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domingo, 12 de julho de 2009

Luvas, P’ra Que Te Quero - por Adir Vieira

Abro uma de minhas gavetas. Aquela que guarda as relíquias, como cartões de amigos, santinhos, grampos de cabelo com strass, enfim, pequenas miudezas que só vem à tona, uma ou duas vezes por ano, em época de faxina geral. Sem querer, dou de cara com um par de luvas brancas de renda vazada, com um botãozinho de pérola próprio para o abotoamento no pulso.
Num piscar de olhos, volto no tempo e vejo-me ao vivo e a cores, com nove anos de idade, no teatrinho da escola pública. Meus cabelos encaracolados e compridos, faziam uma moldura para o rosto rosado e redondo. Eu representava uma daminha e entrava num salão finamente decorado, dirigindo-me a uma senhora à moda antiga, sentada num divã e dizia: - Boa noite, Dona Gertrudes. Essas eram as únicas palavras ditas por mim; e como levei tempo para decorá-las no tom desejado pela instrutora!
Lembro-me dos dias anteriores ao espetáculo e revejo minha mãe preocupada em arranjar vestido, chapéu e as tais luvas. Vejo-me experimentando o traje e ensaiando todas as tardes na mesa da cozinha:
- Boa noite, Dona Gertrudes!
- Boa noite, Dona Gertrudes!
- Boa noite, Dona Gertrudes!
Num piscar de olhos vejo mãe, pai e irmãos menores na plateia do pequeno teatro, com os olhos fixos na cortina e o sorriso nervoso de todos quando terminei minha apresentação.
E aí eu pergunto: luvas p’ra que te quero? Ao tempo em que respondo – para, no futuro, lembrar novamente desse doce momento da minha vida.



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Um comentário:

Ana disse...

Muito tocante, muito sensível...
Imaginei direitinho você andando pela casa repetindo a fala incansavelmente. Criança é uma gracinha linda, né?
Beijo.