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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Espera - por Ana

Eu te toco trêmula, incerta e amedrontada.
Sem permissão, ousei.
Recuei o tempo, busquei atalho.

Deparei-me com um fruto mal formado, incompleto,
desejando sementes.
Não sei se existem, se um dia existirão.

Não colho, esse fruto:
percebo o aroma prometido, acaricio o contorno inacabado,
esticando o corpo para tocá-lo.

Gostaria de aguardar tranqüila, sob a sombra fresca, o amadurecer.
Mas desconheço seu tempo e sei do meu.
Amadurecerei também, pela força dos dias;
envelhecerei em espera;
morrerei talvez sem alcançá-lo pleno.

Por isso não consigo afastar os olhos de minha alma desse fruto,
acreditando que o calor de meu carinho possa trazê-lo até mim
em um verão mais próximo do que aquele que não consigo imaginar.
.

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