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domingo, 28 de abril de 2013

Eram Tempos de Flor - por Adir Vieira

Eram tempos de flor aqueles em que o riso era meu companheiro de todas as horas...
Eram tempos de flor aqueles em que eu vivia a vida sem compromissos, sem rótulos, sem ter que fazer de mim o espelho exato do apêndice adquirido ao longo da vida...
Eram tempos de flor aqueles em que nada havia além de mim, pousando zombeteira em todos os palcos, responsável unicamente por mim mesma e por meus atos de alegria...
Eram tempos de flor aqueles em que a vida cheia para ser vivida mostrava a mim as verdadeiras nuances do prazer e do progresso...
Eram tempos de flor, em que o mínimo era tudo e só o amor dançava seus vários compassos, transformando a espera em sonho.
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domingo, 15 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Eram Tempos de Flores - por Raquel Aiuendi

Tempos que se regavam às escondidas as flores, flores que nasciam em quintais ermos, quintais de solidão solidária e altruísta… flores as mais diversas, como tudo neste país; flores, flores, flores… primavera proibida, primavera desejada, primavera quase desesperançada, primavera outonada…Primaveras despertadas por sonhadoras flores-sementes que um violento clima despetalou, fortes flores, tristes apenas pela dor, felizes por suas cores de Amor.

Homenagem a todos os que lutaram por algo melhor num país onde a auto-estima não é das melhores.
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Inspirado na pintura Flores em Escarpas, de Alba Vieira.
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domingo, 14 de dezembro de 2008

Eram Tempos de Flor - por Alba Vieira

Pensei em sair pela vida rumo a um futuro atraente como quem vai ao piquenique. Levaria uma enorme cesta em que caberiam, juntos, entrelaçados numa forte teia que sustentaria meus passos certos e seguros, os acontecimentos bons do passado. Seriam somente aqueles carregados de emoções positivas e imagens coloridas. E que teriam aquecido meu coração. Lembranças de gestos gentis e amorosos também estariam ali - dádivas concedidas por almas claras. Na minha cesta, eu colocaria, por exemplo:
- uma noite de chuva em que minha mãe sentou-se e delicadamente convidou minha cabeça a pousar sobre suas pernas enquanto eu estava estirada no sofá e acariciou meus cabelos - ela que era sempre tão ocupada, não se permitia parar e eu tão criança que ainda não tinha recebido um carinho tão significativo (nunca soube se para ela este fato marcou tanto quanto para mim);
- as incontáveis noites da infância em que perdia o sono e procurava meu pai para que ele ficasse acordado - mesmo que fosse de onde estava dormindo - até que eu pudesse voltar a adormecer; apenas o seu despertar calmo e sua voz doce que me dizia “Vai dormir, menina!” já eram suficientes para me tranqüilizar e trazer de volta o sono, mesmo nas noites em que eu já era adulta (e só me dei conta de sua importância depois que ele se foi);
- o momento aguardado o dia inteiro em que minha irmã mais velha, minha madrinha, me trazia um novo livro da biblioteca da fábrica em que trabalhava, grande, grosso e de capa dura azul-marinho; ela me trazia um mundo novo, porta que se abria para viagens fabulosas, inesperadas e inesquecíveis;
- tantas manhãs, tardes e noites de convivência com meus pais, minha avó e meus sete irmãos barulhentos, aos quais eu era visceralmente ligada e tão diferentes entre si que me permitiram desde cedo o contato profundo com a alma humana;
- a alegria assanhada que tantas vezes senti ao abrir a caixa do correio e olhar o envelope escrito com letra pequena e desenhada que eu levava para o banheiro para ler em paz, guardando para sempre o pedaço de papel rasgado para abrir a carta do meu amor, naquela época em que ainda só havia amizade entre nós (posso sentir ainda o misto de curiosidade, o calor no corpo e o coração acelerado);
- a tarde em que nos declaramos e sentimos pela primeira vez o entrelaçar de nossas mãos, num casamento perfeito das auras no dia em que uma amizade profunda se confirmou o amor da vida inteira.
São tantos momentos marcantes, que certamente esta cesta teria um fundo falso que me conduziria aos recônditos do inconsciente e, como jardineiro atento ao belo, eu poderia colher até o último dia as flores de minha vida, ainda que elas ocasionalmente tivessem crescido entre ervas daninhas indesejáveis e intrusas.
Pense em como seria a sua cesta, mas observe bem: idealizando-a, seja benevolente com você mesmo, atento ao que realmente lhe faz bem, use os olhos do coração ao escolher as lembranças e perdoe-se - ou à Vida - se seus tempos de flor foram escassos ou ficaram no passado, e lembre-se que é possível, ainda, criar para você um belo jardim florido.
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Eram Tempos de Flor... - por Ana

Eram tempos de flor. Tempos de bananeiras transparentes sob o sol a pino, com suas cores infantis e lúdicas. Tempos de eucaliptos perfumados que enlevezam as auras. Tempos de paz na alma, de céus azuis com nuvens que se movem, brancas e ameaçam, cinzas. Tempos de chuvas nos cabelos, no corpo, fazendo os sapatos reclamarem, as meias gelarem e o sorriso surgir em meio às corridas até a casa.
Eram tempos bons, de sentir a própria alma em seus gestos, quando ainda se percebe a alma sem cobrar, sem julgar, mas com curiosidade e paixão; quando a alma é virgem da própria visão e transparece como o outro dentro de si. Alma que pode infinitamente ser generosa e abissalmente, egoísta.
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