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Eróticos.)




sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Parabéns, Meu Irmão! - por Ana

I
Sabe, irmão, houve um tempo
em que eu te odiava demais:
nasceu um menino bonito
que agradava meus pais,
era lindo, fofo, alegre
e eu, feia e emburrada.
Você sempre tinha tudo
e eu sempre ficava com nada.

Depois as coisas mudaram,
muita coisa aconteceu.
Você confiava em mim
quando a gente adolesceu.

Viemos com um destino
que definiu nossa vida:
do início até a metade,
ela seria esquisita.

Dividimos muitas coisas,
misérias, dor, sofrimento,
as enormes exigências
e a falta de respeito.
Olhávamos um pro outro,
passávamos as mesmas coisas,
você era quase um rapaz
e eu já era uma moça.
Você a seu modo,
eu ao meu,
tocamos as nossas vidas,
mas em um momento delas,
elas foram parecidas.

Depois me afastei do mundo
de doença e perdição,
você tomou outro rumo:
ficou e eu não sei não...
E sei que você se mudou
por força de imposição
para a casa dos avós
e lá ficou, você só.


II
Depois você se casou
com Rose, uma libriana,
que lhe deu dois filhos lindos
e tem rosto de Diana.

Hoje vejo seus filhinhos
e adoro Ronier,
que se parece contigo
quando a gente ia a pé
da igreja para casa
de Campo Grande ao Tinguí.
Me apeguei ao biscoitão,
muito, demais até.

Hoje eu sei que é porque lembra
o irmão que um dia eu tive,
com quem dividi tristezas
e a força da resistência.
Brigávamos muito mesmo,
mas, no fundo, o que havia
é que ajudávamos um ao outro
a seguir com nossas vidas.


III
Talvez não tenha importância,
é só uma vontade boba,
mas quero que você saiba
que eu gosto de você,
gosto de conversar e ouvir
aquilo que tem a dizer.

Gosto quando não mente,
não inventa tanta ideia,
mas gosto também quando inventa
histórias do arco da velha.
Eu viajo na história
sabendo que é mentira,
pois quando ela é bem bolada,
dá gosto de ser ouvida.

Você sempre viajou,
contou história adoidado,
mas como ninguém ouvia
a voz de sua fantasia,
passou a pensar que a vida
era a história que havia
dentro de sua cabeça
que nunca, jamais foi vazia.


IV
Eu te escrevo tudo isso
porque é dentro de você
que mora um garoto lindo,
gordinho, alegre, rosado,
de braços abertos pro mundo,
sorridente, amoroso,
lindo por dentro e por fora,
que cantava pra mim, toda hora:
- “Que saudade de você...”

Lembro de você pequeno,
estudando na Corsino,
tinha medo de ir pra aula
e queria vir comigo.
Pedia: - “Deixa ir com você,
quero sentar do seu lado!”
Nos primeiros degraus
da escada grande,
aos poucos eu ia subindo,
você ficava hesitante.
Meu coração se apertava,
amolecia todinho,
tinha pena do menino
que ficava com medo, sozinho.
Tão pequeno, inseguro,
não queria ir pra sala;
eu queria “levar ele”,
mas não podia, não dava.
Eu não conseguia subir
enquanto ele não fosse embora
e não podia ficar parada
ali na escada por horas.
Fazia várias propostas,
mas ele quase chorava,
queria ficar comigo
na minha sala, mais nada.
Depois de muita conversa,
eu o conseguia convencer:
levava-o até seu andar,
prometia que no intervalo
iria vê-lo estudar.
E cumpria o prometido,
ficando todo o recreio
olhando o irmão que amava,
mas com o qual
diariamente brigava.

Nestes dias eu percebi
o quanto gostava do menino,
que a briga não era séria,
só coisa de pequeninos.

Esse calor que senti
no coração infantil
é o que sinto até hoje
pelo meu querido irmão
que pra tão longe partiu.

Eu choro por nós, meu irmão,
porque nos perdemos no tempo.
Eu não queria isso não,
porque você é meu único irmão.
Pois de você jamais cuidei,
não troquei fralda, alimentei,
não fui responsável nem nada.
Tivemos uma relação fraterna
dentro de tantas trocadas.
Fomos irmãos um do outro,
com implicância, briga, aventura.
Temos lembranças de um tempo
que vivemos juntos e bem
e que, na nossa família,
mais nenhum outro tem.
Você guarda em você
uma parte do que sou,
assim como guardo em mim
grande parte de você.

E no seu aniversário
quero que fique ciente
do quanto esta irmã te gosta,
meu primeiro irmão, Vicente.
.

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