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sábado, 7 de março de 2009

Perfeição - por Ana

Sozinho caminho à noite com meus cabelos enrolados. Ao longe, uma fogueira sutil. O mais é escuridão. Sigo à luz ou passeio nas trevas? Mãos nos bolsos, passos tranquilos e pensativos, observo as vidas que perambulam como eu. Mas a claridade mínima chama a atenção. Nunca vi luz por aqui. Vou até ela? Não sei... Mudar meu caminho por mera curiosidade? Mudar voluntariamente o rumo por causa do inesperado? Caminhar até o desconhecido, certamente pertencente a outro? Então paro. Nos meus olhos o reflexo estático daquela pequena luminosidade. Percebo que não continuarei minha rota usual. Meus pés estão fixos na direção do inusitado. Tento me persuadir a ignorar. Sem sucesso. “Então, vontade que vem de não-sei-onde, vamos lá.” Devagar, observando curioso, olhar prisioneiro, me aproximo. Ao lado das chamas, percebo que não são de outro: me pertencem. São coisas minhas que alimentam o fogo: desilusões, erros, decepções, tristezas, frustrações, dores, omissões, defeitos... Todas coisas nas quais tenho pensado ultimamente, resolvido comigo mesmo e com os que me cercam. Vejo queimar até as cinzas. Com a sola do sapato, devagar, disperso-as até serem pó que se mistura ao ar e some. Onde estou é fracamente iluminado e não há como voltar à escuridão anterior. Vou em outra direção, que me leva a novas situações e oportunidades: atravessei o portal que separa a noite do dia. Percebo, claramente, que os passos que dei do negror à fraca luz me mostraram que a curiosidade pode ser instrumento do destino, o inesperado pode esclarecer, o desconhecido pode trazer satisfação e, principalmente, que é possível ir consertando a própria imperfeição.



Texto cujos título e início foram utilizados para Perfeição - As Nossas Histórias I.
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sexta-feira, 6 de março de 2009

Perfeição - As Nossas Histórias I

Sozinho caminho à noite com meus cabelos enrolados. Ao longe, uma fogueira sutil. Aproximo-me dela e deixo que seu calor aqueça minha alma. Sinto-me tão imperfeito, tão pecador...
Esta imperfeição que mora em mim me deixou frio por dentro e por fora, sem conseguir tocar os sentimentos que, percebo bem, outras pessoas possuem e manifestam cotidianamente.
Constante e errante, permaneço frio rejeitando o sabor do fogo físico; entre mil lâminas que a luz faz descer ao chão desta rua escura, desejo que o que se acenda em verdade, em mim, seja a resposta que sempre busquei, o que me defina e me faça encontrar o sentido de meus atos. Mas, enfim... espero em silêncio o fim dessa minha tristeza de estar só.
E este fogo que contemplo me diz que estou só por causa da minha frieza, que se tornou minha principal imperfeição. Nele começo a vislumbrar imagens das dores passadas que sofri, sentindo meu rosto queimar, denunciando a emoção que sinto.
Então me dou conta de que a frieza que se instalou em mim há tanto está degelando, escorrendo em gotas frias pelos meus olhos incrédulos.
Com certeza essa introspeção toda, mais uma vez, vai me levar a nenhum lugar. E é isso que ainda não resolvi: se devo colher ou esperar passar, mais uma vez.
A perfeição é aquela busca ou esta, enfim sempre a busca. E me firo e desconcerto as noites e o sono com esse atalho estranho. Esperamos, nos sentimos... estamos sós!
E me doem os pés, cansados desta longa e árdua jornada em busca de mim mesmo.
Que triste fim me espera... grito, imploro atenção de todos que passam e nem me olham. Ô triste fim de quem ousou um dia viver, viver e ser feliz... Onde errei?...
Uma ferida irreparável me consome por dentro e por fora... Meu último desejo é um farmacêutico que me venda alguns gramas de perfeição.
Eu sei que errei no amor, por isso vivo lamentando pelos cantos, sem destino.
Descubro, enfim: perfeição é um belo resultado da imperfeição através do aprendizado, Vida!



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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Perfeição

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em “comentários”, que nós postaremos.
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Você - por Adir Vieira

Pouco a pouco vou conhecendo você melhor.
Um fato aqui, outro ali, um comentário que analiso, uma resposta que escuto…
Tudo é importante, nessa intenção de descobrir você.
A princípio você se impõe limites, para que uma espontaneidade desenfreada não ponha tudo a perder.
Como quem faz não perceber, vou administrando idas e vindas dos seus freios e traçando sua verdade.
Constato, por fim, que você é admirável e não entendo o porquê de tantas críticas.
Percebo que basta olhar e evidenciar, mas olhar com critério, com atenção e jamais com subjetividade.
Se buscássemos listar seus predicados faltariam muitas folhas de papel…
Perfeita é você!
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Perfeição - por Luiz de Almeida Neto

Prefiro sempre o conceito que os gregos tinham da perfeição. Que significava algo mais como a representação milimétrica do humano, em sua estética e emoções. De todo jeito acho que é um conceito altamente anacrônico, que, em nossos dias, não se aplica mais, já que nós não temos mais tempo. É muito difícil fazer algo esmerado em nossos tempos, já que temos que fazer tudo tão rápido. Você sabe: “a pressa é inimiga da…”.


Resposta a “Perfeição”, de Alba Vieira.
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Perfeição - por Luiz de Almeida Neto

É bem melhor mesmo quando o conceito de “perfeição” se esvai e nunca mais volta à nossa consciência. Afinal eu concordo que ele só exista em nossos tempos para nos atormentar.


Resposta a “Perfeição” de Adir Vieira.
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Perfeição - por Alba Vieira

A que nos remete a palavra? É algo de divino, transcendente, inalcançável, talvez. Buscamos atingi-la, ainda que em coisas especiais e pagamos alto preço quando nos distanciamos dela no que é corriqueiro. Se o olhar é estético, conseguimos imaginar o ser perfeito, a obra primorosa, o objeto talhado com perfeição ao concebê-los com a harmonia das formas. Mas, no plano moral, o que seria a perfeição? É inevitável cair no maniqueísmo de julgar bom ou ruim segundo nossos pontos-de-vista. Eu diria que perfeito é o que flui. Não precisamos gastar energia para realizá-lo. É como na natureza, em que os processos se sucedem numa conjunção harmonizada de etapas que culminam num evento singular e absoluto: como o desabrochar das pétalas de rosa com o momento certo de exalar o perfume e a cor exata; e a gota do orvalho que cai da folha e provoca ondas perfeitamente concêntricas na poça d’água de chuva. A palavra certa proferida no exato momento pelo homem sábio. A manobra correta executada pelo motorista ao se defender do incauto no trânsito caótico, evitando o acidente fatal. A decisão acertada do cirurgião num caso difícil que pode salvar uma vida. O gesto significativo do homem amoroso que alivia a dor de uma alma que sofre. O sorriso largo que muda a situação e alivia a tensão numa discussão acalorada. Afinal, o que é perfeito? É algo que devemos perseguir? Talvez não, porque isto também nos dá idéia de futuro. Pensando na palavra per-feito, que nos passa a noção de “durante o fazer”, a perfeição se refere ao momento presente, ao aqui e agora, ao caminho que se desenha durante o caminhar, ao deixar acontecer, ao fluir sem resistência, ao confiar, ao expressar o natural, ao simplesmente ser.
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Perfeição - por Adir Vieira

Olho essa boca e, a princípio, num lance imediato, percebo suas imperfeições atuais: lábios menos rígidos, ausência de alguns dentes, a própria cor mais desbotada… tudo denotando uma imperfeição, uma diferença, se comparada a essa mesma boca em tempos já idos… Mas eis que, de repente, como que ao ouvir meus pensamentos e a adivinhar o meu olhar, ela me beija… com ímpeto, com calor, com comando, com a mesma e perfeita docilidade com que um dia me arrebatou, fazendo-me percorrer caminhos ainda não descobertos do prazer divino e sensual. A temperatura é a mesma, o sabor, o mesmo, o requinte, o mesmo… Aí, então, eu me pergunto: onde fica e o que é a perfeição?
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sábado, 6 de dezembro de 2008

Perfeição - por Jorge Queiroz da Silva

A perfeição é algo inexistente, pois ela, pelos próprios caminhos, demonstra sua indefinição. Acredito que seja composta de fatos e atos, de um passo contido do medo de errar. Diziam os antigos: perfeito só Deus! Na verdade, pregavam num mundo imaturo, buscando as idéias de um homem inseguro, que tentava, a qualquer instante, chegar à sonhada perfeição. As provas demonstram que, em todas as áreas da vida, mudanças constantes se fazem em busca da perfeição. Lembremo-nos do avião 14-Bis. Foi perfeito e voava, mas por um tempo. Hoje, os Mirages, os caças de guerra, foram ultrapassados por outros tipos de aviões, como o Concorde, de vôos rápidos e internacionais. Esse também foi proibido de atuar, pelo seu ronco acima dos limites normais. Posso citar outro exemplo de caminhos em busca da perfeição, quando me lembro da época em que estagiava na IBM e ficava impressionado com o computador do Centro de Estudos ser classificado como o mais veloz na execução de cerca de dezesseis tarefas diferentes ao mesmo tempo. A busca da perfeição fez com que chegássemos hoje ao “notebook” de tamanho reduzido e com muito mais propriedades do que o monstro de 1968, sem falar que só existiam dezesseis unidades do mesmo nas grandes e principais Empresas do país. Posso citar outro exemplo. No ano de 1957, em meio ao meu trabalho, um colega inventivo e criador pediu-me que dirigisse uma carta a uma empresa fabricante de automóveis oferecendo seu mais novo invento: uma roda de encaixe para utilização nos carrões fabricados. Para minha surpresa, provando-me que a busca da perfeição é constante, tal Empresa respondeu sua carta dizendo que o invento era muito avançado e que talvez pudesse ser utilizado nos carros que seriam fabricados dali a mais ou menos trinta anos. Por isso, creio que a perfeição ainda está a cargo de nosso pai Criador!

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