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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Jeitinho - por Gio

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Lá na minha longínqua 7ª série, nas velhas aulas de Português (como eu sinto falta delas!), na idade onde ainda se usava livro fornecido pelo governo, caiu um texto bem interessante durante uma das aulas. Falava sobre um tal de “jeitinho brasileiro”. Crianças bobas, ainda não entendiam a profundidade do texto, acharam a emoção da professora ao falar daquilo exacerbada, e passaram a apelidá-la de “Jeitinho”. Bom, acho que não demorou muito tempo para essas mesmas crianças se tornarem adultos e começarem a entender do que se trata esse tal jeitinho.

“Jeitinho” deveria estar no dicionário, com a definição de “capacidade e/ou necessidade de constantemente tirar vantagem de pessoas/situações”. Acho que essa é a melhor definição dessa – vamos ser irônicos – qualidade que é inata nos brasileiros. Parece uma febre, uma doença contagiosa, daquelas coisas que se espalham rapidamente (como o RBD e a estória de que o Acre não existe). É só você olhar para o lado, e tem alguém se usando do jeitinho.

O fato é que o brasileiro parece estar sempre querendo tirar vantagem, não importa de que ou de quem. Se recebe o troco errado para mais, não diz; se vir um jeito de burlar a segurança, entra de furão. Mente a renda para ganhar benefícios, usa a ajuda de influências para conseguir coisas mais facilmente e/ou ter vantagem sobre os outros em disputas. Devo, não pago, nego enquanto puder. Dívida pra mim é sagrada: Deus lhe pague!

Eu sou do tipo honesto até demais. Posso até esquecer às vezes, mas geralmente costumo lembrar (e pagar) dívidas que meus “credores” nem lembravam mais. Sabe quando falta troco, e o dono da venda diz “Tu fica me devendo 20 centavos”? Pois é, no outro dia eu vou lá e pago os 20 centavos. A minha honestidade, na maioria das vezes, não é nem questão de escolha, é irracional: eu não penso antes de responder que o troco está errado, eu só reajo.

Claro, tenho umas recaídas ocasionais. Uma vez, fui comprar cerveja em um bar, durante o carnaval. Pedi uma Bohemia 600ml, e dei 10 reais. A Bohemia veio prontamente... com R$16,50 de troco. Admito, eu fui fraco. Final das férias, dinheiro acabando, e 10 reais vindo assim de graça? Peguei e saí bem quietinho. O bar fechou em março.

Vamos voar para a Europa. Você está na Inglaterra, e decide comprar um jornal matinal – vamos dizer que é o The Sun. Chega no mercado, e vê um armário com porta de vidro cheio de exemplares, com um orifício para colocar uma moeda. Você pega uma libra, insere no orifício, e tchan: não cai jornal por nenhuma boca mágica, a porta de vidro simplesmente abre. Sim, dando acesso a todos os jornais! Você poderia levar 3, 4, 5 jornais... Mas, como bom cidadão de Primeiro Mundo, civilizado e honesto, vai pegar um só e fechar a portinha. Uma coisa dessas nunca daria certo no Brasil: é aí que vemos que “primeiro mundo” não se trata só de dinheiro, mas de mentalidade.

Pegando o exemplo anterior, nós vemos bem o problema: o brasileiro só pensa a curto prazo. Pegaria um jornal para si, para a mãe, para o irmão, uns 2 para as necessidades do cachorro, uns 5 para ajudar a fazer o fogo do churrasco da noite, e mais uns 3 só porque pode pegar mesmo. Na hora é vantagem. A longo prazo, os jornais e as bancas sentiriam o desfalque, e o preço do jornal subiria. O consumidor, revoltado (sim, o pior de tudo é que o brasileiro pensa que ainda é vítima), pegaria mais jornais que o de costume, formando um ciclo vicioso.

É pelo pensamento a curto prazo que é dado o vale-gás, bolsa-esmola e ticket-xis em vez de oportunidades de emprego; que não se investe em educação para não deixar o senso crítico ser desenvolvido; que empresas milionárias sonegam impostos que não iam fazer a mínina falta no seu orçamento, e após serem pegas entram em falência. Desse jeito, para o Brasil melhorar, só se a gente der um jeitinho...
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Visitem Gio
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Um comentário:

Ana disse...

Menino... Seus valores vieram com você ou foram transmitidos pela família? (Ou ambas as anteriores? rsrsrs)
É difícil encontrar um rapaz, novo assim, que pense desta forma e defenda suas opiniões de maneira tão aberta.
Parabéns a você! Deus conserve! rsrsrs
Beijios!
:D