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sábado, 2 de agosto de 2014

“Caça à Raposa” com João Bosco e Aldir Blanc - por Ana


O olhar dos cães, a mão nas rédeas
E o verde da floresta
Dentes brancos, cães
A trompa ao longe, o riso
Os cães, a mão na testa:
O olhar procura, antecipa
A dor no coração vermelho
Senhoritas, seus anéis, corcéis
E a dor no coração vermelho
O rebenque estala, um leque aponta: foi por lá!...
Um olhar de cão, as mãos são pernas
E o verde da floresta
- Oh, manhã entre manhãs! -
A trompa em cima, os cães
Nenhuma fresta
O olhar se fecha, uma lembrança
Afaga o coração vermelho:
Uma cabeleira sobre o feno
Afoga o coração vermelho
Montarias freiam, dentes brancos: terminou...
Línguas rubras dos amantes
Sonhos sempre incandescentes
Recomeçam desde instantes
Que os julgamos mais ausentes
Ah, recomeçar, recomeçar
Como canções e epidemias
Ah, recomeçar como as colheitas
Como a lua e a covardia
Ah, recomeçar como a paixão e o fogo



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terça-feira, 15 de julho de 2014

Vitor Ramil, Fogaça e a “Semeadura” - por Ana

Nós vamos prosseguir, companheiro, medo não há
No rumo certo da estrada, unidos vamos crescer e andar
Nós vamos repartir, companheiro, o campo e o mar
O pão da vida, meu braço, meu peito feito pra amar

Americana pátria, morena, quiero tener
Guitarra y canto libre en tu amanecerNo pampa, meu pala a voar
Esteira de vento e luar, vento e luar

Nós vamos semear, companheiro, no coração
Manhãs e frutos e sonhos pr’um dia acabar com esta escuridão
Nós vamos preparar, companheiro, sem ilusão
Um novo tempo, em que a paz e a fartura brotem das mãos

Minha guitarra, companheiro
Fala o idioma das águas, das pedras
Dos cárceres, do medo, do fogo, do sal
Minha guitarra tem os demônios da ternura e da tempestade
É como um cavalo que rasga o ventre da noite
Beija o relâmpago e desafia os senhores da vida e da morte
Minha guitarra é minha terra, companheiro
É meu arado semeando, na escuridão, um tempo de claridade
Minha guitarra é meu povo, companheiro
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quinta-feira, 17 de abril de 2014

João Bosco e Francisco Bosco, “Enquanto Espero” - por Ana

Enquanto espero acontecer
Enquanto espero ver no cais
Vou derramando sem querer
A febre dos meus ais

Há muito tempo amor
Que eu trago dor dentro do peito
Há muito tempo a cor
Da solidão tingiu-me o leito
Há tanto tempo assim
Só eu dentro de mim
A procurar por nós
E apenas uma voz
Responde estão agora
O vazio e a saudade a sós

Há muito tempo amor
Que eu te sufoco em pensamento
Mas quando a noite cai
Traz tua imagem como um vento
Faz tanto frio aqui
Só eu dentro de mim
A procurar por nós
E apenas uma voz
Responde estão agora
O vazio e a saudade a sós

Navego um mar de fado azul
Angústia de um bolero
Versado em sombras, meia luz
Soluço no meu canto
Uma canção enquanto espero
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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Rodrigo Amarante e “O Vento” - por Kbçapoeta

Posso ouvir o vento passar,
assistir à onda bater,
mas o estrago que faz
a vida é curta pra ver...
Eu pensei...
Que quando eu morrer
vou acordar para o tempo
e para o tempo parar:
Um século, um mês,
três vidas e mais
um passo pra trás?
Por que será?
...Vou pensar.

- Como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?
- Não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi,
o vento leva!
- Não sei mais
sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer...
E isso por quê?
Diz mais!

Se a gente já não sabe mais
rir um do outro, meu bem, então
o que resta é chorar e, talvez,
se tem que durar,
vem renascido o amor
bento de lágrimas.
Um século, três,
se as vidas atrás
são parte de nós.
E como será?
O vento vai dizer
lento o que virá,
e se chover demais,
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz.
Só de encontrar...
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.Los Hermanos

sexta-feira, 28 de março de 2014

Gilberto Gil dá a Dica, “Se Eu Quiser Falar com Deus” - por Ana

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Chico Buarque em “Construção” - por Anita Bastos

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Leoni traz a “Temporada das Flores” - por Ana

Que saudade! Agora me aguardem,
Chegaram as tardes de sol a pino.
Pelas ruas, flores e amigos
Me encontram vestindo meu melhor sorriso.

Eu passei um tempo andando no escuro,
Procurando não achar as respostas.
Eu era a causa e a saída de tudo
E eu cavei como um túnel meu caminho de volta.

Me espera, amor, que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores.
Espera, amor, nossa temporada das flores.

Eu te trago um milhão de presentes
Que eu achava que já tinha perdido,
Mas estavam na mesma gaveta
Que o calor das pessoas e o amor pela vida...

Me espera, estou chegando com fome,
Preparando o campo e a alma pras flores,
E quando ouvir alguém falar no meu nome,
Eu te juro que pode acreditar nos rumores.
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

"As Aparências Enganam", de Tunai e Sérgio Natureza - por Ana


As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio
Se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois
Não há nada que os apague
Se a combustão os persegue
As labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno, o pão
O vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão
Sonhos vividos de conviver

 As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio
Se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e depois
Não há nada que os degele
Se a neve cobrindo a pele
Vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer
Não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer
Senão chorar sob o cobertor
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Maria Gadú num "Axé Acapella" - Enviado por Alba Vieira




Pararam pra reparar?
Estão ouvindo esse som?
Pulsando seco no ar
Merece nossa atenção!
Preparem bem os sensores
Para poder captar
Parem usinas motores
Para ouvirmos bater
Dum! Dum! Dum!
Seu clamar

Som de corte pungente, mundo doente além da conta
Sangra lucro imediato mas a cura de fato não aponta
Em uma remota viela a voz de uma santa faz menção
Um axé acapella feroz insinua o batidão

Pararam pra reparar?
Estão ouvindo esse som?
Reparem não vai parar
Diante a tal condição
Jogos de egos gigantes
Sem dar sossego à fatal pulsação
Que segue até seu furor
Tornar-se ensurdecedor
Dum! Dum! Dum!
Seu clamar

Chega de jogar confete, de botar enfeites, achar desculpas
É guerra, é dente por dente e rasga somente carne crua
Rouco um cantor se esgoela sozinho em meio a uma multidão
Um axé acapella feroz insinua o batidão

E se bater vai matar!
E se bater vai tremer!
Não sobrará mais que o leito de um rio
Que escorre a prenda de um passado sombrio
Enquanto o homem não acorda
Idiota! Nem nota!
Se enforca com a corda da própria tensão
E um axé feito acapella
Vai se transformando num batidão

Aí é choro doído, é sonho moído, é fim de trilha
Já mortalmente ferido um lobo banido da matilha
Silente um bom Deus vela a terra sagrada da ingratidão
Um axé acapella feroz insinua o batidão!

domingo, 9 de setembro de 2012

Milton Nascimento em “Bola de Meia Bola de Gude” - por Alba Vieira

Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito, que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor

Pois não posso, não devo, não quero
Viver como toda essa gente insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão

Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão
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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Linguagem do Corpo - Enviado por Vera Celms


Neste vídeo, trata-se de um assunto bastante controverso, como doenças psicossomáticas, depressão, angústia. Ouçam! Informação não ocupa espaço e pode “salvar” o convívio com as pessoas, seja conosco ou não.
Eu ouvi e classifico como imperdível.
Ainda que não acredite na LINGUAGEM DO CORPO, ela existe e pode ajudar a encontrar caminhos.
Beijos.

 




Visitem Vera Celms
 


 

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Paulinho Moska e “O Último Dia” - por Alba Vieira

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Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria

Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?

Abria a porta do hospício
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria...
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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Caetano Veloso e “O Ciúme” - por Alba Vieira

 
Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia
Tudo esbarra embriagado de seu lume
Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia
Só vigia um ponto negro: o meu ciúme

O ciúme lançou sua flecha preta
E acertou no meio exato da garganta
Quem nem alegre nem triste nem poeta
Entre Petrolina e Juazeiro canta

Velho Chico vens de Minas
De onde o oculto do mistério se escondeu
Sei que o levas todo em ti, não me ensinas
E eu sou só, eu só, eu só, eu

Juazeiro, nem te lembras dessa tarde
Petrolina, nem chegaste a perceber
Mas, na voz que canta tudo ainda arde
Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê

Tanta gente canta, tanta gente cala
Tantas almas esticadas no curtume
Sobre toda estrada, sobre toda sala
Paira, monstruosa, a sombra do ciúme
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domingo, 7 de novembro de 2010

Chico Anysio em “Monólogo Mundo Moderno” - por Ana

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Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, maratonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.
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domingo, 31 de outubro de 2010

Ana Carolina em “Ruas de Outono” - por Ana

 
Nas ruas de outono os meus passos vão ficar
E todo abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Daria pra escrever um livro, se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar
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domingo, 19 de setembro de 2010

João de Aquino e Paulo Cesar Pinheiro em “Viagem” - por Clarice A.

 
Oh, tristeza, me desculpe
Estou de malas prontas
Hoje a poesia veio ao meu encontro
Já raiou o dia, vamos viajar

Vamos indo de carona
Na garupa leve do vento macio
Que vem caminhando
Desde muito longe, lá do fim do mar

Vamos visitar a estrela da manhã raiada
Que pensei perdida pela madrugada
Mas que vai escondida
Querendo brincar

Senta nesta nuvem clara
Minha poesia, anda, se prepara
Traz uma cantiga
Vamos espalhando música no ar

Olha quantas aves brancas
Minha poesia, dançam nossa valsa
Pelo céu que um dia
Fez todo bordado de raios de sol

Oh, poesia, me ajude
Vou colher avencas, lírios, rosas dálias
Pelos campos verdes
Que você batiza de jardins-do-céu

Mas pode ficar tranquila, minha poesia
Pois nós voltaremos numa estrela-guia
Num clarão de lua
Quando serenar

Ou, talvez, até, quem sabe
Nós só voltaremos no cavalo baio
O alazão da noite, cujo o nome é raio
Raio de luar
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

domingo, 13 de dezembro de 2009

Gilberto Gil, “A Linha e o Linho” - por Ana

É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia
E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O zigue-zague do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa, da paixão
A sua vida o meu caminho, nosso amor
Você a linha e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Chico Buarque em “Brejo da Cruz” - por Kbçapoeta

A novidade que tem no Brejo da Cruz
É a criançada se alimentar de luz
Alucinados, meninos ficando azuis
E desencarnando lá no Brejo da Cruz

Eletrizados cruzam os céus do Brasil
Na rodoviária assumem formas mil
Uns vendem fumo, tem uns que viram Jesus
Muito sanfoneiro cego tocando blues

Uns têm saudade e dançam maracatus
Uns atiram pedra, outros passeiam nus
Mas há milhões desses seres que se disfarçam tão bem
Que ninguém pergunta de onde essa gente vem

São jardineiros, guardas-noturnos, casais
São passageiros, bombeiros e babás
Já nem se lembram que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças e que comiam luz

São faxineiros, balançam nas construções
São bilheteiras, baleiros e garçons
Já nem se lembram que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças e que comiam luz
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Comentário de Kbçapoeta em Viver de Luz, de Alba Vieira:
Não duvido do poder que transcorre em nossa mente, mas estamos tão condicionados ao hábito de comer, que hoje em dia torna-se quase impossível. Claro que sempre haverá quem consiga. E interessante que Chico Buarque tem esta música falando desse tema.
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