Creative Commons License


Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Momentos - por Duanny

.

.
.

Sou uma menina, sim ainda uma menina, movida à base de momentos. Ainda assim sobrevivo dela, sabe porquê? Porque ainda a inocência me toma, a rebeldia me acalma e a irresponsabilidade me alimenta.
Os momentos calmos me entediam, na maioria das vezes eles chegam a ser patéticos, ou mesmo tranquilizantes, é bom um pouco de calma para se atingir os objetivos.
Os momentos felizes me possuem de uma forma contagiante, me fazem falar alto e querer mais e mais.
Os momentos tristes me destroem de forma constrangedora, eles tiram minha máscara e deixam as lágrimas rolarem de forma escancarada. Mas são dos únicos momentos que dou por mim mesma, e posso saber até onde minha mentalidade adolescente vai.
Os momentos intensos não sou eu, me torno meu próprio sonho de consumo, alguém que nunca vou ser.
Nos momentos desesperados sou aquela que grita, que chora, e depois ri, ri da vida, ri de mim mesma.
Nos momentos apaixonantes tiro a minha máscara, mas, sem deixar que lágrimas rolem, sou aquela mesma garota dos momentos calmos, felizes, tristes, intensos, desesperados, incontroláveis, alucinantes e até mesmo cínicos.
Mas, ainda assim, continuo sendo uma menina, uma menina movida a momentos.



Visitem Duanny
.

Mário Quintana, “Eu Queria Trazer-te Uns Versos Muito Lindos” - Citado por Penélope Charmosa

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!



In “Quintana de Bolso”.
.
.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Mantras Anti-vodu - por Fatinha

Querido Brógui:

Hoje trago o meu manifesto contra a acomodação, contra o derrotismo, contra a desesperança, a dor de corno, o pessimismo, a covardia e todas essas coisas voduzentas que nos perseguem.
Viver nesse mundinho tá complicado, eu sei.
Tá brabo acordar todos os dias e tentar vestir uma blindagem que nos afaste de todas as coisas nefastas que existem, os horrores, os escândalos, a violência, a fome. Reunir forças para sobreviver, talvez viver com alguma dignidade, conseguir ter alguns momentos de prazer. Vencer as frustrações, os desencontros, os desenganos, não pedir penico, cair e levantar, tentar outro caminho. Mudar, encarar riscos, saber que sempre há a possibilidade de tudo dar errado e dar de ombros.

Ô coisa cansativa!

Para ajudar, tenho uns mantras que recito diariamente. Como sou pop e católica de formação, meus mantras incluem o Salmo 23, “Jorge da Capadócia” do Jorge Ben e “Tente Outra Vez” do Raulzito.
Não recito todos de uma vez, nem em sua integralidade, apenas repito uns pedaços nas horas de agonia.

Nada como mandar um: “O Senhor é meu pastor e nada me faltará, ainda que eu caminhe por um vale escuro como a própria morte, não temerei, porque Deus está comigo.” Isso, recitado com fé, dentro do ônibus, enquanto olho pros lados pra ver se tem alguém com cara de que vai tomar meu celular a qualquer momento, é refrescante.

Na hora que tenho vontade de arremessar meus códigos do 7º andar da UERJ, depois de levar mais um pau em mais uma prova, cantarolo baixinho: “Vai, tente outra vez, não diga que a vitória está perdida, se é de batalhas que se vive a vida. Tenha fé em Deus, tenha fé na vida.” No mínimo evita que eu responda por homicídio culposo caso o código acerte o quengo de um transeunte.

Por fim, quando os derrubadores de plantão encostam-se à minha carcaça, recito: “Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem, para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem, para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam e nem mesmo em pensamento eles possam me fazer mal.” É batata, como diria Nelson Rodrigues. O encosto vai rapidinho procurar outra alma pra sugar.

Então Querido Brógui, eu confesso: estou apelando para o sobrenatural. Eu não acredito nisso, mas que existe, existe. Tenho outros mantras, mas vou guardar esse assunto para o dia em que eu não estiver inspirada para inventar novidades.



Visitem Fatinha
Jorge Ben Jor, Raul Seixas

O Que Foi Não Volta - por Adir Vieira

Ontem revolvi lembranças em minha mente.
Estive mais uma vez diante de fatos passados, lembranças vívidas em meu coração. É sempre assim quando eu volto àquela casa. A casa onde passei, desde a infância, muitos e muitos anos. Ali, envolta pela família, aprendi, cresci, sofri e me alegrei. Sobretudo entendi o significado mais completo do amor. Amor pelos entes queridos, pelo cerco familiar, pela grande dependência que, desde então, saberíamos ter por toda a vida, uns com os outros.
Hoje, lá não mais existem objetos meus, mas olhando aquelas paredes agora, vazias, reponho em poucos segundos o meu quarto, meus pertences e vejo, como num passe de mágica, as pessoas, como se lá ainda estivessem. As conversas que ressurgem atropelam-se umas com as outras, como a me lembrar que já não estou lá.
Ao mesmo tempo em que a paz me aquieta, um aperto no coração sinaliza a angústia e aquela falta latente, não sei se dos familiares que já se foram ou se da própria vida em plenitude.
Estranho e tão sabido esse sentimento dilacerador de que a vida é isso. Um tempo que não depende de nós.
E haja coragem para reconhecer fielmente essa afirmação.



Visitem Adir Vieira
.

Odre de Baco - por Kbçapoeta

Relaciono minha essência
Com sua existência,
Faz-se natural a leveza do tudo
Longe do alcance de minha
Compreensão,
Universo singular, estático,
Pseudo isso ou aquilo.
Difícil descrever
O alicerce da coluna
Que sustenta o liame
Do certo ou do errado.
Deveras crer
Ser a borboleta de Confúcio.
Delícias e delírios
Entorpecem nossa mente.
Meu ser é seu ser.
O coração assimétrico
Continua oblíquo,
O etéreo se fundiu.
Foi perfeito!
Presenciar a alquimia
Das almas.
Gênios que se tocam.
Sublime!
O corpo é mera manifestação
Que urge vital,
Prazerosa e dionisíaca.
Refaço minha busca
Imerso nessa cabernética loucura.



Visitem Kbçapoeta
.
.

Augusto de Campos e sua “Ferida” - Citado por Penélope Charmosa

fer
ida
sem
ferida
tudo
começa
de novo
a cor
cora
a flor
o ir
vai
o rir
rói
o amor
mói
o céu
cai
a dor
dói
.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Depoimento - por Marília Abduani

A curva do meu sonho
contorna a tua estrada
e estagna onde descansa a tua alma,
quieta.
Múltiplos são os meus olhos para enxergar
a tua serenidade
e o teu exílio em mim.
Eu sou a minha nuvem mais densa,
a mesma que derrama chuvas
sobre os teus desejos.
Sou o vento que sopra em teu rosto
um resto de infância,
de terra molhada,
capim novo
incendiando o dia.
Venço a angústia e o medo.
Espalho meu verso e, renovada,
circulo em torno da vida,
leve,
livre,
simples.
Filha do sol e da lua
nas rotações silenciosas do amor.
.
.
........................Visitem Marília Abduani
.

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Alba Vieira

Destaco este belo poema por trazer a ideia de caixa de nossas memórias figurando junto aos pertences variados que podem ser encontrados nas caixinhas de costura que certamente fazem parte do universo de cada um de nós. Parabéns, Ana, pela belíssima contribuição.



CAIXINHA DE COSTURA
(ANA)

Agulhas, linhas, dedal,
fitas, botões, tesourinha,
cores, texturas, formatos,
cabem todos na caixinha.

Caixinha na qual não cabem
meus sonhos de criancinha
nem meus desejos de adulta
nem meus medos de velhinha.
.

Três Anos de Saudade - por Adir Vieira

Três anos se passaram sem você.
Tanto tempo e parece que foi ontem. Não tenho mais seus olhos calmos e questionadores a me olhar com profundidade...
Não tenho mais suas mãos a segurarem as minhas, na tentativa de não se desprender daqui, de junto de nós...
Não tenho mais, sobretudo, sua fala firme, compondo minhas decisões e em cada palavra mostrando-me o sentido da vida...
Cadê você, minha mãe?
Por onde andará? O que será que tem feito? Será que de onde está ainda nos vê e acompanha?
Enfim, que na minha saudade, você sinta todo o meu amor e agradecimento...



Visitem Adir Vieira
.
.

Bem Viva - por Alba Vieira

Voou bem alto perdendo-se no Todo,
Desapegou-se, enfim, da limitação material,
Diluiu-se em rósea atmosfera,
Iluminou-se envolta em amor incondicional
E para sempre integrou-se à eternidade.

Deixou-nos numa tarde que se fez cinzenta,
Embora lá fora o pôr-do-sol fosse belo,
Corações sangrando pela sua ausência,
Desnorteados, tristes, seguimos quebrado o elo
E até hoje a saudade em nós sobrevive.

Mas quem tanto amou nesta vida,
Decerto deve estar muito bem...
O tempo ajuda a cicatrizar as feridas
E abrir o coração deixando entrar luz outra vez.

Então seguimos guardando as lembranças
Cada vez mais vivas, liberadas da dor,
Agradecendo por tê-la na dança da vida
E dedicando a você infinito amor.



Visitem Alba Vieira
.
.

Morte - por Aline

Hoje meu coração está vazio.
Minha alma vagueia alucinada sem rumo.
Meu corpo se arrasta e sem saber nem como eu mantenho a rota.
Ai de mim que não me reconheço nesta hora de tanta verdade.
Sou o espectro de mim mesma.
E já de tanto doer sou só chaga aberta.
E cheiro só a sangue.
Que horror de narrativa! Será que sou isso ou quero apenas vomitar minhas insanidades no papel neutro?

A MORTE É UM EXÍLIO.
.

O Monte - por Leandro M. de Oliveira

.

.
.Subi o monte com pensamentos de grandeza
Mas, lá só havia descampados e correntes de ar.
Os Deuses foram convertidos em estátuas enferrujadas
E os homens fizeram-se em rebanho de cabras.
Tomei meu café como quem foge ou esquece,
Passei aqui e ali, e tudo era igual,
Onde estou que não me vejo?
A rua existe como caminho pavimentado,
Como existe nódoa dentro dos homens,
Como existe um andarilho em assombro.
E eu sem dormir, me meto a escrever ou pensar.
Das estreitas possibilidades, a cidade está
Dispersa como lugar em que se habita.
Das minhas largas mazelas a cidade ficou,
Semelhante a um canceroso terminal.
Como o ar esta pesado aqui, urge reinventar.
Torno ao monte remoto, aos descampados e às correntes,
Pensei ter tido um lampejo de eternidade, isto me cismou,
Era só meu estômago bradando em petição de miséria.
A comida nunca satisfaz uma alma faminta,
Mas que sei de almas?
Eu que tomo café como quem foge ou esquece.
Já sei, vou deixar que a metafísica se esvaia
No fluxo incontinente de minha urina,
Há tanto milagre acontecendo na natureza
Quanto há em um banheiro público.
Voltei à casa antiga, por mor espanto,
As traças são implacáveis
Mesmo com as memórias mais ternas.
Vou viver pra sempre ou morrer um dia, tanto faz,
A matéria sempre alimentará outros parasitas.



.
.

Lya Luft e o “Convite” - Citada por Penélope Charmosa

Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.




In “Perdas & Ganhos”.
.

domingo, 20 de setembro de 2009

Luz da Esperança - por Alba Vieira

Atravessa a luz rasgando as dores...
Luzindo e desfazendo o negror da noite.
Voando, os pássaros anunciam novo dia,
Ornando o céu com os rabiscos de asas em movimento.
Rodopiam com a brisa suas penas que se soltam e
Atapetam o solo as folhas que caíram na tarde anterior.
Desfez-se o véu da fria madrugada em gotículas de orvalho...
Aparecem os primeiros raios de sol e nos corações, novos amores.



Visitem Alba Vieira
.
.

Viagem - por Aline

Enquanto escuto a música “Trem das Cores” sou bombardeada por uma enxurrada de pensamentos que dificilmente consigo acompanhar com a velocidade que tenho ao escrever à máquina. Assim pretendo ir escrevendo sem respeitar a forma, apenas tentando seguir o fluxo dos pensamentos.
A música vem e agora estou num trem vindo de onde não sei e indo pra algum lugar também desconhecido. Só consigo captar esse momento em que de dentro do trem observo.
Caetano Veloso

Parabéns, Meu Sobrinho! - por Ana

Tenho um sobrinho distante
(Geograficamente falando),
Mas vive perto de mim,
Sentimentalmente pulsando.

É jovem tão descolado,
Sorridente, falador,
Amoroso, inspirado,
Apaixonado pelo amor.

Escreve coisas tão belas,
Versos que me encantam
Pela forma e conteúdo,
Pelo perfume que emanam.

Às vezes ele me choca
Com os arroubos da juventude.
Mas esta fase é assim mesmo...
E esta é sua virtude.

Hoje é seu aniversário,
Mais um ano se passou.
Por aqui te mando beijos,
Desejo tudo de bom.

Pena não poder te ver,
Fazer o quê? A vida quer...
Mas o certo é que te gosto,
Meu querido Ronier.
.

Eu Falo “Eu te Amo” para os Meus Amigos - por DAS

.
.

.
.
Você pode achar que isso é banalizar o amor, mas creia, não é!
O que sinto não é banal e não falo por falar!
Mas uma coisa é certa, o momento não pode ser qualquer momento.
Mas aquele em que você sente que a sintonia entre ambos parece ser tão intensa e única;
Ou quando você sente um carinho tão grande que não consegue explicar;
Quando você verbaliza o que já está no coração e, o melhor de tudo, sente que a recíproca é verdadeira!
Quando a saudade é grande;
Quando você sente que encontrou uma alma igual à sua, já passaram por coisas parecidas, se entendem, se ajudam;
Quando você sente que encontrou um amigo na vida e ele já estava esperando por você!
...

E esse momento vem de várias formas:
depois um olhar que diz muito;
de uma palavra certa na hora certa, ou muitas sempre certas, independente da hora;
de uma lembrança do que já passaram juntos;
de uma risada contagiante, depois dessa lembrança;
depois das lágrimas, quando você percebe que esse alguém que está ao seu lado é seu amigo para o que vier;
de um abraço apertado e carinhoso no momento em que mais precisa, ou quando você não pode ter ou dar esse abraço;
...

Então me diz: Vale ou não um EU TE AMO?



Visitem DAS
.
.

Ferreira Gullar e a “Estranheza do Mundo” - Citado por Penélope Charmosa

Olho a árvore e indago:
está aí para quê?
O mundo é sem sentido
quanto mais vasto é.
Esta pedra esta folha
este mar sem tamanho
fecham-se em si, me
repelem.
Pervago em um mundo estranho.
Mas em meio à estranheza
do mundo, descubro
uma nova beleza
com que me deslumbro:
é teu doce sorriso
é tua pele macia
são teus olhos brilhando
é essa tua alegria.
Olho a árvore e já
não pergunto “para quê”?
A estranheza do mundo
se dissipa em você.
.

Chuva - por vestivermelho

Cai a chuva e nós ficamos parados
olhando ela cair
em forma de gotas de amor
Suave ao mesmo tempo como nossos beijos
Deixando o nosso amor cada vez mais forte
Que bom te amar na chuva...



Visitem vestivermelho
.
.

Parabéns, Meu Irmão! - por Ana

Neste dia, há muito tempo,
Nascia mais um meu irmão.
Desejado, muito aguardado,
Para habitar meu coração.

Veio sério, poucas palavras,
Um homem em miniatura.
Nos encantou com a beleza
E nos inspirava ternura.

Cabelos lisos, sedosos,
Olhos castanhos, profundos.
Tranquilidade quieta,
Vivia só em seus mundos.

O tempo passou tão depressa!
Há muito é mais alto que eu,
Já tem uma filha linda:
Marcely, que a Márcia lhe deu.

Sua vida foi difícil,
Às vezes por própria escolha...
Semeou em solo errado...
Há plantio que não se colha?

Mas da vida tira lições,
Nas dores vê benefícios.
É meio sábio, este garoto...
Meu amado irmão Vinicius.
.