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quinta-feira, 4 de março de 2010

Minha Doceira Preferida - por Adir Vieira


Tudo nela cheirava a doce, a açúcar.
Por anos a fio, os caramelados, os grandes bolos ornamentados que só ela sabe fazer, povoaram nossas festinhas domésticas e as grandes festas, os casamentos da família, as formaturas, os bailes de quinze anos.
Talvez a proximidade do meu aniversário a trouxe de volta na minha memória.
Conheci essa senhora, quando ainda trabalhava e minha sobrinha, hoje com vinte e oito anos, ia completar um aninho de idade. Ela era famosa no bairro por suas “quentinhas”, fornecidas ao gosto do cliente, aos inúmeros trabalhadores das fábricas ao redor de sua residência. Orgulhava-se em dizer que com aquele trabalho, tinha formado um filho em medicina.
Tudo nela era doce, agradável. Sua “fábrica” era a própria residência. Um pequeno apartamento de dois quartos, sala e cozinha, no terceiro andar de um prédio de classe média, sem elevador. Na sala, as mesas, viviam abarrotadas de caixas com os doces caramelados prontos para entrega, ou então, com um bolo grande, confeitado no desejo do cliente. Fazia como ninguém, bolos infantis ou de casamentos, com o mesmo bom gosto. Tinha prazer em exibir seu “book”, como se ainda precisasse fazer novos clientes. Quem comesse de sua comida, ou provasse um caramelado, jamais deixaria de pensar nela, para encomendas, quando alguma festividade fosse ocorrer.
Seus salgados desmanchavam na boca. Eram delicados, como ela, apesar dos seus noventa quilos.
Lembro que depois do falecimento de minha mãe, quando o nosso “quartel general” foi desfeito, deixei de manter contato. Nossa última encomenda foi há quatro anos atrás, quando uns quatrocentos docinhos caramelados, fizeram a alegria e o encantamento dos nossos convidados no aniversário do meu marido.
Hoje, ela me veio à cabeça, com seu sorriso feliz, próprio daqueles que asseguraram pelo próprio esforço, o maior êxito na vida.
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