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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Meu Amigo Pedro - Raul Seixas & Paulo Coelho - por Kbçapoeta



      Clássica música do genial Raul Seixas e Paulo Coelho que trata das diferenças de visões de mundo e conflito de gerações.
      Raul dedica esta canção ao seu irmão Plínio, que, diferente de Raulzito tomou um rumo mais “normal” na vida.
     Por outro lado a concepção da letra teve a importantíssima colaboração de dom Paulete (apelido dado por Raul a Paulo Coelho), o lendário parceiro do maluco beleza.
     Pelo lado de Paulo a canção expõe a conturbada relação de amor e sofrimento que o mago teve com seu velho e imponente pai, o senhor Pedro Queima Coelho.
     Na infância, adolescência e até no início de sua juventude o velho Pedro não conseguia entender o universo do seu esquisito filho que chegou a internar o mesmo em uma clínica psiquiátrica com tratamento muitas vezes a base de eletro choque.
     No documentário Raul- o início, o fim e o meio, Plínio Seixas afirma que tal música fora feita para ele e que gosta da mesma.
     Na biografia “O mago” de Fernando Morais, ele revela que a letra fora feita para o pai de Paulo Coelho, o senhor Pedro Queima Coelho.
     Óbvio que o nome Pedro fora devido ao parceiro de Raul ter criado o “esqueleto da letra, mas, Raulzito colocou elementos e a parte musical para assim também estender a música ao irmão mais novo e assim transformando “Meu amigo Pedro” em uma obra de arte, pois, um dos pilares da arte é sua plurissignificância.
    “Meu amigo Pedro”, composta nos anos 70 quando Raul e Paulo mergulharam de cabeça na “Lei de Thelema” que resultou em grande composição para a música popular brasileira e o rock and roll brasileiro, ou, como preferia o baiano, um ye ye ye realista.

MEU AMIGO PEDRO
 Música: Raul seixas
 Letra: Raul seixas e Paulo Coelho
 Lp: Há 10 mil anos atrás


  Muitas vezes, Pedro, você fala
 Sempre a se queixar da solidão
 Quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro
 É pena que você não sabe não

Vai pro seu trabalho todo dia
 Sem saber se é bom ou se é ruim
 Quando quer chorar vai ao banheiro
 Pedro as coisas não são bem assim

Toda vez que eu sinto o paraíso
 Ou me queimo torto no inferno
 Eu penso em você meu pobre amigo
 Que só usa sempre o mesmo terno

Pedro, onde "cê" vai eu também vou
 Mas tudo acaba onde começou

Tente me ensinar das tuas coisas
 Que a vida é séria, e a guerra é dura
 Mas se não puder, cale essa boca, Pedro
 E deixa eu viver minha loucura

Lembro, Pedro, aqueles velhos dias
 Quando os dois pensavam sobre o mundo
 Hoje eu te chamo de careta, Pedro
 E você me chama vagabundo

Pedro, onde "cê" vai eu também vou
 Mas tudo acaba onde começou

Todos os caminhos são iguais
 O que leva à glória ou à perdição
 Há tantos caminhos tantas portas
 Mas somente um tem coração

E eu não tenho nada a te dizer
 Mas não me critique como eu sou
 Cada um de nós é um universo, Pedro
 Onde você vai eu também vou

Pedro, onde "cê" vai eu também vou
 Mas tudo acaba onde começou

É que tudo acaba onde começou


Meu amigo Pedro





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