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quarta-feira, 22 de abril de 2015

GUI CANTA PARA LOU

Louzinha querida queria morrer num dia em que tivesses me amado

Queria ser bonito para que me amasses

Queria ser forte para que me amasses

Queria ser jovem jovem para que me amasses

Queria que a guerra começasse outra vez para que me amasses

Queria te agarrar para que me amasses

Queria te dar palmadas no traseiro para que me amasses

Queria te pisar para que me amasses

Queria que ficássemos sós num quarto de hotel em Grasse para
que me amasses

Queria que fosses minha irmã para eu te amar incestuosamente

Queria que fosses minha prima que nos amássemos desde criança

Queria que fosses o meu cavalo para eu te montar muito muito tempo

Queria que fosses meu coração para eu te sentir sempre em mim

Queria que fosses o paraíso ou o inferno de acordo com o lugar
onde eu vá

Queria que fosses um menino e eu o teu preceptor

Queria que fosses a noite para nos amarmos no escuro

Queria que fosses a minha vida para eu existir só por ti

Queria que fosses um obus boche para me matar de súbito amor



Guillaume Apollinaire (1880 - 1918) nasceu em Roma, Itália. Mas foi em Paris, França, onde se tornou célebre poeta, crítico de arte, literatura e agitador cultural.








Fênix_K!

Visite-me em: Poesia Incidente.blogspot.com

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Poema ao Meu Filho Daniel - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Penso em você,
pequenino, indefeso, macio e lindo…
Penso em que cor
terão os teus olhos, teus cabelos
Como será teu sorriso?
E te imagino assim…
menino ou menina? que diferença faz?
Te imagino bebê moreno
com cabelos negros e olhos grandes
e vivos e de olhar sereno…
Gordinho, rosado e feliz
Forte, saudável e com um arrebitadinho
nariz…

Te imagino: - amor
e me esqueço do enjôo
do vômito, das mexidas que dás
(e que me dão agonia)
Me esqueço que já troco por ti
a noite pelo dia
Me esqueço de tudo
para pensar em ti…
E te vejo afinal
nos sonhos meus
Gordinho, rosado,
cabeludo e lindo
como um pequenino Deus.
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sábado, 19 de outubro de 2013

Fazendo a Minha Tarefa... - por Adir Vieira

Ainda agora saboreio a alegria de vê-la trabalhando, tão menina, num projeto que era meu, açambarcado por ela.
Percebo a genética da família presente em todos os seus atos, tão pequenina.
Vejo o cuidado com que organiza as caixas de doces e as dispõe, sozinha, por sobre a bancada, numa ordem, segundo ela, que impeça a quebra dos doces mais delicados, se colocados nos saquinhos embaixo da bananada grande e pesada. Vejo sua percepção inteligente quando evidenciando que comprei apenas um quilo de balas sortidas e deveria contá-las antes do ensacamento, para saber quantas poria em cada saco.
Vejo suas mãos pequenas e ágeis, numa calma sem fim, enchendo um a um todos os sacos de doces. Já no centésimo, ia como uma autômata, numa ordem fremente até ajeitar a grande maria-mole, sua predileção.
Expliquei que “dar doces em homenagem a São Cosme e Damião”, mesmo fora do dia original e, principalmente com tanta dedicação de sua parte, permitia que ela fizesse um pedido em troca.
Imediatamente lembrou que como não gostava muito de ficar sentada estudando, os santos bem que poderiam ajudá-la a fazer as provas.
Vejo sua alegria no término da tarefa quando, com os olhinhos brilhando, me pede para separar quatro saquinhos para os amiguinhos diletos.
Essa é ela, minha sobrinha querida. Luz de nossas vidas!



Visitem Adir Vieira
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Dicionário - por Cacá

Corria o ano de 1986 e a minha primeira filha estava esperando para vir ao mundo. E eu não podia me dar ao luxo de muitos gastos. A gravidez era de risco e o inesperado é sempre companhia da temeridade. Ainda que não seja nenhuma tragédia anunciada, inspira poupança. Juntando isso com os sobressaltos de conviver com um plano econômico a cada mês e reajuste salarial apenas uma vez por ano, temores havia sempre. Imagine comprar hoje um quilo de tomates a um real e amanhã ele ser dois, depois dois e cinquenta. Era assim que funcionava o tal do dragão da inflação, mesmo com o Sarney, na época presidente e sem atos secretos, convocando a população para agir como fiscal nas ruas para vigiar os preços. Quem trabalhava o dia inteiro mal tinha tempo de fiscalizar seu emprego ameaçado a todo momento.

Mesmo assim eu não resisti à tentação e comprei o meu primeiro AURÉLIO, oferecido em quatro prestações fixas (encontrar prestação fixa era como ganhar prêmio em sorteio). E ele solidariamente resistiu, talvez como o maior patrimônio que adquiri em minha vida - pelo menos em meu conceito de valor. Afora as minhas duas filhas, mas isso não se conta como patrimônio intelectual nem material. É muito mais que possam explicar nossas teorias de apego. Não entro no mercado com meus sentimentos postos a avaliações. De lá para cá ele me acompanhou em boletins sindicais escritos quase que diariamente, me acompanhou durante toda a minha graduação e mudou um sem número de vezes de casas e apartamentos. O cuidado quando de seu manuseio era como se estivesse transportando cristais. Sua encadernação é de linhas costuradas.

Agora está chegando ao seu esgotamento físico imposto pelo tempo, esse implacável e impassível senhor das razões e loucuras, das alegrias e das amarguras, assim como faz com gente feita de tutano e osso, neurônio e outros tecidos sem costura. Alguém pode dizer: mas com a wikipédia aí disponível, com um google de todo tamanho, que tolice! Para os muito leigos eles realmente satisfazem. Já para quem se relaciona quase ludicamente e lubricamente com as palavras sabe do que falo. Nele quando o significado traz algum sinônimo lírico, poético ou literário há citação de traços ou trechos de obras literárias exemplificando. Nele há etimologia, há pronúncia. Sem contar que na página em que se está pesquisando algum verbete, há sempre a tentação de namorar outro ali do lado, acima ou abaixo por pura curiosidade ou aquela quedinha inevitável para uma outra palavra. E para quem gosta de pesquisa, a wikipédia não é algo ainda totalmente confiável Enfim não dá para descrever o prazer das consultas quase terapêuticas, da mesma forma que dói a separação.

Ele se vai. Não há mais remendo possível, reencadernações. Não há quem o restaure mais originalmente sem cobrar um valor de uma peça tombada pelo patrimônio histórico, artístico e cultural como merece, aliás. Muito ao meu gosto, mas longe de minhas posses.

E minha filha, vendo o meu drama patético, resolveu me presentear com outro, já que carrega o simbolismo de seu ano de nascimento. Não gosto que se apiedem de mim, mas acho que ela ficou com um dó danado.
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.Visitem Cacá
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Por Tanto Te Gostar... - por Ana

Tu não tá fraca nem acabada,
Só tá um pouco cansada...
E por tanto te gostar
Eu vou sempre te mimar!


Resposta à Resposta de Anônimo.
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domingo, 17 de outubro de 2010

Anjo P - (Anônimo)

Você é minha filhinha bonitinha
te amo de paixão
você é não sei mais o quê...
Faz arroz com feijão

Minha filhinha bonitinha
te amo de paixão
você é só minha garotinha
só pra você é meu coração

Não fala que fui eu que fiz
diz que foi você que criou
diz que fez porque quis
e que em mim se inspirou
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Este post do Duelos é, para mim, absolutamente inesquecível!... Com muita frequência eu me pego lembrando dele e sorrindo. Foi brilhante, Alba! Mil vezes parabéns!
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PAIXÃO
(ALBA VIEIRA)

Olhando-te a cada dia,
Cismo, a pensar,
No bem que me fazes
Por simplesmente existir;
Em todas as delícias
Que me permites criar;
Como, tão harmoniosamente,
Limitas as doçuras que desejo,
Fazendo-as tão belas e delicadas.
No espaço da casa que mais amo,
És aquela que me atrai.

Por isso sempre repito
O que representas para mim...
Eu te amo de paixão,
Minha forma de pudim!
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Visitem Alba Vieira
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O Amor em Minha Vida - por Aaron Caronte Badiz

O amor surgiu, em minha vida, como uma mulher tímida, meio menina e muito amiga.
Da segunda vez, surpreendeu-me na forma de uma mulher apaixonada, intensa, romântica e linda.
Da terceira vez, brindou-me com uma mulher firme nas palavras, sincera e fugaz.
Por fim, fui presenteado com uma mulher livre, dona de si, independente e extremamente interessante.

Estes foram os amores de minha vida, que nesses 30 anos me surgiram, surpreenderam, brindaram e presentearam na forma de uma única pessoa: minha eterna e sempre amada que, desde o nosso primeiro encontro, soube que era tão destinada a mim quanto eu a ela.
Eu te amo hoje mais que sempre... e para sempre.
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Amores - por Adhemar

Meu primeiro amor foi Célia.
Tão bonita e fascinante...
Porém era mais velha
Me decepcionou por ser fumante.

Meu segundo amor – Marcela –
Que de tão platônico pereceu,
Era muito superior, tão bela,
Que a este admirador nem percebeu!

Bem mais tarde, Ana Paola foi paixão.
Dessas terríveis, avassaladora.
Até hoje, em meu coração,
Esse sentimento ainda ecoa.

Outra ilusão desse tempo – Iracema –
Era musa atraente e sedutora.
No entanto, um obstáculo, um problema:
De uma legião de fãs era pastora.

A seguir surgiu-me Lígia
Pra me socorrer numa tristeza;
Mas ao perceber-me já fugia,
Pois era eu plebeu, ela princesa.

O meu amor maduro foi Monique,
O que na mocidade mais durou.
Porém, malgrado meu, era tão chique,
Que de mim um dia se cansou.

Então, Cláudia surgiu e surpreendeu,
Apanhando-me desprevenido e sem jeito.
Mas meu coração não respondeu
Fugindo desse afeto com respeito.

Em Ilhéus, a noiva de um fazendeiro,
– Também Cláudia, com todas as letras –
Foi como incursão num picadeiro
E ensinou-me a andar sem as muletas.

Num entretempo, outra Monique conheci,
Vinda dos confins de Mato Grosso.
Tão bacana e tão cheia de si...
Mas era tão menina e eu já moço...

Enfeitiçou-me a seguir a Bernardete
Estabelecendo um condomínio.
Mas era apenas uma professora breve
Transformando o poeta em peregrino.

Elaine Cristina então a sucedeu
Tão linda e luminosa que nem sei.
O papel de príncipe me deu,
Mas ela precisava era de um rei.

E ao final de todo esse aprendizado
Veio Stella, linda e firme se instalou.
O grande amor do homem já formado,
Grande mulher que ao homem completou.


Um imenso e verdadeiro desafio
Para toda a vida se tornou.
Passou pela paixão, pelo calor e pelo frio,
E que docemente triunfou.

Mais que amor, uma profissão de fé.
Mais que amor, a tranquila confiança.
Mais que amor, é um grande lar em pé.
Mais que amor, somos nós e três crianças...
P/SM
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Visitem Adhemar
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A Menina e a Prova Difícil - por Adir Vieira


Todos os dias, o mesmo ritual se dá.
Sempre no mesmo horário, o ônibus escolar para rente à calçada e a fiscal aguarda pelo menos uns três minutos para que ela, com toda a calma aparente, se desprenda do cinto de segurança e caminhe pelo corredor, como se fora uma passarela, portando sua pesada mochila e o inseparável casaco, faça frio ou não. Sinto que o agasalho, para ela, substitui, naquele trajeto, o abraço caloroso da mãe a protegê-la.
Desce enfim do ônibus e com um sorriso enigmático, tal qual o da Monalisa, encaminha-se para a tia que, ignorando o fato de ela ser uma quase adolescente, recepciona-a com todos os “inhos”, agora tão impróprios para a sua idade.
Livre dos vizinhos e agora já dentro do elevador, ela faz a pergunta principal do dia, tentando adivinhar o que terá para o almoço, sua preocupação permanente, já que tem ordens expressas do pai para não exagerar nas gulodices impeditivas de uma boa saúde.
Hoje, no entanto, desde as primeiras horas da manhã, a tia não consegue esquecer que “aquela nota da prova” tão necessária para que ela permaneça na média, já que escorregou feio na prova anterior, seria divulgada pela professora.
A tia, hábil que é, e não querendo feri-la, na possibilidade de um resultado negativo, espera o melhor momento para inquiri-la e ela, esperta que é, finge não perceber a ansiedade da tia, parecendo saborear aquela vitória sagaz.
A menina entra em casa, troca de roupa, senta-se à mesa para o almoço e ambas caladas, vivem situações diversas em pensamento.
A menina sorri internamente esperando o primeiro passo da tia.
A tia, já visivelmente ansiosa, não desvia os olhos da menina, em busca de qualquer informação a respeito do resultado da prova.
O imediatismo da menina, no entanto, não permite alongar aquela situação e, de pronto, sai da mesa e saca da mochila a prova tão esperada, exibindo 84 pontos.
A sapiência da tia vai a zero quando a menina, com a sua docilidade, pergunta à tia porque ela não quis saber a nota, logo que ela chegou, enfatizando que se tivesse se dado mal, alguma coisa ia ter que fazer para melhorar!!!
Bela forma de viver das crianças. Livres de tudo!
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Visitem Adir Vieira
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Os Amores da Minha Vida - por Alba Vieira

São tantos que listá-los seria tarefa interminável, uma vez que eu sou uma eterna apaixonada pela vida e pelas energias que fazem parte dela. Assim, família, amores, amigos, animais, pedras, plantas, lugares, objetos de arte, coisinhas variadas representam um lugar especial na minha vida.
Naturalmente que existe uma hierarquia nesta galeria, que há seres especialíssimos com lugar cativo e que só não arrebentam meu coração, já quase sem espaço pra abrigá-los, porque o que sinto por cada um deles é capaz de energizar a tal ponto meu chakra cardíaco que provoca imediatamente uma grande expansão na capacidade do meu coração.
É que o amor é um sentimento esquisito demais, tão estranho que por conta dele contrariamos todas as verdades cartesianas e ingressamos num mundo novo, livre das leis espaço-temporais e pleno de milagres. Por conta do amor, um mero artefato sem importância material adquire significados insondáveis para aqueles cuja alma é livre e amorosa. Sou capaz de amar por muitas razões, por sutilezas, seres desconhecidos que me impressionam pelo olhar, pelo silêncio, pelo perfume, pela voz, pelas feições, pela energia que passam ou que tomam de mim. Adoro gente, adoro plantas, bichos, pedras, águas, céu, vento, sol, vida. Adoro amar e ser amada. Mas o maior amor da minha vida sou eu mesminha.
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Visitem Alba Vieira
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Busca - por Ana

Quais seriam os meus amores?
Perguntei ao coração.
Ele ficou em silêncio,
Não deu uma explicação...

Então me pus a pensar...
Procurando uma resposta.
Quais seriam meus amores?
Os neurônios trancaram a porta.

Vasculhei a minha alma
(Ela, sim, há-de dizer!).
Mas não me deu uma pista
De nada! O que fazer?!

Resolvi rever minha vida,
Desde o dia em que nasci.
Fui relembrando aos poucos,
Tudo, tudo... até aqui.

Percebi, com muito espanto,
Que desde o primeiro momento
Que me entendo por gente
Não tive outro sentimento:

Fui movida por amor
Em todas as decisões,
Escolhas e atitudes,
Em família, amizades, paixões...

Realmente, esta pergunta
Não podia ser respondida!
Minha vida não tem amores:
O AMOR É MINHA VIDA!
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Meu Avô - por Ana Lucia Timotheo da Costa

Todo sábado eu, meu pai e meu irmão íamos vê-lo. Meu pai tinha a obrigação de barbeá-lo, à navalha, e nós aproveitávamos a visita para estudar francês e matemática com uma das tias. Confesso que eu o admirava com uma certa distância. Afinal, por ser avô paterno, não privávamos de muita intimidade.

Sabia-o lido e bem informado e meninota, ainda, aquilo me encantava. Como me lembro das partidas de xadrez entre ele e o meu pai – discussões engolidas e veladas. “Pedaço-de-asno” dizia o velho, enquanto calado, meu pai não respondia.

Papai jamais usava o possessivo. Falava: “O pai”, nunca meu pai, deferência de amor e sintonia.

Com a maturidade percebi que bastante coisa era ilusória; muita contradição cabia-lhe.

Vovô, professor nato (alfabetizava adultos), tinha uma liderança imposta, ditatorial.

As filhas eram-lhe de uma obediência cega, semi-castradas. Namoro não fez parte de suas vidas.

Batia no peito a confessar-se ateu, no entanto era um sujeito de gestos de bondade.

Mamãe conta uma inacreditável passagem - O primeiro salário de meu pai (que ele achou alto), foi dividido com outro empregado, por justiça. (Muitos diziam que tinha postura marxista).

Afirmava que a morte não temia, ‘hei de enfrentá-la de frente, sem temor’. Mas um ônibus apanhou-lhe pelas costas...
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Constatação - por Dália Negra

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Os amores são velas vãs
Adornando, apagadas, o mar.
Solidão e ferida, irmãs,
Filhas de um mesmo penar:
Aquele que resta do fim
Do que eu quis acreditar
Existir, algum dia, pra mim,
Conjugando o verbo amar.

Os amores de minha vida
Não sei se um dia existiram...
Eu tive a alma vendida
A carinhos que possuíram
Meu corpo, desejos, sonhos,
Sorrisos, ações, ardor...
Hoje, meus olhos tristonhos
Relembram... e não veem amor.
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Amores da Minha Vida - por Leila Dohoczki

Nas manhãs que se sucedem
Primaveras vem e vão
Deixam flores nas calçadas
Galhos oferecem a floração
Assim também sou
Feito a primavera...

Nas minhas manhãs
Nem me lembro das manhãs de outono.
Sei que elas virão,
Mas não temo que roube o espaço
Ou que fique mais tempo.

Sou capaz de compreender
Que as flores nascem
No verão, no outono e no inverno
Nascem o ano inteiro...
As flores não nascem por mim
Eu é que existo por elas,
Pelas vermelhas, lilás e amarelas
Por tudo que renasce em mim
E nunca termina.

Em mim, toda manhã nascem
Flores lindas de amor
Sou uma campina florida...

Se sou primavera,
As flores mais belas, meus filhos...

Amores da minha vida!
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Minha Vida de Amores - por Lélia

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Amores? Tive alguns. Com fé, com entrega, companheirismo e, sobretudo, amizade.
Guardo de cada um lembranças felizes numa caixinha no meu armário. Às vezes eu a abro e relembro momentos bons.
Os amores da minha vida foram grandes, imensos, profundos!
Pensando bem, a minha vida foi feita de amores!
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Os Amores de Minha Vida - por Leo Santos

Os amores de minha vida
de alguém teriam que ser;
quanta empreitada perdida
na descoberta do não poder

de minha vida pero não meus
apenas os vi passar
por luzes que viraram breus
fugidio esse lumiar

fulguram na lembrança apenas
lousa sem apagador
retratos, combates arenas
e o destino domador.

Amores belos e outros feios,
depois, claro, vi melhor
turbam a vista esses enleios
fomentam desdita e dor

amei por motivos vários
e até sem nenhum, real;
vitimado por mercenários
a força do vil metal

mas herdei lições tantas
escola da desilusão
não foram perdidas as jantas
inda que se perdeu o coração

os amores de minha vida
apenas estágios da tal,
cicatrizes, antes, feridas
agora, textos, motes, jogral...
.
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Visitem Leo Santos
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Amores de Minha Vida - por Mellon

Não posso perder o sono por causa disso, mas eu perco. E agora não posso parar de caminhar, mas por você eu pararia. Me dê algumas horas e eu terei tudo isso resolvido. Eu teria se a minha mente somente parasse de correr por entre os amores da minha vida. Não posso suportar ser covarde, por isso não posso lutar apenas por mim, mas por todos eles. Isso não poderia estar acontecendo, não comigo que sou fraca. Isso está acima de meu olhar, mas embaixo de meus pés.

E amanhã eu não terei isso resolvido. Terei isso destruído. Porque só você consegue me fazer citar E. E. Cummings, porque “eu carrego o seu coração. Eu o carrego no meu coração”.
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Visitem Mellon
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(Sem Título) - por =NuNuNO== Griesbach

Pobre vítima do infortúnio o escritor frustrado, nunca antes lido por ninguém, acordou aprisionado em um grande cofre ao lado de uma pilha de papéis, com poucas horas de oxigênio para escrever suas últimas palavras.
Sem muito ar, o escritor escreve uma montanha, escreve águas calmas para um lago cheio de vida e respira o ar puro que formou-se entre suas linhas.
Solitário, escreve um bom amigo para conversar. Abraça a pequena página onde seu amigo está escrito e chora pensando nas oportunidades que perdeu de escrevê-lo antes.
O passado... Tão efêmero e comum enquanto presente, e tão eterno e maravilhoso quando só existe na memória. O escritor reescreve seu primeiro amor, escreveu para ela um pouco menos de ciúmes, um pouco mais de fidelidade e pais mais liberais. Escreveu um novo fim, onde se mudaram ao pé de uma linda montanha e, à beira de um lindo lago cristalino, beijaram-se sem pressa e respiraram ofegantes após um ato sublime do amor.
Sem mais ar para manter-se acordado, beija a folha com seu grande amor, despede-se da folha de seu amigo e mergulha na escuridão de seus próprios sonhos de felicidade, que nunca se tornaram tão possíveis antes.
Levando consigo apenas uma caneta e alguns papéis, se o paraíso não existir, irá construí-lo palavra após palavra.
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(Que adorou a proposta dos duelos)
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Sem Vergonha II - por S. Ribeiro

difícil cantar algo quando
se está de ossos quebrados
eufemismos não viverão por mim

escondem coisas de minha
juventude mal inspirada
desaprumam sentidos que não
deveriam se fundir
ao desígnio divino

chove chove chove
ele está lá fora aqui
leio florbela espanca

então nada eleito vai
chorar pirraças a um plano
mais alto com certeza
do que nós

e permanecem não nos guardando
como se a luz não ligasse mas
que alguém ligue que gosto
mesmo dos cachorros

não nos guardam

inventam concretos
espinhos mudanças sustentam
coroas com tudo que não
corresponde à pressa com
que o mundo constrói
o desejo de um jovem

não nomeio nem indico
quem porque já o sabem
o céu as pedras as árvores
a cama a loucura

espero como um mato
que não se cansa de nascer

não nos guardam
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.Visitem S. Ribeiro
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