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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Bernard Schlitzingel Von Altrophten - por Luiz de Almeida Neto

Bernard Schlitzingel Von Altrophten nunca aceitou que fosse popularizado um apelido sequer sobre o seu nome. Nem sobre sua pessoa, diga-se de passagem. Sujeito de manias e costumes estritamente aprovados pelo Estado Austríaco, no qual ele aliás cria e admirava.
Por força de uma ou outra ocasião de vida se exaltava, mas em geral permanecia quase que sempre com uma cara fechada, carrancuda, com olhar de mau e pose de quem está sempre prestes a pular no seu pescoço. O temperamento era facilmente descrito como irritadiço e impaciente. Em suma, senhores, Bernard Schlitzingel Von Altrophten nunca nos faria uma visita aqui no Duelos.
Nem fazia visita a ninguém. Contentava-se com sua garrafa de uísque mais que reprimida na poltrona solitária de sua sala. E é lá que está ele agora.
Com uma roupa de gala, sua seriedade intacta, vivendo seu grande momento.
Ele já consegue visualizar, entre um gole e outro, seu filho admitindo o quanto sua educação e disciplina foram importantes, sua mulher a lhe implorar perdão pelo desquite, enquanto ele gentilmente a conforta, demonstrando toda sua honra.
Sua filha então se debulha em lágrimas, confessando que efetivamente pecara antes do casamento, e admitindo que ele realmente era um sujeito astuto, e que descobrira toda a farsa encenada entre ela e o então namorado, que agora encontram-se obrigatoriamente casados.
Tudo isso enquanto ele concede uma entrevista a um jornalista famoso, que sempre faz as perguntas certas, às quais ele responde sempre muito bem, e com muita eloquência, acerca de sua vida honrada e magnífica.
Enfim, 10 da noite. Bernard Schlitzingel Von Altrophten observa o relógio e constata que está enfim na hora da ceia de Natal, e percebe o quanto estivera distante, em um sonho. Em um sonho muito melhor que a realidade. Então, liga avisando ao filho que não irá, que está cansado e na hora de dormir. Como eu disse, ele não visita ninguém. Mas todos vão lá todas as noites prestar seu tributo a ele.



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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Desencanto - por Leo Santos

Há um quadro que a vida desbotou,
e não pôs outro no lugar;
um olhar que amargura tatuou,
uma chaga que não quer cicatrizar.

Ah, a vida e seu espaço!
Passos que não são ir,
são não ficar;
cisterna pra outra sede,
rede pra outro repousar.

Há uma espera pela esperança,
que nas brenhas da noite sumiu;
o tédio alargando o inverno,
estranho inferno, gélido, frio…

Ah, a vida e seu tempo!
Momentos que não passam,
contemplam passar;
acalento pra outro pranto,
e primeiro choro, desencanto…



Visitem Leo Santos
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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Indo Embora - por Alba Vieira

Há momentos que são tristes. ‘Eu me sinto presa’. São tantas coisas densas, tantos problemas pequenos que não me permitem voar...
Quero alçar um vôo leve e levar comigo aquele que almeja a liberdade.

Há momentos que são cheios de alegria. Estou solta e leve, para fugir de tantas coisas que me impedem, que me mantém numa caminhada tão medíocre...
Quero correr, pular, sumir deste mundo grotesco, alma livre que sou. Sou presa somente pela emoção, pelos contatos de amor.

Sinto-me amarrada, atolada, cansada e sem ânimo de me libertar. Busco aquilo que sei que posso e não consigo. Não sei andar nesse caminho de pedras quando sei que vim de um lugar onde caminhava sobre as nuvens.
Quero voltar, quero me reencontrar. Vou-me embora. Vou voar. Vou ser. Longe daqui...



Visitem Alba Vieira
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domingo, 8 de março de 2009

Desencanto - por Ana

Eu esperava encontrar
Hoje, quando acordei,
Alguém interessante na cama,
Mas me decepcionei...

Mais um barbudo, fedido,
De ressaca, metidão,
Esquisito, desempregado,
Idiota e grosseirão.

Tenho que mudar de vida,
Me esforçar muito e mais tanto,
Pois desde que me entendo por gente
Sou eu o meu desencanto.



Poesia cujos título e primeiro verso foram utilizados
para a versão conletiva Desencanto - As Nossas Poesias I.
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Encanto e Desencanto - por Moita

Bandeira, em Desencanto,
faz verso como quem morre.
Mas morrer não é encanto;
é passatempo que corre.

De desalento, de desencanto
que a paciência me torre.
Não tens motivos pra pranto,
quem sabe, tomar um porre.

Morte é produto acabado.
Millôr já disse afobado;
nós somos matéria prima.

Encanto é admirado,
perseguido, almejado,
encantado em nossa rima.
.Manuel Bandeira, Millôr Fernandes

sábado, 7 de março de 2009

Desencanto - As Nossas Poesias I

Eu esperava encontrar
hoje, quando acordei,
minha esperança de volta
e veja com o que esbarrei:
um fiapo do meu sonho
caído no chão do quarto...

Diante desta tristeza
(um fiapo de só cinco metros),
me bateu uma certeza
e a luz matutina da janela
ficou muito mais intensa:
nunca mais na minha vida
eu irei ver Gabriela!



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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Desencanto

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em "comentários", que nós postaremos.
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sábado, 31 de janeiro de 2009

Diálogo de Novela (ou Do Amor e Outros Suspenses) - por Adhemar

Por que as mulheres não se contentam com o momento?
Por que são românticas, paradas, “expectantes”?
Por que não o risco, a incerteza, a emoção?

Eu não sei o que é uma sinceridade intensa
ou uma sincera intensidade;
Por que não vou embora?
Por que não a emoção da espera?
O “será que ele volta?”
“Será que ele liga?”
Ou:
“Será que ela gostou de mim?”
“Será que achou uma porcaria?”

Por que os casais fazem tudo tão perfeito no início?
Por que tudo é tão maravilhoso
e cada um preenche o seu papel de príncipe e princesa?
Por que ninguém pensa:
“Será que ele mija em pé?”
“Será que ela escova os dentes?”
E a toalha molhada na cama,
a roupa suja espalhada
e os bifes queimados?!

Por que o amor é tão bobo e tão descarado?
(Por que tomar banho juntos para ‘quebrar o gelo’?)

Casa redecorada, armário rearrumado.
Por que o amor é tão sério e tão desorganizado?
Por que os papéis correspondem
e depois o trem descarrilha?
Por que encaixamos tão bem
e depois cada um numa trilha?
Por que um sonho tão bom
é tão predestinado?
Por que começa tão bem
e acaba tão errado?
Por que a melhora e a cura
para o que será enterrado?

O par perfeito é a resposta,
pra tudo,
até o que não foi perguntado.
“Você é a mulher dos meus sonhos”,
“Você é o meu sapo encantado”.
Aí, o futebol, os amigos,
os chás, o shopping, trabalho.
A princesa era a fada má;
o príncipe acorda um canalha.

Então, malas feitas, adeus.
Adeus, saudades, mais nada.
Até no rompimento, o cinismo,
o amor que se avacalha.
Período de vida indelével
que se sufoca, se esconde mas não se apaga.

Por que os homens não são mais atentos,
persistentes e cavalheiros?
Por que o amor é um tudo?
E quem não amou não viu nada…

E tudo começa de novo,
com os mesmos, com outros, sei lá.
Felizes dos que, teimosos,
não correm riscos por nada…



Visitem Adhemar
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Francisco Otaviano em “Soneto” - Citado por Penélope Charmosa

Morrer, dormir, não mais: termina a vida
E com ela terminam nossas dores,
Um punhado de terra, algumas flores,
E às vezes uma lágrima fingida!

Sim, minha morte não será sentida,
Não deixo amigos e nem tive amores!
Ou se os tive mostraram-se traidores,
Algozes vis de uma alma consumida.

Tudo é pobre no mundo; que me importa
Que ele amanhã se esb’roe e que desabe,
Se a natureza para mim está morta!

É tempo já que o meu exílio acabe,
Vem, pois, ó morte, ao nada que me transporta
Morrer, dormir, talvez sonhar, quem sabe?
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Descompasso - por Alba Vieira

Morro um pouco a cada dia,
Não abro mais a porta,
Não recebo ninguém, ninguém me recebe,
Não brigo mais, não participo,
Não caminho,
Apenas permaneço triste, desenergizado,
Em total estagnação.
Quero ajuda? De quem?
Não vislumbro o futuro…
Não quero mais lutar, nem esperar…
Há uma névoa que encobre meus olhos,
Sou quase um morto.

Não enxergo o quanto me engano,
Se tento ensaiar passos tímidos
Para onde não desejo de fato ir.
E nada acontece…
Não consigo. Tento?
Sou um perdedor.
Todos já sabem. Menos eu.
Não vou conseguir mesmo o que afirmo querer. Mentira.
Quero ou querem para minha vida?
Perdi para mim mesmo.
Sigo as escolhas que outros fizeram por mim e para mim.
Deixei de ser eu. Apenas hoje arco com a responsabilidade.
Nem sei agora quem sou.

Tenho lapsos, vivo o descompasso…

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sábado, 6 de dezembro de 2008

Desencanto - por Jorge Queiroz da Silva

Não busco o desencanto, ele não teve importância em nenhum momento de minha vida. O mais prático é buscar o encanto, este sim existe, e é muito mais fácil de ser achado. O desencanto já é resultado do encanto, embora desgastado e embrulhado. Somente o encanto quebrado será motivo para a busca do próximo encanto e essa busca tão verdadeira vai lhe mostrar o que, com certeza, irá encantá-lo outra vez.

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