Samuel Marinho sobre LIMBO + poema
-
Este novo livro de Sebastião Ribeiro nasce num território de suspensão.
Não se trata apenas de um estado emocional, mas de uma experiência de
desloc...
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
Tecnologia da letra
A tecnologia pode ser entendida como a aplicação do
conhecimento do homem para a resolução de um problema ou dificuldade. Independe
da época ou situação cultural em que ele esteja inserido.
Quando
certa tecnologia é descoberta e divulgada para os demais, acarreta em mudanças
irreversíveis na sociedade, e, o tempo em que ela não existia torna-se um marco
ultrapassado, enfim, cria-se um novo paradigma.
Um
exemplo de tecnologia que ampliou as possibilidades foi a invenção da
tipografia por Johannes Gensfleish Zur Laden Zum Gutemberg.
A
tecnologia desenvolvida por Gutemberg mudara para sempre a forma como os homens
relacionavam-se com a informação e o conhecimento. Através de Gutemberg, os
livros, manuscritos, possuídos por poucos, disseminaram-se em proporção nunca antes imaginada, o que contribuiu muito
para o desenvolvimento da moderna economia baseada no conhecimento.
Concomitantemente
com a proliferação do conhecimento, que antes calcava-se na oralidade para ser
transmitido, o invento de Gutemberg fez o homem valorizar mais a imagem que o
som, em outras palavras, o homem “auditivo” tornou-se “imagético”, por que o
conhecimento que era oral passou a ser adquirido pelas imagens fornecidas pela
letra da palavra impressa.
Marshal
Mc Luham em seu livro A galáxia de
Gutemberg já apontava na década de 60 as mudanças que a tipografia causara no homem. O fato de o livro impresso ser produzido em
grande escala, atingindo um número maior de leitores, fez o ser humano
direcionar seu foco de entendimento, especializar-se em apenas um segmento do
conhecimento, fato inimaginado antes da invenção da prensa.
Os homens
“multifuncionais” da renascença, como Leonardo da Vinci e outros, não se
desenvolverão na era pós Gutemberg. O homem especialista é o que imperou e
continua até nossos dias.
O fato de a palavra impressa ter mudado o modo
de o homem perceber e produzir conhecimento também fora o responsável por criar
inventos em proporções que ultrapassam, em muito, os inventos criados antes da
era gutemberguiana.
Se por um lado a tecnologia da prensa fizera
o homem produzir inventos em escala geométrica, por outro, fez esse mesmo homem
isolar-se no que chamamos de aldeia global. O homem “gutembergueano” isola-se
em sua especialização, dialoga apenas com seus pares, dificilmente expande seus
conhecimentos devido ao individualismo trazido pelo livro impresso.
Antes da invenção da prensa, a leitura era
feita em voz alta e na maioria das vezes era uma ação coletiva, após a chegada
do livro impresso, ocorreu o contrário, e, até os dias de hoje, as imagens das
letras impressas no livro fazem o homem isolar-se para obtenção de conhecimento
e, com isso, alterar sua interação social.
A tecnologia contribui em muito com o
desenvolvimento do homem, mas seus efeitos isolacionistas podem ser observados.
É possível afirmar que as contribuições foram mais positivas que negativas na
atual sociedade em que a imagem adquiriu mais importância que o som. Sociedade
“gutemberguiana”.
Visitem Kbçapoeta
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Amor à primeira lida
Contava sete anos
quando me deparei com ela. Empatia recíproca, entre tantos garotos que lhe
fizeram a corte, tinha eu grande chance de ser seu escolhido.
Era a escola o
principal cenário de nossos encontros. Diariamente eram-me reveladas algumas
particularidades de sua personalidade, seus meandros e possibilidades. Eram
inúmeros.
Bibliotecas,
bancas de revistas, Chico Buarque, Oswaldo Montenegro, Domingos de Oliveria,
Glauber Rocha, Aldoux Huxley, George Orwel, Karl Marx e muitos outros que
conheci através de seu intermédio fizeram-me ficar mais apaixonado por ela.
Como saber se era
correspondido? Como saber se estava à altura de suas expectativas?
Como não tinha
certeza se teria sucesso ao me declarar para ela, resolvi investir em meu
intelecto e conhecimento de mundo. Acreditava que se tivesse leitura e viagem
suficiente, conseguiria conquistar seu amor e devotamento.
Passava o tempo,
livros e autores. Cada nova obra que conhecia era um motivo para aumentar minha
estima por ela e a incerteza do seu sentimento por mim. Ela era gentil, dócil,
amiga, meiga e envolvente. E amor? Ainda não havia resposta.
Muitas vezes
pensara em declarar-lhe minhas intenções e acabar com essa dúvida.
Em meus devaneios
apaixonados, ela tomava a iniciativa e confessava-me que sempre me amou , que o
fato de eu lhe admirar já era prova suficiente de amor e de uma união que seria
para sempre feliz. Ah, imaginava com tanta concretude que por um átimo essa
cena me parecia realíssima.
Quando atingi a
maioridade de meus sentimentos e impulso, entendi que chegara a hora de ser
franco, sincero, sem temer a possível rejeição. Ela sabia de meu caráter, minha
boa índole e não iria se ofender se lhe expusesse meus recônditos sentimentos.
Com voz melíflua,
em um fim de tarde com o rosto contra a luz segredei-lhe anos de paixão,
devotamento e ardoroso amor apaixonado.
Contei-lhe os
inúmeros livros que lera, discos que ouvira, peças teatrais que assistira,
debates culturais que participara no afã de estar à sua altura, cultural e
sentimentalmente ,e assim, confessar todas as sentimentalidades de enamorado,
que fora cativado por ela, enfim, contei-lhe que a amava.
Ela, como
resposta, dissera que o amor sempre esteve entre nós. O amor sempre estará
entre cada vírgula e reticências de nossas efêmeras vidas. Assim tornei-me
amante da palavra.
Visitem Kbçapoeta
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
CARREGAMENTO
Na dúvida, me declaro
culpado.
Quantas assumi, não eram minhas...
Disso também sou culpado;
essa mania...
O mocinho da fita, o herói das minorias,
me desmanchando de cansaço
mas feliz pelas alegorias.
O mocinho da fita, idiota e tapado,
sem perceber que apanha o tempo todo
e só no fim é consolado...
O bandido no bem bom, aproveitando;
e o mocinho? Sendo sovado!
Aí, bem no finzinho,
a reviravolta utópica:
o bam-bam-bam encarcerado,
o babaquinha aclamado.
Todo fodido, todo ensanguentado...
Mas, até que enfim,
ganha um beijo da mocinha
e está tudo acabado...
[Adhemar - São Paulo, 02/01/2017]
Feliz 2017 a todos!
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
O futuro
Pedófilos
Os que têm medo da história;
De um outro profundo.
Os que do ovo não vêem
Além da casca.
Pedófilos
Os que rezam ao seu prazer
Sem capturar a dor.
Os que estraçalham o futuro
Por uma farsa presente.
Pedófilos
Os que estupram uma democracia
Tratando o povo como criança.
Ps: A poesia tem amor platônico pela política tratando sempre dela, por vias difusas, exceto nos momentos de crise quando lhe toca na carne.
sábado, 10 de dezembro de 2016
XIS ELOS
Poderes.
Questões políticas.
Bases muito elevadas.
Plebe elitizada.
Intelectualidade.
Questões culturais.
Pensamentos baixos,
vanguardistas, atuais.
Dialética.
Contrastes factuais.
Intenções mais que ocultas
alargando o que é a ética.
Produção.
Questões comerciais.
Bases econômicas,
tabelas de preço astronômicas.
Exportação.
Pensamentos banais.
Bases externas determinadas
para nunca mais...
[Adhemar - Santo André, 29/04/2014]
Questões políticas.
Bases muito elevadas.
Plebe elitizada.
Intelectualidade.
Questões culturais.
Pensamentos baixos,
vanguardistas, atuais.
Dialética.
Contrastes factuais.
Intenções mais que ocultas
alargando o que é a ética.
Produção.
Questões comerciais.
Bases econômicas,
tabelas de preço astronômicas.
Exportação.
Pensamentos banais.
Bases externas determinadas
para nunca mais...
[Adhemar - Santo André, 29/04/2014]
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
PURIFICAÇÃO
Parei na praça a esperar.
Pra esperar a
dor
e, por pirraça,
espirrar.
É uma dor que
não tem a menor graça,
uma desgraça a
suspirar;
eu, que nem
consigo respirar,
e a dor não
passa.
Parei na praça,
parei de andar.
Passo parado,
esperando pra sentar.
A dor faz
questão absoluta
de vir se
apresentar.
Parei na praça,
para ao jardim apreciar.
A preço módico,
que é o que eu
alcanço pagar.
Então me canso,
a dor não deixa
descansar.
Uma ameaça:
ela quer se
eternizar.
Paro na praça,
já não quero levantar.
O pranto
passa, a dor não presta,
é uma tensão a
dispersar.
Ouço canto,
amigo pássaro,
que passa a
assobiar.
Passam os
bichos.
Passam os
carros.
Passam as
gentes.
Só esta dor,
maldita e insistente,
é que não quer
passar.
[Adhemar - São Paulo, 31/10/2016]
sábado, 29 de outubro de 2016
About
Esta poesia abstrata é de concreto,
cheira a asfalto e tem cor de mentira.
Se o preço da gasolina forra o piso
[da felicidade,
meus rascunhos perdem sentido.
[E isso tudo é maravilhoso.
cheira a asfalto e tem cor de mentira.
Se o preço da gasolina forra o piso
[da felicidade,
meus rascunhos perdem sentido.
[E isso tudo é maravilhoso.
poesiaincidente.blogspot.com
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
EMPOETAR - por Kbçapoeta
Sendo um
poeta acanhado
Desmuniciado de reconhecedura
Nunca
vislumbrei os meninos do prado
Minha pena
despida de candura
Com os anos
que tenho encaretado
Comunicado de envelhadura
Recebo inspiração
a longo prazo
Uma pena para poética
criatura
Os grilhões
que arrasto do passado
Vestem-se de
estranhas escrituras
Escrivinhando me
comprazo
Sendo apenas poesia que matura
Visitem Kbçapoeta
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
ZONA FRIA
Palavras espalhadas
espelho bagunçado
bagunças espelhadas
reflexo das palavras
desencontros refletidos
indevidos encontros...
Espíritos termais
termos espirais
esperas intermináveis
terminais intermodais
incômodos carnavais
carne viva torrada...
[Adhemar - São Paulo, 04/08/2015]
espelho bagunçado
bagunças espelhadas
reflexo das palavras
desencontros refletidos
indevidos encontros...
Históricas mancadas
gafes heróicas
heroísmo necessário
necessidades melancólicas
tristezas parabólicas
hipérboles sem glória...
Machadadas bucólicas
bocas esperançosas
esperanças preguiçosas
presença solicitada
pedidos intercalados
escadas espiraladas...
termos espirais
esperas intermináveis
terminais intermodais
incômodos carnavais
carne viva torrada...
Chuvas torrenciais
tempestades atemporais
tempo de furacões
ciclones e vendavais
vendo lindos panoramas
vidas paranormais...
Quietudes infinitas
atitudes amorais
amores singulares
de estranhos plurais
inacabáveis sonhos
sombras, enfim, imortais...
[Adhemar - São Paulo, 04/08/2015]
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
DIÁLOGO
O que motiva o suspiro, o suspeito e o susto
é o sobressalto que assalta
a voz que vem no vento.
Um sussurro, um assopro,
um pressentimento.
Nunca foi preciso pensar tanto,
tontamente atento,
tolo sempre totalmente.
O que motiva o suspense, o sustento e o santo
é o saltimbanco solto
que assenta o tento.
E nem tenta tanto.
Tudo o que é preciso pra contar um conto
é dar um bom respiro
e cantar o canto.
Cântaro no arroio a flutuar de encanto
enquanto sem apoio apela para o pranto;
a derramar seu rio,
lágrima de pronto.
O tempo rabugento a resmungar de frio,
o fato, o pão e o alento
a alertar o tato.
Contato com consentimento
no prato do distrato
a confrontar o momento.
Instante de conforto farto,
do retrato e do livro
que livres servem aos seus patrões.
Dançar na rua a importar a espera
de buscar o sonho que nunca se altera.
O que motiva o devaneio, o sonho,
a vida e as atitudes
não são os defeitos
e nem as virtudes:
é o acidente que fez o espermatozóide
fecundar um óvulo.
[Adhemar - São Paulo, 13/06/2005]
é o sobressalto que assalta
a voz que vem no vento.
Um sussurro, um assopro,
um pressentimento.
Nunca foi preciso pensar tanto,
tontamente atento,
tolo sempre totalmente.
O que motiva o suspense, o sustento e o santo
é o saltimbanco solto
que assenta o tento.
E nem tenta tanto.
Tudo o que é preciso pra contar um conto
é dar um bom respiro
e cantar o canto.
Cântaro no arroio a flutuar de encanto
enquanto sem apoio apela para o pranto;
a derramar seu rio,
lágrima de pronto.
O tempo rabugento a resmungar de frio,
o fato, o pão e o alento
a alertar o tato.
Contato com consentimento
no prato do distrato
a confrontar o momento.
Instante de conforto farto,
do retrato e do livro
que livres servem aos seus patrões.
Dançar na rua a importar a espera
de buscar o sonho que nunca se altera.
O que motiva o devaneio, o sonho,
a vida e as atitudes
não são os defeitos
e nem as virtudes:
é o acidente que fez o espermatozóide
fecundar um óvulo.
[Adhemar - São Paulo, 13/06/2005]
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
IMPÉRIO
O Rei supõe nossa renda.
Os tributos escorchantes
revelam da corte disposição.
Os súditos exauridos
encontram na morte solução.
Para festas querem nossa prenda.
Os pedidos são hilariantes,
revelam falhas da organização.
Os contribuintes, falidos,
esbanjam satisfação...
Para tudo querem que entenda
que será tudo melhor que antes;
revelam cínica ingenuidade
aos súditos enfurecidos
em cíclica "revolução"!
Uma revolução à venda
por inigualáveis montantes,
que corrompem os idealistas:
populares enfraquecidos
entregues a festejos populistas...
Boas e más intenções:
Tudo morre com TV, futebol e pães.
[Adhemar - São Paulo, 27/04/2014]
Os tributos escorchantes
revelam da corte disposição.
Os súditos exauridos
encontram na morte solução.
Para festas querem nossa prenda.
Os pedidos são hilariantes,
revelam falhas da organização.
Os contribuintes, falidos,
esbanjam satisfação...
Para tudo querem que entenda
que será tudo melhor que antes;
revelam cínica ingenuidade
aos súditos enfurecidos
em cíclica "revolução"!
Uma revolução à venda
por inigualáveis montantes,
que corrompem os idealistas:
populares enfraquecidos
entregues a festejos populistas...
Boas e más intenções:
Tudo morre com TV, futebol e pães.
[Adhemar - São Paulo, 27/04/2014]
domingo, 7 de agosto de 2016
RAIOS
Nem parece que foi a mesma mão que fez. Um
traço leve, outro calcado. Logo se vê a negligência de um, o outro é
descuidado. É o que pode diferir de uma organização contra o desarrumado!!!
Palavras são palavras e mesmo assim não
são! Talvez um filme mudo num sonho acordado. O cinema cheio, mãos dadas e
abraços. A cerimônia acaba, o gato sobe o muro. A lua se enfastia, o céu está
nublado.
A desilusão sobe num palco iluminado.
Solto no ar vai um perfume... desanimado. Sobe o som da música; música colorida,
advinda de um lápis apontado. Desce o sol, sai do tablado, dorme o dia no seu
berço enluarado.
[Adhemar - São Paulo, 26/07/2011]
segunda-feira, 18 de julho de 2016
PASSAGENS
Atrás de uma linha difusa
um passo que passa
na sombra da massa confusa
e cheia de graça...
A graça da linha curva
a curva da estrada que passa
arcada que não segura
se mostra a curva da porta
importa que não se acha
mas foge achando graça...
Graça que não se procura
nas letras emaranhadas
formadas por linhas confusas
em portas baixas
em ponta sujas
em limpas vidraças
do vidro que não embaça
embora a nuvem que passa
turve a vista
nuble a praça...
E faça uma sombra precisa
contornando a paixão indecisa...
[Adhemar - São Paulo, 04/03/2014]
um passo que passa
na sombra da massa confusa
e cheia de graça...
A graça da linha curva
a curva da estrada que passa
arcada que não segura
se mostra a curva da porta
importa que não se acha
mas foge achando graça...
Graça que não se procura
nas letras emaranhadas
formadas por linhas confusas
em portas baixas
em ponta sujas
em limpas vidraças
do vidro que não embaça
embora a nuvem que passa
turve a vista
nuble a praça...
E faça uma sombra precisa
contornando a paixão indecisa...
[Adhemar - São Paulo, 04/03/2014]
segunda-feira, 20 de junho de 2016
"PISCO"-DRAMA
Pálpebra inquieta
Abre e fecha
Fende o olhar entreaberta
Arregala-se desperta
Move-se
no ritmo do peito arfante
Também suspira
Rouba uma lágrima
Uma lágrima furtada
Necessária e procurada
Pálpebra "desciliada"
Vai ficando rala
Profundamente aborrecida
Trágica, brava e pelada
Com aflição mal resolvida
Essa
que veio do peito embolorada
Cinicamente embevecida
Fisicamente avermelhada
Numa cena conhecida
Pálpebra semi-fechada
Por encanto ou magoada
Transformando visão em fenda
Numa gota adocicada
Não que se ofenda
Mas subentende-se ausente
Quanto mais presente esteja
Por um charme eficiente
Com água benfazeja
Pálpebra abatida
Com entorno arroxeado
Olheira antiga
De saudade se entrega
Aos olhos não protege
Num protesto descarado
Bate muitas vezes em seguida
Num piscar anunciado
Revoltado e herege
Pálpebra fechada
Escuridão
Mais nada
[Adhemar - Santo André, 13/08/2014]
domingo, 15 de maio de 2016
"PISC'ANÁLISE"...
Bobagem pouca é besteira.
Afundar pra errar, pra esconder.
Entre pele e areia uma esteira:
pra deitar, queimar, derreter...
Ser um algo abaixo do azul,
um cruzeiro, um luzeiro do sul.
Entre a pele e a carne, um nervo;
pra sentir, eriçar e descrer.
Naufragar é um risco a correr;
de nadar, navegar, e viver.
[Adhemar - Santo André, 13/08/2014]
sábado, 23 de abril de 2016
FUNIS
Não há promessas mais inúteis ou infundadas
que num único momento possam justificar
ações desatinadas de alma desorientada
que se voltem contra num repique
Não há promessa fácil descumprida
que solenemente se apresente
essencial, tal a própria vida
ainda que do nada
se invente
Não há promessa impaciente
que nos emocione ou atinja
improvisada num repente
ou que só a gente finja
Não há promessa crua
nem pouco pensada
mesmo estando nua
necessária e ousada
Não há promessa
ou cumprimento
que, com pressa
peça movimento
Não há nada
existência
resistente
ciência
ciente
Nunca
nada
não
fim
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
ESTAÇÃO INSULAR - por - Kbçapoeta
Onde tem calor,
Palavras que arrepiam,
Que deixa meu sentimento à flor da pele?
Onde está o ardor,
Gesto sutil de carinho
Capaz de me fazer suspirar?
Onde está?
Quem possui?
Acredito estar perdido em uma estação.
Estação insular.
Visitem Kbçapoeta
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Absurdamente - por - Kbçapoeta
Absurdo
Pensar que tudo possa se acabar
Em um dia
Ou que em um dia
Tudo se principia
Segundo um antigo texto
Covardia
Fazer sua tristeza
A minha
domingo, 13 de dezembro de 2015
ZU
Já não
se faz “mais” como antigamente.
Amor
com amor se agride.
Depois
do tropeço, bala pra frente??
Pra
trás é que se progride.
Sacuda
a poeira, de tempos em tempo.
Quem
sai na chuva não se resfria.
Devagar
se vai muito lento.
Quem
tem boca, assobia...
Quem
canta aos ouvidos espanca.
O
mundo é dos vaidosos.
O
trabalho enobrece a conta;
pobres,
honestos e corajosos.
Ontem
vai ser outro dia,
pra
lembrar ou esquecer.
Comer,
na marmita fria,
mais
um dia que vai nascer.
Vingança
é um prato que se evita.
A
noite, então, já cresceu.
O
mundo dá volta bonita.
Quem
mais se lembra, esqueceu.
Quem
corre sempre se cansa,
com
fome, suor, honradez.
Quem
confia sempre se espanta;
nunca
chega a sua vez.
O céu
será sempre da nuvem
que
aparece só quando quer.
O que
vai na cabeça de homem
é
carro, futebol e mulher.
A vida
é mesmo divino dom,
organizada
ou ao léu.
Ela é
pernas, charme e batom;
e a
gente tira o chapéu...
[Adhemar
- São Paulo, 16/06/2014]
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