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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

TODOS QUEREM SER WINSTON SMITH - Por - Kbçapoeta


     Winston Smith, personagem de “1984”, romance de George Orwel resume o ideal de muitos homens e mulheres.
     A personagem que deixou os anos de sua meia-vida ir pelo ralo, o atrito desgastante da rotina de alguém que deixa o tempo passar.
     Esposa nem sabe como perdeu, não faziam mais falta um para o outro, fim do amor e da paixão somada em uma solidão a dois resulta em desapego, desimportância e até mesmo deselegância.
     Além do cigarro e gim “Vitória”, Smith não tinha muito que fazer ou desejar.
     Pessoas ditas normais, pertencentes à base de nossa pirâmide social como Winston, encontram-se na mesma situação de impotência.
     Ao contrário do personagem de Orwel, estas pessoas possuem  entretenimentos ,vontade de consumo, TV, internet,  Celular e cerveja.
     No romance, Orwel faz sua personagem conhecer-se, rebelar-se, sofrer, violentar-se  e esquecer-se.
     TV, internet e celular fazem o mesmo quando usado apenas como entretenimento em demasia. Eles estão engolindo crianças e adultos por horas e horas. Todas elas perdidas em sua quase totalidade.
     Muitos como Winston, tentam subverter o sistema contra as engrenagens opressoras do meio cultural, social e econômico até receberem uma bala no crânio amando o Grande Irmão.



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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Julião, o Brasileiro - por Kbçapoeta

 




   A personagem mais brasileira que conheço chama-se Julião.

   Julião é o inteligente e pobretão parente distante de Jorge no romance “O primo Basílio” de Eça de Queiroz.
   Julião é advindo da classe proletária portuguesa, similar a atual classe “C” brasileira, inadaptado e isolado; um materialista revoltado contra a sociedade porque se sente desprezado por esta, almejava pertencer economicamente ao invejado circulo de seu parente engenheiro.
   Em meio ao clímax da novela, Julião chega mesmo a ser humilhado por Basílio quando fora visitar Luíza, esposa de Jorge.
   A humilhação foi registrada em forma de queixa a um amigo, no calor da emoção dizia se orgulhar de suas botas proletárias, mas dignas.
   Julião por ser inteligente e desprovido de renda digna, é o que mais sofre no romance.  Recebeu apelidos sugestivos como "tripa velha", " isca seca", " fava torrada", " saca rolhas".
   Nas páginas finais da obra, Eça de Queiroz presenteia o herói com uma vaga na esfera pública lisboeta.
   Julião dá adeus as humilhações e privações de todas as páginas passadas, agora é que a vida começa.
   Agora classe média , Julião desprezava os pobres e abraçava os valores da nobreza portuguesa, similar aos valores da elite brasileira.
   A semelhança entre Julião e os eleitores de Marina Silva, entre eles a rede GLOBO , não será coincidência , será aristotélico. A vida imita a arte!




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