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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ao Filho que Não Nasceu - por Ana

São pra você estas linhas,
Pedindo para aguardar
Que eu me acerte no serviço
Pra poder te sustentar.

Sei que sua alma espera
Habitar um corpo humano.
Um pouco de paciência,
É o que peço... mais um ano.

Já sinto suas mãozinhas,
Já te vejo nos meus sonhos,
Você me espera, eu te espero
Com este rostinho risonho.

Me dê só mais um tempinho,
É o que preciso... por favor...
É que alma não entende...
Não se vive só de amor...



Poesia cujos título e primeiro verso foram utilizados
para a versão coletiva Ao Filho que Não Nasceu - As Nossas Poesias XI.
.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ao Filho que Não Nasceu - por Clarice A.

Escrevo estes linhas
Impregnada pela dor
Que em momento de desespero
Fez-me esquecer
O significado do amor.

As conveniências do mundo,
As dificuldades por vir
Toldaram a minha visão.
Não pensei em ti indefeso
E tomei a pior decisão.

O homem que chamarias de pai
Tampouco de ti quis saber,
Eras apenas um estorvo,
Um problema a resolver.

Tu foste por nós descartado,
Não era o momento de vir,
Uma vida arrancada do ventre,
Traçamos um destino para ti.

Hoje peço perdão, minha criança,
Tire este peso de mim,
Só você pode fazê-lo
E me ajudar a seguir.

Sei que isto é possível
Ou não estaríamos aqui:
Somos seres imperfeitos
Com a missão de evoluir.

Então me envie um sinal
E me ajude a entendê-lo,
Para que eu possa, enfim,
Sentir-me forte o bastante
Esperando pelo dia
Que nos encontraremos novamente
E eu, entre beijos e lágrimas,
Pedirei perdão pessoalmente.



Inspirado no tema de As Nossas Poesias XI.
.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ao Filho que Não Nasceu - As Nossas Poesias XI

São pra você estas linhas...
Também me servem de consolo:
Extravaso meu arrependimento
E todo o meu desconsolo...

Oh! Filho tão amado!
Pensei que fosse o momento errado,
Por isso te rejeitei,
Por isso eu te abortei.

Hoje vejo o quanto errei,
Mas se errei, eu vivi:
Porque incapaz de errar
só quem não está aqui.

Mas deste erro nasceu
Uma nova pessoa,
Que olha para dentro de si
Neste caminho sem volta.

Que é o de se descobrir.
O caminho é longo e árduo,
Mas só depende de mim
Não ceder às dificuldades.

E agora agirei de outra forma:
Vou encarar o que a vida trouxer.
Venha de novo, filhinho!
Agora e sempre a mamãe te quer!



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sábado, 14 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Ao Filho que Não Nasceu - por Moita

Minha mulher esperando
por sete meses seguidos.
Muitos nomes sugeridos
e a espera aumentando.
Coração desfibrilando,
o cérebro no apogeu.
Até que aconteceu
a morte do prematuro.
Todo amor dedico, eu juro
ao filho que não nasceu.

Dois filhos eu adotei
para ver se reparava
aquela tremenda trava
que com amargura fiquei.
Nada melhor encontrei
dentre o que aconteceu.
A família esqueceu
daquilo completamente.
Dedico-os como um presente
ao filho que não nasceu.

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Ao Filho que Não Nasceu - por Alba Vieira

Você veio.
Eu não te pensei.
Portanto, não te espero.
Nem mesmo sei se te quero.
Te sinto? Será?
Não há tempo.
Você cresce rápido.
E os outros? E a minha vida?
Eu, sempre eu.
E meus medos e inseguranças.
Penso logo, ajo ainda mais rápido.
Encontro cúmplices tão cegos quanto eu.
Que pensam e só pensam.
E não sentem como tu sentes.
Não se responsabilizam.
Apenas anuem e colaboram.
Um dia também eles se darão conta.
Desenho um plano perfeito,
penso que não deixarei marcas.
Ledo engano:
desde o primeiro momento em que te rejeito
sulco em mim gretas profundas.
E quanto mais se avoluma teu desamparo e cresce tua dor,
piores e mais profundas as cicatrizes em mim.
Porque pensando sobre o que não posso,
sobre o que com certeza não terei forças para enfrentar,
não sinto a força que já tu me dás sem nada pedir em troca,
posto que teu sustento já vem contigo.
Teu destino antes combinado será traído por mim.
As marcas em mim pelo desatino
irão além do corpo, certamente.
Porque sentindo, mesmo anestesiada, a dor do teu agonizar,
minha essência será sacudida pelo vendaval da culpa
que deixará marcas profundas no meu corpo, sim,
mas muito menores que aquelas que estarão
no curso de minha existência empobrecida pela tua falta.
Hoje, minha consciência tardia te pede perdão por haver te abortado.

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