Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 7 de novembro de 2010

A Menina-octopus - por Fatinha

Querido Brógui:
Resolvi requentar essa edição depois que vi uma apresentação em slides (Como é o nome muderno? Ah! Power Point.) com uma parada muuuuuito parecida com esse meu texto. Fiquei cabreira… Será que nego já tá me pirateando? Não deixa de ser um chiquérrimo ser vítima de um crime tão na moda…


“Querido Diário:
Há coisas que só nós meninas somos capazes de fazer. Há determinadas habilidades desenvolvidas ao longo dos anos por força das circunstâncias que são inimagináveis para os meninos.
Uma delas é fazer xixi em banheiro público, meio acocorada, mas não totalmente, meio em pé, mas não totalmente, meio sentada, mas não totalmente.
Isso é totalmente contrário às leis da física, mas como não somos dotadas de mangueirinha e muitas não conseguem acertar o alvo, o resultado são os respingos na tampa e ninguém tá aqui pra sentar no xixi alheio. (Não consigo entender porque as ruins de mira não limpam os respingos ao sair do reservado. Custa passar o papel higiênico rapidinho para dar uma meia sola na tampa? Vai cair a mão?)
Agora, fazer xixi em pé é uma coisa muito simples se o banheiro vier dotado de um simples acessório que é o cabide para pendurar a bolsa. Quase nenhum banheiro público tem o tal do ganchinho. Podia ser um simples prego mesmo que enferrujado só pra quebrar o galho, mas não. Pra que simplificar nossa vida?
Também desenvolvi uma teoria (eu sempre desenvolvo teorias) para explicar a ausência do cabide: os banheiros são feitos por homens. Já viram uma mulher trabalhando de peão de obra? Não. Só homens. Inclusive nem há feminino para pedreiro. Seria pedreira? Pedreiro-fêmea?
Enfim, os homens não pensam como mulheres ou nas mulheres e assim nos vemos na complicadíssima tarefa de fazer xixi segurando a bolsa, quando não é a bolsa e a pasta ou a bolsa e a sacola, ou os três juntos. Conheço gente que conseguiu fazer xixi em pé segurando seu bebê no colo. Incrível! Não podia haver um cabide pra pendurar a criança?
Então fica assim: com uma das mãos você segura a bolsa, com a outra segura a porta porque o trinco está quebrado (já perceberam que as portas estão sempre com o trinco quebrado?), com a terceira mão segura a saia pra cima ou se estiver de calça comprida segura a beira dela pra não esfregar no chão todo molhado (lembrar da coisa da falta de mira), com a outra pega o papel higiênico e com a última dá descarga. Simples assim. Nós só precisamos ser um octopus pra ir ao banheiro. Isso tudo tentando manter o equilíbrio pra não encostar no fétido vaso sanitário.
Além da sessão de contorcionismo para poder atender ao chamado da natureza tem mais outra coisa que me deixa tensa ao ter que usar o banheiro coletivo: aquela rápida olhada pra ver se tem papel. Essa fração de segundo é o limiar entre a total felicidade e o desespero total. Com menina precavida que sou, sempre carrego meus lencinhos descartáveis que saco da bolsa com a outra mão. Então, inclui na lista que fiz antes, a sexta mão para abrir a bolsa e sacar o lencinho que, para facilitar, está sempre nas profundezas do buraco negro que é a bolsa das meninas.
A terceira coisa que me deixa trêmula ao entrar no WC (repararam que nunca mais colocaram WC escrito na porta dos banheiros?) é dar de cara com a tampa do vaso abaixada. Respeito profundamente esse sinal dos deuses. Nunca levanto a tampa porque inevitavelmente alguém guardou a sua obra-prima para a posteridade e eu não estou aqui pra fazer descobertas arqueológicas.
Não sei porque o povo se nega a apertar o maldito botãozinho da descarga. Não nego que o tal botão é uma das coisas mais asquerosas que possam existir para eu por meu lindo dedinho, é só parar um minutinho pra pensar onde os dedinhos alheios foram antes de tocar aquele mesmo botãozinho antes de mim. Mas eu abstraio isso e depois lavo as mãos abstraindo também que outras mãos infectas tocaram a torneira antes de mim. Em resumo, é tudo uma nojeira do começo ao fim, a partir do momento que você adentra ao banheiro.
Tenho certeza de que estão se perguntando acerca da utilidade da sétima e da oitava mão da menina-octopus. Já explico: com a sétima você atende o celular e com a oitava tira meleca pra colar na porta do banheiro.”
.
.
Postado, originalmente, em 25/10/2008.
.
.
Visitem Fatinha
.

2 comentários:

Cacá disse...

Fatinha, depois dessa, acho que você seria capaz de fazer em pé, sem precisar de mão nenhuma. hahahaha! Você é ótima, Adorei! Abração. paz e bem.

Ana disse...

Fatinha é demais, né, Cacá?
Adorei também!
Um beijo, Fatinha.