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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
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domingo, 26 de julho de 2009

Vendendo uma Parte da Vida - por Adir Vieira

Faz mais de um ano que não vou lá. Mas agora, que me encontro na estrada, quase chegando, me vêm à mente todos os finais de semana que, regularmente, íamos para lá descansar.
Lembro da visão do portão principal que nos sorria com seus flamboyants em flor e junto com as roseiras, na cor rosa, formavam um arco colorido a nos dar as boas-vindas.
Não tínhamos outro intento naquelas viagens semanais, além do descanso, puro descanso.
Não fazíamos questão de nada além da rede, das cadeiras espreguiçadeiras e das sandálias e roupas de banho de mar. Esses eram os únicos objetos pelos quais procurávamos e dispúnhamos à nossa moda ao chegar.
Apesar de tanto tempo ausente, o caseiro que nos serve até hoje mantém tudo - como se estivéssemos fora apenas desde o último final de semana - limpo e habitável, fazendo questão de não esquecer o cloro na piscina.
Já estou entrando e me emociono ao rever tudo depois de tanto tempo.
A varanda que circunda a casa grande acolheu meu carro, exibindo o ruído característico dos pneus roçando o solo ao subir a pequena rampa lateral.
Os passarinhos no pé da goiabeira próxima parecem contentes com a minha chegada. Vejo cães, galinhas e gatos que, estranhando o movimento àquela hora da manhã, aparecem nos gradeados das casas e a me espreitarem parecem querer me dar bom dia, tão grande o alvoroço que fazem.
Tudo exatamente como há mais ou menos um ano atrás.
Ouço o galope de cavalos se aproximando e sei que o caseiro e sua turma vêm me saudar.
Não espero por eles e entro na sala pela porta principal.
Grande emoção toma conta de mim quando olho o sofá e penso como as coisas materiais têm o poder de nos remeter a fatos importantes de nossas vidas com grande facilidade, apenas num piscar de olhos.
Aquele grande sofá com almofadas removíveis, acolchoado ao extremo - talvez ciente de sua função de proporcionar o máximo de conforto - é maravilhoso de se olhar em sua estamparia grande e de cores discretas e harmoniosas. Esse objeto havia pertencido a minha bisavó que o doou a minha avó quando esta se casou. Minha avó por sua vez, quando mudou para uma casa menor não pode levá-lo, fazendo com que ele passasse desde então a pertencer a minha mãe. Lá, ele participou e se fez de palco para todas as nossas histórias internas. Fotos, então, são inúmeras as em que ele aparece, em várias épocas e diferentes pessoas. Já fazia um bom tempo que era meu e ali residia.
Por poucos segundos, revivi tudo em desfile. Doces momentos.
Já ouço passos no portão, mas caminho em direção ao quarto. Esbarro no grande urso que serve de escora para a porta. Ali, fixado no piso, convida à entrada no quarto.
A colcha que cobre a grande cama de casal também foi presente de minha avó - vejo-a diante de mim, sentada na sua cadeira favorita, crochetando para as netas. Sinto saudades e ouço sua voz dizendo um dos seus chavões engraçados.
Não sei quanto tempo ali me detive em lembranças, mas a voz do caseiro me fez voltar à realidade, quando me cumprimentando efusivamente, afirmou que o comprador da casa chegaria em duas horas.



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Um comentário:

Ana disse...

Gostei. Muito. O título, por si só, já é forte. Adorei como você desenvolveu, finalizando maravilhosamente.
A-DO-REI!
Beijos!