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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




terça-feira, 26 de maio de 2009

As Nossas Palavras XII

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Wordle: As Nossas Palavras XII
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Clique na imagem para ampliar.
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Imagem: Wordle
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Napoleão Bonaparte em As Nossas Palavras XI - Citado por Adhemar

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Do sublime ao ridículo não há mais que um passo.


Visitem Adhemar
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Dália Negra

Estas palavras me trouxeram a realidade de uma pessoa que está no final de suas forças, que já lutou muito e agora não vê mais possibilidade de reagir. É a desesperança muito bem definida e descrita. É profundo, tocante.



CHOVE FINO
(ANA)

Chove fino.
Caem gotas leves sobre minha alma de barro seco,
que não conhece flores há muitos anos.
Arrasto-me dolorida, sem erguer os pés nos passos inchados,
as roupas em trapos, encardidas pela aridez de minha paisagem interior
que suga a luminosidade da janela sem êxito.
Quando choro não umedeço,
é apenas a vazante de um rio subterrâneo que,
na superfície, secou faz tempo.
Minha pele é de camaleão, opaca,
confundida com os dias amarelentos.
Sabor de giz na língua, saliva grossa de sede,
cabelos de quem não se vê no espelho.
Não mais rimo a dor com outros sentimentos.
Sofro em uma depressão longa,
da qual não se vê o final no horizonte estéril.
Sigo em frente, sem lágrimas,
sem dor no coração, porque o desconheço.
Que é de mim? Não lembro...
Há tempos tive sonhos, hoje não durmo.
Meus olhos seguem duros por sobre o isolamento,
fixos em frente, sempre, fiéis à direção de meus passos involuntários.
Quero cair, prostrar, esquecer...
morrer sob um céu que não protege.
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Déjà Vu, Shintoni? - por Ana

No dia nove de maio,
O amado anfitrião
Inaugurou aqui o chat.
Pra mim, a maior emoção!

Poder conversar ao vivo
Com o nosso pessoal!
Pensei: “Valeu, shintoni!”
Que ideia genial!

Digitei, logo, feliz:
“Oi, galera! Tudo bem?”
Fiquei aguardando resposta,
Não apareceu ninguém.

O chat era muito esquisito
Ficou parado um tempão...
Esperei novas mensagens...
Não veio nenhuma não.

Olhava fixamente.
Nada dele se mexer...
Até que cansei daquilo,
Resolvi reescrever.

Mandei: “Tô aqui, meu povo!”
Surgiram mensagens novas
Junto com a reinvestida.
Entendi!... Passei na prova!

O troço não rola sozinho,
Temos que “Actualizar”!
Deve ser de Portugal...
Ou será de outro lugar?

Passada a primeira fase
Fiquei otimista! Pudera!
Já sabia o que fazer
Pra conversar com a galera.

Então danei a escrever:
“Ô, gente! Ó eu aqui!”
Mas ninguém me respondia
E vis. today a subir...

Eram 1, 2, 3 on line,
Eu nas mensagens de “Oi!”,
“Toc toc”, “Tô aqui!”,
“Mais um que veio e já foi...”.

Foi então que percebi
Que seria muito bom
Pra todos nós, do Duelos,
Que na caixa houvesse som.

Então em hilária conversa
Com a grande amiga Fatinha
Iniciamos protestos
Pedindo som pra caixinha.

Foi nessa conversa que eu disse
Que o chat que temos aqui
É de 1960,
“Actualiza, shintoni!”

Mas quando o Bruno chegou
Defendendo o anfitrião,
Os ânimos arrefeceram,
Abafou-se a rebelião.

Ato contínuo, na caixinha,
Veio ovação de Fatinha,
Ardorosa: “Hei! Hei! Hei!
Shintoni é nosso rei!”

Propusemos homenagem
Em régio cerimonial
De coroação nipônica
No Palácio Imperial.

Por aí cê pode ver
Como está o seu prestígio.
Foi apenas brincadeira,
Não é questão pra litígio...

Se te ofendi, shintoni,
Peço desculpas... Afinal,
Às vezes me excedo um pouco(?),
Mas acho que isto é normal

Diante da frustração
De não falar com niente...
Eu ficava só no vácuo,
Extremamente descontente...

Aí você me dá bronca
No post, mas... Ora, bolas!
Dá pra gente combinar?
O chat não toca e não rola!!!

Sei que você não é Raquel,
Mas também judiou de mim...
Desta vez não sou Abel,
Mas te digo: “Caim, caim...”



Referências: “Sobre o Chat”, de shintoni; “E Caim Matou Abel...”, de Ana.
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Manual de Instruções - por Fatinha

Querido Brógui:

Elaborei um brevíssimo manual de instruções para o envio de mensagens pela internet. Tenho certeza de que muitas das minhas regrinhas pessoais vão de encontro ao que você sempre quis dizer e nunca teve coragem.

Regrinha nº 1: não mande mensagem dentro de mensagem dentro de mensagem dentro de mensagem dentro de mensagem dentro de mensagem… É chato pra cacete e quem recebe fica com cãibra no dedo de tanto abrir anexo.
Regrinha nº 2: não mande corrente. De nenhuma espécie. Corrente foi feita pra ser quebrada. Comigo funciona assim: foi corrente, eu quebro, eu tô aqui pra isso mesmo. Se minha salvação está condicionada a repassar essas mensagens, acho que o capeta já tem uma cama bem quentinha pronta pra mim lá nas profundezas.
Regrinha nº 3: não mande slides com fotos artísticas de pôr-do-sol, fundo musical de saxofone, aquelas letrinhas caindo uma por uma bem devagarinho e a velha lenga-lenga de que a vida é linda, eu amo você, Deus é dez. Putz, todo mundo sabe que a vida é linda, seu amigo também ama você e Deus é dez mesmo, mas essas mensagens fazem a pessoa desejar a própria morte, odiar você por quase um segundo e questionar a existência de Deus.
Regrinha nº 4: quer que seu amigo compartilhe com você sua última viagem, quer que veja como suas crianças são lindas, como foi a festa no seu trabalho? Mande uma foto, talvez duas, mas não mais que três. Não precisa descarregar a maldita máquina digital inteira!
Regrinha nº 5: não mande nenhum texto com mais de dez linhas. Ninguém vai ter saco pra ler. Em tempos digitais, agilidade na informação é tudo. O texto é bom mesmo? Então faz um favor: resuma e seu amigo lhe será eternamente grato.
Regrinha nº 6: não mande vídeo de pegadinhas. Não tem menor graça ficar rindo à custa do outro. Se fosse comigo, quando o cara começasse a rir dizendo que era brincadeirinha, tomava logo um murro pra acabar de rir sem os dentes da frente.

Pronto. É só isso. Fala a verdade: minhas regrinhas até que são bem razoáveis, não?



Visitem Fatinha
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Albert Camus in “O Mito de Sísifo” - Citado por Penélope Charmosa

Mas só há um mundo. A felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra. São inseparáveis. O erro seria dizer que a felicidade nasce forçosamente da descoberta absurda. Acontece também que o sentimento do absurdo nasça da felicidade. “Acho que tudo está bem”, diz Édipo e essa frase é sagrada. Ressoa no universo altivo e limitado do homem. Ensina que nem tudo está perdido, que nem tudo foi esgotado. Expulsa deste mundo um deus que nele entrara com a insatisfação e o gosto das dores Inúteis. Faz do destino uma questão do homem, que deve ser tratado entre homens. Toda a alegria silenciosa de Sísifo aqui reside. O seu destino pertence-lhe.
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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sobre o Chat

Queridíssimos amigos:
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Há algum tempo venho lendo no chat reclamações a respeito da falta de “som na caixa”.
Devo esclarecer: desde que, no Terra, mudaram a versão (e lá se vão alguns meses),
venho procurando um chat para incluir no Duelos.
O único que encontrei foi este que, reconheço, não atende às nossas necessidades plenamente por não rolar automaticamente e não constar de aviso sonoro (mas não é versão 1960, ok?).
Esclareço, ainda, que continuo a busca por uma versão mais funcional.
Assim que encontrá-la, efetuarei a substituição.
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A quem ainda não se acertou com o chat:
- após abrir o Duelos, clique no “Actualizar” na caixa do chat ou F5, para ver se há novas mensagens;
- se quiser enviar mensagem, é só digitar seu nome no espaço existente abaixo de “[Get a Cbox]”,
digitar a mensagem onde se lê “Mensagem” e clicar em “Enviar”.
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Um enorme abraço a todos.
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Entardecer - As Nossas Poesias XV

Cai o véu da noite devagar...
Acalmando o mundo sem saber.
Caprichoso, enfeitando o céu até o amanhecer;
Silencioso, receoso de a luz da tarde assustar;

Vaidoso, desfilando seus bordados prateados;
Generoso, lua cheia iluminando meus caminhos.
Pássaros de volta a seus ninhos,
Casas recebendo pés cansados.

Pela encosta da montanha, lentamente
Escorrega, sedoso, o véu da noite.
Saindo, láctea, de trás do monte,
A beleza de uma Artemis sorridente.

As famílias novamente reunidas
Após o dia de trabalho ou estudo
Vivem, cada uma o seu mundo,
E enamorados enlaçam suas vidas.

E se paras, um dia, para admirar
A plenitude de um céu estrelado,
Observa as estrelas com cuidado
E aprenderás de novo a sonhar!





Poesia criada por Alba Vieira, Ana, Escrevinhadora, Gio e Clarice A.
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Diversidade - por Alba Vieira

Grão de areia pequenino,
Rochas, montanhas, vulcões,
Lagos, mares, oceanos,
Florestas, campinas, sertões,
Brisa, ventos, tornados,
Terremotos, tsunamis, trovões,
Asteróides, cometas, estrelas,
Maremotos, relâmpagos, monções.

Universo que se manifesta
Em tão variadas facetas,
Ensina-me, natureza, a esperar
Da vida só iniquidades
E, da criação, falsetas.



Poesia cujos título e primeiro verso foram utilizados para a versão coletiva Diversidade - As Nossas Poesias XIV.
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Visitem Alba Vieira
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Alba Vieira

Inesquecível porque belíssimo e verdadeiro. Ana, com seu jeito terno e carinhoso, atinge em cheio a criança que precisa ser curada dentro de cada um de nós, despertando a capacidade que possuímos de lidar com as dores do passado para que sejamos mais livres e felizes. É altamente terapêutico. Valeu!



SE MINHA CRIANÇA SOFRE...
(ANA)

Os receios de criança
que persistem em nossas vidas
são lixos a jogar fora...
Vide a estrada percorrida:

seu corpo cresceu, mudou,
você amadureceu
em outros tantos aspectos
dentro do seu próprio eu;

passou por problemas diversos
com coragem os enfrentou;
sofreu com tristezas, perdas...
e com força as encarou;

cresceu profissionalmente
às custas do próprio valor;
ajudou tantas pessoas
com carinho e com amor.

Foi crescendo no tamanho
sem perceber que, a seu lado,
há uma menina pequena
que precisa de cuidado

e arrasta, pesadamente,
com as pequenas mãos feridas,
temores, medos, pavores
que lhes dificultam a vida.

Por vezes ela te domina
com seu pessimismo aprendido,
isto arrasa a alegria,
faz tudo perder o sentido.

Ela não pode influenciar,
você nela não deve crer;
pare, adulta, para ouvi-la,
para que ela possa viver

leve, como veio ao mundo,
alegre, feliz, satisfeita,
risonha e brincalhona,
uma criança perfeita.

Coloque a menina no colo,
cuide dela, beije, abrace,
console, acalente, sorria,
olhando-a face a face.

Diga que tudo passou,
“Das tristezas cuido eu,
cuido das dificuldades,
cicatrizo onde doeu”.

A ela cabe sorrir,
confiar na sua ação
assertiva nos momentos
em que lhes faltar o chão.

Diga a ela que aqui,
nesta terra de humanos,
há problemas, coisas boas,
sortes e desenganos,

mas que você constrói os dias
da melhor forma possível:
semeando alegrias,
afastando o que é terrível.

Se bobagens vêm à porta,
entrando sem permissão,
você cuidará de tudo,
pois esta é a sua função.

Que você sabe, convicta,
que cada pessoa uma vida;
as dores que são dos outros
não pertencem à sua lida.

Que você ajuda, se pode,
apóia, se for aceita,
colabora, tão amiga,
não faz corpo mole, não “deita”.

Mas que se algum mal surgir
dizendo respeito a vocês,
ela estará protegida
em seus braços, desta vez.

Desta vez e em outras tantas,
sempre que precisar,
pois adultos são pra isso:
defender e amparar.

Diga a ela que crianças
não devem se preocupar,
diga que não faz sentido
e explique, pra confirmar:

“Por que vai se preocupar
se o caso tem solução?
E por que se preocupar
Se é sem resolução?

É coisa tão sem propósito,
isto de preocupação...”
Esclareça a garotinha...
Acalme seu coração...

Depois de tranquilizá-la
com todo afeto e calor,
faça uma coisa por ela,
definitiva, por favor:

desembarace a pequena
da tristeza do seu fardo,
jogue fora, de uma vez,
aquele lixo pesado.

Libere as suas mãozinhas,
cuide de seus ferimentos,
trate bem sua criança
e use bastante unguento.

Depois de passado um tempo,
quando ela estiver curada,
toda boba, saltitante,
sentindo-se tão amada,

agradecendo com olhares,
te esticando os bracinhos,
pedindo colo, dengosa,
quando cansar no caminho,

te fazendo mil gracinhas,
sorrindo o tempo inteirinho,
te afogando em abraços,
te enchendo de beijinhos...

chame-a pra, com você,
novo hábito iniciar:
passar os dias da folhinha
sem temer o que virá.

Assim seguirá a vida,
mais tranqüila, finalmente,
envolta em felicidade
e segurança... plenamente.
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Solteira Inveterada por Água Abaixo - por Alba Vieira

Sonho com vagas longas que calmamente chegam e vão outra vez, num movimento cadenciado de renovação. Há, ainda, no meu sonho, um caminhão, daqueles com escadinhas na parte traseira, onde os moleques se penduram para pegar carona de bicicleta, que entra nas águas verde-claras e é seguido alegremente por uma pessoa conhecida minha, a mais sonhadora e fora da realidade que eu já vi. Os dois, caminhão e mulher, entram nas águas. Essa visão me diz algo que ainda não consegui captar totalmente. Entretanto, sei que essa imagem vai me acompanhar por todo esse dia. Não apenas o quadro, mas, sobretudo, o significado mais profundo, o que me faz sentir ao trazê-lo à mente. É uma sensação de conforto, de alívio, de impulso, de amplidão, de fim de filme quando então está tudo bem. Percebo que simboliza aceitar o destino, caminhar em direção à felicidade sem as amarras, os impedimentos que sempre tentam justificar a nossa habitual recusa em evoluir. Assim eu sei que é chegado o momento de ir mais rápido, de crescer e dar frutos nessa existência. Sei que, finalmente, me rendi aos desígnios do destino. Agora, braços dados, casamento ideal,seguem juntos livre-arbítrio e predestinação. Não como dois namorados imaturos que se batem continuamente para, em seguida, trocarem beijos apaixonados de quem pensa que acertou; mas como adultos que caminham de forma segura e integrada, sabendo que o papel que ambos desempenham não é desvinculado um do outro, não se expressam isoladamente, fazem parte de um todo indivisível, absoluto. Essa fusão que não diminui as partes, que expandem num nível além da visão dos sentidos: é o sentido da própria vida, é o poder real que todos almejam.
Como expresso nesse sonho, estou casada, por destino e escolha consciente, demorada, eu bem sei, mas certa. E experimento, agora, um poder bem maior do que sempre tive. Não o poder de andar solta, de ter iniciativas e concretizá-las sozinha, trilhando o caminho que bem escolhesse. Mas o poder de compartilhar que só traz expansão, novas possibilidades e ampliação da área de atuação. E ainda, a maior recompensa: a paz, o tao do amor.
A imagem é bem clara: ir de encontro a algo mais amplo, ao aceitar-se a carona que a Vida nos propõe.
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Visitem Alba Vieira
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Aflição - por Ana

É tarde em meu quintal. O sol queima as roseiras secas que desesperam por chuvas. Dia imóvel, claridade insuportável. Quero frescor, água gelada, inverno antes do tempo. Quero um banho simples que me retire o sol dos poros, filetes d’água que relembrem mobilidade, gotas discretas na penumbra solitária do banheiro. Quero me jogar em algum canto escuro e cochilar os pensamentos insistentes; deixar o tempo passar sem minha presença para que eu possa viver num futuro perfeito. Quero a noite e a manhã amenas e amigas, mais próximas dos dias frios. Não quero queimar, desesperar, conviver com o insuportável sem poder me mover. Quero mudanças, acertos, meu mundo de novo, organizado como sempre foi. Há uma promessa distante, quando ele voltará e estará tudo no lugar. Mas seu retorno só no inverno... Até lá terei que ruminar esta necessidade dependente... da maldita escada para retirar estas infames rabiolas do coqueiro!



Inspirado em Rabiolas, de Raquel Aiuendi.
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José Régio, “Soneto de Amor” - Citado por Penélope Charmosa

Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
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O Corpo e Seus Símbolos: uma antropologia essencial, de Jean-Yves Leloup - por Alba Vieira


“Examina o corpo como guia de informações que traduzem a verdade de cada um, integrando os aspectos físicos, psicológicos e espirituais. Mostra como o corpo conta a história do ser: pessoal, interpessoal e transpessoal. Enfatiza que ao considerar a doença e os sintomas, o terapeuta deve propor que o paciente não se identifique com eles e sim procure estar além deles, sendo o sujeito e não o objeto de suas dores. A doença deve ser o guia para o aprimoramento do ser, é a sua mensagem.
É ótima leitura, integrando várias fontes de conhecimento, inspirando novos estudos e correlações.
O aspecto de maior importância é encorajar a leitura do corpo pela própria pessoa, sem desconsiderar as correlações já existentes; mas, como no caso da interpretação dos sonhos, cabe ao próprio fazer a melhor leitura, a mais abrangente e fidedigna.”
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E você? Que livro considera ótimo?
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domingo, 24 de maio de 2009

A Odisseia do Menino Infante e seu Cachorro-quente - por Bruno D’Almeida

De repente aquele menino magrinho se encontrou perdido no meio da praia. Alexsander olhava para tudo e não via nada. Nada além de vendedores de óculos escuros, de água de coco, de picolés e de bronzeadores que besuntavam corpos morenos na areia. Ele via o mar de gente na água, os adultos brincando de frescobol, ele via o mundo passar pela janelas dos seus olhos e não se reconhecia em nenhum rosto, nenhuma paisagem mirava seus pais e sua piscina de plástico azul com peixinhos multicores.

Olhou para o pedaço de cachorro-quente na mão e pensou Papai do Céu, agora só tenho isso para comer pelo resto da minha vida. Fez uma trouxinha com o papel laminado ao redor do seu lanche e o segurou firme como seu talismã da sorte. Apertava com cuidado seu alimento para a alma, a única coisa que lembrava seus pais e a possibilidade de se sentir com eles, de não parecer estar tão sozinho. Minha mãe está aqui comigo, pensava. Nenhuma presença se faz mais concreta do que a lembrança exata de quem mora dentro da gente.

Depois de meia hora sentado e de sentir o ardor do sol na sua pele amarela e fina de pêssego, um casal de idosos vê aquele infante olhando sozinho para o infinito. A pergunta sobre os pais de Xandinho foi seguida de braços abertos e de uma cara de não sei. Partem todos em busca do tão esperado encontro que só precisava acontecer. O garoto começa andar, andar, andar, cansar, cair, levantar, andar, nausear, vomitar, beber uma água de coco e sentar novamente na areia. Vamos levar você para casa e divulgar seu desaparecimento ao mundo, disse a senhora idosa com cara de Dona Benta do Sítio do Pica-pau Amarelo.

Chegou na casa do casal com cara de nunca mais. Nunca mais ia tomar banho de mangueira com sua cachorrinha Nina, que pulava feito louca no vazio do ar e depois se sacudia, distribuindo jatos de água e de pulgas. Nunca mais contaria as estrelas fluorescentes adesivadas no céu de seu quarto, nunca mais comeria bolo-pudim, nunca mais receberia sermões de seu pai por colocar os pés na mesa da sala de aula e de responder à professora com mais e mais porquês. Nunca mais tantas coisas pairavam naquela cabecinha de sete anos, e a velocidade de imagens fluía com a mesma densidade das lágrimas de seus olhos. A única coisa que ele via era tudo que não gostaria de ver.

O velhinho Pascoal, com cara de Visconde de Sabugosa das mesmas histórias de Monteiro Lobato, chamou o menino para o noticiário da tevê. A jornalista relatava o nome e a descrição da criança perdida com o telefone para contato. E aquele aparelho telefônico preto com teclas de disco não era mais apenas um telefone. Era o centro do universo, e seu silêncio ensurdecia os ouvidos da criança que, de tão concentrada com os olhos fixados naquele objeto em cima da escrivaninha de vime, ouvia apenas as vozes da sua momentânea loucura de falar em pensamento frases desconexas. É necessário lembrar que o telefone não tocava. E foi assim durante duas horas e quarenta e três minutos. Tocou. E para tristeza daquela alminha sardenta e dentuça, quando alguém ligou era para perguntar se, caso encontrasse os pais da criança, receberia alguma recompensa. Pascoal devolveu dizendo que não sabia que urubu falava e bateu o telefone.

Engolido por uma camisa listrada de malha piquê e ao lado de um saquinho de supermercado com sua sunga molhada, ele apagou no sofá. Dormia e babava e até em sonhos estava na mesma posição de cão-de-guarda do telefone. E dormindo sentia o tempo passar e despassar. Sentia o vazio de um desejo cheio de desesperança. Sentia a mão fria e sedosa de uma senhora dizendo acorde, meu filho, seus pais ligaram e estão vindo pegar você. Correu até a porta do apartamento e parou de repente. Sentiu falta de si mesmo. Foi até a geladeira, pegou o cachorro-quente embalado com alumínio amassado e cheio de areia e correu até o elevador, onde as portas se abriram para um mundo que por um instante, um eterno momento de instante, parecia não ter fim.



Feliz Aniversário, Jorge! - por Alba Vieira

Hoje é seu aniversário e tantos desejam com você comemorar! É dia de ser feliz, do sol brilhar, de abraços, de beijos, de festa e de alegrias. Mas, a comemoração maior é sua, particular, de louvar tudo que possui de mais precioso: a lucidez, o espírito humanitário, a capacidade de amar, a capacidade de expressão.
Você é um cidadão do mundo, interessado em tudo que acontece nos seus arredores, no seu estado, no seu país, no universo. A globalização tem tudo a ver com você.
É pessoa compassiva que ao longo da vida misturou-se a muitas outras pessoas, muitas vezes responsabilizando-se por suas vidas, sempre ajudando a conhecidos e desconhecidos que surgiram no seu caminho.
Foi chamado à responsabilidade muito cedo e tornou-se a figura do pai amoroso, aquele que acompanha, que instrui, que abre caminhos e, principalmente, dá liberdade aos filhos. Teve oportunidade de ser o pai não apenas dos seus filhos naturais, mas também de tantos que necessitaram de sua orientação e cuidados.
Seu interesse por gente, sua capacidade de observar além das aparências fez com que amealhasse ao longo da sua vida, muitas histórias interessantes que você traz na memória e, de uma forma toda especial, brinda os seus amigos e conhecidos com seu relato apaixonado.
Mas, o aspecto mais interessante de sua personalidade é a abertura para o numinoso. As ocorrências da sua vida têm muito de extraordinário, de espiritualidade manifestada. E, creio eu, isto só acontece com os grandes homens, aqueles que vão deixar sua marca nos corações de tantas pessoas, pois que sua passagem por esta vida, deixa um rastro de luz.
E, esta luz você necessita refletir e o faz, perfeitamente, nas manifestações artísticas. A expressão pela arte embeleza a sua vida e a dos que o acompanham. É um presente para todos.
Parabéns pelo seu aniversário. Encontrar com você nessa vida foi um presente especial. Que você tenha muitos anos para viver perto de todos nós dividindo suas experiências e irradiando a sua luz. Um grande abraço. Felicidades!



Visitem Alba Vieira
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Chuva em Salvador - por Bruno D’Almeida

As chuvas estão muito fortes, alagando tudo e deixando a cidade num inferno. Moro numa região alta e tenho procurado não sair muito daqui. Houve um caso muito triste de uma mãe com uma criança que, ao andarem pela rua alagada, foram sugadas por um bueiro adentrando na rede de esgoto da cidade. Muitas mortes, muitos desabamentos, muita revolta, muita dor e desesperança. Espero que isso tenha fim. Nessas situações, depois da tempestade, vem a contagem dos mortos e feridos.



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Conflitos Internos - por DAS

Sinto-me perdida, confusa
Meus pensamentos se confundem
Em tantos sentimentos
Todos sem direção exata
Sem alvos certos

Procuro por uma luz
Uma direção
E só encontro indecisão...
Nada parece certo ou errado
Apenas inadequado

Sinto saudades, medo, raiva, amor, ciúme, desejos...
Na verdade, nem sei o que sinto
A única coisa certa é o vazio
Algo pesado dentro de mim

Queria estar em outro lugar
Queria que fosse outra hora...
Ou então que este momento passasse logo... rápido!
Amanhã sentirei outra coisa
Melhor?
Não importa agora
Será outro dia e hoje passado, finalmente.
Minha mente estará mais aberta e poderei refletir, definir, decidir...



Visitem DAS
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Meniina, Olha o Drama! - por Duanny

Quem nunca na vida fez um drama? Quem nunca na vida presenciou um drama ou até mesmo foi vítima de um?

O que podemos concluir? O drama, quando praticado por nós, tem grande chance de dar certo.
Lá estava eu conversando com a minha mãe a respeito de uma possível viagem de intercâmbio, quando me peguei no meio de um drama.

- “Mas, mãe, assim... Você investir no futuro da sua ÚNICA filha, a única... Você não sente um vazio dentro de você quando nega a melhor educação para sua filha??”
- “AI MEU DEUS! Vazio dentro de mim vou sentir quando eu for pagar esse intercâmbio!!”
Enfim, se vou viajar? Sim, quando eu terminar o ensino médio, mas vou! =D
Bom, pelo menos esse diálogo mãe e filha foi muito melhor que o último, quando, por um triz, o Drama não acaba com todas minhas chances de ser a menina responsável!

Para os mais radicais, guerras não passariam de um Drama construído para esconder o egoísmo ou a arrogância de não saber dividir. Para mim, um Drama não passa de uma ferramenta utilizada por NÓS (sim, todos usam, é fato) para curtir nossos pobres valores adolescentes que foram cruelmente proibidos por tiranos conhecidos como Pais (e lá vou eu de novo).
Beijoos!



Visitem Duanny
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Estou Lendo... - por Alba Vieira

Radiestesia Médica Fácil y Práctica, de Profesor D’Arbó.
A Ciência e a Arte do Pêndulo, de Gabriele Blackburn.
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E você? Que livro está lendo?
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