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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Dália Negra

Profundo. Sensível. Verídico. Inesquecível.
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EPITAFIANDO NO UMBRAL
(KBÇAPOETA)

Aqui jaz um menino,
Que nunca ficou velho.
Um cérebro que talvez fique a maquinar;
estratégias,
para explorar esse lugar.
Tenho terra, flores e vermes.
O que mais posso querer?
Quando em pé comia o alimento,
Que a terra dizia merecer.
Nada mais justo!
Doar-me às larvas.
Voltar para terra,
com esses olhos;
que ela há de comer.
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Visitem Kbçapoeta
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Sem Escapatória - por Ana

Falar sobre morte é difícil,
Falar sobre morte é grave.
Para alguns, é tema-tabu,
Para muitos, um entrave.

A morte não é passageira,
A morte não é condutora,
A morte não é caroneira,
A morte não é cobradora.

É, sim, estação final
Que tantos temem na vida,
Tentando ir mais devagar
Ou enganar a prometida.

Ela fica lá, tranquila,
Aguardando estes viventes,
Cumprindo a sua missão,
Dedicadíssima aos clientes.

Tarefa simples, não é?
Apenas sentar e esperar
Que se apresentem os sujeitos
A caminho de outro lar.

E enquanto ela, silêncio,
Por aqui um escarcéu:
Tantas almas temerosas
De irem pro beleléu.

E quando saltam do trem
Dos trilhos desta existência,
Alguns dão muito trabalho
(Ela há de ter paciência):

Se esgoelam, enlouquecidos,
Esperneiam, inconformados,
Tentam dar meia-volta,
Esmurram os portões fechados.

Ela aguarda, compreensiva,
O fim daqueles vexames
E encaminha estes frouxos
Para a tal sala de exames

Que consiste no seguinte,
Que passo a vos explicar:
É local pra refletir,
Relembrar e avaliar

A vida que se deixou
(Dizem isso muitas crenças).
E também há julgamento
Seguido pela sentença.

Que pode ser boa ou ruim,
Mandar pra cima ou pra baixo.
E você, ali, tremendo:
“Onde será que eu me encaixo?”.

Êta, coisa complicada
Ser gente ou ser pós-humano!
Sempre no maior stress
(Não dá pra ser leviano...).


Tendo em vista estas coisas,
Eu paro e fico a pensar:
No que se refere a nós mesmos,
A morte é o menor pesar.

Brabo é o tal tribunal,
A tal retrospectiva,
Culpa, arrependimento...
Sem fala argumentativa.

E a gente, em polvorosa,
Ali, no maior desarranjo,
Sem saber se nos espera
Enxofre ou coro de anjos.
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Manuel Bandeira e “A Morte Absoluta” - Enviado por Penélope Charmosa

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento.
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: “Quem foi?...”

Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.
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Duas Datas e um Nome - por Runa

Duas datas decoram a lápide velha
sobre o musgo da terra revolvida.
Um principio e um fim.
A definitiva duração de uma existência
reduzida ao mármore frio dos números;
herança derradeira de um sonho corrompido,
a ser devorada pelo vazio silencioso.

Por cima dessas duas datas,
que traçam o diâmetro de uma vida
cujo circulo se fechou,
um nome esculpido com letras negras
é tudo o que resta de uma efémera história,
o parágrafo breve e derradeiro de uma página
abandonada ao rigor dos invernos
e à desolação sombria do esquecimento.

Ninguém mais recorda esse nome
que o chão um dia engoliu
no ermo incógnito das colinas,
onde a tristeza datada de uma lápide
retém o único sinal da sua passagem.
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Visitem Runa
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Um Dia... - por Aaron Caronte Badiz

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Um dia virá a morte.
Levará a mim ou a ela.
Verterei um choro longo
Enquanto existir a espera.

E esperarei tão triste,
Por estar assim sozinho,
Até que a veja chegando
De novo com seus carinhos.

Queria pedir aqui,
Agora que pensei nisso,
Que a morte nos leve juntos,
Morte, então, de sorrisos

Por nunca nos separarmos
De nós e de nosso amor.
Peço de novo, destino:
Nos leve juntos, por favor!
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Morte - por Lélia

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Foi um amor sem igual: adolescente, feliz, sonhador... Planos... quantos planos! Tantos beijos e tantas descobertas. Alguns anos de beleza e enlevo.
Um dia acabou. Tão triste, tão solitário depois...
Uma de outras tantas pequenas mortes numa única vida.
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Mortal - por Dália Negra


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Longos desertos. Rios de lava.
Tornados e furacões.
Maremotos e tsunamis.
Tempestades. Raios. Inundações.
Terremotos e avalanches.
Natureza em mim.
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A Morte Nossa de Cada Dia - por Alba Vieira

Votei neste tema tão inspirador e logo sabia que iria participar com algum texto. É que a morte sempre marcou a minha vida, desde pequena. Não que eu tenha perdido muitas pessoas desde cedo. Pelo contrário, perdi meu pai quando tinha 42 anos e minha mãe aos 49. A minha avó materna perdi aos 39 anos e antes disso, só um primo querido quando eu estava no ginásio e uma cunhada que era como uma irmã, aos 47 anos. Apesar disso, muito criança eu ficava inquieta e tremia só de pensar na possibilidade da morte dos meus pais, minha avó ou meus sete irmãos. Fantasiava sobre isso, me sentia atormentada por qualquer alusão à morte ou doença. Não foi por acaso que decidi ser médica. Talvez pensasse em poder superar a morte. Acho que todo profissional dessa área gosta de brincar de Deus. Só que ao longo de minha vida descobri que para tratar o medo da morte, o segredo é o mesmo que para lidar com outros medos. É preciso chegar perto, enfrentar ou pelo menos conhecer. O medo de algo desconhecido se intensifica, fugir de algo que se teme não é boa coisa. E como filha de Plutão que sou, de qualquer forma a morte iria correr atrás de mim, até que eu me tornasse sua amiga e assim ela deixasse de me incomodar.
E foi dessa forma que presenciei a morte de várias pessoas, desde quando estava na barriga de minha mãe, que fui atraída por uma especialidade em que durante mais de 20 anos fiz autópsias, até que há uns 10 anos me interessei por terapia de vidas passadas e estou mais ligada a esta prática atualmente.
Não sinto mais qualquer desconforto diante da morte, não porque não sofra com as perdas ou ache natural que o corpo deteriore. Aprendi a aceitar a finitude da vida e acredito mesmo que este detalhe seja um fator de enriquecimento da nossa existência. Mas gostaria que a morte fosse um processo natural, sem tanto estresse por negação e sem tanta parafernália, e sim como era antigamente. Mas tudo tem o seu lugar neste mundo e cada um morre conforme vive.
Penso que refletir sobre a morte todos os dias nos ajuda a evoluir, a tomar atitudes e fazer escolhas mais apropriadas na vida. Tenho habilidade para lidar com doentes terminais que têm muito a nos ensinar e creio que a morte sempre funciona como uma oportunidade para os que estão próximos, podendo ser um ponto de mutação, desde que seja encarada com a dignidade que desperta quando aparece em nossas vidas.
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Visitem Alba Vieira
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Dia de Todas as Noites - por Runa

Hoje é o dia em que te despedes
dos exíguos labirintos do destino
e dos gastos versos sem rima
de uma ilusão envelhecida.
Envolto no manto negro
que te cobre as chagas do corpo,
mergulhas num crepúsculo de cinzas
que lentamente devoram tua imagem
nos espelhos cegos do infinito.

O grito do silêncio ecoa ainda
na névoa da manhã estrangulada,
murmúrio de pedra fria
sobre a mordaça do mármore desvanecido,
onde ruidosamente desabam
frágeis alicerces de bruma
e os solitários sonhos que ergueste
no areal negro dos dias,
com o suor amargo de sangue espesso.

Lágrimas doentes te acompanham
à soleira adormecida do abismo,
ecos distantes de um adeus
plantado na frigidez dos ossos.
Hoje é o dia em que te despedes
do esplendor inacabado de uma quimera.
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Visitem Runa
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O Barqueiro - por Davi Rodrigues

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Moedas! Moedas! Moedas!
Quem quer tomar parte nessa embarcação?
Não quer mais a rotina?
Não tem mais pelo que se esforçar?
Moedas!
Você as possui aos montes
Acumulou sem se preocupar como
Traga-as!
Haverá espaço de sobra!
Para você e os tantos quantos compartilhem de sua cobiça...
Um cruzeiro eterno e sem volta...
Traga-me seus dracmas, dobrões, dólares de prata
Tudo é aceitável
Perpetue para sempre a sensação do ganho ilícito...
Jacte-se de sua arrogância
Moedas! Apenas uma por pessoa!

Delicie-se e regozije da presença dos anfitriões
Hades e Perséfone o aguardam...
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..........................................Visitem Davi Rodrigues
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Não à Morte - por Escrevinhadora

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Perdoem-me os amigos dos Duelos. Sei que este é um espaço democrático e que houve uma votação.
Sei também que a morte é um tema fascinante, por sua grandiosidade, por seu mistério, por nos colocar frente a frente com o medo inconsciente da nossa própria finitude.
Mas acho que o mês de dezembro não é adequado para se falar em morte.
Dezembro é Natal, é nascimento, é renovação. É o tempo em que os cristãos comemoram o advento de Jesus Cristo. É a época em que os não cristãos trocam presentes, enviam votos de felicidades, reafirmam a esperança no futuro.
A morte pode ser um assunto para o outono, ou o inverno. Quando as plantas perdem as folhas, os pássaros perdem as penas e até as cigarras deixam de cantar.
Mas dezembro não. Dezembro é verão, cânticos, luzes, festejos, confraternização. Dezembro borbulha como espumante sendo despejado numa taça.
Dezembro é o momento de enfeitar a casa, abrir o coração e celebrar a vida.
Porque enquanto houver no mundo uma mulher decorando uma árvore de Natal, uma criança esperando a vinda do Papai Noel, o milagre da vida triunfará sobre a escuridão da morte.
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Falando de Morte... - por Adir Vieira

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Há algum tempo não sei porque ou melhor, acho que sei porque, venho tentando dar um toque diferente a essa coisa de morte.
Palavrinha feia, que pela vida afora me arrepiou, hoje ela começa a ter um aspecto de normalidade.
Tenho me surpreendido pensando em familiares mortos, com a tranquilidade de vê-los ao meu lado, como se ainda estivessem aqui, coisa que há alguns anos não me arriscava a fazer.
Hoje, às vezes, me pego na alta madrugada às lembranças de familiares queridos, já no outro mundo.
Penso que a vida é perfeita. Fugimos da morte a vida toda, como se não fôssemos morrer. E é a própria vida que vai nos fazendo na velhice, caminhar ao encontro dela, com serenidade.
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Visitem Adir Vieira
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Álbum de Família - por Runa

Sobre o mogno escuro dos meus olhos
estendo o velho álbum de fotos de família
e deixo os mortos respirarem, por instantes,
a luz estagnada deste entardecer.

A preto e branco, os fantasmas da memória
regressam com seus fatos domingueiros,
sacudindo a poeira de uma resignada ausência.
As mulheres trazem sorrisos manchados de tristeza
evocando o fascínio das eras de outrora
sepultadas nas ruínas de uma névoa distante
e, os homens, cofiando longos bigodes,
conservam ainda o mesmo ar taciturno e pose viril.

Míticos rostos que perderam o dom da fala,
mas que as esponjas da morte não apagaram totalmente
lá nas tumbas frias e perdidas onde pernoitam.
Imagens que se acendem nas lareiras da saudade,
ao som melancólico de uma extinta banda de coreto,
rasgando véus e teias de um esconso abismo.

Durante algum tempo, suspendo a fúria dos relógios,
e deixo que os mortos, num pestanejar de cinzas,
cruzem as paisagens arruinadas da manhã,
recordando sua breve passagem pelo mundo;
antes de recolherem de novo ao vazio enclausurado
do abandono sombrio onde agora pertencem,
esgotando o brilho efémero que subitamente se dilui
no baque crepuscular da contracapa.
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.............................Visitem Runa
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O Amigo - por ZzipperR

Hoje, uma recordação me deixou aflito e com sensação de injustiça de Deus.
Por quê?! Estes pensamentos resolveram rodar a minha cabeça. Não caí num baixo astral porque éramos muito amigos e só recordações boas rodavam o meu coração. Tudo aquilo me deixou agoniado e depois de muita reflexão resolvi falar com Deus. Cheguei sem marcar hora, pois ainda não era a minha vez.
Não sei como, mas cheguei lá! Um tapete de nuvens só transmitia paz, nele passei por um ambiente vazio onde não havia ninguém para me receber. Tudo ali parecia tão vazio que pensei não existir, até escutar uma voz, muito calma, que parecia tão distante.

- Por que não se conforma? Tantos anos se passaram. Você não poderia estar aqui!

- Senhor! Por que separou nossos destinos tão cedo? Nós éramos tão jovens e eu tenho muita saudade dele.
- Hoje eu estou triste! Sentindo que ele está precisando de mim.
- Eu queria vê-lo de novo. Nem sei o que eu falaria, mas eu tenho certeza que seriam momentos felizes e inesquecíveis. Talvez falássemos da escola, dos jogos de futebol na USP e talvez não falássemos nada e deixássemos os corações conversarem.
- Desde sua partida, ainda sinto um vazio no peito e ouço canções marcantes em nossa vida, confesso que elas não me deixam triste e sim confortam o meu sofrimento.
- Senhor! Por quê? Ajude-me a entender.
- Dizer que as pessoas são substituíveis é uma grande mentira. Ninguém substitui um grande amigo. Quando se vai, ele leva um pedaço de nós que jamais será reposto.
- Hoje eu sinto que ele está precisando de mim. Como eu posso ajudá-lo?

- Vá embora! Você já fez a sua parte.

- Senhor! Deixa-me vê-lo só mais uma vez?

- Não pode! Todos têm sua vez e a sua não chegou.

Tentei insistir novamente, mas a voz não saía.
Com um sentimento de ter fracassado comecei a sair. Enquanto saía, senti que alguém estava do meu lado, me consolando e aliviando minha dor.
Acho que era ele. Aquilo me deu a certeza de que a verdadeira amizade é eterna.
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Homenagem ao meu grande amigo “Osmar” do qual eu tenho muita saudade.

Zip...Zip...zip...ZzipperR

Coisa de amigo pra amigo, talvez seja até difícil de entender.
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Visitem ZziperR
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A Morte - Pelos Olhos de Quem Vê - por Alba Vieira

A própria morte pode parecer penosa
Mas a passagem não é assim tão ruim
No tempo certo todos estarão preparados
Ainda mais porque expirar não é o fim.

A morte dos outros pode ser ensinamento
Para aqueles que quiserem se aproximar
Verão tranquilidade nos olhos que se ampliaram
E já enxergam a luz que os guiará.

É momento de reflexão e lucidez
Onde cada coisa adquire o real valor
Existe a possibilidade de compreender
Que tudo é passageiro, exceto o amor.

É como se uma aura de verdade
Enchesse os lares onde alguém partiu
Cessam as contendas por iniquidades
Se a gente entende a vida como um rio

Tudo passa, nada permanece
Só se leva da vida o que se aprendeu
O amor que expressamos é a nossa prece
E nos liga para sempre a quem já morreu.
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Visitem Alba Vieira
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Morte - por Davi Rodrigues

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Do súbito desconhecido que tanto provoca
Dia-pós-dia
Sombra a se manifestar seguidora
Mesmo em dia sem sol
Noite sem lua
Dispersão de pensamentos noturnos
Fim de sorriso ao lembrar-se
Dignificadora? Cruel? Simples certeza?
A única que temos
E nem a queremos
Parte do que o obscuro busca
Tórrido ceifeiro
Foice na mão
Passos lentos
Desvia-te de mim!
Não tenho medo de ti
E quando chegares sem aviso
Com certeza, haverei saído...
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Em Construção - por Jeff Oliveira

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Mais que tudo serei feliz
Serei osso, serei carne,
mais divinamente humano
Serei constantemente
esse ser inconstante e paradoxal que é o ser humano.

Serei esse ser em construção, que tem direito ao erro
Mas que tem a capacidade de acertar da próxima vez também
Recomeçar, começar,
aprender que começo se escreve
com “C” ou não “C”? Duas opções. Eis, aqui estão!
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......................Visitem Jeff
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Viagem Terminal - por Runa

No coração das águas frias do inverno
Uma velha embarcação ruma ao poente
Arrastando o ranger do casco enfermo
Lambido pelo veneno da ferrugem decadente

Velas esfarrapadas na penúria do convés
Seguem o eco das algas estilhaçadas
Acendendo um rasto de rugas salgadas
Nos ossos apodrecidos das marés

Gaivota ferida dos cais de outrora
Sem asas para vencer o afago da corrente
E os ventos da tempestade que a devora

Atraída pelo cântico moribundo das sereias
Agoniza em soluços de espuma dormente
Ao encontro da bruma das últimas areias
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Visitem Runa
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O Dia em Que Morri - por Cacá

Minha morte se deu no sábado passado. Fui contar pra todo mundo e me disseram que foi um sonho. Mas eu estava acordado vendo tudo que se passava ao meu redor. Até dei uma ajeitada na posição. Não fiquei naquela clássica, de barriga para cima, com as mãos cruzadas sobre o peito. Virei de lado como faço para dormir todos os dias. As cores começaram a surgir numa sequência que acredito ser mais bonita do que a de um arco-íris. Se a história ficar parecendo coisa padronizada é porque a morte sem sofrimento deve ser assim mesmo. Naquele momento todos os pensamentos de apego às coisas terrenas passaram tão nítidos quanto rápidos na minha cabeça e confirmaram a certeza de que o que fica é que tem que ser resolvido. Não pensei em nenhum legado ou tive algum peso morto para levar comigo. O fato é que almocei regiamente, me deitei e, logo em seguida, me foi anunciada a sentença. Ocorre que fui acometido de uma alegria que ninguém deveria confessar sendo em caso de seu fim. Mas confesso que morri. E foi com uma alegria tamanha, que se fotografassem iam poder ver meu sorriso tenro, que é uma coisa que o agente funerário não consegue disfarçar na hora de vestir o defunto. Daí a dispensa da maquiagem que eles usam para recompor a cara digna para um defunto apresentar nas suas exéquias... Quem vai, vai satisfeito. Não me perguntem, depois, sobre como é o lado de lá, que isso eu acho que já vi foi em relato de quem esteve em coma desenganado e voltou. Eu, não! Eu fui mesmo. Só acordei com a cachorra latindo insistentemente no portão. Não deu tempo de saber. Nem de sofrer. E não quero incentivar a ninguém que esteja assim triste com a existência, achando-se no último estágio entre a realidade dura e uma tênue esperança de uma coisa melhor, pois a morte é única. Não dura mais que um parágrafo.
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Visitem Cacá
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Vai com Deus! Comigo Não. - (Anônimo)

Quem pensa que é simples a morte,
não sabe nadadinha de vida.
Não é um dia sem sorte,
é medida com luz estendida.

Igualzinho como é a vida,
dentro da complexidade
que também tem sua medida;
mas, já a luz, raridade.

Porque não é fácil viver,
tampouco morrer não será,
mas ainda assim vou dizer,
tua vida é Deus que te dá!

Dá um tempo de ouro medido
de acordo com seu merecer,
se faz dele tesouro perdido,
anula o valor de teu “ser”.

Põe novamente roda a girar,
girando em torno de você,
mas tem gente a esperar
essa criança amadurecer

que entra de novo no jogo,
esse de viver e morrer,
de “bucha” nesse teu logro
de recusa em crescer.

Entenda de vez que a vida
é só aprender a amar
e completa tua medida
pra tua luz alcançar.

Larga do pé dessa gente
que já aprendeu a perdoar,
parte de uma vez, contente,
pra morte te aconchegar.
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