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Eróticos.)




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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Círculo da infância

Carrossel! 
Escarcéu de luzes, 
Risos pós lágrimas, 
Quem não viver 
nesta fica 
pra outra rodada. 

É cavalo 
Cavalão 
Cavalinho 
Sobe e desce 
Charrete 
Carrinho. 

Flash de pai, 
Grito de vó, 
Mão na mão 
da mãe 
do menino. 

Gira o verde 
A vermelha 
O laranja 
A amarela 
O Pequeno Príncipe 
A Hello Kitty. 

Carrossel! 
Gira no parque, 
na praça. 
Gira na feira, 
no centro 
no interior 
(de mim). 

Felicidade, 
que há longa data 
Gira 
este pouco tempo.

Fênix_K!

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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Sua mão mergulha em mim

Sua mão mergulha em mim, nas águas turvas do sentir
Submersa, remexe, caminha e afunda um pouco os dedos na areia
Buscando alguma pedrinha, marisco, talvez pérola
Em forma de garra, vai arrastando, trilhando o solo
Cavando, cavando, termina por encontrar um objeto
Inexplicavelmente o mundo é abalado
Treme a terra, fortes ondas são desencadeadas, o céu fecha-se em tempestade
Assustada, não concebe ser a causadora dessa cena bestial
Ainda assim, solta o que preso estava,
Ao desenterrar as mãos percebe que seu braço estava mais a fundo que pensava
O mundo aos poucos torna a normalidade
Entretanto, seu braço continua a brotar da terra encharcada
É isso, você compreende finalmente, seu corpo cresceu de tal forma que, comprimido dentro de seu punho, o centro do meu mundo tinha feito tudo mais chorar.

Fênix_K!

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sexta-feira, 19 de junho de 2015

Passaporte

Seguro tuas mãos como a água que cai de uma fonte, para que nada escorra, nem tua essência entre meus dedos.

Deito o olhar demoradamente sobre teu rosto, não posso deixar que nenhum detalhe passe desapercebido.

O roubo, o assassínio, a extorsão, nada disso me levaria ao inferno.

Mas qualquer pequena negligência para contigo não seria perdoada por nenhum dos deuses ou homens.

Não, não, não... não posso parar de te olhar, porque a lembrança de tua face servirá de passaporte para o paraíso.

- Fiz coisas erradas como todos os homens; mas olhe o que vi, a boca que beijei, o sentimento que senti e me diga que não mereço uma vaga ao Vosso lado...

ou consentiria, ou não seria Deus.



Fênix_K!


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sábado, 23 de maio de 2015

Epitáfio

Não me olhem e digam: 
- era tão novo e acabou assim 
                                      [é assim que tudo acaba.
Não pensem: poxa, se não tivesse feito aquilo... talvez...
- o “se” não redime a carne, 
                                      [não a salva dos vermes.
Não declamem louvores a Deus por sobre minha carcaça: 
era sua hora...
                                      [não, não era.
Acima de tudo, não afirmem categoricamente: era um menino tão bom...
                                      [nunca somos.
Pobre morte, cercada pela comédia humana
                                      [ à direita o medo, à esquerda a hipocrisia


Fênix_K!

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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Soneto da Phoenix

Ave Fênix, destrói os receios, queima a dor,
Trai a verdade. Risca o infinito azul.
Extrema, porém calma, põe a vida a dispor.
Devora a morte, não tem norte, não tem sul.
Ave, Fênix! Prosterno-me a seu louvor.
Sob suas garras, eleva cá meu corpo nu.
Desensina a fugir, me mostra toda cor,
Revolve minha carne e devora a cru.

Haver, Fênix, composto sua e minh’alma.
Nas veias, há de pulsar nosso sangue unido,
Adubando com cinzas o amanhecer.

Ah, Fênix, vi meu medo abatido em amálgama
À sua esperança. Vi ao longe: eu ungido 
Em fogo. Morto, sempre; eterno renascer.


Fênix_K!

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sábado, 9 de maio de 2015

A Papoula e o Bebê

A cor (a)trai
os olhos
vermelho provocador

no veludo
o toque
destrói pétalas

o bebê
tem a flor
na mão (e ri)

nariz de pinóquio
não descobriu
espinhos ainda

 
 

Fênix_K!


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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Receita caseira para uma boa publicação

Recolha da gaveta os textos que escreveu quando jovem. Também funciona com aqueles gravados num diretório remoto, se você não perdeu quando trocou de computador pela quinta vez. Neste caso, imprima. Reúna todos numa grande bacia. Acrescente 5 l de experiência e duas gotas de bom-senso (cuidado para não exagerar). Deixe de molho por aproximadamente 23 anos. Com auxílio de uma pinça grande, retire-os do recipiente delicadamente. É provável que os papéis estejam meio frágeis. Estenda um a um no varal do anti-heroísmo (se for o do seu vizinho, melhor ainda). Depois de algumas horas secando na sombra, todos os textos em que se consiga ler algo além do inconformismo sem sentido estão prontos para publicação! Entretanto, caso tenha restado pouca substância literária, não se chateie. Você agora tem todos os ingredientes para tentar de novo.


Fênix_K!


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quarta-feira, 22 de abril de 2015

GUI CANTA PARA LOU

Louzinha querida queria morrer num dia em que tivesses me amado

Queria ser bonito para que me amasses

Queria ser forte para que me amasses

Queria ser jovem jovem para que me amasses

Queria que a guerra começasse outra vez para que me amasses

Queria te agarrar para que me amasses

Queria te dar palmadas no traseiro para que me amasses

Queria te pisar para que me amasses

Queria que ficássemos sós num quarto de hotel em Grasse para
que me amasses

Queria que fosses minha irmã para eu te amar incestuosamente

Queria que fosses minha prima que nos amássemos desde criança

Queria que fosses o meu cavalo para eu te montar muito muito tempo

Queria que fosses meu coração para eu te sentir sempre em mim

Queria que fosses o paraíso ou o inferno de acordo com o lugar
onde eu vá

Queria que fosses um menino e eu o teu preceptor

Queria que fosses a noite para nos amarmos no escuro

Queria que fosses a minha vida para eu existir só por ti

Queria que fosses um obus boche para me matar de súbito amor



Guillaume Apollinaire (1880 - 1918) nasceu em Roma, Itália. Mas foi em Paris, França, onde se tornou célebre poeta, crítico de arte, literatura e agitador cultural.








Fênix_K!

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sexta-feira, 17 de abril de 2015

My Iraq

Quero uma poesia de olhos fechados, que não veja hipocrisias, atrocidades, que não veja nada Uma poesia alienígena, que não seja desse mundo nem tente entendê-lo Num papel que as balas não furem e as crianças, desesperadas, desmembradas, decapitadas, não sujem de sangue Não! Não quero papel algum, é resquício que nos incrimina, todos os homens Quero palavras sustentadas no vazio, sem lastro algum com a dor, a vida, ou seu extermínio Quero frases eternas, que nunca foram escritas, e nunca serão apagadas Velhos versos da Torre de Marfim, neo-simbolistas contextualizados Quero um poema que tenha vergonha de ser humano.




Fênix_K!

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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Narciso


Pobre poeta,
sou a palavra mais preciosa e precisa.
E me ignora, põe terra sobre mim,
cospe na minha cara!
Insulta, espanca.
Muda meu nome.
Esconde-se de mim.
Mas não escapa.

Cansado, humilhado,
me redime.
Brada aos quatro cantos,
me espalha.

Pobre poeta,
não se livrará de minha sombra.
Pois “eu” sou você.
Em “mim”, há de se afogar.

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