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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Vestido de 52 Botõezinhos - por Adir Vieira

Minha mãe sempre foi uma excelente costureira. Gabava-se de ter tido uma professora de corte e costura por demais exigente que a fazia, sem dó e piedade, refazer todo um extenso trabalho de bainha caso um dos minúsculos pontos estivesse fora do padrão.
Era meticulosa em tudo, portanto, não sei se posso atribuir essa característica de personalidade à formação dessa professora.
Tentava, nos seus ensinamentos a nós, suas filhas, repetir esse comportamento, mas nós, vivendo em outra época mais flexível, a driblávamos e íamos dando nosso verdadeiro toque pessoal nas tarefas que empreendíamos.
Mãe de cinco meninas, em tempos de poder escasso, encarregava-se de nos vestir com esmero, com seus dotes profissionais.
Lembro que nunca costurou para estranhos, mas a família de primas e tias usavam e abusavam dos seus serviços de modista, iniciado para compor as despesas da casa, num momento de desemprego do meu pai.
Vejo agora, diante dos meus olhos, pilhas de papel pardo e alfinetes com que cuidadosamente embrulhava as peças encomendadas, depois de passá-las e engomá-las a ferro. Lembro das pessoas batendo à porta para buscar as roupas e até do recebimento do dinheiro tão esperado.
Nossas roupas eram feitas, muitas das vezes, com fronhas coloridas, desmanchadas e transformadas em tecido maravilhoso para ela criar seus modelos. Tinha prazer nisso e vejo hoje que se realizava compondo modelos de revista para as filhas de diferentes idades.
Passeando com minha imaginação, lembro que eu e minha irmã mais nova que eu apenas nove meses, quando começamos a trabalhar fora, tínhamos o frenesi de a cada segunda-feira exibir um traje novo. Nessa época, já comprávamos os tecidos com seu assessoramento e cuidávamos da casa, para que a coitada, todos os finais de semana, preparasse um novo vestido.
Isso era bastante comum e só me dei conta de como éramos “perversas” nesse pedido a ela quando ela mesma inventou, para mim, um vestido de cor verde-alface, estilo reto, sem mangas, com uma golinha “de padre” que, na frente, abaixo do decote, tinha, em par, cinquenta e dois botões miúdos.
Lembro dela arfando às nove horas da noite de domingo, ainda pregando aqueles inúmeros botões, e de mim, passando a ferro a vestimenta para me exibir na segunda-feira.
Era assim minha mãe. Quanta vida, quanta experiência, quanta criatividade e, sobretudo, quanto esmero em tudo o que fazia!
Como já era de se esperar, até na rua, naquele dia, me pararam para apreciar o traje, talvez estranhando aquele arsenal de botões encapados com o próprio tecido do vestido.
Belas e doces lembranças...



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Um comentário:

Ana disse...

Legal seu texto!
Legal ter viajado ao passado com você!
Beijo!