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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Eu e Você, Amém - por Passa-Tempo

Sonho bom foi te ter ali comigo
Curtindo o momento em que não sabíamos mais o significado da palavra roupa,
Muito menos para que servia tal objeto.
E pra que se importar com roupas feitas por mãos de homens,
Se tínhamos ali dois corpos feitos pelas mãos de Deus?

E eu estava ali, com você,
Foi quando te vi abrindo, pela primeira vez,
E era pra mim,
As portas de um túnel, onde não se via luz em seu fim,
Mas era um lugar seguro,
Quentinho, apertadinho, aconchegante,
Onde eu mais queria estar naquele momento.

E lendo minha mente, seus olhos ardentes
Me convidavam para entrar,
E assim eu fiz, entrei!
De imediato pude sentir
O enrijecer dos músculos de cada membro seu,
fazendo assim enrijecer o meu.

Enquanto unhas penetravam minha carne,
Mais fundo eu chegava nesse limitado túnel,
E as gotas de suor faziam queimar as feridas.
E nessa loucura dançávamos em movimentos sincronizados, de direções opostas,
Ao som da melodia mais gostosa e harmônica que o chocar dos corpos e seu gemido incontrolável de prazer poderiam formar.

E assim eu ficaria ali,
Montando e desmontando esse quebra-cabeça de duas peças,
Onde a minha encaixa na sua.
Passaria o dia todo
Dançando a mesma música, jogando o mesmo jogo,
Até chegar a Senhora Fadiga,
Juntamente com o Senhor Cansaço,
Me levar para os braços de Morfeu.

Mas acordo feliz e animado,
Pois sei que a Lua vai tomar a noite,
Seja tarde ou seja cedo,
Para que eu seja seu morcego,
E você, minha Dama da Noite.
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O Chevrolet BelAir do Burt e os Bloqueios no Passeio Marítimo de Alcantara - por Violeta

O texto escrito por Eve Ensler, que posteriormente deu origem aos famosos Monólogos da Vagina, foram baseados numa serie de testemunhos que a escritora recolheu junto de um grupo bastante heterogéneo de mulheres. Uns mais emotivos e chocantes, outros mais descontraídos (chegando alguns a ser até hilariantes), estes testemunhos são (na sua maioria) uma prova de que muitas vezes não somos mais mulheres porque teimamos em ignorar, em não entender e a desrespeitar nossa linguagem instintiva. De todos eles, há um que me agrada particularmente, trata-se de um testemunho ao qual Eve intitulou de “A Inundação” e que eu não resisto em enviar-to. De certo que te vais deliciar com o testemunho desta septuagenária americana, mais propriamente de Queens. Penso que é a melhor maneira de descrever o meu bloqueio no Optimus Alive… Também naquele momento houve uma tremenda “torrente”… É que nos meus sonhos o caudal do rio sobe demasiado às vezes…


“As minhas partes baixas? Já não as visito desde 1953. Não, não teve nada a ver com o Eisenhower. Não, não. Lá em baixo há uma cave. É muito húmida. Descer até lá não é nada agradável. Acredite em mim. Uma pessoa fica agoniada. É sufocante. Dá enjoos. Há um cheiro a humidade e bolor. Ui! É insuportável. Cola-se à roupa.
Não, não houve um acidente ali em baixo. Não houve uma explosão nem um incêndio. Não aconteceu nada desse género. Não foi nada assim tão dramático. Aliás… bem, não interessa. Não. Não interessa. Não posso falar consigo sobre isso. Porque é que uma pessoa inteligente como a menina anda por aí a falar com velhotas sobre as suas partes baixas? Quando eu era rapariga, não era assim que nos entretínhamos. O quê? Deus do céu, está bem.
Houve um rapaz. Chamava-se Andy Leftkov. Era giro… bem, pelo menos eu assim pensava. Era alto, tal como eu, e eu gostava muito dele. Convidou-me para dar uma volta no seu carro…
Não lhe posso contar isto. Não posso falar sobre o que há lá em baixo. A gente simplesmente sabe que existe. É como uma cave. Por vezes ouvem-se ruídos lá em baixo. Ouvem-se os canos e certas coisas ficam presas… coisas e animais pequenos. É húmida e por vezes é preciso tapar as fendas. Porém, a porta está quase sempre fechada. Esquecemo-nos de que existe. Repare… uma cave faz parte da casa mas não a vemos nem pensamos nela. Mas existe porque em todas as casas é necessária uma cave. Caso contrário, o quarto seria na cave.
Oh, o Andy, o Andy Leftkov. Certo. O Andy era um rapaz bonito. Era um bom partido. Era o que dizíamos naquela altura. Estávamos no carro dele, um Chevrolet BelAir branco novinho em folha. Lembro-me de pensar que as minhas pernas eram demasiado compridas para o banco. Eu tenho as pernas muito compridas. Batiam no tablier. Eu olhava para os meus joelhos grandes quando ele me beijou de surpresa tal como nos filmes, na cena em que o rapaz abraça a rapariga e a arrebata. Fiquei excitada, muito excitada e, bem, houve uma torrente lá em baixo. Era incontrolável. Era como se uma corrente de paixão, um rio de vida, jorrasse de mim, das minhas cuecas, direitinha ao banco do seu Chevrolet BelAir novinho em folha. Não era urina e cheirava mal. Bem, para ser sincera, não me cheirava a absolutamente nada mas o Andy disse que cheirava a leite azedo e que eu estava a manchar o banco do carro. Eu era uma ‘rapariga esquisita e malcheirosa’, dizia ele. Queria explicar-lhe que o beijo me tinha apanhado desprevenida e que normalmente eu não era assim. Tentei enxugar a torrente com o meu vestido. Era um vestido novo amarelo-claro e, manchado pela torrente, ficou muito feio. Sem me dirigir a palavra, o Andy levou-me a casa e, quando saí do carro e fechei a porta, também fechei a loja. Fechei-a à chave. Nunca mais se abriu. Depois, ainda saí algumas vezes com rapazes mas o receio de outra torrente deixava-me muito nervosa.
Eu costumava ter sonhos. Sonhos loucos. Oh, são disparates. Porquê? Porque eu sonhava com o Burt Reynolds. Não sei porquê. Nunca me entusiasmou muito na vida real mas nos meus sonhos… era sempre eu e o Burt. Eu e o Burt. O Burt e eu. Eu e o Burt saímos juntos. Fomos a um restaurante semelhante a tantos outros em Atlantic City. Um restaurante grande com candelabros enormes e milhares de empregados de mesa com coletes. O Burt dava-me uma orquídea para pôr ao peito. Eu prendia-a ao meu casaco. Ríamo-nos. Ríamo-nos muito, eu e o Burt. Comíamos cocktails de camarão. Camarões enormes e saborosos. Não parávamos de rir. Éramos muito felizes. Depois os nossos olhares cruzavam-se e ele puxava-me para si no meio do restaurante. Quando estava prestes a beijar-me, a sala estremecia, pombos esvoaçavam de baixo da mesa — não sei porque raio havia pombos debaixo da mesa — e surgia a torrente. Jorrava sem parar. E com ela vinham peixes e barcos pequenos e o restaurante ficava cheio de água. Burt estava ensopado até aos joelhos, com um ar terrivelmente decepcionado por eu ter feito das minhas outra vez, e olhava horrorizado para os seus amigos, o Dean Martin e outros tantos, que passavam por ele a nadar nos seus smokings e vestidos de noite.
Já não tenho estes sonhos. Desde que me tiraram praticamente tudo o que estava nas partes baixas. Retiraram-me o útero, as trompas, tudo. O médico quis armar-se em engraçadinho. Disse-me que era melhor deitar fora o que já não tinha uso. Mas descobri que afinal era um cancro. Tiraram-me tudo. De qualquer modo, quem é que precisa de tanta coisa? Não é verdade? É algo muito sobrestimado. Já fiz outras coisas. Adoro exposições de cães. E vendo antiguidades.
O que escolhia para ela? Que espécie de pergunta é essa? O que escolhia? Escolhia uma enorme tabuleta:
‘Fechada devido a inundação.’
O que diria ela? Eu já lhe disse. Não é bem a mesma coisa. Ela não é como uma pessoa que fala. Calou-se há muito tempo. É um lugar. Um lugar onde ninguém vai. Está fechada, nos subterrâneos. Fica lá em baixo. Está satisfeita? Já falei consigo… arrancou-me as palavras. Fez uma velhota falar sobre as suas partes baixas. Está satisfeita agora? [Vira as costas. Depois volta-se novamente.]
Sabe, na verdade, é a primeira pessoa a quem contei esta história e sinto-me mais aliviada.”
Um beijo enorme
.....................Aurora
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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Bagulhinho Feliz - por Fatinha

Querido Brógui:

Vida de concursando não é mole não. Hoje, conversando com minha Tequinha pelo telefone (num raro momento de recreio), chegamos à conclusão que estudar é um processo de embagulhamento inevitável. Não dá pra querer abraçar o mundo com as pernas, querer passar no concurso e ainda ficar bonitinha.
Tequinha sentenciou: “Candidata com as unhas feitas, roupinha da moda, sarada e sem precisar de retoque na raiz do cabelo, não tá estudando.”
É isso mesmo, respondi olhando para minhas unhas, cada uma de um tamanho, as cutículas devorando-as sem piedade. Depilação, só nas áreas abertas à visitação pública. Limpeza de pele? Sorte a minha de não ter problemas de acne. Ginástica? Meus músculos hipertrofiados já se despediram de mim há séculos. Barriga de tanquinho? Já tive um dia. Minhas olheiras estão indo no pé e minha bunda está no mesmo caminho. Estou três quilos acima do meu peso e precisando cortar o cabelo. Fazer o quê?
Mas não estou me queixando não. Estou feliz. Um bagulhinho feliz, vencendo a mim mesma. Reforçando minha obstinação e confiando na realização de meu objetivo. Oscilando, é verdade, entre a sensação de não saber nada e a sensação de estar preparada para a prova.
E os amigos? São tudo pra mim. A torcida, o empurrar pra frente, o dar esporro quando eu quero bater no tatame, o puxar o lencinho pra eu enxugar as lágrimas. Todos estão bravamente aguentando essa fase chatona da minha vida, com minhas conversas girando sempre em torno do mesmo assunto. Pareço um radinho de pilha enguiçado na mesma estação. Mas escutam a lenga-lenga com toda a paciência do mundo. Um amigo já me disse que está doido pra eu passar de uma vez pra ter mais tempo pra ele. Outra disse que já está planejando a viagem à Paris que faremos juntas. Outro disse que o embagulhamento tem solução. Outra já pensa nas comprinhas no shopping. Todo mundo vivendo comigo esse momento.
Então? Posso reclamar? Sou um bagulhinho feliz.



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Feliz Aniversário, Antônio Carlos - por Alba Vieira

Quando você nasceu, já mostrou como seria. Quase não deu tempo para sua mãe chegar à maternidade. Você tinha pressa e não esperou, foi nascendo sem dar muito trabalho e logo mostrou seu rostinho bem talhado e rosadinho para nós. Era uma criança linda, com os traços da sua mãe e o jeito do seu pai. Levado demais, fazia a festa para os seus tios e tias que adoravam você. E era o queridinho da vovó que tinha o mesmo signo natal. Seu avô gostava de pegar você no colo, sempre apaixonado por crianças.
Adolesceu e ficou mais quieto. Logo sua personalidade se manifestou, mistura da mãe e do pai com pitadas de avós e tios. E, perto deles que tanto ama, passou a observar, calar e refletir sobre si mesmo e a vida.
Aprendeu com a vida, refinou seu olhar. As experiências lhe ensinaram e permitiram que mostrasse características marcantes de sua personalidade, bem cedo.
Independência, autodomínio, retidão de caráter, responsabilidade, intuição forte, teimosia, decisão, perseverança se misturaram a um espírito sensível, protetor, amoroso, dócil e inteligente. Experiência e trabalho são fundamentais para você.
E assim segue pela vida, guiado somente pelo que dita sua consciência, a força de sua mente, parecendo não aceitar as opiniões alheias. Mas, no fundo, você reflete, filtra, intui e segue fazendo seu próprio caminho.
Que sua estrada seja segura, florida, rica de experiências e o conduza para o que desejar e for melhor para você, sempre.
Parabéns de sua madrinha que o admira, ama e muito se orgulha de você. Beijos.



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Da Vez em que Encontrei Jesus - por Flavio Braga

- Jesus?
- Sim, sou eu.
- Oi, meu nome é Flavio e vim do futuro.
- Como assim?
- Sei lá. Só sei que eu ia visitar o Papai Noel. Saí de casa, fui para um ponto de ônibus, então parei o primeiro ônibus que passou. Perguntei “Pólo Norte?” e o motorista respondeu “Méier”. Então pensei: “Zona Norte, Pólo Norte, tudo fica para os mesmos lados da rosa-dos-ventos”, e entrei no ônibus. Só que acabei pegando no sono, e quando acordei estava aqui.
- Então você tem uma missão, meu filho. É coisa divina.
- Tenho não.
- Claro que tem! Você é um enviado dos Céus.
- Penso o contrário, mas tudo bem. Vou te avisar uma parada. Você fica fazendo milagre por aí, como andar na água, fazer cego enxergar, essas coisas?
- Sim, por quê?
- Cabeludo, para com isso!
- Por quê?
- Os romanos já estão de olho em você... tem gente do seu povo que tem uma inveja danada de você, abre o olho, rapaz. Conselho de amigo.
- Mas eles não podem me crucificar por eu ser um iluminado, digo, “O” Iluminado.
- Podem, e vão. Vai rolar sangue. Seu Sangue.
- Como assim?
- Já te disseram que você faz muitas perguntas?
- Como assim?
- Você transformou água em vinho ontem e bebeu um bocado ou você é assim mesmo?
- Desculpa, é que estou meio confuso. Peraê, eu realmente transformei água em vinho ontem, como você sabe disso?
- É que já escutei umas histórias sobre você.
- Hum?
- Longa história. Daria um livro. Uma Bíblia, de tão longa que é essa história.
- Mas você vem de quando no futuro?
- Pouca coisa, dois ônibus, 20 quilômetros e 2000 anos.
- Tudo isso?
- É. Mas faz esse favor para mim, fica fazendo esses milagres na moita, escondido, porque isso vai dar problema para você.
- Mas caí nas graças do povo! É todo mundo é gente fina. Eles gritam meu nome.
- Gente fina que vai preferir um ladrão a você quando você for julgado. Guarde bem esse nome: Barrabás.
- Como assim?
- Jesus, é meio complicado eu explicar essas coisas todas agora... mas segue meus conselhos, para evitar problemas futuros, para mim e para você.
- Por que problemas? Como assim?
- De onde venho, tem uma época do ano que comemoramos seu aniversário.
- Que bom! Mas qual o problema disso?
- É que uma data que teoricamente seria de reflexão virou um inferno! É computador vendido em 482x com uns juros exorbitantes, é Papai Noel descendo de helicóptero no Maracanã, é briga no supermercado por castanha, é aquela música insuportável da Simone... é complicado, Jesus, muito complicado...
- Vou ver o que posso fazer, mesmo sem saber o que é supermercado, helicóptero ou Simone.
- Tudo bem. Nem eu sei te dizer o que é a Simone. Posso te fazer uma pergunta?
- Claro!
- O 680 passa aqui?



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Estou Lendo... Ten Little Niggers, de Agatha Christie- por Luiz de Almeida Neto


“A personagem que mais me fascina em todo o mundo é, sem dúvida nenhuma, Hercule Poirot. Adoro, e já li muitas estórias com ele. Quando comecei a ler este último livro, fiquei extremamente chateado quando percebi sua ausência. Contrariado, na verdade. Pensei em parar de ler.
Mas devo admitir que é, sem dúvida, um dos melhores romances da dama do crime. Fiquei fascinado por este romance também. Ela é ótima, e indiscutível, mas eu continuo não gostando de Miss Marple.
O livro é ‘O Caso dos Dez Negrinhos’, atualmente relançado sob a alcunha de ‘E Não Sobrou Nenhum’, que era, por sinal, o título, em inglês, do filme, lançado em 1945 e adaptado desta obra. Em português o nome deste filme é ‘O Vingador Invisível’.
Recomendo tudo, livro, filme... tem também uma outra adaptação de 1989, enfim, tudo. Sabe por quê? Porque o enredo é simplesmente impecável. De matar de inveja escritores medíocres como eu. Abraços.
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P.S.: Só não vão viajar muito na do assassino... ele é completamente surtado, não importa que pareça plausível o que ele diz. hehehehehehe.”



George Pollock, René Clair

Um Alguém - por Passa-Tempo

É, amor... Preciso lhe contar,
Estou com um outro alguém,
Alguém que não me deixa,
Que está sempre comigo,
Mesmo que eu não queira.

É um alguém sempre presente,
Que, vira e mexe, quase sempre,
Constantemente me faz chorar;
Chorar de amor.

E nas horas mais difíceis está ali comigo,
E quando lembro de você, é quando não me larga.
Vai comigo aonde eu for,
Sei que hoje sou novo, e pouco importa a idade,
Enquanto esse alguém se chamar saudade.
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Florbela Espanca: “Amar!” - Citada por Penélope Charmosa

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui ... além ...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!

E se um dia eu hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Reflexo - por Marília Abduani

Decorei a tua imagem
no escuro dos meus olhos.
E o teu reflexo ficou em mim,
nítido,
a colorir o meu arco-íris com as tintas da memória.
Além desse mesmo arco-íris,
a minha alma voa,
e cochila sobre estrelas.
Nem o vento sopra nesses instantes
em que o meu olhar
bebe a luz dos teus.
A vida se detém.
Dor nenhuma alcança.



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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Indico esta poesia porque ela é de uma delicadeza, de uma beleza e de uma simplicidade que me emocionaram. Parabéns, Alba! Muito linda mesmo! Beijos!



VOCÊ, MINHA VIDA
(ALBA VIEIRA)

Penso que sou como a espuma
Vindo a areia tocar...
Borbulhante brindando à vida,
Resultante de você, meu mar.
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Visitem Alba Vieira
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As Nossas Palavras XXVI - por Alba Vieira

Quando outra chama se acende numa vela previamente apagada, constatamos que nada se perde no efeito final se retornamos com a mesma ação anterior.



Visitem Alba Vieira
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Vivenciamos o que Queremos Passar Adiante? - por DAS

Falamos sempre sobre que achamos certo ou errado, o que é feio ou bonito, bom ou ruim, justo ou injusto, legal ou chato...
Algumas pessoas concordam com nossas opiniões e outras não, mas será que vivenciamos o que queremos passar adiante? A gente ama ou tem todo esse amor de que falamos dentro de nós? Somos realmente capazes de perdoar? Quando pedimos perdão... é mesmo de coração?

É muito fácil julgar - e rápido também! - a opinião de outras pessoas, apontar o dedo pra um erro que não é nosso, ver a solução para problemas que não enfrentamos... dizer não chore, isso vai passar, quando nem sabemos a dimensão da dor daquele que sofre...
Pra quem está “de fora” a solução pra quase todos os problemas está bem ali, na cara! Como é que aquela pessoa ainda está passando por isso? Ela gosta de sofrer, gosta de chamar atenção pra si?... Olha lá, é tão fácil!

Isso, até passarmos por algo parecido e percebermos o quão difícil é! Mas até chegarmos a reconhecer nosso erro, já julgamos, já condenamos, já excluímos, já negamos a ajuda que poderíamos ter dado e talvez até amenizado o sofrimento do outro.

Bem, agora pense: se não fez pelo outro, é justo que façam por você?

É claro que sim! Devemos dar a mão a quem pede ajuda, a quem sofre, a quem necessita...

Mas e sua consciência, como fica?
Se você disser que merece... Bem, aquele que lhe pediu anteriormente, também achava que merecia...
E aí?



Visitem DAS
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Cisma Primeva - por Leandro M. de Oliveira

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Não há sentido nesse banquete de mentiras, espere um pouco, vou escalar as paredes pra urinar no telhado. Por quem é que me trocaram quando estava a acreditar que só a mudança cabal do “status quo” salvaria minha pele? Papai Noel é um porco capitalista e a medida dos sonhos é a de quanto se pode pagar por eles. Não há regras nem pudores. Então vamos calçar nossas botas de chumbo e pisotear o canteiro florido, há mais estrume nessa terra do que em meu mundo concebia. Quero que você dance como uma bacante bêbada, vomite em mim, a revolta sou eu. Se quer salvar meu espírito é aqui que vai encontrá-lo, açaime meu corpo entre tuas pernas, possua minha carne com agressividade, nesse lugar repousa meu santuário. Invada-o! Ou deixe que os cães terminem sua valia. Quanto tempo faz não te vejo, quebrei os espelhos com fúria, ao ver que eles nunca traziam descobertas novas. O tempo tem sido líquido e esgarçado, como uma poça que seca lentamente. A cidade acordará, ela sempre desperta com aquele velho passo maquinal de fuligem e gente. Como passaram a sentir tanta aversão por si próprios? Que venha a sabedoria das coisas simples, para entender o mistério insondável de uma agressão mútua. “Amai o teu próximo como a ti mesmo”, palavras razoáveis para um messias, mas a grande morte exige uma motivação descente. Vamos derramar o nosso ódio contido, a besta nunca é escravizada, ou vive sob seus próprios ditames, ou morre em nome de sua ideologia. Ouvi notícias de um homem, era mais retido que um asceta e mais pacato que uma ovelha tosquiada, precocemente seus músculos atrofiaram e sua vida pereceu. Esse mundo é insano, se eu acreditasse na monogamia me acusariam de subversão. Queria estar com você todo o tempo, não posso ousar. Há ainda muitos botões por abrir antes que chegue a primavera. Tenho a vocação de um javali selvagem e o caos da noite primeira, não posso sorrir na fila do matadouro. Se soubesse, talvez escreveria um poema, como não sei, sigo ruminando os intermináveis dilemas até que a aurora violente o escudo da noite.

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Amar a Dez Mil Metros de Altitude - por Violeta

12 de Setembro de 2009


Voo para o Rio de Janeiro

De repente já não estou aqui. Senti que me levas-te. (meu amor). Estou a bordo de um avião e rumo a uma distante cidade algures num outro continente. Estou dentro de ti, alguém que me ama. Sei que não devia estar. Sei que estou a mais. Tenho de voltar para casa. É urgente. Não consigo. É esta minha vontade (ou será a tua?). A tua vontade leva-me (meu amor). Por momentos estou mesmo contigo, levas-me no pensamento. Levas tanto de mim que quase me arrancas a carne dos ossos. (meu amor). Voltei a chorar com saudades tuas. Eu não te devia amar assim. Amar assim é errado. Este amor é errado. José Luís Peixoto repete 240 vezes “quero morrer”, eu repito “amo-te”, porque amo-te. Sinto que estás dentro de mim. Sinto que te entranhas-te na minha pele, na minha carne… (meu amor). Amo-te mil vezes. Amo-te sempre. Amo-te. O avião. Dez mil metros de altitude. Lá fora a temperatura é aterrorizadora, mas aqui estou viva e afortunada. (meu amor). Não estou aqui.

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domingo, 13 de setembro de 2009

Do Seu Canto... - por Ana

(Paródia do poema “Desencanto”, de Manuel Bandeira)

Ele faz versos como quem chora
De desalento, lá no seu canto...
Não leias seus posts, se por agora
Não tens motivo algum de pranto.

Seu verso é sangue, choro demente,
Tristeza esparsa, remorso vão...
Dói-lhe nas veias. Amargo e quente
Cai gota a gota, do covardão.

E nesses versos de angústia louca
Assim dos lábios o medo escorre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Ele faz versos como quem morre.
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As Nossas Palavras XXVI - por Alba Vieira

Se uma vela é apagada,
Outra chama se acende.
Nada se perde completamente.



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O Poder Aquisitivo do Povo - por Adir Vieira

Estou quase concordando com os políticos mentirosos quando falam que o poder aquisitivo do povo de baixa renda subiu muito.
Passei a observar isso nos restaurantes mais caros, onde cada pessoa paga em média R$ 40,00 excluindo-se bebidas e sobremesas. Habitualmente, seja em finais de semana ou não, as filas se formam nas portas, obrigando o gerente do local a se utilizar de microfone para a chamada do próximo cliente.
Se olharmos os frequentadores, não se esmeram no vestir nem na própria aparência, o que querem é, junto com parentes ou amigos, desfrutarem das iguarias oferecidas, e como se só restasse a eles aquilo, comerem até cansar, o que demonstram as várias idas ao buffet para mais uma vez encherem seus pratos.
Os locais de hoje têm pleno conhecimento disso, pois os restaurantes mais parecem galerias, onde os garçons se utilizam até de carrinhos para o transporte de pratos e talheres e retiradas dos mesmos ao fim da refeição.
Locais como esse antes reuniam grandes grupos para comemoração de aniversários, mas hoje são as pequenas ou grandes famílias que lá estão a cada fim de semana.
Fico aqui pensando se hoje só restou ao povo o lazer de comer ou se as mães de família, antes tão presentes em casa, podiam planejar sua festa caseira aos domingos reunindo a família, o que atualmente não se usa mais.
Penso que com tantas mães fazendo sua renda fora de casa, engordaram a renda familiar possibilitando gastos como esse, com normalidade.
Observo o povo ali presente e vejo que as pessoas estão mais feias, gordas e desleixadas. Também, só podem comer...



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Manuel Bandeira em “Desencanto” - Citado por Ana

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha meu livro, se por agora
Não tens motivo algum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.



In “A Cinza das Horas”.
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Euclides da Cunha em “Página Vazia” - Citado por Penélope Charmosa

Quem volta da região assustadora
De onde eu venho, revendo inda na mente
Muitas cenas do drama comovente
Da Guerra desapiedada e aterradora,

Certo não pode ter uma sonora
Estrofe, ou canto ou ditirambo ardente,
Que possa figurar dignamente
Em vosso álbum gentil, minha Senhora.

E quando, com fidalga gentileza,
Cedestes-me esta página, a nobreza
Da vossa alma iludiu-vos, não previstes

Que quem mais tarde nesta folha lesse
Perguntaria: “Que autor é esse
De uns versos tão mal feitos e tão tristes”?!!



Estes versos faziam parte de um álbum da jovem Francisca Praguer Fróes,
que ganhou o poema do então engenheiro e jornalista — de volta da “região assustadora” (Canudos) de onde vinha — no dia seguinte de seu retorno à capital baiana: 14 de outubro de 1897.
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Bíblias de Neons - por Violeta

Ponto um – O paradoxo
Sempre o mesmo. As faces depressivas são sempre delicadas. Conheço-as tão bem. Sinto-as vir ainda ao longe. Sei que são sempre dolorosas, mas não as posso evitar. Instalam-se e o resto é “mais do mesmo”. Não há nada mais estúpido e paradoxal que isto. Sou feliz, mas… deprimida. Não me dói nada, apenas a alma. Uma dor tão absurda que quase mata. Eu sei que é apenas uma substancia que falta no meu delicado “rapaz cinzento”. Uma espécie de defeito de fabrico do meu cérebro, mas a verdade é que muitas vezes me incomoda. Preferia não entender nada disto, porque o pior é ter a percepção de tudo e de não conseguir controlar. O passo seguinte é sempre o da auto-medicação.

Ponto dois – A Terapêutica
Duas horas. Duas horas numa suite de hotel. Sozinha. Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhh... Sozinha sim. Precisava de uma desintoxicação. Imperativamente. Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh…. Eu sei. Eu sei que sou perigosa sozinha. Eu sei disso, mas por vezes tenho mesmo de ficar. Preciso prender-me a mim mesma e enfrentar-me. O que nem sempre resulta, mas se não olhar para dentro não me posso ajudar. Shhhhhhhh… é sempre o mesmo. Trouxe ajuda: Som, Palavras e o Sol também por cá apareceu. Já não era capaz de ouvir, nem de ler nada do que me andava a rodear. Era urgente o isolamento, o sair do círculo e o respirar. Às vezes a melancolia vai embora assim.

Ponto três – No cars go
2006, Arcade Fire. Eu sei que já passaram três anos, mas há coisas que são mesmo intemporais. Precisava de ouvir, de chorar (pensava que já nem sabia chorar), de sentir, de me sentir. As coisas são mesmo assim. Há sítios onde os carros não vão mesmo. Não vão! Tenho de ser eu. O espelho negro e o seu terrível reflexo, não permito que me iniba. Não posso permitir. Definitivamente. Há um biquíni no fundo da mala e lá fora está uma pipoca e uma sereia à minha espera.

Ponto quatro – “Deixa o carro a trabalhar…”



Visitem Violeta
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