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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 29 de março de 2010

Gratidão - por Letícia

(Paródia da música infantil “Cai, Cai, Balão”)

cai cai gratidão
cai cai gratidão
aqui na minha mão
não cai não
não cai não
não cai não
cai no meio do povão

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Cascatas Incandescentes - por Ana

Quantos passos dados sem você!…
Quantas lágrimas choraram saudade solitária, voltadas para a parede que testemunhava meu entristecer se transformando em dor e angústia.
Quanto me culpei por ter errado, por ter deixado ir, por ter calado, por não ter fechado as mãos nas suas dizendo fique porque de você preciso.
Quantas palavras imaginei que explicavam, amavam, acariciavam, pediam, acompanhadas da reafirmação de meu amor.
Quantos abraços em sua lembrança tão viva.
Quantos beijos senti novamente em meio a um enorme vazio que antes era preenchido por seus carinhos.
Quantos anos chamei seu nome baixinho, com o olhar voltado para a direção de seus dias.
Quantas noites sonhei você a meu lado, buscando a paz que havia perdido.
Quanto minha alma se estranhou, partida, solitária, muda, dissociada, aleatória, infeliz, opaca, aprendendo que viver somente é cumprir o tempo se está distante de você.


Inspirado na pintura Cascatas Incandescentes, de Alba Vieira.
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terça-feira, 23 de março de 2010

Recesso no Duelos

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Caríssimos amigos:
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Devido ao agravamento dos problemas de conexão,
o Duelos entrará em breve recesso,
até que os técnicos consigam resolver a questão.
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Enquanto isso, podem continuar enviando seus textos!
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Agradeço a compreensão.
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Um grande abraço!
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segunda-feira, 22 de março de 2010

Escaravelho - por Ana

A lua deslumbrante ilumina o quintal. Suavemente cai uma folha, a joaninha não está mais ali e a flor de ontem murchou; amanhã uma nova folha nasce, surge um escaravelho bicolor. Assim as coisas mudam devagar e não são hoje mais o que eram antes, sem que saibamos. Mas quando o roseiral floresce, todos vêem e admiram.
Trago um roseiral dentro de mim, perfumado e lindo, com flores de pétalas delicadas e cores suaves, todas dedicadas a você, que entrego uma a uma em forma de palavras, gestos, olhares e promessas não ditas.
E eu prometo meus passos ao lado dos seus, meu olhar apaixonado, meu coração acelerado, minha pele sensível, minha alma tranqüila, meu sorriso leve, minhas mãos carinhosas, meus beijos profundos ou envoltos em sorrisos felizes, meu colo macio que descansa tão bem você. Prometo envolver sua vida e passos porque assim eu existo em você.


Inspirado na pintura Escaravelho, de Alba Vieira.
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sexta-feira, 19 de março de 2010

Guerra - por Kbçapoeta

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Meteoros estão surgindo

Clareando o céu de zinco,

Mães desesperadas,

Crianças a chorar.

O estrondo derradeiro,

Digno de fotografia,

A poeira que surgia

Após tudo desmoronar.

A visão era do inferno,

Contemporâneo pós-moderno,

Ao encerrar o assunto

A bomba pôde detonar.

Qual seu dialeto

Cultural materno

Quando a bomba lhe beijar?

Está armado de espírito

Anos de convívio

Com sua cultura popular...
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Visitem Kbçapoeta
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Hermógenes - Citado por Alba Vieira

Desliga-te de todos os meus.
Esquece-te de quem és.
Silencia tuas ansiedades.
Perdoa quem te ofendeu.
Não chores pelo que perdeste.
Bem, agora senta-te quieto onde ninguém te chame. Deixa-te ficar assim.
Vê teu interior.
Nada esperes. Nada planejes.
Esquece o tempo, o lugar, o corpo...
Desliga-te de todas tuas âncoras, principalmente de eu...
E é assim que a Paz toma conta da gente.
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quinta-feira, 18 de março de 2010

Não Deu Tempo... - por Gio

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Avenida Rio Grande, por volta de 2h30min da manhã. Era mais uma daquelas noites de verão, onde se pode esperar de tudo. Mesmo assim, por essa nem eu esperava. Estávamos eu e mais três ou quatro amigos, sentados no muro baixo da pracinha das crianças. Era um ano onde três de nós tínhamos entrado na faculdade, fazendo com que a conversa girasse em torno desse assunto eventualmente.

Foi quando ele chegou. Um cara de boné pedalando uma bicicleta meio velha e surrada. O mais interessante é que ele conseguia estar com uma aparência mais velha e surrada que a própria condução: braços arranhados, roupas maltrapilhas, ares de quem tinha levado algumas surras e saltado sobre algumas cercas. Eu observei, meio incrédulo, aquela figura que, do nada, resolveu parar à nossa frente. Essa “roupagem” do sujeito acabou, inicialmente, nos assustando, e o fato de não haver policiamento àquela hora não ajudava em nada. Ironicamente, esse sujeito acabava por ser fascinante, de um modo que, por alguns segundos, esqueci que ele poderia falar.

– Vocês sabem me dizer o que é isso?

Foquei minha atenção novamente para a bicicleta, e notei uma cestinha na parte traseira, carregando... Um scanner. Quem é que carrega um scanner em uma bicicleta no meio da madrugada? De qualquer forma, nós confabulamos um pouco, e alguém acabou explicando o funcionamento do aparato. É de usar no computador... Funciona que nem máquina de xerox... Copia fotos para o PC...

– Tá, e quanto vocês acham que custa uma coisa dessas?
– Olha, não sei – disse o mais velho de nós –. Esse aparelho deve estar ultrapassado, mas novo devia custar uns 100 reais. Usado assim, deve valer uns 50.
– Sessentinha e a gente conversa!

Em um instante, o homem ignorante da bicicleta se tornou um candidato a vendedor da Polishop. O aparelho (que ele até então desconhecia) passou a se tornar a sua especialidade de venda. Ele apertava todos os botões, abria e fechava a tampa, e descrevia as mil qualidades que o aparelho que tinha em mãos oferecia:

– Vocês vejam que o aparelho está em perfeito funcionamento.
– Mas nós não temos dinheiro – disse alguém.
– Não tem problema, façam uma vaquinha entre vocês.
– Não, não, obrigado.
– Olha, o aparelho está em ótimo estado.
– Senhor, a gente realmente não tem dinheiro...
– Mas vejam que o aparelho é bom para toda a família e...

O cara era realmente insistente. “Desistir” não era parte de seu vocabulário, e nós já estávamos incomodados com aquele ser ameaçador na nossa frente, no meio da avenida. Foi preciso mentir um pouco, para ver se ele se mandava:

– Nós não temos nem computador.
– Vocês podem dar de presente para alguém!
– É sério, nós nem temos dinheiro.
– O aparelho está em perfeitas condições, inteiraço. Só não peguei o plugzinho porque não deu tempo...

É, depois dessa, eu podia parar por aqui. Mas calma, sempre tem o arremate para fechar com chave de ouro:

– Olha, eu acho que se o senhor sair por aí, consegue vender esse scanner fácil, fácil. Tá cheio de turista com dinheiro, e tal.
– Ah, é que eu tô muito cansado. Acordei cedo hoje, sabe...
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Visitem Gio
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Hermógenes e a Solidão - Citado por Alba Vieira

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Aproveita, amigo.
Se estás só, aproveita.
Mergulha na solidão gostosamente como abelha na colmeia.
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Mais Uma Dose, Por Favor - por Angel

A vida está lá fora, pulsando na mesma batida que faz tremer o meu peito. Qual é a vibe que te balança? Que pensamento faz sua mente expandir, e explodir, e mesmo assim querer mais, e mais, e mais...? Já pensou no que vai fazer hoje? Uma festa, uma viagem, uma música, um texto, um filho? Pense em qualquer coisa que desloque o eixo, que te faça ir além do que você tem ou é. E seja o que for peça antes mais uma dose, um abraço apertado em Johnnie Walker, ele merece. E dance uma música, a primeira que te vier a cabeça. Faz valer a pena, faça algo que você nunca fez. Por você, ou por quem estiver com você, ou com quem estiver com você, é só escolher. A escolha, ou o escolha, e experimente, sinta gosto... da vida. E veja a noite escapando por entre seus dedos, testemunha fiel de cada um dos seus acertos, ou erros, não importa. Acabou, descanse, sonhe com um anjo, e só depois, acorde. E sinta a vida acontecer novamente, te convocando à próxima batalha, afinal, ainda não vencemos a guerra. E vencer é uma lenda, ninguém conseguiu, todos morreram, ou irão morrer, inclusive você.

E então, já pensou no que vai fazer hoje?
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Visitem Angel
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José Régio e o “Poema do Silêncio” - Citado por Penélope Charmosa

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi-tragicômicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. Ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.

Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!

Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!

Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.

Mas o meu sonho megalômano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista...

Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá...

Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome.
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Programação do Duelos

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Domingo
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(Em férias)
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Segunda-feira
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Terça-feira
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Quarta-feira
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Quinta-feira
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“APENAS CONTAGIO”
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Sexta-feira
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Todos os dias
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VÁRIOS E GRANDES AUTORES
QUE FAZEM O DUELOS SER O QUE É!
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quarta-feira, 17 de março de 2010

Vagões - por Leo Santos

No trilho da vida, enorme comboio,
passa e passa, cansando a vista;
cabina escura, oculto maquinista,
mas há quem o possa enxergar;

O trem da avareza queimando seu óleo,
amontoando o que devia ser plano.
Dia pós dia, vagões engatando,
a uma locomotiva que já vai parar…

Transporta pro além a dor de alguns,
fabricantes de dores aqui.
Guardando as sombras somente pra si,
e a calma, que queime os rivais…

Mas, os dormentes já estão carcomidos
e a ponte não cruza o desfiladeiro;
as coisas que não compra o dinheiro,
embora gratuitas, lhes são caras demais…

Há muitos que os invejam, no entanto,
e pelo bilhete, dariam tudo;
imaginando a aquisição de um escudo,
por verem, tal qual parece;

Seus olhos fitos, ninguém os demove,
do sonho da grande escalada,
reputando tudo, aquilo que é nada,
o que ouvem diverso, logo esquecem…
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Visitem Leo Santos
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Hermógenes e a Quietude - Citado por Alba Vieira

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Se o vaga-lume aprendesse a ficar quietinho, aceso, satisfeito, humilde e tranquilo, não haveria quem não o tomasse por estrela.
É bom ficar quieto, paciente, em silêncio, esperando a visita da Luz.
O vaga-lume tem luz, mas é ainda vaga.
Falta-lhe quietude. Silêncio já tem. E tem também o negrume da noite envolvente a servir-lhe de fundo, a realçar-lhe o fogo.
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Albert Einstein e a Tradição - Citado por Penélope Charmosa

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A tradição é a personalidade dos imbecis.
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O Caminho - por Yuri

foi em uma noite
tenho uma vaga lembrança como se fosse ontem
havia pouca luz e muita chuva
como eu fui tão bobo? e você tão mau?
e pra onde foi toda aquela sua paixão?
nós éramos tão ligados, e acho que ainda somos... mas depois que te assisti mas ou menos de camarote
eu não tive mais tanta certeza...
eu era tão novo ontem
hoje levo como lição, até porque nada é pra sempre
e eu nunca pensei que seria com você, só cheguei pensar que tinha um toque de realidade
agora minha cabeça gira, gira e gira... mas tanto que não consigo te achar em cada posto que ela estaciona rápido
e tenho na mente agora o que um velho conhecido disse: a paixão requer respeito, e ela não te deu isso
e eu enxergo agora com luz sua paixão venéfica
antes eu tivesse uma antropofobia para que minha algofobia não surgisse nunca
porque quando o tenho em minhas mãos começo a tremer mais uma vez como se fosse cair no mesmo instante com medo nos olhos e nas mãos
de seguir em frente
é quando você quer alguém pra desperdiçar toda aquela dor que parece ser sem fim
tudo aquilo que ela te causou
parece que todos se transformam em nuvens, flutuam e simplesmente somem
na verdade estou de saco cheio disso! de pessoas egocêntricas! e não sei se aguento mais por muito tempo
ficar só na caminhada dói, mas dói mais seguir deixando pra trás cada instante perdido
não preciso mais que esfreguem na minha cara, já está tudo 4x4 em meus olhos
deixe que o barulho do mar quebre nosso silêncio
até porque eu não tenho mais nada pra te dizer hoje...
fatos concretos ou não, não preciso deles, já está tudo tão perto, é só ligar os fatos reais
e o caminho é longo
está em meus olhos!
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.Visitem Yuri
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terça-feira, 16 de março de 2010

A Máquina de Lavar - por Fatinha

Querido Brógui:
.Segunda-feira, dia de corno. Nada como uma edição do Querido Diário requentada para começar bem o dia. Essa é do início de 2007.
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.“Querido Diário:

Cássia está com tendinite. Não veio trabalhar essa semana toda. Aqui em casa a roupa é lavada semana sim, semana não. Como essa era a semana sim que virou semana não, na sexta-feira percebi aterrorizada que não me restava limpo um pé de meia, uma blusinha, uma roupinha de ginástica, nadinha. Minhas gavetas estavam completamente vazias e o cesto de roupa suja completamente cheio. O meu terror veio da dupla constatação: 1) eu teria que encarar uma lavação de roupa; 2) tenho bem menos roupas do que gostaria de ter. Das duas, a última foi a que mais me doeu, é claro.
Então, cheguei ontem do curso já preparada psicologicamente para dar uma de peniqueira. Enquanto almoçava, lembrei-me vagamente de que não dominava a complexa técnica de operar a nova máquina de lavar. Pode parar de rir, essa é uma tarefa difícil, sim, nem vem. Poucas pessoas a sabem executar com maestria.
Bem, como penica que é penica não foge à luta, peguei o cesto de roupas sujas, fui lá pra trás, dei uma olhadinha nos botõezinhos daquela coisa (é botão que não acaba mais, a outra máquina só tinha o de ligar e o de desligar), tentei adivinhar como aquilo funcionava, não consegui e acabei por me render à leitura do Manuel.
Na máquina antiga, a gente primeiro enchia de água e depois botava a roupa. Foi o que fiz, coloquei a máquina pra encher enquanto lia as instruções. Aí, dez páginas depois, chegou numa parte que dizia: “nunca encha a máquina de água antes de colocar as roupas”. Danou-se. Já comecei errando. Desliguei rapidinho e pensei em esvaziá-la pra botar a roupa e depois encher de novo. Só que no Manuel não ensinava como tirar a água da máquina. Não sucumbi à tentação de tirar a água de dentro dela com um balde, achei que seria burrice demais, até para mim. Decidi colocar a roupa com ela cheia mesmo, qual o problema? Na medida em que fui colocando a roupa, o nível de água foi subindo, subindo. Simples lei da física aplicada à atividade peniqueira. Enquanto isso, continuei lendo as dicas do Manuel e cheguei na parte que ele dizia: “o nível da água não pode passar do quarto furo da bacia.” Que bacia? A bacia aqui de casa não está furada… É até relativamente nova… Não, sua Anta, a bacia da máquina, disse-me o Manuel. Parei de colocar roupa antes que transbordasse, liguei novamente a máquina e ela começou a bater.
Daí o Manuel me disse: “coloque o sabão em pó e o amaciante nos recipientes devidos.” Danou-se de novo! Esqueci que tinha que colocar sabão em pó e amaciante. Abri a máquina pra colocar o tal do sabão em pó e o amaciante e ela parou de bater. Pronto! Quebrou. Não, sua Anta, toda vez que você abre a tampa, ela para. Ah, tá. E cadê os tais dos recipientes devidos? Achei. Comecei a puxar e o treco não abria a tampinha. Lógico, sua Anta, não é de puxar, é uma gavetinha dividida em duas metades. Qual será a metade pra botar o sabão? E cadê o sabão? Onde será que a Cássia esconde o sabão em pó e o amaciante?
Vitória! Imagina se eu, com dois cursos superiores completos, mais de mil livros lidos, curso de inglês na Cultura, vinte anos de magistério e dez anos de academia de ginástica, iria ser derrotada por uma simples máquina de lavar! Fiquei contemplando minha façanha, embevecida, toda orgulhosa, quando de repente a bicha parou de bater de novo. Agora danou-se mesmo. Dessa vez eu consegui quebrar a máquina. Minha mãe vai me matar e o pior é que depois de morta ainda vou ter que lavar essa montanha de roupa no tanque!
Fiquei alguns minutos olhando para a máquina, em estado de choque, tentando inventar uma boa mentira pra contar pra minha mãe e ao mesmo tempo pensando como iria fazer pra tirar a roupa e a água de dentro daquela meleca. Repentinamente, ela começou a bater de novo. ???? É que o ciclo de lavagem completa tem uma batidinha e um intervalo pro molho, outra batidinha, outro intervalo, sua Anta! Legal, entendi.
Dei conta de toda a roupa da casa após três ciclos de lavagem completa. Pendurei tudo na corda, subindo e descendo as escadas para o terraço com as bacias cheias. Pura aeróbica.
Finalizei a missão com a alma lavada e enxaguada, como dizia Odorico Paraguaçú. Nada como um servicinho de corno pra deixar a pessoa livre de quaisquer problemas existenciais, emocionais, sexuais ou financeiros.”
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.Repostado, originalmente, em 13/10/2008.
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.Visitem Fatinha
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Hermógenes e o Asceta - Citado por Alba Vieira

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Somente na alma do asceta reina a Paz. Ele não quer mais do que tem. Não anseia tornar-se o que ainda não é. Não se angustia nem mesmo com a estupidez dos homens. Não se filia a doutrinas, que deva defender ou impor. Não persegue ilusões. Não teme a morte. Nunca se sente pobre. Não deseja poderes, honras, lugares, haveres... Não reprime. Não se reprime. Não se engana. Não engana. Não explora. Mas também nada tem e, se nada tem, não anseia aumentar ou guardar. Não se perturba, pois nada o ameaça. Não se ira, pois ninguém o pode ferir.
Ele só tem uma estrela a supri-lo com Infinito, Beleza, Justiça, Amor, Verdade, Beatitude...
Sua estrela é Ele mesmo.
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Augusto dos Anjos, “A um Gérmen” - Citado por Penélope Charmosa

Começaste a existir, geleia crua,
E hás de crescer, no teu silêncio, tanto
Que, é natural, ainda algum dia, o pranto
Das tuas concreções plásmicas flua!

A água, em conjugação com a terra nua,
Vence o granito, deprimindo-o... O espanto
Convulsiona os espíritos, e entanto,
Teu desenvolvimento continua!

Antes, geleia humana, não progridas
E em retrogradações indefinidas,
Volvas à antiga inexistência calma!...

Antes o Nada, oh! gérmen, que ainda haveres
De atingir, como o gérmen de outros seres,
Ao supremo infortúnio de ser alma!
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segunda-feira, 15 de março de 2010

O Grito - por Marília Abduani

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Um grito acordou a noite.
Onde florescem sonhos,
borboletas se agitam
ao vento.
Movimento como se trovejassem primaveras.
Eu desperto,
tímida rosa no teu jardim
esperando o orvalho.
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Hermógenes, a Pedra e o Lago - Citado por Alba Vieira

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Jogaram uma pedra na tranquilidade do lago.
O lago comeu-a.
Sorriu ondulações e...
ficou novamente tranquilo.
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