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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Respeitar a Liberdade do Outro - por Jair Antônio Pauletto

Uma das coisas mais preciosas para o ser humano é sua liberdade, tanto que uma das formas mais comuns de punição é sua restrição. Desde criança aprendemos o valor da liberdade, logo aprendemos que agradar os pais nos dá créditos para usufruir certas liberdades; da mesma forma, se nós os desagradamos ao infringir alguma regra, acabamos sendo castigados e lá se vai a nossa liberdade.
O Estado condena o cidadão que infringe a lei com a restrição da liberdade até o limite da prisão. Porém, uma pena de reclusão a um regime fechado que impede de circular livremente não priva o livre pensamento, mesmo que nem sempre seja possível expressá-lo. Pensar é uma atividade que, mesmo privados da livre circulação, podemos realizar livremente, pois esta é uma faculdade divina.

Restringir a liberdade é uma prática punitiva tão antiga quanto ampla e sua utilização no ambiente familiar ou social vai além de manter a ordem e a disciplina. Ela expressa o domínio de alguém sobre outro alguém, seja o pai sobre o filho ou o Estado em relação ao cidadão. O exercício desse domínio é um poder que fascina quem o detém na mesma proporção que fere sua vítima. Um processo que ultrapassa a complexa relação de liberdade e castigo ou, se preferirem, direito e punição, pois existe a interferência do desejo pessoal ou, às vezes, coletivo, de exercer o poder de dominar.

Nas relações cotidianas, ao interagirmos com familiares, colegas e amigos, essa situação aparece com muita frequência, aliás, quanto mais frequente ou íntima a relação, mais estaremos propensos a sofrer interferências, especialmente no sentido de querer fazer prevalecer o desejo pessoal, isto é, de exercer o poder de dominar. Infelizmente essa é uma realidade pouco percebida, mesmo em relacionamentos nos quais uma pessoa jura amar profundamente a outra, porém não suporta e não admite certas preferências, pensamentos ou atitudes. Não me refiro a fatos que possam causar prejuízos, que afetem a própria imagem ou liberdade, mas de situações em que a livre escolha, a liberdade individual é questionada, censurada e até mesmo punida pela necessidade pessoal de exercer seu domínio. Nesse caminho podemos enquadrar o ciúme, a inveja e a prepotência, que são sentimentos frequentemente presentes nas relações e que agem sem serem percebidos pela maioria das pessoas. Esses e outros vilões do relacionamento saudável causam imensa dor e sofrimento às suas vítimas. Os “opressores da liberdade individual” dificilmente percebem o mal que estão causando, hoje, algo tão comum que muitos juram amor eterno a uma pessoa pela qual não conseguem dar-lhe o simples direito da liberdade de escolha. Fazem isso sem perceber que o que realmente os satisfazem é ver prevalecer seu desejo pessoal, seu ponto de vista, seu querer sobre determinado assunto ou situação. Não há nada de errado em querer satisfazer um desejo pessoal, que é algo muito poderoso e valioso no ser humano, porém não pode ser utilizado para restringir a liberdade do outro, tampouco para fazer prevalecer a própria vontade. O desejo pessoal é um forte instrumento para o progresso pessoal e material, assim como também pode ser uma arma fatal quando direcionada a modificar a livre escolha, interferir na liberdade alheia.
A liberdade de conduzir os rumos da própria vida é um direito intocável, assim como expressar seus pensamentos e crenças; obviamente existem limites, que é a própria liberdade do outro, que deverá servir como limitador de direitos e deveres. Tenho convicção de que nenhum relacionamento saudável pode restringir a liberdade ou sequer tentar impor condições, punições e castigos, seja simples ou extremamente intenso, pois, como já escrevi num texto anterior, todos têm o direito de escolher.
É preciso assimilar que o desejo pessoal de restringir a liberdade do outro é um inimigo interno muito traiçoeiro que deve ser combatido; ter a capacidade de colocar-se no lugar do outro, compreendendo e respeitando sua liberdade é a melhor forma de vencê-lo. Convivemos com limites de liberdade e punições desde criança, desenvolvendo um sentimento de rejeição ao sofrermos com um castigo e ao mesmo tempo de fascinação e satisfação ao ver o próprio desejo atendido. Esse desejo de ver as próprias vontades satisfeitas raramente leva em consideração a liberdade do outro, ou seja, é um sentimento de egoísmo tão natural que não percebemos que não temos o direito de interferir nas escolhas alheias; isso serve para o amor, a política, a religião ou qualquer outra relação. A liberdade é intrínseca à vida saudável, pois delimita o direito pessoal e alheio, e ninguém tem o direito de utilizar o outro para satisfazer seus desejos.

Nosso desafio é crescer respeitando as liberdades individuais, reconhecer e entender nossos desejos, de forma que não sirvam para punir outrem, mas para nos levar a transcender para a humildade, a liberdade e o verdadeiro amor. Boa semana.



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Um comentário:

Ana disse...

Mais palavras sábias, Jair!
Parabéns! Muito bom lê-lo aqui!
Um abraço!