dias que reunirá poetas e críticos literários do Brasil e exterior, além de uma feira de editoras independentes de poesia do Brasil e Argentina promovida pela revista Grumo.
Um encontro que envolve a troca de idéias, a exposição da diversidade intelectual e o intercâmbio artístico e cultural entre diversas expressões da poesia contemporânea.

Curadoria Virna Teixeira
Realização Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo
Produção Casa das Rosas e Organização Social POESIS de Cultura
Patrocínio Instituto Cervantes, Consulado do México e Centro Cultural da Espanha em São Paulo


PROGRAMAÇÃO
4/6
19:30h
Apresentação. Abertura do evento.
20h Recital com Horácio Costa, Maria Esther Maciel, Micheliny Verunsck, Alfredo Fressia, Virna Teixeira
21h Show “Polivox” com Rodrigo Garcia Lopes. Lançamento da revista de poesia mexicana La Outra
Local Casa das Rosas

5/6
19:30h Debate com Gustavo López, Virna Teixeira e Vanderley Mendonça (Editoras Independentes de Poesia). Mediação: Paloma Vidal.
21h Recital com Rodolfo Hasler, Rodrigo de Haro, Efrain Rodrigues Santana, Luís Serguilha, Victor Sosa. Após o recital haverá o lançamento da revista Grumo.
Local Instituto Cervantes

6/6
COLÓQUIO - POETAS DE LÍNGUA INGLESA
14:30h
Debate “Brazilian poetry in translation” com Steven Buttermann, Stefan Tobler, Flávia Rocha e Rodrigo Garcia Lopes.
16h Palestra “Language poetry”. Professor William Alegrezza.
17h Palestra “Editing Contemporary Poetry, Litmus Press Experience” com E.Tracy Grinnell e Julian Brolaski.
18h Recital “Poetry reading” com William Allegrezza, Tracy Grinnell, Julian Brodanski e Stefan Tobler. Recital bilíngue com traduções para o português de Virna Teixeira. Stefan Tobler apresentará traduções do poeta brasileiro Antônio Moura para o inglês.
19h “Poesia: palavra impacto”. Palestra com Frederico Barbosa.
20h Recital com Sérgio Medeiros, Carlos Augusto Lima, Marco Vasques, Silvia Iglesias, Tatiana Fraga, Marcelo Tápia.
21h Show com o grupo de jazz Patavinas.
Local Casa das Rosas

7/6
16h Debate “Poesia, Sadomasoquismo e Diversidade Sexual” com Steven Buttermann, Antônio Vicente Pietroforte e Glauco Mattoso. Mediação: Contador Borges.
17:30h Debate “Poesia e Fronteiras Geográficas” com Silvia Iglesias, Carlos Augusto Lima e Marco Vasques. Mediação: Edson Cruz.
19h Recital com Edson Cruz, Contador Borges, Andréa Catrópa, Luiz Roberto Guedes, Donny Correia, Antônio Vicente Pietroforte, Greta Benitez.
Local Casa das Rosas


ENDEREÇOS
Casa das Rosas (Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Cultura) Av. Paulista, 37 - Bela Vista / Tel. 3285-3986.
Instituto Cervantes Av. Paulista, 2439 (Metrô Consolação).






Contato simpoesia2009@yahoo.com.br
Mais informações: Simpoesia
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Na Terra dos Sonhos - por Alba Vieira

Um dia estava eu andando por uma estrada deserta quando me dei conta de que estava cansada de prosseguir minha vida como vinha fazendo até então.
É que já estava farta de trilhar caminhos conhecidos, sempre o mesmo previsível desenrolar dos fatos, as mesmas pessoas a passarem por mim, as tarefas iguais a desempenhar, a criatividade como meta a ser alcançada depois.
Depois de quê? Será que haverá depois para quem se perde no agora? É possível esperar indefinidamente para ser o que se pensa que é sem correr o risco de ir amofinando, amarelando, desaparecendo do mesmo jeito que essa esperança vã que é o destino dos tontos que se aferram à realidade esquálida e sem sumo do cotidiano?
Estar ali, só, como há muito tempo não me acontecia, me deu ensejo a marcar um encontro com essa eu que tinha o costume de postergar o que era importante. Queria há tempos dizer a ela umas verdades. Quem sabe poderia compreender que tanta responsabilidade, tanta necessidade de segurança não combinava definitivamente com alegria de viver, espontaneidade e deslumbramento. E mais, teria que saber, sua rigidez quadradinha só atrapalhava às outras: ousadas, confiantes, autênticas, que habitavam o mesmo corpo.
Ela me ouviu, eu acho. É que, inexplicavelmente, senti um sopro diferente dentro de mim. A coluna endireitou, o peito se abriu, as juntas se soltaram, estava mais leve e, ao mesmo tempo, tinha ficado mais dona de mim. E brilhava, sentia uma corrente passar por mim e meu coração expandido numa alegria sem motivo. Sorria um sorriso puro, pra ninguém, continuava só, andando na mesma estrada.
Caminhava um passo após outro, em frente sempre, no mesmo ritmo, num estado de tal alheamento que aos poucos percebi que subia na diagonal, tornando-me cada vez mais leve, fora de mim.
Fechei os olhos e me deixei ir por um momento, que me pareceu infinito em seu significado, mergulhando numa realidade que não havia antes experimentado.
Eu era todas e nenhuma. Era unicamente luz. Vibrava o que sabia ser amor, estava preenchida, ligada a tudo, eu era tudo, nada pensava, estava no vácuo. E pela primeira vez eu era.



Visitem Alba Vieira
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Grito Inaudível - por Duanny

“Porque entre meu desejo descabido de paixão ardente e minha alma muda de juízo, há um coração patife, que não sabe o que faz.

Porque entre aquele meu sorriso encabulado e sua voz sufocante há o doce perigo do inevitável. É, querido, você anda fazendo estragos por aqui, e só eu sei como.

Sinto-te com o gosto do pecado, fruto proibido do inexistente, e isso é salgado - salgado feito a lágrima que há algum tempo rolou em minha face e secou por causa do desprezo, salgado como o mar que me engoliu e me puxou para a escuridão e a frieza do rancor, porém ele também é amargo, amargo feito choque de ser sugada para a realidade do clichê.

Porque entre o desejo desse coração patife de ser preenchido e sua vontade de amar e me virar do avesso, está meu orgulho, cruel e rasgado, permanentemente despido, que costura os lábios da minha paixão e deixa meu coração mudo, incapaz de gritar seu nome.”



Visitem Duanny
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Ferreira Gullar e “Os Mortos” - Citado por Penélope Charmosa

os mortos vêem o mundo
pelos olhos dos vivos

eventualmente ouvem,
com nossos ouvidos,
........certas sinfonias
.....................algum bater de portas,
........ventanias

.............Ausentes
.............de corpo e alma
misturam o seu ao nosso riso
.............se de fato
.............quando vivos
.............acharam a mesma graça
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