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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Felizes - por Leo Santos

Existem poemas felizes,
não que vertam da felicidade;
felizes, à medida que logram
narrativa fiel da enfermidade.

Expressão nítida dos gemidos
de uma alma moribunda;
emergem, pois, com as mãos repletas,
de presas de águas profundas.

Na ventura a poesia dorme,
guardiã fiel, contudo, sem ameaça;
só desperta na estação da desdita
e grita as dores que o agente passa…

O calhamaço em desarranjo,
de tudo o que tenho feito;
denúncia de sua insônia,
jamais a encontro no leito.

Mágico e dorido ofício,
dos que põem mel na dor que têm;
existem enfim, poemas felizes,
pelo menos, para os que os leem…



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Um comentário:

Ana disse...

Lindo, Leo, lindo!