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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sábado, 22 de agosto de 2009

Volta à Rotina - por Adir Vieira

Voltei à minha calma rotina.
A casa acorda sem o seu sorriso, sem seu jeitinho doce de dar bom dia.
Tudo o que existe na casa compartilha da nossa saudade - os móveis, os utensílios e principalmente o aparelho de TV sente a sua falta, pois durante um longo tempo não exibirá aqueles desenhos e as novelas de adolescentes...
Como pode uma pequena encher um ambiente com tanta luz?
Será que suas brincadeiras, sua gargalhada genuína, sua ansiedade interminável em descobrir novas formas de brincar vão sofrer mudanças ao longo do seu amadurecimento?
Esperamos que não, que seja sempre essa eterna criança - crédula, amiga e, principalmente, feliz!
Temos que colocar a vida pra frente, aprender com ela a buscar novas formas saudáveis de entretenimento, pois logo, logo, novas férias virão e deveremos estar aqui prontos para acompanhá-la no seu vaivém de criança.
Devemos conservar a saúde e a alegria de que ela tanto necessita para formar sua personalidade.
Por hoje, cabe a nós ajustar as coisas em seus lugares e voltar a nossa doce rotina, aquela rotina só nossa, sem interferências, sem corridas, sem muito cansaço.
Aquela rotina própria dos nossos interesses, aquela em que, de novo, traz à tona nossos anseios de criatividade, e felizes contemplamos o resultado de um trabalho mútuo.



Visitem Adir Vieira
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Florbela Espanca em “Versos de Orgulho” - por Alba Vieira

O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém!

Porque o meu Reino fica para Além!
Porque trago no olhar os vastos céus,
E os oiros e os clarões são todos meus !
Porque Eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !

O mundo! O que é o mundo, ó meu Amor?!
O jardim dos meus versos todo em flor,
A seara dos teus beijos, pão bendito,

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços…
São os teus braços dentro dos meus braços:
Via Láctea fechando o Infinito!...



Visitem Alba Vieira
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Paulo Mendes Campos “Amor Condusse Noi ad Una Morte” - Citado por Leandro M. de Oliveira

Quando o olhar, adivinhando a vida,
prende-se a outro olhar de criatura,
o espaço se converte na moldura,
o tempo incide incerto sem medida,

as mãos que se procuram ficam presas,
os dedos estreitados lembram garras
da ave de rapina, quando agarra
a carne de outras aves indefesas,

a pele encontra a pele e se arrepia,
oprime o peito o peito que estremece,
o rosto o outro rosto desafia,

a carne entrando a carne se consome,
suspira o corpo todo e desfalece
e triste volta a si com sede e fome.



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Bruna Lombardi, “Flautas e Lagartixas” - Citada por Penélope Charmosa

Cansa-me um pouco, Margarida, certa eletrônica de
teus dentes que consegue fazer da alegria uma coisa
fixa como um retrato 3x4. Teu romantismo dos que
ouvem rádio no final da tarde, esse costume de
cruzar as mãos sobre o peito enquanto falas e esse
olhar perdido longínquo que me atravessa.
Mas é há muito que eu esqueci de te culpar por isso.
Desde de que ficaste louca e eu te perdoei em silêncio
esse teu egoísmo de enlouquecer sozinha e me
deixar tão irremediavelmente lúcido no meio desse
país sem ressalvas.
Não foi justo usar a insanidade para poder nas tardes
de julho ficar nas árvores até as nove horas, quando
chegavam as primeiras falenas e te encontravam
deitada sobre uma larga folha verde, sentindo as
vibrações do ar como se sentem flautas.
Teu laço secreto com os animais e as coisas. Tua
estranha cumplicidade contigo mesma dentro de um
mundo primitivo governado apenas pela magia.
Caminhas com unicórnios, com os cervos, os lagartos,
comendo capim e uvas, algumas raízes, algumas
ervas, mordendo a terra, chupando frutas ácidas.
Não é justo te ver assim desprendida e descuidada,
numa mutação caleidoscópica, vivendo cada coisa
além de todo limite, amamentando raposas nos teus
seios, enquanto te cresce dentro essa planta, espécie
de trepadeira sexuada.
Te ver sentada nas estações, relaxada indolente a
bordar redes com musgos antigos, ouvindo apitos de
trens que não existem.
Agora alguma coisa despertou em ti teu parentesco
com o fogo.
Debaixo das chuvas a procurar mandrágoras, um
brilho estranho te flameja e dança dentro,
acompanhando o movimento dos corpos astrais, na
hora em que as corujas se aproximam.
Incandescências.
Em meio à noite descobrindo formações de corais
nas minhas costas, falando de outras cores, marilize,
andranólio, que me faz pensar que todo absurdo é
a nossa ignorância.
Tantos segredos em teu reino. Medusa pólipos
cogumelos te obedecem. Tens o dom da
transformação, rápida e sutil, quase satânica, o
poder de renovar constantemente as coisas,
enquanto eu tenho a consciência de estar preso
dentro das cercas da terra, onde tu apertas teu corpo
com força para ouvir um coração que eu
desconheço, porque no amplexo, dizes, se ouvem
coisas.
E eu compreendi que tinha te perdido numa
sabedoria inalcançável enquanto eu ainda acreditava
nos meus cinco sentidos.
Tuas histórias confusas metafísicas, um grande
corpo jogado no espaço, uma terrível doença
contagiosa, com vermes que se reproduzem com
tanta rapidez que não há mais possibilidade de cura.
E eu sabia então que já não eras minha e que fazias
amor com as árvores. Mas eu já perdoara teu
egoísmo de tornar-te infinita sozinha a visitar
planetas e deixar-me no meio do movimento dos
vermes e micróbios, nessa doença toda, sendo eu
também um irrecuperável micróbio como todos,
com a cara cheia das rugas da esperança, a cabeça
cheia de barreiras, o corpo cheio de limites.
Gritando contra alguma coisa dentro dela. Não foi
justo arrastar o sonho contigo o tempo todo e
enganar dessa maneira a vida e deixar-me nessa
medonha sanidade, nesse irritante equilíbrio de
encarar esse real de todo dia com ilusão nenhuma,
de enfrentar a cara do chefe de seção, do vizinho da
esquerda, de aceitar a porta e as paredes, as calças
e os botões e o perigo de caminhar nas ruas cheias de
unhas e carros e dentes, me arriscando a passar por
bom, temendo não ter feito o mal suficiente; de me
sujeitar entre os que protestam, de estar sempre
medindo as coisas, sabendo os acontecimentos,
prevendo os resultados, as consequências, tantos
desejos inúteis, desperdícios; surpreendendo-me
com o horror da minha própria risada, a angústia da
minha individualidade, minha solidão, o medo, o
vazio, minhas conclusões de lógica, armazenando
esse amontoado cruel de experiências enquanto tu
conversas com os sapos e conheces as estrelas.
Desde há muito te perdoei por isso, Margarida,
como perdoaria ao Outro se acaso fosse ele quem
desenhasse o nosso destino, por ter-te colorido tão
mais sábia para encontrar a tempo o caminho da
inconsciência e dessa liberdade que eu, tão preso à
calçada, às formas e silogismos, por vezes não
compreendo e julgo caótica e desordenada, que eu,
condenado para sempre a esta absurda racionalidade,
não te guardo rancor e te perdoo, Margarida, por
esse teu egoísmo de enlouquecer sozinha.



In “No Ritmo Dessa Festa”....................................................
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Recado - por Poty

Alguns escrevem um livro com lindas palavras, às vezes incompreensível, que precisa até de um dicionário na cabeceira da cama, na mesa, onde estiver.
Outros no jornal: na capa, na coluna social, na página policial.
Têm os críticos de cinema, de teatro, de dança, de novela, até de tudo que aparece dão seu recado.
Os analistas que analisam tudo.
E os comentaristas nem se fala!
Têm os que encenam, representam, cantam, interpretam, traduzem e fazem emocionar.
Eu apenas mando meu recado por alguém, pelo pombo correio, por sedex, por e-mail e, às vezes, vou pessoalmente levá-lo.



Visitem Poty
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Amigos, Amigos... Duelos à Parte - por Gio

Escrevinha, minha cara, venha cá
Tu que desde o começo assistiu
(E ora, por que não dizer?, repercutiu)
Sabes o que não preciso explicar

Não vou te pedir pra tomar o meu partido
Pois respeito o lance de apadrinhamento
Mas, se paras pra pensar por um momento,
Vês que o que eu te falo faz sentido

Se alguém que diz que até o Céu enfrenta,
Que vem puxando tiro do cerrado,
Nomeia-se a maçã do pecado
E gaba o nome de cobra peçonhenta,

Aí temo dizer que a coisa esquenta:
Que deve, bem, haver algo de errado
Ou maldade, ou cérebro pifado
A alguém que feliz assim se sustenta

Louca, ou perversa, tanto faz:
Importa é que pensa poder julgar
E, no auge de sua ira, até xingar
Coisas que não se diz a um rapaz

(Claro, eu sei, estamos num duelo
Mas samurais devem ter compostura
E não mentir ao léu na caradura
Jogando a honra toda ao flagelo

Como dizer que eu que amarelo
Se, em momento algum, eu quis sair -
Quem, sem forças, me incitou a fugir,
Foi tua apadrinhada... Isto é belo?)

Por isso, minha cara Escrevinha
Por bem de toda honra e decência
Já ires tomando uma providência
E cumprir os teus votos de madrinha

É mesmo essencial. Por isso eu digo
Tira da Ana todo esse mimo
Quero Duelo justo, ou não me animo!
(Pera, tô comendo doce de figo!)



Voltando.. Samurai, algo me pasma
Lutei para matar o teu desejo
E, em troca, só uma coisa almejo
Justiça, ou voltarás a ver fantasma

Pois, se tem coisa que eu não suporto
É gente que erra e não admite
É quem infla o moral de arrebite
E fica com os ideais tão tortos

Pois vim com um objetivo em mente
Com honra e fibra sempre duelar
Do contrário, me mando sem pensar
Ficas a ver navios, tão descontente

Não quero, no entanto, fazer isso:
Sou daqueles que o pé não arreda -
Se precisar, vou na mesma moeda
E - como dizes? - tu vira chouriço

O pior cego é o que não quer ver?
Pior que este é o que não se enxerga...
Tu faz parte dos dois, vejo, não nega
E nesse rumo tende a perecer...



Resposta a Recado ao Monge, de Escrevinhadora.
Referências: Fechou o Tempo, de Ana;
Acrérrimos: Passei a Régua!, de Ana;
Duelochat entre Gio e Ana;
De Orelha em Pé..., de Ana.
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Visitem Gio
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As Nossas Palavras XXII - por Alba Vieira

A felicidade disse para o sofrimento: quando é que você vai embora para que eu possa finalmente chegar?
Ele deu um passo para trás entre espantado e incrédulo e respondeu que somente gostaria de lembrar-lhe que nada é para sempre.
Mas parece que logo ela, a felicidade, era incapaz de compreender que para estar bem por toda a eternidade basta poder sentir-se feliz enquanto se é capaz de superar o sofrimento.



Visitem Alba Vieira
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As Nossas Palavras XIX - por Gio

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ACRÓSTICO II


Trabalhar de um jeito lucrativo
Rendendo mais do que ser empresário
A fim de manter o processo produtivo,
Filhos, desde cedo, devemos ensinar
Iniciando-os nesse mundo ordinário.
Cinquenta anos pra se aposentar?
Até parece que esperarei...
Não é preciso nesse mundo cão
Tão torto que o mais cretino é rei
E roubar não é problema: é solução.
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Visitem Gio
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Não Provoque a Ira do Senhor - por Ninguém Envolvente

Um dia Deus, estressado comigo por todas as vezes que me rebelei contra minha aparência física, me sugestionou com a ideia brilhante de colocar aparelho nos meus dentes e consertar o meu sorriso torto.
A mão do Senhor não esteve em minha boca, ele não perde o precioso tempo fuçando no lixo, eis então que um de seus anjos decadentes vestido em um jaleco branco promete consertar o que tinha para ser consertado, no prazo máximo de três doloridos anos. No primeiro ano, eu agradecia a Deus por ter me dado a chance financeira de arrumar meu sorriso.
Veio então a primeira notícia profana que um servo do Senhor me disse com a maior naturalidade possível “Minha filha, vamos ter que arrancar quatro de vossos 28 dentes”. Como assim 28? Não era pra eu ter 32? Sim, era. Mas não nasceram os do siso e pela segunda vez, eu agradeci ao Senhor, pois se tivesse com meus 32 dentes, teria que arrancar 8 e não os 4.
Agora com 24 dentes na boca o tratamento em busca do sorriso perfeito continuou e passou o tempo de três anos e longe de acabar, meus dentes ainda estavam tortos e agora com 4 buracos dos dentes que faltam.
Neste momento de minha vida, eu pedia ao Senhor que tivesse piedade dos meus pecados, pedi perdão pelas vezes que dei risada do aparelho de cabeça que meu irmão usava, ajoelhei no milho pelas vezes que falei que tinha dentes de pônei e fiz promessa dizendo que nunca mais falaria do dente de quem quer que fosse.
Nada adiantou, foi quando percebi a fúria de Deus com minha pessoa. Tentei ter fé no Senhor, acreditei que ele me proveria, continuei então sendo uma serva do rebanho divino e só seguindo junto na boiada, passiva e conformada com a demora de ter dentes bonitos.
Hoje estou no sexto ano do tratamento ortodôntico, com meu bendito aparelho, os dentes mais amarelos que nunca (ainda bem que só restaram 24 – ficaria mais caro clarear 32-28), manchados, moles. Pasme: TORTOS.
Então Deus, ainda irado comigo, vai me fazer continuar o tratamento por mais 2 anos. Espero que o Senhor guie a indústria Lamen e a faça produzir novos sabores de miojo, porque sou obrigada a comê-los 4 vezes por semana devido às dores que sinto em minha boca. Senhor, acredito em ti, mas estou desconfiando que tu ó poderoso mestre, já está me sacaneando.

Ou fui Eva em minha vida passada, pois faz seis anos que não como uma maçã para não descolar meu aparelho, agora faz sentido o castigo do Senhor...



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Bruna Lombardi em “Pensão” - Citada por Penélope Charmosa

Não se preocupe. Desculpe-me este gesto de impaciência
e esse jeito de cansaço, esse corpo como de preguiça
e esse sentimento como de uma culpa.

Não se importe, por favor, com esse desligamento
esse desinteresse, essa falta de ciência,
esse ar parado. Esse mormaço, esse aperto
no meio da multidão, essa falta de espaço.
Não se preocupe que se dá sempre um jeito.

Desculpe-me esse amor gasto nas mãos
e esses olhos de todo dia, esse esforço
e essa espécie de falta e esse pulmão manchado
e sobretudo esse adiamento.

Desculpe os móveis em desordem, a poeira
a iniciativa não cumprida. As promessas.
Desculpe a falta de encanto. Puxe uma almofada.
Aceite um chá, coma um biscoitinho.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Soneto Pós-nupcial - por Gio

Beijo os teus olhos, tão distantes quanto o céu
Que, majestoso, te contempla enquanto dormes
Tal como eu, que vigio-te conforme
Sonhas teu sonho, puro e doce como o mel

Tão belo sonho me traz preocupação:
Que dessa doçura não queiras acordar
Se for o caso, que nele eu tenha lugar
E nossos passos lado a lado estarão

Um raio de luz atravessa a janela
Mostra teu rosto em traços de aquarela
Para este tolo, que ainda te vigia

Quando abrires os teus olhos, de repente
E acordares de teu sono tão contente
Serei o primeiro a te dizer “Bom dia!”



Visitem Gio
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Soneto da Fatalidade - por Ana

(Paródia de “Soneto de Fidelidade”, de Vinicius de Moraes)


De nada a esse animal serei atenta
Nunca, e com tal frieza, e sempre, e tanta
Que mesmo diante dessa jamanta,
Dela não se ocupará minha garganta.

Vou desmascará-lo em cada argumento
E pra seu terror cada vez mais me abrilhanto
Ao rir meu riso e derramar seu pranto,
Pro seu pesar, até seu passamento.

E assim, quando em breve te triture
Esta Samurai, e te ponha no esquife,
Acabará de vez este seu melodrama.

Eu apenas direi sobre tu, patife:
É tão ruim que o corpo ninguém reclama,
Não se ouve uma prece que alguém murmure.



Resposta a Soneto da Terceira Idade, de Gio.
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Sobre Penas, Escamas e Dores de Cabeça - por Gio

Aponto o lápis e pego a caneta
Apoio a folha sobre a prancheta
Apresentando uma nova faceta
À predadora de outro planeta

Sibilo o que precisas escutar
Se, bem, não consegues acompanhar
Sugiro muita atenção prestar
Suspiro - eu vou ter que desenhar!

Primeiramente, falo da galinha
- Presta atenção, senta na cadeirinha -
Prenda lhe dada pela ladainha
Precoce de chamar a Escrevinha

Incoerências eu já apontei
Invenções ogras sobre “sapo-rei”
Inversões tortas do que eu falei
Impulsos antagônicos sem lei

Argumentar? Disso já tô cansado
A raiva é ser sempre ignorado:
Arredas o que digo, afiado,
Aí respondes: “Nada foi falado...”

Chamei de ladra alguém que falou
Chamando plágio o que não inventou
Chorando lágrimas (Cê magoou?)
Cheias do veneno que fabricou

Falsa, és delirante e escabronha
Fala como pões cabeça na fronha,
Fazendo vigarice tão medonha?
Fato: tu deverias ter vergonha!

Quanto ao Duelo, pra quê me esforçar,
Querendo novamente argumentar?
Quem lá ficou, pode presenciar
Quantas mentiras foste já falar

Se fome me fosse impedimento
Seria triste, mesmo, um sofrimento
Sentar-me-ia a todo momento
Sereno, em prantos, “Eu não mais aguento!”

Porém provei aqui não ser o caso
Portei-me bem, e nunca fiz descaso
(Pose tão digna de um nobre vaso)
Podes isso desmentir, por acaso?

E pra tu veres só que ironia:
Enquanto lutava, rango eu pedia
E, sem parar a coreografia,
Eu me alimentava e batia

Sumiu o povo, pedido à vista
“Shintoni, paro? Tem ninguém na pista”
Se vê que é coisa de exibicionista
Sem fibra, nem um pouco realista

Três quadras? Fiz bem mais que isso, filha!
Te enquadras, ó rimeira maltrapilha
Tremendo em sua naufragada quilha
Temendo perecer ao Farroupilha

Foi quando o estádio se esvaiu
Fiquei a ouvir reclame que latiu -
Foi tu, insatisfeita, que pediu
Findar o duelo que existiu

Mal satisfeita com o nosso empate
Mudou o final da luta em disparate
Maldisse-me “que da cuca não bate”
Meu Deus, e ainda quer que eu acate...

Desesperada, até não poder mais
Deixando boquiabertos nossos pais
Desonesta, folha 1 dos jornais
Desonras o nome dos samurais

Agora sou eu cá que te ordeno
A recolher-te em canto sereno
Acomodando-se em cama ou feno
Até sentir o teu mal mais ameno

Último toque, samurai pequena:
Um homem cede a uma bela melena
Uma vez só, outra jamais engrena
Urrou de novo? Só digo “Que pena...”



Resposta a Fechou o Tempo, de Ana.
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Visitem Gio
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Recado ao Monge - por Escrevinhadora

O duelo recomeçou
e pelo jeito vai longe
eu sou madrinha da Samurai
não posso torcer pro Monge
eu queria ser imparcial
mas aqui não sou juiz
e a consciência me diz
que posso ser passional
então lá vai (aos berros)
ESCUTA AQUI SEU MOLEQUE
COMO É QUE VOCÊ SE ATREVE
A CHAMAR A ANA DE MEQUETREFE?
baixando o tom:
(tua resposta tá bem engraçada
cheguei mesmo a dar risada).
Mas ela é minha afilhada
o dever de madrinha me obriga
a tomar parte nessa briga.
Por isso te digo rapaz
foi você quem vacilou
pediu pausa, pediu trégua
alegando estar com fome
isso é lá papel de homem?
De um Monge o que a gente pensa
é que domina sua mente
que respira, se concentra
um monge não sente medo
nem fome, nem sede, nem frio
na minha opinião, Gio
foi você que amarelou.
Do jeito que o duelo acabou
proclamo a Ana vencedora
e assino embaixo, com louvor
madrinha dela, Escrevinhadora.



Resposta a Uns Voltam, Outros Não, de Gio.
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A Terrível Dor de Dentes - por Adir Vieira

Hoje é o quinto dia em que convivemos juntas – eu e minha dor de dentes.
Anteontem, não deu pra esperar. Rumei para o dentista que me prometeu um atendimento de “encaixe”.
Depois de duas horas na sala de espera, convivendo com algumas pessoas com máscaras na boca, temerosas da gripe do “porco”, entrei no consultório, zonza de dor.
Confirmada pelos raios-X a necessidade de se fazer canal, apesar de externamente absolutamente nada provar tal suspeita, sofri com a anestesia uma tremenda falta de ar, não sei se provocada pelo meu medo costumeiro daquela cadeira, onde nos sentimos totalmente impotentes e dominados.
O canal foi aberto e sentindo meu bloco colocado há três anos atrás, que me custou os olhos da cara, indo pelos ares, já não conseguia distinguir a dor mais forte – a dor real ou a dor do meu bolso quando fossem fazer novo bloco.
Não é necessário dizer que saí de lá com uma lista de medicamentos que deveriam conter a dor que eu ainda sentia. A recomendação do dentista é que eu deveria ligar para o seu celular, a qualquer desconforto.
Vim pelo caminho tentando identificar seus presságios. Seria um ato de delicadeza de sua parte por ser eu uma nova cliente ou meu caso era por demais grave e requeria uma atenção especial?
Não preciso dizer que daí para frente meu martírio ficou ainda maior e nada mais foi objeto de minha atenção naquela noite. Pensei em ficar de tocaia, sem dormir, mas a primeira dose da medicação cavalar me abateu nos primeiros trinta minutos, após minha ida para a cama.
Devo ter apagado totalmente, como disse meu marido, mas ao ser despertada pelo celular para tomar a segunda dose, em plena madrugada, constatei que ela apenas havia diminuído e lá continuava sorrateira, a me lembrar que não podia esquecê-la. Felizmente, não custei muito a conciliar o sono e acordei feliz, ontem, por estar sem nenhuma dor.
Mas hoje, apesar de ter tomado a quinta dose dos remédios, ela recomeçou a me perturbar. Começo a entender porque foi recomendado o analgésico se eu ainda sentisse dor.
Nesse momento, com o estômago doendo pelo efeito dos anti-inflamatórios, estou duelando com ela – a terrível dor de dentes – para não usar o analgésico.
Vamos ver se eu aguento.



Visitem Adir Vieira
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Florbela Espanca em “Conto de Fadas” - por Alba Vieira

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento…
Trago no nome as letras de uma flor…
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento…

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é d’oiro, a onda que palpita.

Dou-te comigo o mundo que Deus fez!
- Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A Princesa do conto: “Era uma vez…”
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Vinicius de Moraes e o “Soneto de Fidelidade” - Citado por Lélia

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.



In “Antologia Poética”.
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Bruna Lombardi em “Tocaia” - Citada por Penélope Charmosa

Que o amor nos possuísse
no meio de um descampado
num jogo que não tem regra
nem pecado.

Numa tortura lenta
com ritual absoluto
que o amor nos possuísse
doce e bruto.

Que houvesse fuga e corrida
e grito agudo na boca.
Que a dança fosse selvagem
e louca.

Com maldade instintiva
guerra de unha e dente
todo impulso desmedido
corpo quente.

Depois na hora do cerco
firmes os cinco sentidos
vem o animal e se envolve
atraído.

Pra que dure mais o jogo
ora foge ora se entrega
se joga se abre provoca
depois nega.

Cúmplice do adversário
de manso se defendendo
vai pouco a pouco à cilada
cedendo.

Corpo todo se espalhando
no meio do descampado
na luta quem não domina
é dominado.

E aí segura a corrente
manseia cavalo bravo
na luta quem não é senhor
é escravo.

Chegada a hora da posse
o momento mais violento
novilha presa arqueia
sem movimento.

No meio do seu combate
foi afinal possuída
e geme pra essa morte
melhor que a vida.

Se enrosca sentido o gosto
de ter sido capturada
sabendo que foi vencedora
e derrotada.

E depois de tudo resta
um cansaço ainda melhor
sorriso dentro do corpo
fora o suor.

Que o amor nos possuísse
com sensação de perigo
no meio do descampado
com dois inimigos.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Vinte e Um - por Leo Santos

O amor é tão sábio, que nos faz idiotas,
pinta a tolice dos nossos lábios,
e a amada nem o nota;
Também comigo já fez,
dizer duas palavras em parco inglês,
e ler no olhar amado: “poliglota”.

O amor é tão duro que parecemos gelatina,
desmonta nossas defesas,
quando a amada se aproxima;
Também a mim desmontou,
quando numa gafe ela errou
e observei: “Esperta essa menina”.

O amor é tão complexo, que nexo ignora,
não pede nem dá razões,
é absoluto quando aflora.
Também eu não entendi,
quando seu afago recebi,
tampouco quando foi embora…

O amor é tão ímpar como vinte um,
nada se lhe pode comparar,
nenhum sentimento, nenhum;
Também eu já fui meio,
mas quando o vaso está cheio,
os dois perfazem um…



Visitem Leo Santos
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Fechou o Tempo - por Ana

O quê?!!!! Me chamou de galinha?!!!!!
Que baixaria, meu povo!
Tá maluco, caro Gio?!!!
Por acaso eu ponho ovo?

Chamo a Escrevinha mesmo
Quando é questão legal.
Foi me chamar de ladra!!!!
Que moleque infernal!


Me acusa de incoerência,
Não consegue apontar uma.
Diz que argumento meu não presta,
Mas resposta tua... nenhuma.


Decadência vem daí,
Seu buGio fedorento.
E eu não bebo (viu meu lanche?),
Seu Monge bebum perebento.


E se eu fosse uma maçã,
Seria a do paraíso,
Da Árvore do Conhecimento,
Da Verdade e do Juízo.


Minha ironia desatina?
Ela é hilária, eu ressalvo!
Isso porque tô confortável
E o que me inspira é o meu alvo.


Não me espanta a afirmativa
De que o duelo te martirizou:
Apanhou mais que cabrito em horta,
Ficou em choque... Aparvalhou.

Perguntei se queria encerrar
O duelochat, é a mais pura verdade,
Mas foi porque, peste fominha?
(E diz que tem integridade...)

Eram dez falas “ai, que fome!”
Pra cada quadrinha que vinha,
Pôs pipoqueiro no duelo,
Engoliu verso... perdeu a linha.

Rezando pra terminar,
Falou “continuo o show
Quando te propus parar.
Mas fez três quadras e se mandou.

Tu ficou choramingando
Não se comportou feito homem...
Nunca mais te dou ideia!
Da próxima vez morre de fome!


E tua azia vem da gula:
Fala de comida a todo instante!
E vaidade não: sou realista.
Tenho culpa se às vezes sou brilhante?

Eu não me furto da autocrítica
E não me supervalorizo:
Se tá ruim, eu me condeno,
Se tá bom, abro um sorriso.

Foi como eu li num blog,
Num post sensacional:
Estou em perfeito “equilíbrio
Entre o sonso e o boçal”.


E, Gio, concordo contigo:
Às vezes tem gente que volta...
Como é o caso hoje:
Tremenda reviravolta!

Pedi um favor à Ninja,
Tu viu? Ela me atendeu...
Mas tem um que vai e não volta
E, como sempre, não serei eu.

Vou te botar pra correr,
Tu vai me pedir arrego,
Vai ficar traumatizado,
Nunca mais vai ter sossego.

Quanto a acabar comigo,
Toda tentativa é vã:
Tu tá mais para o Javert
E eu, para Jean Valjean.

Tu é o maior fracasso!
Meteu a mão, desandou...
Um exemplo é teu pc:
Foi consertar, escangalhou!

Na vida amorosa também:
Cadê teu amor charmoso?
Divórcio atrás de divórcio,
Cara, tu é escabroso!

No início do duelo
Até dava pra te ler...
Mas agora tá sofrível...
Quem te viu e quem te vê...

É mancada atrás da outra,
Tá pior que a Terezinha:
Das estrofes que me escreve,
Não se aproveita uma linha...

Quem mandou cantar de galo?
Agora tu vai amargar!
A coisa aqui é tempestade!
Já correu ou vai encarar?




Resposta a Uns Voltam, Outros Não e Ainda em Tempo III, de Gio.
Referências: Ele Corta e Ela Lê, de Ana;
Aos Guerreiros, o Descanso!, de Gio;
Duelochat entre Gio e Ana;
Blog do Gio;
post Humildemente... Pra que Modéstia?, do Blog do Gio;
A Ninja x A Samurai;
“Os Miseráveis”, de Victor Hugo;
Mote do Gio I, de Gio;
As Nossas Palavras XVI: Acróstico I, de Gio;
“Vou Deitar e Rolar”, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro,
interpretação de Elis Regina.
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