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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Anistia - por Ana

Labaredas me invadem a mente,
Vindo em vagas de algum lugar.
Assalta-me o calor da dor
Que teimei em ignorar.

Me consomem a tranquilidade,
Me impedem de sonhar,
Me perseguem a consciência,
Insistem: devo visitar

Um local dentro de mim
Que lacrei, sem questionar;
Onde encerrei minha sombra
Pra não mais me incomodar.

Encaro, então, a injustiça
De a mim mesma evitar.
Resolvo assumir que possuo
Uma parte a reclamar

O seu direito efetivo
De em mim se manifestar,
De agir sua humanidade
Sem ter vergonha de errar.

Então sigo relutante
Pro meu destino encontrar:
Me permitir ser inteira,
Não mais me auto-julgar.

Descerro a porta, com medo
Daquilo que vou encarar:
Meu lado escuro e cruel
Que muito me faz penar.

Olho, aos poucos, lá pra dentro,
Tremendo só de pensar
No monstro ardiloso e vil
Que logo terei que enfrentar.

Mas me sobrevém a surpresa:
Naquela que eu estava a fitar,
Não mais a força e o poder,
E, sim, humildade exemplar.

No tempo em que foi prisioneira
Refletiu, a se curvar,
Nas suas investidas vãs
De com o bem guerrear.

Já que daquela prisão
Não conseguiu escapar:
Tentou e não conseguiu
As paredes derrubar.

Ao mesmo tempo eu me vi
Senhora do meu pensar.
Não mais estaria à mercê
De seu jeito de atuar:

Com o tempo transcorrido
Amadureci, sem notar;
Agora, fosse o que fosse,
Não me iria assombrar.

Olhamo-nos, longamente,
Com carinho no olhar;
Reconhecemo-nos irmãs
Que habitam o mesmo lugar.

Saímos de lá unidas,
Num só corpo a caminhar.
Em paz, minha alma se alegra:
Pôde as duas libertar.
.

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