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sábado, 10 de novembro de 2012

Paçocas, Moedas e Estrada - por InEx TrEe FaLLs

Fumaça....

Hoje senti a fumaça se expandir, pairava no ar e ia de encontro a luz. Tinha nos braços o meu filho que não queria pisar no chão, ele queria que eu o levasse nos braços ou talvez quisesse um abraço, não sei. Só sei que refleti acerca do ar e da gravidade enquanto meu filho respirava aquilo. Alguns homens, garotos, crianças na calçada e aquele aroma de cigarro que se espalhava na atmosfera irônica de uma súbita crise de risos que duraram quase todo o percurso até que meu filho, diante do fiteiro, me pediu com seus grunhidos a pipoca apontada.

Não tardou para um ser desses que raramente se vê por ai, pois mais parecia personagem de desenho animado, olhar pra mim e repetir incansávelmente: paçoca, paçoca, paçoca....
Não pude negar-lhe a paçoca desejada e seguimos felizes. Eu por ele caminhar até certo ponto sem pedir colo e me aliviar o peso da coluna que quase sempre me tomba. Mas o percurso anterior foi longo, tive que deixá-lo caminhar aos prantos e berros até que a obstinada alma de minha alma compreendesse. Por algum momento ele compreendeu... o que foi parcialmente para mim uma vitória, mas não se pode contar vitória antes do tempo...

Pois bem, antes de chegarmos na parada procurei por todos os lados e nada daquela senhora injustiçada, aquela que sempre se encontra por lá, com seu cachimbo e as vezes saco de lixo. Ela não estava e lembrei que tinha uma dívida para com ela. Pois bem, as frutas foram proteladas, mas não estragarei meu compromisso devo a ela algumas frutas esverdeadas pelas palavras amareladas de um sorriso da mesma cor. No lugar da tal senhora estava um cidadão que não suporto muito, simplesmente não fui com a cara e o resto do jeito dele que mais parece uma piada e de tudo parece fazer maldosamente. Repudio as piadas maldosas, mas o que pude fazer senão escutá-las e dividir pipocas com o filho dele, recém saido de um interrogatório. Deus me perdoe, mas a criança é muito inquisidora. Tomara que o meu filho, cheagada a fase dos questionários acerca da vida, seja compreensivo e não busque meras palavras verbalizadas. Livros não me faltam, e mais terei se for necessário para auxiliar na criança o senso crítico.

Absorta em minha própria inquisição, eis que um cidadão desses saído de filmes como Clube da Luta, aparece e me fita (o que há de errado comigo, sou imã de tais personagens fugitivos do mundo onírico?). Pois bem, em cada mão um objeto. Na mão direita, uma garrafa de cola (não se trata de coca, e sim cola), substância que já inalei no passado funesto, e na esquerda o alimento que com as próprias mãos devorava. Trajava uma roupa suja tal qual os cabelos cujo aspecto confundia com a vaidade química do gel utilizado para fins pavoneantes na moioria dos casos. Não recordo como fez para guardar o dinheiro, sei que educadamente me pediu e já conformado com a recusa recuou, talvez por mencionar tirar algo do bolso e não da bolsa. Enfim, estendi-lhe um real de moeda do banco central e muito grato seguiu com as mãos e narinas ocupadas.

Quando digo que dinheiro é maldição para alguns não estou equivocada. Creio que não lançarei moedas nas mãos de criaturas como aquela. Melhor ter sempre uma frutinha guardada. Pensando bem pode ser que se tornem indigestas. Já não sei mais o que fazer. E diante do brusco movimento me vi perdida. Acompanhava aquela criatura com o olhar só pra ver se sumiria como um fantasma ou não. Me arrependi... pois a tragédia estava por vir. O coitado, não satisfeito com aquela moeda foi interpelar um senhor de boa aparência, sem saber que o tal, à paisana, era de mal/mau temperamento. Nem tive tempo de enxergar o sopapo que escutei e arremessou o infeliz da calçada para a pista. Áspera ambição que quase custou-lhe a vida.

Revoltado e sem compreender arremessou a comida, a cola e a moeda foi junto, maldita. Indignado o tal senhor aparentemente "educado" se viu possuído pelo ódio das profundezas daquele tecido que abrigava uma arma. Um revólver de pequeno porte para um policial que se portava de tal modo? E com punhos e arma imrpovisada o drogado reagiu correndo. Pessoas interpelaram até que perdi de vista os dois. Não tardou para o policial à paisana, caminhar rumo a parada do ônibus que se recusou a esperar e seguiu deixando apenas destroços do que foi um dia utensilho de para brisa. E eu nem havia percebido que o sujeito além da substância, da comida e maldita moeda, levava consigo o tal utensilho... em nada amortizou a brisa tempestuosa que soprou naquela tarde de 31 de janeiro de 2011 em plena avenida que se chama Estrada de Belém.

Jesus... para que lado caminha a humanidade? Me lembrarei do homem que pede por paçoca para ver se não enlouqueço, tamanha é a tr"isteza do meu ser.

. Visitem meu blog http://100dversos.blogspot.com
Por Juliane Arruda

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