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sábado, 19 de setembro de 2009

Ao Reflexo - por Leandro de M. Oliveira

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Dê-me alcalóide. Tenho suposto um passaporte só de ida. Deveria acaso voltar aqui? Deveria me dispor a chorar, implorar ou gemer? Sei que é esse o teu fetiche mais obscuro, o de me ver eternamente reduzido, me queres como um atavio desesperado, me queres como aquele que faz e reivindica o que for daquilo que insisto, é indigno de um homem livre. Se eu te desse hoje o afeto que jamais senti alguns chamariam isso de adaptação. Mas o que posso é te invadir agora enquanto meus membros ainda não são alcançados pela letargia. Com raiva e fúria abriria teus flancos, você estaria envergonhada de si e a natureza estaria plena de seu curso.

Eu poderia saltar em teu abismo, te beijar por misericórdia da sombra que um dia fomos, tristemente, isso seria pra mim como um ato de terrorismo. Quando você se tornou tão infeliz? Tente dançar de pés descalços, é a melhor forma de deixar com que o sangue circule. Coma alho, fume ópio, espante vampiros e fantasmas tenho suspeitado presenças estranhas. Eu te amaria agora, se pudesse fazer isso sem vomitar. Tudo está perdido! O dia passou, a vida deixou, os sorrisos amarelaram. Quando eu tinha cinco anos quis ajudar um passarinho morto, anos mais tarde trago como espólio o bastão do andarilho, tarde demais. Tempo atrás... O perfume da sacerdotisa gorda e obtusa teima em recender todo o sítio. Isso é o inferno? Não foi minha criação. Todavia, pode ser que eu estivesse dormindo enquanto o inconsciente trabalhava. Que sono remoto. Fora daqui! O caos pertence a mim. Não o reclame a ti.

Agora tu entendes, aquele te ofertou paz era o mesmo que velava na surdina com uma adaga. Como eu gostaria de sentir compaixão, não consigo. Fica aí, atado a esse mundo de cristal. Mando-te lembranças um dia, embora antes tenha de combinar isso, com meus olhos e sistema digestivo. Prefiro continuar como um pirata bêbado, sem cartografia ou sextante, saio por invadir além-mares sem fazer planos. À noite uivo, de dia durmo. Tenho tido tantas humanidades como tem um cão endoudecido. Convertido fui, em soberano de minha própria pele (...)

Agora me vou. Sempre me vou. Sempre retorno.
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Um comentário:

Ana disse...

Leandro, ainda bem que você retorna!
Muito lindo!
A imagem da borboleta é linda!
Beijo.