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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




terça-feira, 9 de junho de 2009

As Nossas Palavras XIV

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Wordle: As Nossas Palavras XIV
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Imagem: Wordle
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Werner Karl Heisenberg em As Nossas Palavras XIII - Enviado por Adhemar

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As ideias não são responsáveis por aquilo que os homens fazem delas.


Visitem Adhemar
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Clarice Lispector em “Escrever as Entrelinhas” - Citada por Alba Vieira

Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra - a entrelinha - morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora. Mas aí cessa a analogia: a não-palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva então é escrever distraidamente.
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Arre! Medo Não é Comigo! - por Ana

A mocinha está de volta,
Mas não quer falar comigo...
Está deveras arredia,
Conversa com o próprio umbigo.

Continua de tocaia,
Esta Ninjíndia safada!
Eu chamo pro ringue de volta
E a menina... nada!

Mas não pensem que a fedelha
Desistiu de duelar,
Pois há uns dias (cês lembram?)
Veio me desafiar

Com pensamentos curtinhos,
Como sempre, malcriados,
Me espetando, a inferniz,
Com o tridente enferrujado.

Acho que amarelou,
Cara pálida de medo,
O urucum desbotou,
De índia virou arremedo.

E de ninja não sobrou nada,
Já que não parte para a briga.
Só falta, depois do silêncio,
Me chamar pra ser amiga...

Então eu declaro aqui
Que deste jeito não dá:
Espetar e sair correndo...
Isso acaso é duelar?

Não te chamo mais pro ringue,
Tu é covarde legal!
Podem apagar as luzes
Da arena virtual.

Pra quem não acompanhou,
Estes versos não entende.
Explico: falo da saga
Ana contra Ai-Aiuendi.



Referências: comentários de Ana em posts de Raquel Aiuendi;
“Para SamurAi”, de Raquel Aiuendi (21/04/09 e 23/04/09);
*A Ninja x A Samurai.
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Meu Tempo - por Daisy

Meu tempo é quando.
Eu sempre caminhando
à procura de novos desafios.

Não me atrai o sempre.
Estático, presente.
Repousa, não ousa.

Quanto ao nunca,
sei que não muda,
nada de novo trás.

O quando é movimento,
é ocasião, é o momento
de fazer acontecer.

O quando é instabilidade,
fundamental qualidade
para se agarrar o agora.

Não há dúvida nenhuma,
nem certeza alguma
mas meu tempo é quando.




Visitem Daisy
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Ão, Ão, Ão, Abaixo o Cabelão! - por Fatinha

Querido Brógui:

Dalila queria acabar com a raça de Sansão e para isso tosou-lhe as madeixas. Penso que Dalila prestou um grande serviço ao cortar aquele cabelinho cafoninha de Sansão. Bem, eu acho que era cafoninha porque a imagem que tenho na minha cabeça é daquele Sansão do filme, personificado por Victor Mature, lembra? E vou mais além: cafoninha e Fanta. Não adianta porque você não vai me convencer que aquele Sansão não pisava na chapinha. Acho até que foi por isso que Dalila ficou com raiva dele. Doida pra dar pro cara e neco. Mas isso é outra conversa. O fato é que Dalila, ao cortar os longos cabelos de Sansão, tirou dele sua força.
Se fosse comigo, Dalila ia se ferrar. Se ela partisse pra ignorância, com sua tesoura maligna em punho, não ia conseguir tirar minha força. Descobri – aliás, fato comprovado a cada novo corte – que o cabelão é um atraso de vida.
Tem toda uma questão econômica, já que quanto menos cabelo, menos gasto de shampoo, condicionador, máscara de hidratação, silicone, creminho sem enxágue e toda a sorte de melecas que passo no meu cabelinho (pra ele ficar mais ou menos). Pago menos pela escova no salão porque fui rebaixada da categoria cabelos longos para a de cabelos médios. Gasto menos tinta para retocar o Cereja - antes o cabelão bebia dois kits de tinta, agora, apenas um dá pra duas vezes.
Mas, o mais importante é que, a cada corte de cabelo, sinto minha vida melhorar. Percebo isso no mesmo dia em que faço a tosa. Ontem, por exemplo, mandei ver na tesoura. Tudo deu certo: fiz uma audiência tranquilésima e meu cliente me pagou (uhuuuuu!!!!). Na volta do Fórum, passando pelo ponto do ônibus, vejo Valerinha e Mamãe esperando o coletivo pra ir ao Saara. Dei carona pra elas e disse que se encontrasse vaga para estacionar eu encarava aquela ante-sala do inferno. Achei uma vaguinha mole, repito: achei uma lugarzinho pra estacionar no Vaga Certa, no Centro!!!! Só pra não dizer que tudo tudo deu certo, na hora de pegar o carro eu não lembrava onde ele estava. Normal. Pra resolver o meu problema de desorientação, só se eu passasse máquina zero.
Então, Querido Brógui, a dica está dada. Larga desse seu complexo de Sansão, meta a tesoura no cabelo sem dó nem piedade. Não faça reféns, mate logo as pontas duplas, triplas, mude de cara. Lembre que cirurgia plástica custa mais e é irreversível, você pode ficar com cara de bezerro assustado solto no pasto. Se o corte ficar um lixo, não tem problema. Cabelo cresce. Se você ficar um ou dois meses com cara de maluco não vai fazer tanta diferença assim, vai? Acho até que ninguém vai reparar.



Visitem Fatinha
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Augusto dos Anjos e “A Esperança” - Citado por Penélope Charmosa

A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a Crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro - avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da Morte a me bradar; descansa!
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segunda-feira, 8 de junho de 2009

As Nossas Palavras XIII - por Clarice A.

É manhã. Num bairro do subúrbio carioca, da janela do ônibus, indo para mais um dia de trabalho, ela vê a cena: crianças dormindo agrupadas sob a marquise, drogadas, sujas, maltrapilhas, expressão máxima do descaso e abandono dos governantes com sua própria gente. A maneira que se deitam encostados uns aos outros (segundo a percepção dela, olhar capaz de captar sutilezas) forma a figura de um cata-vento. Estranho cata-vento de crianças sofridas, sem infância.
Ela é médica. Em sua lida cuida, trata, cura, conforta, orienta, escuta. Importa-se com seu semelhante, verdadeiramente. Como outras pessoas de sensibilidade, sofre e indigna-se ao ver tal cena.
Crianças, apenas crianças, a quem são negadas as mínimas condições de uma vida digna. O pior: quantos de nós já não passaram pela sensação de medo ou intimidação ao ver aproximarem-se estas crianças maltrapilhas, achando que uma delas pode ter consigo uma arma que nos ferirá de morte, levando-nos a temer pela nossa vida?
A terrível constatação: tememos as nossas crianças!
Estes grupos aumentam dia a dia, cada vez mais menores perambulam pelas ruas, uma arma mortal desenvolvendo-se nas sociedades doentes.
A pergunta: o que se pode esperar de quem da vida só conhece o pior? De quem nasceu, cresceu (os que crescem, porque muitos morrem ainda crianças) e só viveu abandono e miséria? A escola é a rua e o aprendizado é de pequenos delitos que levarão a delitos maiores. Há exceções? Certamente, mas estamos falando da regra.
Como resolver? É caso de urgência e não dá para protelar.
O que fazem homens e mulheres eleitos pelo povo e responsáveis pelo destino da nação? As crianças não são nosso patrimônio?
O país vive uma crise muito séria. Educação formal e gratuita de baixíssima qualidade, falta tudo: moradia, saneamento, serviços médicos etc., e sobra tudo: violência, drogas, prostituição infantil e mais e mais...
Os políticos, argh, os políticos. Bem vestidos, falantes, usuários do que há de mais novo em termos de impressionar e manipular pessoas. Quando discursam nem parece que vivemos no mesmo país. Vivem no seu mundo de conchavos e falcatruas, protegendo-se mutuamente (macaco, olha o teu rabo), em infindáveis comissões e reuniões criadas para discutir problemas. Projetos e mais projetos. As ideias? De matar jerico de inveja.
Alguns pedem que os esqueçam, outros que esqueçam sua bibliografia, os cínicos assumidos dizem que estão se lixando para a opinião pública. Serão reeleitos, manipulam com maestria a propaganda a seu favor.
Não há dia em que não haja uma manchete sobre escândalos e desvios de dinheiro em todos os níveis.
Tributação altíssima, sem benefícios em troca (quer dizer, benefícios para a sociedade), para os pobres apenas migalhas. Já para os políticos...
Voltemos às crianças. O que se pode fazer não é impossível e nem faraônico. Pensemos junto com a médica citada no início: uma moradia modesta mas protetora, roupas limpas, alimentação, escola, uma família formada por laços de sangue ou de amor. É querer muito? Quando o poder público olhará por elas?
Em alguns ainda existe a esperança (não dizem que é a última que morre?) de que os políticos comprometidos com seu povo sejam maioria e mudem esse panorama. E que, da janela do ônibus indo para mais um dia de trabalho, a médica, eu, você possamos ver as crianças como deve ser, não mais formando um triste cata-vento e sim com seus cata-ventos coloridos nas mãos girando na brisa suave do dia ou quando agitado por elas em suas brincadeiras infantis. Esse dia há de chegar. Deus é pai.



Inspirado em Cata-vento de Meninos, de Alba Vieira.
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Clarice Lispector em sua “Autocrítica no Entanto Benévola” - Citada por Alba Vieira

Tem que ser benévola, porque se fosse aguda, isso talvez me fizesse nunca mais escrever. E eu quero escrever, algum dia talvez. Embora sentindo que se voltar a escrever, será de um modo diferente do meu antigo: diferente em quê? Não me interessa.
Minha autocrítica a certas coisas que escrevo, por exemplo, não importa no caso se boas ou más: mas falta a elas chegar àquele ponto em que a dor se mistura à profunda alegria e a alegria chega a ser dolorosa - pois esse ponto é o aguilhão da vida.
E tantas vezes não consegui o encontro máximo de um ser consigo mesmo, quando com espanto dizemos: “Ah!” Às vezes esse encontro comigo mesmo se consegue através do encontro de um ser com outro ser.
Não, eu não teria vergonha de dizer tão claramente que quero o máximo - e o máximo deve ser atingido e dito com a matemática perfeição da música ouvida e transposta para o profundo arrebatamento que sentimos. Não transposta, pois é a mesma coisa. Deve, eu sei que deve, haver um modo em mim de chegar a isso.
Às vezes sinto que esse modo eu o conseguiria através simplesmente de meu modo de ver, evoluindo. Uma vez senti, no entanto, que seria conseguido através da misericórdia. Não da misericórdia transformada em gentileza de alma. Mas da profunda misericórdia transformada em ação, mesmo que seja a ação das palavras. E assim como “Deus escreve direito por linhas tortas”, através de nossos erros correria o grande amor que seria a misericórdia.



In “A Descoberta do Mundo”.
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Fica o Dito Pelo Não Dito - por Ana

Não, eu não sou shintoni!
E nem poderia ser:
Sou livre, não gosto de nada
Que esteja a me prender.

Não teria paciência
Pra organizar tudo isto!
Gente! É tarefa hercúlea!
E um baita compromisso!

Cês veem quantos posts por dia?
Há vídeos, links, recados...
Administração de primeira!
Vive ocupado, o coitado:

Ele responde os e-mails,
Faz convites, agradece,
Avisa que já postou,
E acho que nunca esquece

Do agendamento dos posts,
Dos pedidos que são feitos,
Da programação do blog...
Galera! Ele é perfeito!

Essa não é minha praia,
Eu sou mais de fofocar,
De conversar com as pessoas,
Me divertir e brincar.

Ele parece ser sério,
Não conversa com ninguém...
Embora seja simpático
E educado também.

É justamente o contrário
De mim, com a minha ousadia,
Quase ausência de limites...
Tô em outra shintonia!

Foi um engano, Gio,
Mas o que pensou faz sentido:
Você viu lá no Twitter
O nome de Ana escrito

No perfil do shintoni,
Mas era outra, não eu.
Daí te atacou a pulga,
Atrás da orelha se meteu.

Mas pode tirar a coitada.
É só parar pra pensar:
Um quase mudo, eu assim,
Tão difícil de calar...

Um tão senhor, tão sensato,
Eu, por pouco, inconsequente;
Ele tão breve, sisudo,
Eu, nas bobagens, fluente.

Ainda por cima, outro dia,
Ele me repreendeu
Naquele post do chat...
Até me surpreendeu!

Tive que pedir desculpas,
Me retratar sem demora!
Afinal, a casa é dele,
Eu aqui não sou senhora...

Hum... Me ocorreu uma coisa...
Eu não posso me furtar...
Imaginação é fogo!
Não escolhe hora ou lugar...

Devo dizer a vocês
O que me veio de repente
(Shintoni, não fica bravo,
Foi culpa da minha mente):

Aqui no planeta Duelos,
Que é lugar tão bacana,
Me sinto habitante-nativa:
ENTÃO EU SOU SHINTONIANA!!!



Resposta a “Recado”, de Gio.
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Recado - por Clarice A.

Alba:
Quando você me indicou o Duelos achei que não conseguiria postar nada, apenas lia. Sempre fui boa aluna em português e frequentemente tirava ótimas notas nas redações, mas nunca havia escrito poesias. O Duelos me deixa à vontade, pois como você havia me explicado, o importante é participar e, melhor ainda: terapia grátis. Poder criar com outras pessoas como nas Nossas Poesias e Nossas Histórias é bom demais, ler os outros é uma delícia. Quando não consigo ler as postagens do dia, no dia seguinte acesso logo que posso. Parabéns ao Shintoni e a todos que participam do Duelos. Muito bom poder se expressar da maneira que o blog propõe.
Beijo,
Clarice.



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A Felicidade - por Duanny

Muitos pensam que só merece a Felicidade quem acorda todos os dias disposto a conquistá-la, outros preferem simplesmente esperar que a Felicidade venha até elas, o que fica difícil, porque depois de tanto tempo esperando, tanto tempo sofrendo, a chegada dela pode ser um grande choque, e muitas pessoas se contentam em deixar a Felicidade ir embora.
Outras pessoas acordam todos dias e saem em busca da felicidade, como se fosse um grande prêmio, e o caminho até ela seja o maior desafio de todas a sua vida, e quando a encontram se deixam levar pelo desapontamento, pois para alguns uma vida cheia de obstáculos a serem vencidos e problemas para serem resolvidos parece muito melhor do que ser feliz; elas preferem brigas, discordar e intrigar a quem queira somente ser feliz.
Talvez as pessoas devessem parar de esperar a hora certa para serem felizes... o tempo não espera ninguém. Então a gente devia não esperar perder ou ganhar 5 quilos, ter filhos, ser promovido no trabalho, esperar chegar sexta-feira ou segunda de manhã, pagar todas as dívidas, morrer ou nascer de novo... não há hora para ser feliz, a não ser agora.
Porque não ser Feliz agora? Para ser feliz não é necessário fazer coisas erradas ou sacrificar algo, você só tem que ser você mesmo e viver a vida intensamente, como se cada dia fosse o último, mas não podemos generalizar, ter uma vida assim não é cometer loucuras, mas impedir que seus filhos cometam essas loucuras; não é jogar tudo para o alto e dizer “agora sim eu sou feliz”, mas é saber administrar os erros e compreender a quem te compreende.
Então, não importa a sua idade ou a sua profissão, o importante é VOCÊ ser feliz.



Visitem Duanny
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Sobre o Duelos - por Escrevinhadora

Gosto da Alba e da Ana
admiro o Bruno e o Gio
o Shintoni não escreve
mas foi o criador do espaço
e por isso o aprecio.

Entro quase todo dia
para ler, comentar, escrever
nas vezes em que não passo
fica a tarde meio vazia
e alguma coisa por fazer.

Por causa da nomenclatura
pensei que fosse luta renhida
depois que acessei descobri
que a ideia é se divertir
brincar de literatura
sem regras muito definidas
então passei a escrever
deixando de lado a censura,
relaxada, à vontade.

Certa vez disse besteira
apanhei da Ana e da Adir
meio zonza, meio grogue
me recolhi, refleti
depois consertei a asneira
voltei correndo pro blog
pedindo perdão escrevi.

Não me julgo escritora
misturo as letras, crio versos
falo de assuntos diversos,
conheço gente, faço amigos
e se alguém quiser falar comigo
é só clicar lá no chat
e chamar a escrevinhadora.



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Escrever - por Gio

Escrever, pra mim, é expor na pele o que se está sentindo. Só que na forma de palavras, histórias e estórias que nem sempre são as mesmas que estamos vivendo - e nem precisa... a nossa marca, o nosso recado fica lá estampado, mesmo que a gente não queira.



Resposta a “Sobre Minha Participação no Duelos”, de Alba Vieira.
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Crueldade - por Raquel Aiuendi

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Sou cruel comigo quando sou ingênua em relação ao próximo.
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domingo, 7 de junho de 2009

Movimento Migratório de Peixes Dentro de um Táxi - por Bruno D’Almeida

Lúcio estava explicando suas teorias a mais um passageiro que entrava em seu táxi. Com seus cabelos esvoaçantes e barba por fazer, ele discorria que aquele domingo de pesadas nuvens pairando no céu era um excelente dia para fazer corridas e ganhar um dinheiro extra. Mas as pessoas nesse caso gostam de ficar em casa, retrucou o passageiro tirando melequinha do nariz. Mas o fato é que o senhor está pegando um táxi, meu amigo, eu vou te explicar como isso funciona, disse Lúcio, com cara de oráculo dos filmes de ação da Sessão da Tarde.

Quando chove logo cedinho, realmente eu fico boiando e não pego muitos passageiros. As pessoas adiam alguns compromissos que não são muito importantes e ficam em casa. Só consigo uma corrida ou outra de um cliente conhecido que liga pra mim. O bom mesmo é quando começa a chover depois das pessoas já estarem na rua. Aí é uma beleza. O cidadão já está no médico, na loteria, no shopping, correndo pela cidade, quando as nuvens ficam escuras no céu. A cidade já fica lenta na própria iminência da chuva. É hora de seguir as nuvens para encontrar os passageiros.

Eu prefiro os bairros de classe média nessas horas. Sempre encontro um senhor aposentado ou uma mulher madura com pressa. Aliás, essa é batata. Uma senhora de 40 anos, toda maquiada, com seu perfume francês, salto alto e bolsa tamanho gigante não espera nem chover para pegar um táxi, basta o tempo fechar que ela levanta a mão para o primeiro taxista que aparecer. Sempre quando chove eu faço umas quatro ou cinco corridas na Av. Paulo VI, no bairro da Pituba. Ou então vou para a Barra. Quer dizer que o senhor é taxista somente quando chove, riu o passageiro roendo cuidadosamente as unhas sujas. Não senhor, disse Lúcio, tem estratégia também quando o tempo está bom. Explico.

Quando faz sol, o movimento das pessoas muda. Eu fico na porta dos shoppings, na frente dos bares, eu adoro pegar passageiros em avenidas largas e retas no sol escaldante de meio-dia. Nesse caso, o melhor lugar são os espaços abertos, onde o calor insuportável força alguém a pegar um táxi e me agradecer pelo ar condicionado. Ofereço uma bala, o jornal está aí do lado, ele usa o táxi não só como uma corrida, mas como um alívio. O senhor mesmo, é hora de almoço, o senhor quer ir pra casa, viu aquela nuvem pesada lá na frente, o que pensou? Eu estava atrás daquele ponto de ônibus que o senhor estava, tive que dar a volta no quarteirão para passar bem devagar pela sua frente e o que o senhor fez? Eu aprendi tudo isso com meu pai, que era pescador. Como? Explico.

Eu sempre ia com meu pai nas embarcações da Colônia de Pesca do Rio Vermelho. Pescador adora pescar em dia de chuva. Ele fica torcendo para a chuva acabar depois de uns dois ou três dias, os peixes estão famintos, jogávamos a rede e era um mar de peixe. Muitas vezes, no mar, íamos ao encontro da chuva mesmo para pegar os cardumes de peixes fugindo. Já época de sol, era melhor de anzol mesmo. Tudo que tem vida neste mundo está sempre indo de um lugar para outro, seja fugindo da chuva, procurando comida ou correndo pra não perder o horário. O senhor mesmo está fazendo essas três coisas de uma só vez. Chegamos. São dezesseis reais e vinte. Quinze está bom. Até a próxima. Aqui está o meu cartão.

E lá se foi Lúcio buscando o movimento migratório das pessoas e de corridas através do céu nublado. Foi parando o carro devagar. Para onde vai a senhora? Salvador Shopping? Vamos. Eu sabia que a senhora ia pegar o meu táxi. Como? O tempo está fechado. Explico. É que…



Sobre Minha Participação no Duelos - por Alba Vieira

Quando recebi o convite para participar do Duelos, aceitei porque se destinava também a amadores que gostassem de escrever com qualquer estilo, podendo se expressar de várias formas e com liberdade total.
A ideia inicial era que as pessoas escrevessem sobre um mesmo tema (e iam sendo criadas as categorias) para que se tivesse diferentes visões sobre cada um deles. Achei muito interessante e claro que quis participar.
Como trabalho há muitos anos na área de saúde, sempre gostei de escrever e fazia isto de forma terapêutica desde adolescente, com uma frequência maior nas passagens mais difíceis da minha vida, nos momentos de perdas, nas dúvidas, inquietações, desespero mesmo, no meu longo processo de autoconhecimento que se mantém até hoje.
Assim, reunia meus textos numa pastinha que não mostrava a ninguém (cruz credo!).
Quando surgiu o Duelos, fui aos poucos enviando estes textos, de acordo com a minha preferência pessoal, fora da ordem cronológica em que foram escritos.
Depois gostei da experiência, me assanhei e quase esgotei o conteúdo da pastinha, ao mesmo tempo em que, inspirada por outros autores, resolvi escrever outras coisas além de cartas para mim mesma.
Foi assim que misturei textos com informações sobre saúde, testemunhos de fatos que observo no dia a dia e histórias pessoais. Aí fui mais longe e passei a criar outros textos em que relatava vivências de outras pessoas que encontro no dia a dia na rua, na família, no trabalho. Então virou um verdadeiro caldeirão, onde muito me agrada exercitar a observação do que é humano, vivências de qualquer um de nós.
Concordo que naquilo que escrevemos deixamos inscrita a nossa essência, ainda que ela assuma diferentes roupagens.
Mas, afinal, não é só através das palavras; de muitas formas, para quem sabe decifrar, nos expomos no dia a dia. Admiro a coragem de quem também faz isto escrevendo.



Visitem Alba Vieira
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Sobre o que o Duelos Representa para Mim - por Alba Vieira

O Duelos hoje representa um espaço importante onde posso me expressar falando sobre minhas observações do mundo em que vivemos, onde falo sobre minhas experiências de vida, como enxergo as pessoas, sobre o que elas me passam, apresento minhas reflexões sobre o caos urbano, a solidão, a busca crescente pela individualidade, o egoísmo, os fatos que nos causam indignação, a política, a economia, a desigualdade social e tantas outras coisas que diariamente passam pela minha cabeça.
Representa, ainda, a possibilidade de fazer ensaios em prosa e “poesia”, onde me aventuro de forma “irresponsável” nos haikais que, para mim, são um exercício gostoso e descompromissado da síntese do pensamento. Não tenho formação técnica, nunca fui muito chegada à literatura e nem tenho talento especial nesta área. Aproveito para me desculpar com meus eventuais leitores do Duelos por minha descompromissada e despretensiosa forma de escrever, em virtude da frequencia que considero mesmo exagerada dos meus textos (é que é muito bom escrever). Mas me lembro que este espaço, segundo sua descrição no blog, está aberto para amadores que gostam de escrever e que os que o acessam têm sempre a opção de não ler, pulando os textos de autores cujo estilo não lhes agradar (Felizmente! Isto diminui a minha culpa. rsrs).
Penso que, eventualmente, existam algumas pessoas que aproveitem meus textos para refletir sobre temas polêmicos, que usem as informações que passo e que se referem, principalmente, à minha área de atuação (saúde) e ainda que possam compartilhar de minhas opiniões nada convencionais.
Aproveito este blog, também, para homenagear os amigos e parentes em dias festivos e enviar votos para todos em datas comemorativas.
Visito o Duelos porque ele me presta um serviço importantíssimo (me perdoem, novamente, os eventuais leitores) quando me permite, através dos textos, extravasar minhas dores, dificuldades, questionamentos, exercitar o autoconhecimento escrevendo para mim mesma, partindo do princípio de que escrever é terapêutico.
Mas, representa, principalmente, o espaço onde continuamente aprendo sobre várias coisas e sobre o outro, com os demais autores e, sobretudo, me divirto muito. Adoro participar, tenho total liberdade, me sinto entre amigos.



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Sobre a Participação de Outros Autores no Duelos - por Alba Vieira

Leio quase diariamente todos os textos que são postados no Duelos, desde sua criação, em 02/12/2008, ainda no Terra. Tenho todo respeito ao fazer isto porque considero um ato de coragem quando cada um expõe sua sensibilidade, suas opiniões, crenças e reflexões livremente, correndo o risco de, às vezes, ser mal interpretado.
Entendo que cada um dos leitores tem afinidades maiores com alguns autores e tenho minhas preferências, embora admire o trabalho de todos. Existem os mais soltos, os mais graves, os profundos, os originalíssimos, os contundentes, os que nos divertem com seu humor afiadíssimo, os autobiográficos, os contadores de histórias e, ainda, os que misturam todas estas habilidades. Estão todos de parabéns: os que atuam com maestria e os amadores e sem qualquer pretensão no campo das letras. Entre estes eu me incluo, aproveitando esta participação para me tornar uma pessoa melhor.



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O Duelos

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