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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Tema do Mês de Dezembro: A Morte

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Caríssimos amigos:
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Hoje foram postados os textos referentes ao tema do mês de dezembro: “A Morte”,
sugerido por Leo Santos e vencedor da enquete de novembro.
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Participantes:
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Aaron Caronte Badiz
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Ana
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Dália Negra
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DEP
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Lélia
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Penélope Charmosa
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Muito obrigado a todos que colaboraram com esta “blogagem coletiva”!
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Um grande abraço!
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Aglutinar - por Renata Zonatto

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A.mor.te
Em+boa+hora...
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Sem Fugas - por Davi Rodrigues

O que tens em teus olhos, que os aplaca sob o capuz?
Que sorrateiro caminhar me impede de ouvir tua chegada?
Andas acaso a me observar enquanto vagueio sem rumo ao luar?
Ou me espreita nas longas noites de bebedeiras?
Talvez se camufle na fumaça, após cada tragada...
Está em algum asilo ou pronto socorro, com o prontuário nas mãos?
Atrás da barra de direção, plataforma de metro, andaime, palafita...?
Talvez agarrada à cintura de um homem-bomba qualquer...?
Qual vazio deste porte pode ser preenchido?
Nas ondas do mar, na cadeira do escritório?
Ônibus, trens, helicópteros, camas...?

Talvez me encontre dia qualquer...
Não me importa
Se puder ter a chance e essa já tive, quero olhar bem no fundo dos teus olhos e dizer-te:
Morra de inveja!
Não vivi fugindo de ti!
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A Morte - por Leo Santos

Perdida entre extremos, vaga, uns a põem no começo, outros, no fim da vida. De qualquer modo, no caminho eterno, é sinal verde para que avancem nossos reconhecimentos ao encontro dos desafetos; afinal, mortinhos da silva, jamais usarão isso contra nós.
Daí, o dito que certas pessoas ficam boas depois que morrem. Será por isso que, às vezes, nos fazemos de mortos?
Os egípcios enchiam os túmulos de tralhas que seriam necessárias na “outra vida”. Os cristãos são exortados a encherem de boas obras a vida, para terem, enfim, um tesouro no céu.
Há também os suicidas, que apostam nela como quem compra um bilhete lotérico “no escuro”. Desses, versou Napoleão: “Não há nada de grande em acabar com a própria vida como quem perdeu tudo no jogo; resistir a um infortúnio imerecido requer muito mais coragem”.
O fato é que, se ela for simplesmente o fim, será o galardão da maldade. Aqueles que, temendo seu assalto, cercaram-se com as grades do prazer desmedido e irresponsável. Todavia, os “bens” do corpo não transcendem ao apetite dos vermes... que dizer da alma e do espírito? Aquela, é a pessoa-em-si, este, o ser-em-Deus. Aquele que foi e voltou - aliás, o único -, ensinou que o espírito, por ter morrido, carece nascer de novo; senão, restará apenas a pessoa-em-si, com seus muitos desejos viciados sem meios para os suprir; uma eterna crise de abstinência, um fogo que nunca se apaga, um inferno. Não é de estranhar que, para tais, a morte assuste tanto, uma vez que enseja a castração do livre-arbítrio, a colheita das escolhas de quando se tinha escolha. Não assusta, pois, a morte-em-si, antes, as consequências, afinal, como disse o Quintana, “a morte não é assassina”.
Seu peso, talvez, seja diretamente proporcional às ilusões que acalentamos, como versa o poema que segue:
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Relevos

Pro jovem,
a morte é um precipício,
o desperdício de tudo
o que pensa ter para viver;

Ao adulto parece um monte,
horizonte extático,
onde, mais dia menos dia,
fará a subida;

O ancião
passeia com ela pela campina,
traquina criança festejando a absolvição,
de sua sentença de vida.

É que a voz das paixões seduziu ao mancebo,
ilusões. O que nunca terá,
mas teme perder;

O homem maduro, pelo caminho trilhado,
não se engana, antes, resignado,
dá sua mão ao porvir;

Enquanto o ancião que já morreu tudo,
celebra a liberdade,
antes de dormir.
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Visitem Leo Santos
Mário Quintana
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Paulinho Moska e “O Último Dia” - por Alba Vieira

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Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria

Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?

Abria a porta do hospício
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria...
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Alba Vieira

Sobre o tema Morte, nada no Duelos calou tão fundo quanto este maravilhoso poema de Ana, que eu destaco aqui para apreciação dos leitores.
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RESTOS MORTAIS
(ANA)

Três mulheres tocam o enterro
Três mulheres choram o morto
Três mulheres vêm da capela
Três mulheres levam o corpo

Cada uma um casebre vazio
Por viuvez ou abandono
Muitas outras partiram antes
Sem lágrimas, sem consolo

Na rede descansa o padre
Em seu derradeiro conforto
Está calada a voz de Deus
Mais um implacável desgosto

Carpem sem dor, outra vez
O mesmo ritual longo
Um a um à terra tornam
Cumprindo o destino roto

Carcará aguarda, cruel
Da morte sentindo o gosto
Não se passa uma semana
Estará o banquete posto
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Bem, não é segredo que sou fã do Leandro. E este poema demonstra o porquê. Você está fazendo falta por aqui, filósofo-poeta!
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O SAL DA VIDA
(LEANDRO M. DE OLIVEIRA)

Escuta que quero te falar em segredo
Escuta bem, quero falar baixo,
Porque o sussurro é tão mais belo que o grito
E a palavra dita com cuidado mais esmerada.
Ouve e guarda como um selo o que te digo.
Guarda em teu lembrar somente,
Porque o que direi não mudará nada,
Sequer a mim.
Escuta meu silêncio de planície,
Minhas mãos desertas, meu sonho perdido...
Nunca se muda aquilo que não se permitiu mudar.
Escravo caí de joelhos ante a rocha silenciosa
O oráculo hediondo se me afigurou,
E eu me vi moço e eu me vi desesperado.
Tempo tem seu próprio tempo,
E o tempo do tempo foi veloz demais
Para nosso passo vacilante.

Escuta as rugas de minha alma
Elas são vales e rios, montanhas e planícies.
Quero teu amor suicida!
Amor que se mata e torna a viver
E torna a sofrer e a morrer d’enganos.
Porque sob minhas asas
Não houve acomodação à tua dor,
E agora em meus olhos não há espaço
Senão para o teu vulto sorrateiro.

*********

Ignora minhas palavras, o verbo confunde.
Eu falo do que não foi vivido ou do que tenha sido há tanto,
Que não foi possível nenhuma sinapse de lembrança.
Aguarda no silêncio das colinas sombrias,
No oco das cavernas que somos nós.
Quero escavar a terra com os dentes,
Tragar o mar com minha boca e estômago,
Quero estuprar o útero da terra
Pra que eu a veja renascer dele.
Minha memória é uma nau perdida
A navegar oceanos de tempo e espaço.

Minhas velas desfraldadas
Buscam a esmo teu norte,
Minha boca de pasmo e exaustão
Já não sabe dizer o teu nome.

*********

Agora que tudo se perdeu em nós
O mundo soa remoto,
O ar soa espesso.
Se eu fosse um cão
Talvez teria mais afeições com a vida.
Mas sou homem
E dessa deficiência estou fadado.
Minha eterna amiga,
Meu corpo sem vida,
Minha vida sem termo.
Embora o mundo seja desfigurado
Ante o espelho, comigo sempre estás...

Escuta minhas palavras que não querem eco
Além do silêncio de tua ausência.
Escuta como a canção mais elevada
Como a dor de homem que homem não quer ser,
Como um beijo de fúria em teu peito
Resoluto.
Que essas palavras não valem nada,
Que essas palavras valem tudo.
Elas são o sal da língua
A semente da vida nova.
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Dedicado à minha grande amiga, dizem que partiu no dia 27 do último mês.
Mas como pode estar ausente, se está dentro de mim? Não sei se posso crer na morte
quando ainda existe tanta vida. Penélope, foi rápido demais... A você os meus carinhos
e as minhas alegrias perdidas. Te encontro breve, te encontro sempre...
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Postado, originalmente, em 08/07/09.
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Dália Negra

Profundo. Sensível. Verídico. Inesquecível.
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EPITAFIANDO NO UMBRAL
(KBÇAPOETA)

Aqui jaz um menino,
Que nunca ficou velho.
Um cérebro que talvez fique a maquinar;
estratégias,
para explorar esse lugar.
Tenho terra, flores e vermes.
O que mais posso querer?
Quando em pé comia o alimento,
Que a terra dizia merecer.
Nada mais justo!
Doar-me às larvas.
Voltar para terra,
com esses olhos;
que ela há de comer.
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Visitem Kbçapoeta
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Sem Escapatória - por Ana

Falar sobre morte é difícil,
Falar sobre morte é grave.
Para alguns, é tema-tabu,
Para muitos, um entrave.

A morte não é passageira,
A morte não é condutora,
A morte não é caroneira,
A morte não é cobradora.

É, sim, estação final
Que tantos temem na vida,
Tentando ir mais devagar
Ou enganar a prometida.

Ela fica lá, tranquila,
Aguardando estes viventes,
Cumprindo a sua missão,
Dedicadíssima aos clientes.

Tarefa simples, não é?
Apenas sentar e esperar
Que se apresentem os sujeitos
A caminho de outro lar.

E enquanto ela, silêncio,
Por aqui um escarcéu:
Tantas almas temerosas
De irem pro beleléu.

E quando saltam do trem
Dos trilhos desta existência,
Alguns dão muito trabalho
(Ela há de ter paciência):

Se esgoelam, enlouquecidos,
Esperneiam, inconformados,
Tentam dar meia-volta,
Esmurram os portões fechados.

Ela aguarda, compreensiva,
O fim daqueles vexames
E encaminha estes frouxos
Para a tal sala de exames

Que consiste no seguinte,
Que passo a vos explicar:
É local pra refletir,
Relembrar e avaliar

A vida que se deixou
(Dizem isso muitas crenças).
E também há julgamento
Seguido pela sentença.

Que pode ser boa ou ruim,
Mandar pra cima ou pra baixo.
E você, ali, tremendo:
“Onde será que eu me encaixo?”.

Êta, coisa complicada
Ser gente ou ser pós-humano!
Sempre no maior stress
(Não dá pra ser leviano...).


Tendo em vista estas coisas,
Eu paro e fico a pensar:
No que se refere a nós mesmos,
A morte é o menor pesar.

Brabo é o tal tribunal,
A tal retrospectiva,
Culpa, arrependimento...
Sem fala argumentativa.

E a gente, em polvorosa,
Ali, no maior desarranjo,
Sem saber se nos espera
Enxofre ou coro de anjos.
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Manuel Bandeira e “A Morte Absoluta” - Enviado por Penélope Charmosa

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento.
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: “Quem foi?...”

Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.
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Duas Datas e um Nome - por Runa

Duas datas decoram a lápide velha
sobre o musgo da terra revolvida.
Um principio e um fim.
A definitiva duração de uma existência
reduzida ao mármore frio dos números;
herança derradeira de um sonho corrompido,
a ser devorada pelo vazio silencioso.

Por cima dessas duas datas,
que traçam o diâmetro de uma vida
cujo circulo se fechou,
um nome esculpido com letras negras
é tudo o que resta de uma efémera história,
o parágrafo breve e derradeiro de uma página
abandonada ao rigor dos invernos
e à desolação sombria do esquecimento.

Ninguém mais recorda esse nome
que o chão um dia engoliu
no ermo incógnito das colinas,
onde a tristeza datada de uma lápide
retém o único sinal da sua passagem.
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Visitem Runa
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Um Dia... - por Aaron Caronte Badiz

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Um dia virá a morte.
Levará a mim ou a ela.
Verterei um choro longo
Enquanto existir a espera.

E esperarei tão triste,
Por estar assim sozinho,
Até que a veja chegando
De novo com seus carinhos.

Queria pedir aqui,
Agora que pensei nisso,
Que a morte nos leve juntos,
Morte, então, de sorrisos

Por nunca nos separarmos
De nós e de nosso amor.
Peço de novo, destino:
Nos leve juntos, por favor!
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Morte - por Lélia

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Foi um amor sem igual: adolescente, feliz, sonhador... Planos... quantos planos! Tantos beijos e tantas descobertas. Alguns anos de beleza e enlevo.
Um dia acabou. Tão triste, tão solitário depois...
Uma de outras tantas pequenas mortes numa única vida.
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Mortal - por Dália Negra


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Longos desertos. Rios de lava.
Tornados e furacões.
Maremotos e tsunamis.
Tempestades. Raios. Inundações.
Terremotos e avalanches.
Natureza em mim.
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A Morte Nossa de Cada Dia - por Alba Vieira

Votei neste tema tão inspirador e logo sabia que iria participar com algum texto. É que a morte sempre marcou a minha vida, desde pequena. Não que eu tenha perdido muitas pessoas desde cedo. Pelo contrário, perdi meu pai quando tinha 42 anos e minha mãe aos 49. A minha avó materna perdi aos 39 anos e antes disso, só um primo querido quando eu estava no ginásio e uma cunhada que era como uma irmã, aos 47 anos. Apesar disso, muito criança eu ficava inquieta e tremia só de pensar na possibilidade da morte dos meus pais, minha avó ou meus sete irmãos. Fantasiava sobre isso, me sentia atormentada por qualquer alusão à morte ou doença. Não foi por acaso que decidi ser médica. Talvez pensasse em poder superar a morte. Acho que todo profissional dessa área gosta de brincar de Deus. Só que ao longo de minha vida descobri que para tratar o medo da morte, o segredo é o mesmo que para lidar com outros medos. É preciso chegar perto, enfrentar ou pelo menos conhecer. O medo de algo desconhecido se intensifica, fugir de algo que se teme não é boa coisa. E como filha de Plutão que sou, de qualquer forma a morte iria correr atrás de mim, até que eu me tornasse sua amiga e assim ela deixasse de me incomodar.
E foi dessa forma que presenciei a morte de várias pessoas, desde quando estava na barriga de minha mãe, que fui atraída por uma especialidade em que durante mais de 20 anos fiz autópsias, até que há uns 10 anos me interessei por terapia de vidas passadas e estou mais ligada a esta prática atualmente.
Não sinto mais qualquer desconforto diante da morte, não porque não sofra com as perdas ou ache natural que o corpo deteriore. Aprendi a aceitar a finitude da vida e acredito mesmo que este detalhe seja um fator de enriquecimento da nossa existência. Mas gostaria que a morte fosse um processo natural, sem tanto estresse por negação e sem tanta parafernália, e sim como era antigamente. Mas tudo tem o seu lugar neste mundo e cada um morre conforme vive.
Penso que refletir sobre a morte todos os dias nos ajuda a evoluir, a tomar atitudes e fazer escolhas mais apropriadas na vida. Tenho habilidade para lidar com doentes terminais que têm muito a nos ensinar e creio que a morte sempre funciona como uma oportunidade para os que estão próximos, podendo ser um ponto de mutação, desde que seja encarada com a dignidade que desperta quando aparece em nossas vidas.
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Visitem Alba Vieira
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Dia de Todas as Noites - por Runa

Hoje é o dia em que te despedes
dos exíguos labirintos do destino
e dos gastos versos sem rima
de uma ilusão envelhecida.
Envolto no manto negro
que te cobre as chagas do corpo,
mergulhas num crepúsculo de cinzas
que lentamente devoram tua imagem
nos espelhos cegos do infinito.

O grito do silêncio ecoa ainda
na névoa da manhã estrangulada,
murmúrio de pedra fria
sobre a mordaça do mármore desvanecido,
onde ruidosamente desabam
frágeis alicerces de bruma
e os solitários sonhos que ergueste
no areal negro dos dias,
com o suor amargo de sangue espesso.

Lágrimas doentes te acompanham
à soleira adormecida do abismo,
ecos distantes de um adeus
plantado na frigidez dos ossos.
Hoje é o dia em que te despedes
do esplendor inacabado de uma quimera.
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Visitem Runa
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O Barqueiro - por Davi Rodrigues

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Moedas! Moedas! Moedas!
Quem quer tomar parte nessa embarcação?
Não quer mais a rotina?
Não tem mais pelo que se esforçar?
Moedas!
Você as possui aos montes
Acumulou sem se preocupar como
Traga-as!
Haverá espaço de sobra!
Para você e os tantos quantos compartilhem de sua cobiça...
Um cruzeiro eterno e sem volta...
Traga-me seus dracmas, dobrões, dólares de prata
Tudo é aceitável
Perpetue para sempre a sensação do ganho ilícito...
Jacte-se de sua arrogância
Moedas! Apenas uma por pessoa!

Delicie-se e regozije da presença dos anfitriões
Hades e Perséfone o aguardam...
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..........................................Visitem Davi Rodrigues
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Não à Morte - por Escrevinhadora

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Perdoem-me os amigos dos Duelos. Sei que este é um espaço democrático e que houve uma votação.
Sei também que a morte é um tema fascinante, por sua grandiosidade, por seu mistério, por nos colocar frente a frente com o medo inconsciente da nossa própria finitude.
Mas acho que o mês de dezembro não é adequado para se falar em morte.
Dezembro é Natal, é nascimento, é renovação. É o tempo em que os cristãos comemoram o advento de Jesus Cristo. É a época em que os não cristãos trocam presentes, enviam votos de felicidades, reafirmam a esperança no futuro.
A morte pode ser um assunto para o outono, ou o inverno. Quando as plantas perdem as folhas, os pássaros perdem as penas e até as cigarras deixam de cantar.
Mas dezembro não. Dezembro é verão, cânticos, luzes, festejos, confraternização. Dezembro borbulha como espumante sendo despejado numa taça.
Dezembro é o momento de enfeitar a casa, abrir o coração e celebrar a vida.
Porque enquanto houver no mundo uma mulher decorando uma árvore de Natal, uma criança esperando a vinda do Papai Noel, o milagre da vida triunfará sobre a escuridão da morte.
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Falando de Morte... - por Adir Vieira

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Há algum tempo não sei porque ou melhor, acho que sei porque, venho tentando dar um toque diferente a essa coisa de morte.
Palavrinha feia, que pela vida afora me arrepiou, hoje ela começa a ter um aspecto de normalidade.
Tenho me surpreendido pensando em familiares mortos, com a tranquilidade de vê-los ao meu lado, como se ainda estivessem aqui, coisa que há alguns anos não me arriscava a fazer.
Hoje, às vezes, me pego na alta madrugada às lembranças de familiares queridos, já no outro mundo.
Penso que a vida é perfeita. Fugimos da morte a vida toda, como se não fôssemos morrer. E é a própria vida que vai nos fazendo na velhice, caminhar ao encontro dela, com serenidade.
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Visitem Adir Vieira
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Álbum de Família - por Runa

Sobre o mogno escuro dos meus olhos
estendo o velho álbum de fotos de família
e deixo os mortos respirarem, por instantes,
a luz estagnada deste entardecer.

A preto e branco, os fantasmas da memória
regressam com seus fatos domingueiros,
sacudindo a poeira de uma resignada ausência.
As mulheres trazem sorrisos manchados de tristeza
evocando o fascínio das eras de outrora
sepultadas nas ruínas de uma névoa distante
e, os homens, cofiando longos bigodes,
conservam ainda o mesmo ar taciturno e pose viril.

Míticos rostos que perderam o dom da fala,
mas que as esponjas da morte não apagaram totalmente
lá nas tumbas frias e perdidas onde pernoitam.
Imagens que se acendem nas lareiras da saudade,
ao som melancólico de uma extinta banda de coreto,
rasgando véus e teias de um esconso abismo.

Durante algum tempo, suspendo a fúria dos relógios,
e deixo que os mortos, num pestanejar de cinzas,
cruzem as paisagens arruinadas da manhã,
recordando sua breve passagem pelo mundo;
antes de recolherem de novo ao vazio enclausurado
do abandono sombrio onde agora pertencem,
esgotando o brilho efémero que subitamente se dilui
no baque crepuscular da contracapa.
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.............................Visitem Runa
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