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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 20 de dezembro de 2009

O Grande Barato da Esperança é Esperar - por Bruno D’Almeida

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Eu nem gosto muito das festas de fim de ano. Duvido de mensagem sincera que tenha nos créditos finais as logomarcas dos patrocinadores. Mas ao mesmo tempo, quando essa época chega, não há como deixar de refletir sobre algo que nasce, essa famigerada esperança. Alguns comemoram o nascimento de Jesus, outros mais antigos o solstício de verão. Muita gente comemora porque não aguentava mais um ano tão sem sal, feito comida de hipertenso. Não importa: todos esperam, de uma forma ou de outra, que algo de extraordinário aconteça em suas vidas.

É por isso que eu não gosto dos últimos dias de dezembro. Na verdade, eles têm cheiro, sabor e consistência dos primeiros dias de janeiro. Não gosto de alimentar esperanças com endereço extraviado. Não espero que uma nuvem abra do céu, nem uma redenção da raça humana no dia do Juízo Final. Como posso acreditar que algum mágico vá bater a sua varinha e todos nós seremos felizes? Tolice. Não há transformações mirabolantes ou desfechos cinematográficos, nada vai mudar de uma hora para outra em nosso jardim. Se quisermos algo de verdade, devemos acreditar no poder de nossas próprias ações.

Há sim, as transformações pessoais e das pessoas que estão ao nosso redor. Isso eu comemoro todos os dias, nem precisa fechar a porteira do ano. Mas quem sabe o Natal e o Ano Novo possam trazer algo de bom, mesmo que Papai Noel e Santa Clauss sejam incapazes de tomarem um café dormido na minha casa. Eu não convido mesmo, e se vierem eu boto para fora debaixo de vassouradas. Essas festas de final de ano só me fazem gastar mais dinheiro. Porém, eu começo a não acreditar que as coisas podem melhorar: tomo a convicção de que posso fazê-las melhorar. A cada ano, uma reflexão, novos caminhos, novas trilhas, novos rumos, novas estações.

É o lado bom de pensar no ano que vem. Olho pra esse ano que passou e meu espírito me diz que ano que vem pode ser diferente. Que seja mesmo. O homem ama a felicidade porque ela nunca diz quando vai aparecer, basta vivermos com ela todo dia para não darmos valor. A esperança se encarrega de aguardá-la. Afinal, esperança é o único sentimento que nunca se realiza, pois o grande barato dela mesmo é esperar. É isso. Esses dias reacendem a faísca sublime da esperança. Esperança numa vida melhor. E esse sentimento é maior do que todo torpor, toda angústia, toda aflição dessa estada sem data de partida definida, contudo tão certa quanto inevitável.

Só que antes de ir, quero ter para mim a certeza de que algo valeu a pena. E por isso posso comemorar. Pronto. É o suficiente para que todos os meus projetos de vida saiam correndo do baú velho de trancas enferrujadas. Que ano que vem eu possa ter mais dinheiro e menos dores na coluna. Que eu possa comer mais brigadeiro. Que eu possa me reunir mais vezes com os amigos que não vejo há tempos. Não tem jeito, essa festinha comercial, para todos consumirem, comprarem presentes e roupas brancas me faz, depois de uma certa tristeza momentânea, mimetizá-la num rio de fé em busca de um punhado de felicidade.

Eu já disse que não gosto muito dessa época de fim de ano. Mas nestes dias eu costumo sorrir sozinho, feito criança boba, e dizer que vou deixar meu nome escrito nas mesmas estrelas por onde passaram os Reis Magos. Ah, sim, eu vou! Eu não estou nessa vida por brincadeira e vou ser muito feliz. Minhas asas são tortas, mas sabem planar e sentir o faro do infinito. Boas festas e felicidades para todos nós! Pelas sementes de esperança que todo ano brotam novamente, feito ervas daninhas, em nossos corações.
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História Conta História

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Queridos amigos:

Inauguramos a categoria “História Conta História”,
que é consequência de uma ideia que surgiu durante o bate-papo no chat do Duelos
entre Fatinha, Escrevinhadora e Ana.


A proposta foi a seguinte:
cada uma delas escreveria uma história que tivesse vivido;
a seguir, cada uma criaria uma história contendo os principais detalhes das três histórias iniciais.


Dia 17 demos início à categoria com a história pessoal de Escrevinhadora.
Dias 18 e 19 foram postadas as Partes 1 e 2 da história pessoal de Ana.
Hoje foi postada a história pessoal de Fatinha.

Na sequência, serão postadas as histórias derivadas das três autoras.


Portanto, a categoria funciona da seguinte forma:
com base em qualquer (ou quaisquer) das histórias apresentadas podem ser criadas histórias derivadas.
Leiam as histórias publicadas, criem suas histórias e enviem para postagem!
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“Era uma Casa Muito Engraçada...” - por Fatinha

Tinha eu acabado de entrar para a faculdade. Estudante de História, meus colegas de curso ou eram bichos-grilo ou comunistas. Eu, nem uma coisa nem outra, sempre fui careta e pequeno-burguesa, mas isso nunca foi um problema. O problema era que meus pais nunca me deixavam fazer as viagens que a galera planejava. Depois de muitas recusas, parei de ser convidada. Aí decidi que na próxima eu iria. Tomei coragem e anunciei em casa que viajaria com o pessoal para São Pedro da Serra. Fui.

Nos encontramos na rodoviária, pegamos um ônibus pra Friburgo e de lá um cata-corno até a outra cidade. O cata-corno é aquele ônibus comum, que mal presta para andar na cidade, mas que é usado para fazer o trajeto de uma cidade pequena até a outra menor ainda. Ele vai parando para qualquer um que faça sinal, em qualquer lugar da estrada. A estrada, a propósito, era inexistente. Cada cratera homérica, parecia que havia ocorrido um bombardeio. Nós íamos sacolejando agarrados na mochila e no colchonete – sim, viagem de estudante sempre tem que ter um colchonete.

No meio da estrada, no meio do nada, no meio do mato, a menina que tinha alugado a casa pediu para o motorista parar. Descemos. Depois descemos mais um pouco porque a casa era à beira de um despenhadeiro. Quando olhei para o pardieiro, comecei a cantarolar: “Era uma casa, muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada...”

A casa tinha três cômodos: uma sala, um quarto e uma cozinha. O banheiro era do lado de fora. Guarnecendo o imóvel, uma roda de carroça em cima de um toco de árvore. Era a mesa. Na cozinha, um fogareiro a carvão. Sem carvão. No quarto, um lampião. Só. Cama? Cadeira? Televisão? Geladeira? Eletricidade? Confortos burgueses dispensáveis para um bando de garotos a fim de curtir a natureza.

Fomos à cidade comprar comida e carvão. Ao menos ninguém se perdia. A cidade tinha apenas uma rua e nela uma mercearia que vendia desde pilhas até absorvente higiênico, passando por pão, cenouras e banheirinhas de plástico para dar banho em bebês. Não entendi muito bem o critério do comerciante para abastecer o seu estabelecimento, mas, pra quem ia ter que dormir no chão em cima de uma folha de jornal, tudo era festa.

Voltamos pra casa. Almoçamos laranjas, que comemos sentados no batente da porta, jogando as cascas despenhadeiro abaixo.

Quando foi anoitecendo, começou a esfriar e fui comunicada que, ou tomava banho frio, ou tomava banho de cuia. Optei por esquentar um balde com água no fogareiro, o que não dava muito certo. Demorava e éramos muitos para tomar banho. Alguns escolheram o banho frio e ficávamos escutando os urros de dor que vinham de dentro do banheiro. Quando a minha cota de água estava mais ou menos morna, entrei no que chamavam de banheiro. Pia, vaso sanitário com descarga de cordinha, box sem cortina. Luz de velas. Entre o chuveiro e o sanitário, um sapo. Não dava pra sair correndo, já tinha me despido. Olhei para a parede do box. Jesus Cristo, de braços abertos, olhava para mim. Disseram que o dono da casa fez aquela pintura depois de tomar um chá de cogumelo e encontrar Jesus face a face. Mas precisava ser no banheiro? Virei de costas para Jesus, de frente para o sapo, lavei as partes essenciais do corpo e pronto.

Hora de dormir. Primeira tarefa: forrar o chão com jornal. São Pedro da Serra fica na... serra. Frio. Depois do chão forrado, colchonetes. Depois, matar todas as baratas que pudéssemos. Depois, deitar um por um, como um joguinho de dominó. Um ficou encarregado de apagar o lampião e todos ficamos proibidos de levantar de madrugada para fazer xixi. Primeiro porque naquele breu havia o risco de esmagar dedos e cabeças, depois porque ia ter que abrir a porta e o vento frio ia entrar, não bastasse o fato de a casa não ter forro e já ventar pela fresta das telhas.
Eu me diverti de monte. Se faria de novo? Só se voltasse a ter dezoito anos.
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Domingo, Pé de Cachimbo! - por Adir Vieira

Domingo, pé de cachimbo!
Que bom acordar e ter nada para fazer!
Poder decidir se continuar no clima de inverno proporcionado pelo ar-condicionado ligado a mil ou se pular da cama e ir de encontro ao sol que teima em me chamar à vida, batendo forte na janela, às seis da manhã...
Que bom se sentir rica, por dentro e por fora!
Que bom ter a tranquilidade de saber que a vida é o que é, queiramos ou não!
Que bom poder olhar cada ser com suas diferenças e ainda assim apreciá-los no seu lado bom ou ruim!
Que bom ser, ao menos uma vez na vida, humilde e receber sem culpas!
Hoje é domingo, pé de cachimbo! Vamos aproveitá-lo então!
Bom domingo a todos!
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Palavras - por Ana

Palavras não são gentis, não são amigas, não trazem consolo.
Palavras são verdades implacáveis que armazenamos num lugar importante para utilizá-las nos momentos certos.
Palavras são veículos e nós seus passageiros. Elas nos levam em seus significados e ressignificados. Elas nos acidentam, elas nos suicidam.
Palavras são peças de encaixe, nem sempre perfeito, que formam desenhos mutáveis ao longo da vida.
Palavras são santos imóveis, paralisados numa bênção prometida.
Palavras são fantasmas inconformados que insistem em ignorar a própria morte.
Palavras são obscuras, tendenciosas, comprometedoras, tangenciais e credoras.
Palavras são baús de sinônimos duvidosos e impossíveis que nos confundem no mar revolto das interpretações.
Palavras são furacões indomáveis que tragam os sentimentos, levando-os ao sabor de seus movimentos caprichosos.
Palavras são ecos dos primórdios da evolução humana.
Palavras são a sombra. São.
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Natal que Passa... - por Poty

A cada Natal que vem,
Outros passarão.

Vem outro e passará.

Fica a preparação do próximo.
Agonia sem fim.

Todos a festejar!

Comida farta
Outros sem pão.

Uns choram
Alguns até soltam gargalhadas.

Celebram a vida
Outros lembram a morte.

O Natal será o mesmo.
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sábado, 19 de dezembro de 2009

Festival de Águas Claras (Dias 3, 4 e 6) - por Ana

No terceiro dia, mais barracas, nada de quiosques, uma fome de cão, pois não tínhamos levado muita comida, pensando em comprar lá. Vendedores ambulantes? Neca. Água? Neca, só a do filete-cachoeira que era extremamente duvidosa, porque o pessoal ficava lá em cima, ao lado da pedra, brincando de fazer xixi em quem tomava banho embaixo.
As pessoas estavam esquisitas, meio zumbizadas, meio agressivas, andando meio torto e muito tortas, falando sozinhas... Esquisitíssimo!
De repente ouvimos uns berros que pareciam ser de um vendedor ambulante. Nosso amigo disse:
- “Acho que ele tá gritando: ‘Olha a Coca!’”. E saiu correndo desabalado atrás da voz. Voltou com um cara que tinha uma bolsa grande e um tabuleiro. Diálogo:
- “Cara, tu tem Coca?”
- “Tenho, bródi!”
- “Mas só Coca?”
- “Não! Tem mais coisa aqui! Da boa!”
E a gente:
- “Ai, até que enfim! Pelo menos um refrigerante!”
Quando o cara se aproximou, olhamos o tabuleiro repleto de trouxinhas e papelotes.
Não era Coca, era coca! Távamos ferrados!
Fizemos reunião-relâmpago. Pauta: Vamos embora já! Mas eu e minha irmã queríamos ficar. Afinal, tínhamos ido assitir ao Egberto e ÍAMOS ASSISTIR ao Egberto! 2 a 2. Ficamos. Nossos amigos apavorados e irados.
Esperamos a noite e acho que todo o tempo eles ficaram rezando para nada de grave acontecer. À noite nos dirigimos ao palquinho. Mais sei-lá-quem em cima do tablado urrando e resmungando coisas ininteligíveis. O som paulêra o tempo todo. De repente parou. Pensamos: é o Egberto, é o Raul. Acho que, nesse momento, nossos amigos esqueceram suas rezas. Não sei quem era, porque o palquinho tava longe pra burro, mas a figura tocava violão. O som era tão baixo e ruim, tão cheio de microfonia que ninguém ouvia nada. Depois de uma meia hora, o cara saiu tão mole quanto entrou, o palco se apagou e a paulêra recomeçou. Voltamos para a barraca decididos a ir embora na manhã seguinte.
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.Quando acordamos, havia um magricela branquelo dormindo na varanda. Nós já o tínhamos visto antes. Era o Fininho. Hiperativo, taquilálico, tocava o maior horror. Minha amiga, que já tinha medo dele de longe, ficou apavorada. Ele dormia barrando a entrada da barraca. A gente empurrava, empurrava e nada dele acordar ou se mover. E nós lá dentro, presos. De repente ele acordou e se pôs dentro da barraca para continuar dormindo. Ninguém conseguia tirá-lo de lá e tínhamos que desmontar a barraca. Foi uma guerra dificílima, mas conseguimos despejá-lo depois da barraca desmontada.

Então nos dirigimos à entrada da “fazenda”, a fim de pegar o cacarecobus de volta. No caminho, o povo doidaço nos cercou pedindo dinheiro, tentando arrancar as mochilas da gente, mexendo nos nossos bolsos... Sabem aquela cena dos vampiros no teatro atacando a mulher, no filme “Entrevista com o Vampiro”? Pois é, assim. Havia um cara alto, forte, com voz de Tim Maia, que ficava gritando pro povo: “Tem dinheiro aqui! Tem dinheiro aqui! Aqui! Aqui!” E cada vez mais enlouquecidos em volta de nós e a gente tentando chegar à porteira. Minha amiga dizia:
- “Não tenho dinheiro. Não tenho dinheiro.”
E eles:
- “Não? O que é isso na sua mão?”
- “Nada. Tira a mão! Larga!”
- “Ih! É passagem de ônibus! Isso serve! E se tem passagem, tem dinheiro! Dá! Dá!”
Aí o do vozeirão partiu pra cima e minha amiga lutou feroz e heroicamente pelas passagens. Saiu vencedora, apesar de magrinha e apavorada. Chegamos à porteira quase correndo com aquela turba enfurecida atacando pelos flancos e retaguarda.
Do lado de fora, o ônibus já estava cheio. Outras pessoas ingênuas, revoltadas e enganadas, como nós, também estavam indo embora. Os doidões invadiram o ônibus tentando tirar alguma coisa de quem estava lá dentro; outros ficaram do lado de fora, na porta, tentando coletar alguma coisa de quem tentava entrar; e outros, ainda, pendurados nas janelas, atacavam os que estavam lá dentro, esticando os tentáculos famintos para mochilas, bolsas ou qualquer coisa que pudessem agarrar. Era o caos. Apesar dos obstáculos, conseguimos entrar. O ônibus partiu com gente sentada nas janelas, hipersupermegalotado. Apesar de tudo, sobrevivemos e chegamos ao Rio de Janeiro. Eu, indignada e frustrada, minha irmã apaixonada por um caminhoneiro careta que tinha conhecido lá (e que, posteriormente, iria pedi-la em casamento por telefone e propor que passassem a vida viajando romanticamente pelas estradas do Brasil e, quem sabe, do mundo) e minha amiga totalmente em choque por tudo o que tinha acontecido, principalmente por causa do Fininho, que a deixou em pânico total.
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.Dois dias depois de voltarmos, fui à casa de minha amiga e a encontrei com portas e janelas fechadas e portão trancado, o que nunca havia visto antes. Chamei. Depois de muito tempo, alguém olhou pela fresta da janela e jogou as chaves pra mim lá fora. Entrei. Ela estava sozinha em casa, deitada na cama, toda encolhida, coberta até a cabeça, tremendo que nem vara verde. Eu perguntei:
- “O que foi, você tá doente?”
Ela descobriu os olhos esbugalhados e perguntou, em pânico:
- “Trancou tudo? Trancou tudo?”
- “Tranquei. Mas... o que foi?”
- “Você viu? Você viu?”
- “Viu o quê?”
- “Ele me seguiu! Ele me seguiu! Nunca mais vou me livrar dele! Ele me seguiu, sabe onde eu moro, me seguiu até aqui. Ele está aqui. Está aqui me vigiando...”
- “Quem? Quem te seguiu? Quem está te vigiando?”
- “Ele! Ele! ELE!
E fazia aquele olhar de você-sabe-quem, mas eu não sabia. Então ela disse:
- “Olha lá fora! Olha só! Olha! Foi ele! É ele!”
Eu fui até a porta da frente, abri a portinhola e li, no enorme muro da casa em frente, em letras garrafais:
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FININHO ESTÁ AQUI
.Raul Seixas
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A Culpa Foi do Médico - por Adir Vieira

Depois da chuva de ontem, parece que o dia promete um clima mais ameno. Foi assim que senti quando acordei com aquele friozinho vindo de fora, passando pela janela aberta, pois essa noite os aparelhos de ar-condicionado puderam ganhar um descanso.
Apressei-me com o café, visto que meu estômago já reclamava uma alimentação. Estranhei o fato porque jamais acordo com fome - meus horários de comer sofregamente são aqueles após as 16 horas - e culpei a temperatura mais baixa.
Escolhi uma salada de frutas com cereja preparada no dia anterior e, em poucos minutos, apreciei a vida e as coisas boas que nos oferece como, por exemplo, uma boa comida.
Lamentei de pronto não poder abusar dos carboidratos, meu alimento preferido. Por sorte, o rádio anunciava uma entrevista com um endocrinologista famoso que recomendava a ingestão de carboidratos até para os diabéticos que, graças a Deus, não é o meu caso.
Como uma flecha a me apontar um caminho, eu que já havia preparado minha refeição - além da salada, uma fatia de queijo minas e uma fatia de pão integral - mudei meu rumo e com grande satisfação construí um sanduíche de três andares com direito a salaminho, alface e maionese.
A culpa foi do médico.
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Bitsunami - por Kbçapoeta

Estava com o nariz pregado
Respirando no fundo,
Destilando emoções
Quem vem a soçobrar
Devaneios
Manifestados em transe profundo.
Utilizo a verborragia popular
Para espalhar vocábulo
De vereda.
Alma reta, linha torta,
Letra morta
Do poema se recorre à inspiração.
Tempos difíceis para poetas...
Fazer seus versos singrar
Madrugadas pelo mar de palavras digitais,
Deixando impressões aos poucos
Para tão distantes leitores.
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Festival de Águas Claras (Dias 1 e 2) - por Ana

Lá pelas bandas dos anos 70/80. Eu, cheia de rebeldia, amor pela música e idealismos, via, na TV, o comercial do Festival de Águas Claras: palco iluminado, todo bonito, multidão embalada por vários nomes do cenário musical brasileiro, especialmente o meu “idolatrado” Egberto Gismonti. Eu assistindo e doida pra estar lá, vivendo um momento histórico...
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Comecei a trabalhar. Um dos primeiros pensamentos: “Poderei ir a Águas Claras”. Na época da edição seguinte do Festival, lá fui eu ao centro da cidade para comprar os ingressos. Me deparei com um prédio meio pé-sujo, mas tudo bem. Devia ter desconfiado que alguma coisa estava errada quando me vi no “escritório” da firma organizadora do evento: uma mesa fulêra, um telefone velho, um talão de ingressos, infiltrações brabas nas paredes e reboco caindo nas nossas cabeças. O cara que estava lá para atender agia meio assim como um bicheiro que aguarda, nervoso, a chegada da polícia. Mesmo assim, eu, adolescente, otimista e sonhadora, comprei os ingressos.
Daí até o dia da viagem fiquei envolta naquilo que, acreditava eu, me esperava em Sampa: uma fazenda linda, com riachos e cachoeiras de águas claras (já dizia o nome), perfeita infraestrutura do Festival, gente muito alto astral reunida, por três dias, por amor à música de boa qualidade.
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Sonhei, sonhei muito até estar no ônibus que nos levaria de São Paulo a Águas Claras: um cacareco horroroso, repleto de gente esquisita que se embrenhava por estradas cada vez mais esburacadas e lugares inóspitos, elameados, feios, barro por todos os lados, nem um verdinho ao longe pra contar a história... De repente o ônibus parou e o motorista berrou: “Águas Claaaaras!!!!”.
O cenário era desolador: uma cerca toda torta, de mourões e arame farpado; o chão era pura lama, até o horizonte uma terra careca, só umas duas ou três árvores magricelas perdidas em meio àquela tristeza. Palco? Não havia. Riacho? Só nos sonhos. Cachoeira? Um filete mínimo de água que saía de uma pedra e onde uma multidão tentava se banhar. No chão, perto dela, absorventes, camisinhas, plásticos, papéis, restos de comida, uma lixarada fedida e porca.
Montamos a barraca num lugar mais sequinho, perto de duas construções malfeitas, ao lado de umas árvores ralas: quatro paredes caiadas sem telhado. Resolvemos ficar por ali porque imaginamos que fossem os banheiros. Não vimos sinal dos quiosques de comida e pensamos que fossem montá-los no dia seguinte. Fomos dormir tarde sonhando com o que de bom poderia nos esperar depois que montassem tudo. E com a certeza de que havíamos chegado cedo demais.

No dia seguinte, mais barracas montadas à nossa volta, mas de infraestrutura, neca de pitibiriba. Fomos ao que pensamos ser, além de local de banhos, banheiro. Mas só havia canos saindo das paredes, dos quais escorriam filetes d’água. Uma entrada aberta e nenhuma porta. Era só para banhos, mesmo. As árvores serviam de arquibancadas para os caras ficarem olhando as garotas lá dentro. E elas tomando banho nuas, na maior! Batemos em retirada: eu, minha irmã e minha amiga.
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No final do dia, nada de quiosques, nada de shows. De repente, lá pelas 23 horas, alguém disse que o palco estava montado “lá atrás”. Fomos ver o lá atrás. Andamos que nem uns condenados e nada de palco. Música? Só um rock brabo paulêra berrando o tempo todo e nós com baita dor de cabeça. De repente achamos um palquinho, com umas lâmpadas de “brilho” amarelado muito das sem-vergonhas, um breu desgraçado e um sei-lá-quem no “palco”, mais doido que o Jimmy Hendrix em seus melhores dias, tocando violão e cantando algo que não se conseguia compreender.
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O som baixíssimo, um troço surrreal. Começaram os comentários de que o Egberto e o Raul viriam no dia seguinte. Ficamos lá por umas duas horas. O cenário não mudava. Resolvemos ir dormir.
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Fotos: Festival de Águas Claras
Raul Seixas.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Um Churrasco e um Atoleiro - por Escrevinhadora

Formavámos um grupo na ginástica. Eu, uma amiga, dois sobrinhos dessa amiga (um rapaz e uma garota) e o professor de ginástica. Um dia fomos convidados por um colega da aula de aeróbica (que não era da nossa turma) pra ir a um churrasco. O churrasco seria num domingo, num sítio nos arredores de São Paulo e o convite era pra que nós fizéssemos uma apresentação de aeróbica (lembram-se daquela época? As fitas de videocassete da Jane Fonda, workout, alto impacto?). Pois bem, a ideia era essa. De imediato, pensamos numa coreografia e resolvemos ensaiar pra fazer bonito no dia do tal churrasco. Logo na primeira tarde de ensaio eu caí de mau jeito sobre o tornozelo e tive uma entorse. Voamos para o hospital mais próximo. Bota de gesso no pé direito e assisti ao restante dos ensaios desolada, sentada no chão, num canto da sala de ginástica. (Mas os outros ensaiaram e a coreografia ficou até bem bacana.)
No dia marcado, nos aboletamos em dois carros (eu, minha amiga e o sobrinho no meu carro; o professor e a sobrinha no carro dela) e lá fomos nós. Tínhamos encontro marcado com a turma do churrasco numa praça no centro da cidade. Só não sabíamos que a polícia e a cia. de trânsito tinham fechado algumas vias do centro pra um evento qualquer. Demos voltas e mais voltas. Chegamos atrasados ao local do encontro. Todo mundo já tinha ido. Alguém, mais diligente, tinha deixado pra nós um mapa. Tosco, mas era um mapa e lá fomos nós tentar segui-lo. Pegamos a Marginal do Tietê, depois a Fernão Dias (a estrada que liga São Paulo a Belo Horizonte). Naquele tempo, uma péssima estrada, pista simples, mal sinalizada, muitas curvas, tráfego pesado. Rodamos por uns 40 minutos e alguém chegou à conclusão que tínhamos passado do ponto marcado no mapa, que não era muito distante da cidade. Era preciso voltar. Eu, com o pé engessado não podia dirigir, então ao volante do meu carro ia o sobrinho da minha amiga, garotão ainda, mas habilitado. Pois bem, o meu motorista fez uma conversão proibida e perigosa bem no meio de uma curva de uma rodovia federal. Gelei no banco do passageiro (era a hora de perceber que algo não ia bem?).
Retornamos ao ponto marcado no mapa, que deveria nos levar ao sítio. Atravessamos o centro de uma cidadezinha, passamos pela periferia, chegamos a uma estrada de terra (detalhe, tinha chovido a semana toda, a estradinha de terra era lama só). Rodamos, rodamos e nada. Nem sítio, nem ninguém a quem perguntar, nem sinal de qualquer dos pontos assinalados no mapa. Estávamos perdidos no meio do nada e só havia uma chance de chegar ao churrasco: seguir em frente. É claro que também já estávamos mortos de fome.
De repente, bem no meio de uma subida enlameada, meu carro dá uma derrapada, desliza para o lado e para, perigosamente equilibrado num barranco, definitivamente atolado: pra frente não podíamos ir, sob pena de cair do barranco; pra trás o carro não obedecia. Desceram todos pela porta do motorista. Eu, com o pé engessado, fui a última a ser resgatada.
Por perto não havia nada, nenhum bar, nem telefone público (o celular ainda não tinha invadido nossa vida), nenhuma casa onde pedir socorro. E a chuva, como que adivinhando nosso sufoco, tinha voltado a cair.
Decidiu-se que eu, inútil com o gesso no pé, deveria voltar no carro com a outra motorista em busca de ajuda. Nós voltamos. Voltamos muito. Mas nada de encontrar alguém, ou o asfalto ou a cidade. Na verdade, acho que também nos perdemos. Nem sabíamos mais onde era o atoleiro onde ficaram nossos amigos. Já estávamos naquele estado em que uma mulher começa a querer chorar. E eis que surge na nossa frente um sujeito conduzindo uma carroça, puxada por um burro. Era o único ser vivo num raio de quilômetros e então foi pra ele mesmo que pedimos ajuda. O homem tinha caído do céu. Conhecia a subida do atoleiro. Disse que era comum os carros atolarem ali. E foi na frente nos guiando.
Um burro tirando um carro do atoleiro é uma ideia muito estranha, mas o fato é que ele conseguiu. Manobrou a carroça de jeito que a traseira dela ficasse alinhada com a traseira do carro, amarrou uma corda, gritou umas ordens para o burro e ufa!!! o carro saiu direitinho do lamaçal, dançando um pouco para os lados, mas intacto.
Sujos de barro, famintos, furiosos e frustrados, resolvemos voltar pra casa. Principalmente porque, assim que escapamos do atoleiro, passaram por nós dois carros com gente que já estava voltando do churrasco. Tinham chegado lá, comido e quando a chuva recomeçou, decidiram voltar com medo de que a estrada ficasse completamente intransitável.
Chegamos em São Paulo já passava de 5 e meia da tarde. Felizmente, em respeito ao sagrado costume paulistano de comer pizza no domingo à noite, a pizzaria do bairro já estava aberta. Compramos três pizzas gigantes e três litros de refrigerante.
Depois de saciados, todos quiseram assinar no meu gesso, pra deixar registrada a data.
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A Grande Notícia! - por Adir Vieira

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Sabe quando você aguarda uma notícia boa por meses?
Aquela notícia dos seus sonhos, que vai minorar de uma só vez a maior parte dos seus problemas?
Pois é. Se você pensa que quando ela chegar você vai ficar feliz, ledo engano.
Sem explicação, bate um aperto no peito e um medo tão grande de ser feliz...
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Visitem Adir Vieira
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Refazendo - por Duanny

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Malas em cima da cama, guarda-roupas e gavetas vazias abertas, eu me encontrava aflita, agitada, presunçosa, queria sair dali, fugir o mais depressa possível, não queria mais motivos, mas eu já tinha minhas razões.

Parei, olhei ao meu redor, sentei naquela poltrona de vinil, e chorei, sim chorei. Chorei como nunca tinha feito há muito tempo, pra mim você era mesmo uma página virada, arrancada da minha vida, mas será que retirei toda aquela página, ou simplesmente deixei um pedaço insignificante lá, esquecido, solitário?

Minha vida iria se tornar um caos depois de tudo aquilo? Você iria mesmo cumprir suas ameaças? Ou será que você continua ali guardado e fui eu quem arrancou a página errada?

Decidi não querer ouvir aquelas respostas, seriam amargas, ou fatais demais para meu ego, ou até mesmo significantes para meu orgulho, já ferido por tudo aquilo.

A última coisa de que me lembro daquela noite quente, estrelada e invejavelmente acompanhada, era de uma janela grande, robusta, aberta, deixando todos aqueles pensamentos indevidos entrarem e vindo em minha direção, descendo goela abaixo, e depois você entrava por aquela porta e, cinicamente, vinha em minha direção.

Tarde demais, acho que finalmente a última gota daquela bebida barata fez efeito.
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.Continua...
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.Visitem Duanny
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Usando o Mouse com a Mão Esquerda - por Fatinha

Querido Brógui:

Como qualquer pessoa que já ultrapassou a barreira dos trinta anos e ingressou de vez na fase da decrepitude, a cada dia que passa descubro que um pedaço de mim sente dor. É dor no joelho, é dor nas costas, é dor no ombro, dor no punho, é dor no dedo indicador da mão direita. Dedo indicador da mão direita? É. No dedo indicador da mão direita. Uma dor tão específica, que eu duvido que exista algum supermegaortopedista especialista com pós-doutorado em Harvard que possa dar conta dela.
Antes que os engraçadinhos de plantão digam que a dor adveio de tanto eu tirar meleca, já vou advertindo que eu já detectei a origem da pereba: é o mouse do computador, essa máquina dos infernos que também acabou com meu ombro, meu punho e minhas costas. Não, o joelho sempre foi bichado, mesmo antes de Bill Gates nascer.
Para solucionar esse pequeno, mas extremamente incômodo problema, decidi começar a usar o mouse com a mão esquerda. Você já tentou isso? Tente.
Primeiro, a setinha fica descontrolada na tela. Ela não vai pro lugar que você quer. Nem que você urre e a ameace de morte. Acho que alguém com Parkinson seria mais ágil.
Depois, para ajudar o movimento a ficar mais coordenado, você se pega mexendo com a mão direita também. Você fica arrastando a mão vazia na mesa até ela ficar esfolada. Daí você percebe que o mouse não está lá, está na outra mão.
Depois, pra segurar a mão direita que insiste em se mover à revelia, você decide amarrá-la no braço da cadeira. Aí você percebe que precisa dela para digitar, a menos que queira também aprender a usar o teclado com a ponta do nariz.
Uma semana depois, você já consegue direcionar a setinha do mouse, a mão direita está mais ou menos sob controle, mas ainda se enrola com o clique dos botões. Ensinar pra mão esquerda o que é botão da direita e botão da esquerda é tarefa complexa. Indicador no botão da esquerda, dedo médio no botão da direita. Ou será o contrário? Por via das dúvidas, use apenas um dos dedos. Escolha o que lhe faz mais feliz.
Finalmente, após quinze longos dias, você consegue digitar um pequeno texto sem se contorcer como se tivesse tendo uma convulsão, fazer caretas, trincar os dentes e derrubar o teclado.
E o meu dedinho? Continua doendo.



Postado, originalmente, em 26/08/2008.
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Visitem Fatinha
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Correndo em Dezembro - por Adir Vieira

Nesse mês de dezembro corrido
são tantos os compromissos
que mesmo sem percebermos,
vamos numa roda-viva correndo,
fazendo de tudo a escada
para nada de nenhum perdermos.
Acho tudo uma loucura...
Por que será que o mundo
teima em juntar com o Natal
formaturas, casamentos
bailes de despedidas,
batizados, sacramentos
e com isso alucinar?...
Como se nada disso bastasse,
propagandas na TV
oferecendo com descontos
produtos que precisamos trocar...
Tudo para enlouquecer
e nos deixar a pensar
se nesse mundo de coisas
mais um outro compromisso
- o de ir pras lojas comprar -
podemos na lista encaixar.
Às vezes eu me pergunto
a razão da correria
qual o propósito de tudo
se quando chegar o dia
do Natal, a festa máxima,
estamos como bagaços
sem poder aproveitar...



Visitem Adir Vieira
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Dignidade ou Morte - por Esther Rogessi

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Quem busca a verdade, quem obedece à lei do amor, não pode estar preocupado com o amanhã.(Gandhi)
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Aminetu Haidar, mulher, mãe, ativista saharauí, defensora dos Direitos Humanos do seu povo, luta pela libertação do “SAHARA OCIDENTAL”, indo de encontro à violação dos Direitos Humanos pela Espanha e Marrocos. Aminetu Haidar está impedida de voltar ao seu país por ter escrito no formulário de regresso as palavras “SAHARA OCIDENTAL”, tendo o seu passaporte confiscado.

No dia 10 de dezembro, dia Internacional dos Direitos Humanos, foi contado o 25º dia de greve de fome pela ativista que se encontra no aeroporto de Lanzarote. Aminetu recebeu as visitas incentivadoras de eurodeputados do GUE/NGL além de outros influentes, como apoio e forma de pressionar o governo espanhol e marroquino, procurando obter uma solução para que a ativista possa regressar à pátria... Quando entrevistada e frente ao questionamento feito sobre o que seria dos seus filhos caso ela viesse a falecer, Aminetu respondeu: “Eles perderão a mãe, mas, obterão dignidade.”

Há convocação em toda Espanha e países simpatizantes com a causa... com movimentos em prol da volta de Aminetu à pátria. Será lida uma carta redigida por intelectuais ao rei de Espanha, para que o mesmo interceda junto ao rei de Marrocos pela vida de Aminetu. Esta petição tem o apoio de Miguel Portas, entre muitos outros. Pede-se um grito face às graves violações dos “Direitos Humanos” no Saara Ocidental.

Miguel Portas se dirige em carta aberta ao embaixador espanhol em Lisboa usando os termos: “não é razoável o fato de um país que não reconheceu a ocupação do Sahara Ocidental pelo reino de Marrocos, aceitar a imposta estadia de Aminetu Haidar em Lanzerote, lhe oferecendo a condição de refugiada o que está totalmente fora da aceitação da mesma, pois o seu desejo é ser cidadã na sua própria terra”. O escritor português José Saramago, após visitar a ativista saharauí, afirma que sua saúde está cada vez mais debilitada e diz: “se ela morre todos seremos moralmente mais pobres”. Palavras de Saramago em entrevista ao jornal El-País.

CHAMO ATIVISMO A VOZ DOS MANSOS EM MEIO ÀS INJUSTIÇAS!...
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Mahatma Gandhi.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Gilberto Gil, “A Linha e o Linho” - por Ana

É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia
E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O zigue-zague do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa, da paixão
A sua vida o meu caminho, nosso amor
Você a linha e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza
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Toco de Vela - por Clarice A.

Saíam de casa ainda não havia clareado totalmente o dia. Andavam cerca de trinta minutos até a estrada onde pegavam o ônibus, rodavam mais uma hora, mais uns quinze minutos de kombi e chegavam na obra em torno das sete horas.
Vieram juntos do Ceará atrás de melhores condições de vida. A miséria extrema de onde nasceram e cresceram fez com que decidissem sair de lá. Quando arrumaram trabalho e moradia providenciaram a vinda das famílias.
Na obra em que trabalhavam eram conhecidos como Cabeção e Toco de Vela. Lá todos tinham apelido. Jamanta, Maguila, Tatu, Xuxa (por causa do cabelo oxigenado), Gambiarra, Mineiro etc. Cabeção não se importava, acostumou-se logo com a irreverência dos colegas de trabalho, mas Toco de Vela não aceitava de jeito nenhum. O amigo o aconselhava a deixar para lá, todos tinham apelido. Ele discordava. O Mineiro nasceu em Minas é mineiro, tá tudo certo, mas eles nasceram no Ceará então porque são paraíbas? Mais a mais, não eram os únicos cabeçudos e baixinhos da obra. Na verdade, baixinho como ele (1,50m de altura) não tinha mais ninguém, mas o amigo concordava para não aborrecê-lo.
Ele era “pavio curto” e brigão e como os outros não quissessem briga, mas apenas zoação, quando dispersos na obra, afinavam ou engrossavam a voz para que ele não pudesse reconhecer e gritavam: Toco de Veeeeeela, Toco de Veeeeela. Ele furioso, mas sem saber quem era, tinha que aturar. Um dia, um novato desavisado o chamou pelo apelido e saiu uma briga daquelas. Homens com força física e resistência, foi um custo para apartar. Alguém comentou que ele parecia um pitbull, baixinho e muito forte. Passaram a gritar: Pitbull Toco de Veeeeela, Pitbull Toco de Veeeeeeela. De longe, é claro.
Naquela segunda-feira, durante o trajeto para o trabalho, o baixinho desabafou com o amigo: a patroa estava braba que só, queria um dinheiro que ele não tinha. Trabalhava de segunda à sexta na obra, fazia bico nos finais de semana, ainda fazia a casa em que moravam. Ele e o amigo haviam comprado o terreno e faziam suas casas na medida do possível. Não passavam fome e tinham um teto para morar, ela esquecera rápido da vida que levavam antes. O amigo ouvia calado, deixava-o falar, era melhor que desabafasse.
Trabalharam em silêncio a manhã toda. Na hora do almoço, esquentaram a comida e sentaram-se para comer. Quando o baixinho abriu a marmita levou um susto. A mulher fritara um pé de galinha até esturricar e colocou o feijão, o macarrão, o arroz branquinho e aquele pé de galinha crispado, horrível em cima do arroz. O amigo achou que a comadre tinha exagerado na vingança por não ter a vontade satisfeita, mas nada disse. O baixinho comeu porque aprendeu com a fome que não se rejeita comida, mas aquilo estragou seu dia.
Voltaram ao trabalho, carpinteiros de primeira, o baixinho excepcional, seus telhados eram perfeitos e ele, homem de pouca altura, a desafiava nos telhados, um equilíbrio, uma técnica e uma coragem fora do comum. Precisava também de muita atenção e concentração, mas sua cabeça estava longe. Quando chegasse em casa, ao invés de tomar banho e comer, teria que falar sério com a mulher. Era enfezado na rua, mas em casa não gostava de confusão, casa era para se ter paz. O amigo queria trabalhar na parte mais segura, não falou, mas achou que ele não estava bem. Ele insistiu e foi para a ponta do telhado. E aconteceu. Desconcentrado, um passo em falso, a falta de apoio para o pé, o corpo sem controle inclinando-se para trás, o braço estendido e a expressão incrédula do seu amigo-irmão, o azul do céu em suas retinas e o nada. O baque do corpo no chão fez tremer o amigo. A notícia correu na obra, vieram todos, expressões consternadas, um deles se fora. Cabeção chora e vinda do grupo ouve-se a voz do Mineiro em triste constatação: Toco de Vela se apagou.
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Inspirado na serigrafia Construção, de Anita Bastos.
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sábado, 12 de dezembro de 2009

Convite - por Poty

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Dia 13/12 não será apenas um domingo de dezembro chegando o final de ano, mas o momento de encontro, realizações, festivo de todas as artes para você amiga(o), amigas das amigas, famílias, enfim todas e todos!!!
Vai lá e saberás que este dia será o dia!!!
Aproveite, podes até comprar um bom presente de Natal.
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Raimundo Bertuleza - Poty
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COOPERATIVA DOS ARTISTAS DA SERRA GAÚCHA
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Conrado² (Quem Diria) - por Priscila Conrado

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Ando pensando na vida
e você não está presente
em meio a tudo não vejo saída
com memórias consumindo minha mente

De repente a gente se reencontra
e só pra mim em sussurro desabafa
E o resto, isso não conta
Porque esse amor nunca acaba.
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