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sábado, 14 de julho de 2012

A Crise Que Eu Não Queria - por Luiz de Almeida Neto


Dizem que agora há uma crise sem precedentes prestes a assolar nossas ruas. O enfraquecimento do ocidente enquanto sociedade estaria ameaçado. O enfraquecimento da nossa identidade enquanto “ocidentais” estaria ameaçada...
Eu, contudo, muitas vezes me pergunto quando me defronto com este tema: será que este enfraquecimento está prestes a acontecer? Ou será que ele já aconteceu há muito tempo?
Nós passamos nossas vidas inteiras querendo nos “unir”. Unir nossas vidas à vida de um alguém que representará um amor infindável. Unir nossas esperanças de sermos ricos com esperanças idênticas de outras pessoas. Unir nossas opiniões com as de pessoas parecidas conosco. Unir nossos destinos com nossa “turma”.
Contudo, as imagens expressam nossa hipocrisia: tantas pessoas expremidas dentro de um trem sem trocar uma palavra, reprimidas, umas com medo das outras. Multidões silenciosas e anônimas trancafiadas em apartamentos e guetos, consumindo algum tipo de ópio (incluo a televisão e alguns usos que se faz da internet na categoria de “drogas moderadas”).
E aí, eu retorno: onde estamos unidos? Será que todas as pessoas são tão ruins que não mereçam ser ajudadas, ao menos com uma palavra de “bom dia” em um trem lotado?
Quantas pessoas estão hoje, neste exato momento, separadas, intrigadas, de algo que sequer compreendem? Com seus sonhos reprimidos e destruídos, estão refugiadas de si mesmos, sem coragem de se encarar. E tudo isso porque queriam um pouco de reconhecimento, um pouco de atenção, de carinho, e nós fomos incompetentes.
Incompetentes por não saber amar as pessoas que erram, que não são tão eficientes e não se encaixam na nossa leitura de mundo. Nós nos separamos das pessoas da forma mais covarde possível: a indiferença.
Grandes cidades se erguem no mundo inteiro, sobre as costas de pessoas anônimas, que são ignoradas, deixadas de lado, reprimidas e, ao final, ainda conseguem encontrar sentido em suas vidas. São os heróis, que, quando olhados em uma filmagem do alto, parecem formiguinhas apinhadas, fazem a cidade parecer opulenta, e revelam suas misérias, ao mesmo tempo em que sobrevivem.
Nós? Bem, nós sonhamos, nos unimos com gente parecida com nós mesmos, e gostamos de escutar dos outros as coisas que nós mesmos pensamos.
Qualquer dia desses estaremos oficialmente decadentes. Contudo, desde já os digo, eu tenho certeza que nossa decadência já começou, o que me faz concluir algo muito simples: ao nos unirmos com umas poucas pessoas, nós escolhemos nos separar de todo mundo. Espero que vocês todos encontrem união, em um mundo que se rasga igual a uma roupa velha, deixando muitos descamisados.
Mas espero também que um dia todos nós consigamos acordar e nos reconciliar, pois hoje estamos, definitivamente, separados.
 


 

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