Creative Commons License


Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




Mostrando postagens com marcador .Penélope Charmosa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador .Penélope Charmosa. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de agosto de 2014

Einstein, a sua Carta e Deus - Enviada por Penélope Charmosa

 
Conhecida como a Einstein God-Letter,  foi escrita no dia 3 de janeiro de 1954, aproximadamente um ano antes de sua morte. Foi escrita à mão, em alemão, e era destinada ao filósofo Erik Gutkind, de quem ele havia lido a obra “Escolha a Vida: o apelo bíblico pela revolta”.


A palavra Deus é para mim nada mais do que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honoráveis mas ainda assim primitivas que são, do mesmo modo, muito infantis. Nenhuma interpretação, não importa quão sutil seja, pode (para mim) mudar isso. Estas interpretações sutilizadas são altamente influenciadas de acordo com sua natureza e tem quase nada a ver com o texto original. Para mim a religião judaica, como todas as outras religiões, é uma encarnação das superstições mais infantis. E o povo judeu ao qual eu felizmente pertenço e com a mentalidade do qual eu tenho uma profunda afinidade não tem, para mim, qualquer qualidade diferente dos outros povos. De acordo com minha experiência, eles também não são melhores do que outros grupos humanos, embora sejam protegidos dos piores cânceres por falta de poder. De outra forma, eu não posso ver qualquer coisa "escolhida" a seu respeito.
 
No geral, eu acho doloroso que você clame uma posição privilegiada e tente defender esta ideia através de dois muros de orgulho, um externo como um homem e um interno como um judeu. Como um homem você demanda, de certa forma, uma dispensa da casualidade de outra forma aceita, e como um judeu o privilégio do monoteísmo. Mas uma casualidade limitada não é mais, de forma alguma, uma casualidade, como nosso maravilhoso Spinoza reconheceu incisivamente, provavelmente o primeiro a fazê-lo. E as interpretações anímicas das religiões da natureza não são, em princípio, anuladas pela monopolização. Com tais muros nós só podemos alcançar uma certa auto ilusão, mas nossos esforços morais não são melhorados por eles. Pelo contrário.
 
Agora que eu abertamente expus nossas diferenças em relação às convicções intelectuais, é ainda claro para mim que nós somos bem próximos no que se refere às coisas essenciais, ou seja, na nossa avaliação do comportamento humano. O que nos separa são somente proposições intelectuais e racionalizações na linguagem de Freud. Desta forma, eu acho que iriamos nos entender muito bem se falássemos de coisas concretas. Com agradecimentos amigáveis e os melhores desejos.
.
.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Paulo Freire, o Dizer e o Fazer - Citado por Penélope Charmosa


É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal maneira que num dado momento a tua fala seja a tua prática.
.
.

domingo, 10 de agosto de 2014

Ser Pai (Anônimo) - Mensagem enviada por Penélope Charmosa















Ser pai é ter compromisso.
E usar como artifício.
O seu jeito de amar.
É sentir muita alegria.
De estar em sintonia.
Como a areia e o mar.


Ser pai é um presente.
Que alegra e deixa contente.
A nação do mundo inteiro.
É como uma árvore atrativa.
Que dá fruto e cativa.
Lá no centro do canteiro.


Ser pai é a convicção.
De ter a preocupação.
De o filho ser vencedor.
No caráter e na verdade.
Manter sempre a humildade.
Cultivando sempre o amor.


Ser pai é perder o sono.
É sentir um cão sem dono.
Quando o filho está distante.
Mas que sempre trabalha duro.
Para garantir o futuro.
E o filho ser importante.


Ser pai é o extremo.
No mundo em que vivemos.
Nesse planeta sem brilho.
Com trabalho estressante.
Mas tem momentos marcantes.
Que são os abraços do filho.


Ser pai é um enredo.
Mas que não retrata o medo.
E tem alegria de monte.
É como um final de novela.
Seguindo num barco a vela.
A procura do horizonte.


Ser pai é acordar cedo.
E construir um brinquedo.
Com madeira e verniz.
Uma boneca ou um pião.
Uma pipa ou caminhão.
Só pra ver o filho feliz.


Pai tem que ser amado.
Além de tudo respeitado.
Do fundo do coração.
Pai é uma sensação gostosa.
Uma coisa maravilhosa.
Que não tem explicação.

.

sábado, 28 de junho de 2014

Stig Dagerman e o Acaso - Citado por Penélope Charmosa

É de um sadismo soberbo pensar que deveríamos ser julgados pelas nossas boas e más ações, uma vez que só de um pequeníssimo número das nossas ações podemos decidir. O acaso cego, que se distingue da justiça cega pelo simples fato de ainda não usar venda, introduz e acaba as nossas ações; o que podemos fazer e, bem entendido, o que devemos fazer, em virtude da existência tantas vezes negada da nossa consciência, é deixarmo-nos arrastar numa certa direção e mantermo-nos depois nessa direção enquanto conservamos os olhos abertos e estamos conscientes de que o fim em geral é uma ilusão, pelo que o fundamental é a direção que mantivermos, pois só ela se encontra sob o nosso controle, sob o controle do nosso miserável eu. E a lucidez, sim, a lucidez - os olhos abertos fitando sem medo a nossa terrível situação - deve ser a estrela do eu, a nossa única bússola, uma bússola que cria a direção, porque sem bússola não há direção. Mas se me disponho agora a acreditar na direção, passo a duvidar dos testemunhos relativos à maldade humana, uma vez que no interior de uma mesma direção - em si mesma excelente - podem existir correntes boas e más.



In “A Ilha dos Condenados”.
.
.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Alexis Carrel e a Civilização Construída ao Acaso - Citado por Penélope Charmosa

A civilização moderna encontra-se em má posição porque não nos convém. Foi construída sem conhecimento da nossa verdadeira natureza. Deve-se ao capricho das descobertas científicas, do apetite dos homens, das suas ilusões, das suas teorias e dos seus desejos. Apesar de ter sido edificada por nós, não foi feita à nossa medida.
Na verdade, é evidente que a ciência não seguiu nenhum plano. Desenvolveu-se ao acaso, com o nascimento de alguns homens de gênio, a forma do seu espírito e o caminho que tomou a sua curiosidade. Não se inspirou de modo nenhum no desejo de melhorar o estado dos seres humanos. As descobertas produziram-se ao sabor da intuição dos cientistas e das circunstâncias mais ou menos fortuitas das suas carreiras.
Se Galileu, Newton ou Lavoisier tivessem aplicado os poderes do seu espírito ao estudo do corpo e da consciência, talvez o nosso mundo fosse diferente do que é hoje. Os cientistas ignoram para onde vão. São guiados pelo acaso, por raciocínios sutis, por uma espécie de clarividência. Cada um deles é um mundo à parte, governado pelas suas próprias leis. De tempos a tempos, certas coisas, obscuras para os outros, tornam-se claras para eles. Em geral, as descobertas são feitas sem nenhuma revisão das consequências. Mas a forma da nossa civilização resultou dessas consequências.



In “O Homem, Esse Desconhecido”.
.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Haruki Murakami, Destino, Acaso ou Coincidência - Citado por Penélope Charmosa

Podemos muito bem, se for esse o nosso desejo, vaguear sem destino pelo vasto mundo do acaso. Que é como quem diz, sem raízes, exatamente da mesma maneira que a semente alada de certas plantas esvoaça ao sabor da brisa primaveril.
E, contudo, não faltará ao mesmo tempo quem negue a existência daquilo a que se convencionou chamar o destino. O que está feito, feito está, o que tem se ser tem muita força e por aí fora. Por outras palavras, quer queiramos quer não, a nossa existência resume-se a uma sucessão de instantes passageiros aprisionados entre o “tudo” que ficou para trás e o “nada” que temos pela frente. Decididamente, neste mundo não há lugar para as coincidências nem para as probabilidades.
Na verdade, porém, não se pode dizer que entre esses dois pontos de vista exista uma grande diferença. O que se passa - como, de resto, em qualquer confronto de opiniões - é o mesmo que sucede com certos pratos culinários: são conhecidos por nomes diferentes mas, na prática, o resultado não varia.



In “Em Busca do Carneiro Selvagem”.
.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Franz Kafka e o Mundo - Citado por Penélope Charmosa

.
Não é necessário sair de casa.
Permaneça em sua mesa e ouça.
Não apenas ouça, mas espere.
Não apenas espere, mas fique sozinho em silêncio.
Então o mundo se apresentará desmascarado.
Em êxtase, se dobrará sobre os seus pés.
.
.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Albert Einstein e a Bomba Atômica - Citado por Penélope Charmosa

Minha responsabilidade na questão da bomba atômica se limita a uma única intervenção: escrevi uma carta ao Presidente Roosevelt. Eu sabia ser necessária e urgente a organização de experiências de grande envergadura para o estudo e a realização da bomba atômica. E o disse. Conhecia também o risco universal causado pela descoberta da bomba. Mas os sábios alemães se encarniçavam sobre o mesmo problema e tinham todas as chances de resolvê-lo. Assumi portanto minhas responsabilidades. E no entanto sou apaixonadamente um pacifista e minha maneira de ver não é diferente diante da mortandade em tempo de paz. Já que as nações não se resolvem a suprimir a guerra por uma ação conjunta, já que não superam os conflitos por uma arbitragem pacífica e não baseiam seu direito sobre a lei, elas se veem inexoravelmente obrigadas a preparar a guerra. Participando da corrida geral dos armamentos e não querendo perder, concebem e executam os planos mais detestáveis. Precipitam-se para a guerra. Mas hoje a guerra se chama o aniquilamento da humanidade. Protestar hoje contra os armamentos não quer dizer nada e não muda nada. Só a supressão definitiva do risco universal da guerra dá sentido e oportunidade à sobrevivência do mundo. Daqui em diante, eis nosso labor cotidiano e nossa inabalável decisão: lutar contra a raiz do mal e não contra os efeitos. O homem aceita lucidamente esta exigência. Que importa que seja acusado de antissocial ou de utópico? Gandhi encarna o maior gênio político de nossa civilização. Definiu o sentido concreto de uma política e soube encontrar em cada homem um inesgotável heroísmo quando descobriu um objetivo e um valor para sua ação. A Índia, hoje livre, prova a justeza de seu testemunho. Ora, o poder material - em aparência, invencível - do Império Britânico foi submergido por uma vontade inspirada por ideias simples e claras.
.Mahatma Gandhi

domingo, 6 de abril de 2014

Léon Tolstói e a Arte - Citado por Penélope Charmosa

A atividade da arte consiste em evocar em si próprio certo sentimento que se experimentou e tendo-o evocado, transmiti-lo por meio de movimento, linhas, cores, sons ou formas expressas em palavras, para que outrem experimentem o mesmo sentimento.
.

quinta-feira, 20 de março de 2014

René Descartes: Penso, Logo Existo - Citado por Penélope Charmosa

De há muito tinha notado que, pelo que respeita à conduta, é necessário algumas vezes seguir como indubitáveis opiniões que sabemos serem muito incertas (...). Mas, agora que resolvera dedicar-me apenas à descoberta da verdade, pensei que era necessário proceder exatamente ao contrário, e rejeitar, como absolutamente falso, tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor dúvida, a fim de ver se, após isso, não ficaria qualquer coisa nas minhas opiniões que fosse inteiramente indubitável.
Assim, porque os nossos sentidos nos enganam algumas vezes, eu quis supor que nada há que seja tal como eles o fazem imaginar. E porque há homens que se enganam ao raciocinar, até nos mais simples temas de geometria, e neles cometem paralogismos, rejeitei como falsas, visto estar sujeito a enganar-me como qualquer outro, todas as razões de que até então me servira nas demonstrações. Finalmente, considerando que os pensamentos que temos quando acordados nos podem ocorrer também quando dormimos, sem que neste caso nenhum seja verdadeiro, resolvi supor que tudo o que até então encontrara acolhimento no meu espírito não era mais verdadeiro que as ilusões dos meus sonhos. Mas, logo em seguida, notei que, enquanto assim queria pensar que tudo era falso, eu, que assim o pensava, necessariamente era alguma coisa. E notando esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as extravagantes suposições dos céticos seriam impotentes para a abalar, julguei que a podia aceitar, sem escrúpulo, para primeiro princípio da filosofia que procurava.



In “Discurso sobre o Método”.
.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Mário Quintana e a Carta - Citado por Penélope Charmosa

Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto-e-vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida.



In “Do Caderno H”.
.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Mário Quintana, Lógica e Linguagem - Citado por Penélope Charmosa

Alguém já se lembrou de fazer um estudo sobre a estatística dos provérbios? Este, por exemplo: “Quem cospe para o céu, na cara lhe cai”. Tal desarranjo sintático faria a antiga análise lógica perder de súbito a razão.



In “Do Caderno H”.
.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Mário Quintana e os Escritos - Citado por Penélope Charmosa

.
Se é proibido escrever nos monumentos, também deveria haver uma lei que proibisse escrever sobre Shakespeare e Camões.



In “Do Caderno H”.
William Shakespeare, Luís Vaz de Camões

domingo, 15 de dezembro de 2013

Friedrich Nietzsche e a Moral do Agir - Citado por Penélope Charmosa

Não acusamos a Natureza de imoral, se ela nos manda uma trovoada e nos molha: porque chamamos imoral à pessoa que prejudica? Porque, aqui, admitimos uma vontade livre exercendo-se arbitrariamente; ali, uma necessidade. Mas essa distinção é um erro. E mais: nem em todas as circunstâncias chamamos “imoral” mesmo ao ato de lesar com intenção; por exemplo, mata-se deliberadamente um mosquito, sem hesitação, apenas porque o seu zumbido nos desagrada, castiga-se com intenção o criminoso e inflige-se-lhe sofrimento, para nos protegermos a nós e à sociedade. No primeiro caso, é o indivíduo que, para se manter ou até para não se expor a um desagrado, faz sofrer intencionalmente; no segundo, é o Estado. Toda a moral aceita que se faça mal de propósito, em legítima defesa: ou seja, quando se trata da conservação de si próprio! Mas estes dois pontos de vista bastam para explicar todas as más ações cometidas por seres humanos contra seres humanos: ou se quer prazer para si ou se quer evitar desprazer; em qualquer dos sentidos, trata-se sempre da conservação de si próprio. Sócrates e Platão também têm razão: seja o que for que o homem faça, ele faz sempre o bem, isto é, aquilo que lhe parece bom (útil), consoante o grau da sua inteligência, consoante a respectiva medida da sua racionalidade.



In “Humano, Demasiado Humano”.
.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

sábado, 7 de dezembro de 2013

Ana Hatherly, Ambiguidade e Ação - Citada por Penélope Charmosa

A Mentira é a recriação de uma Verdade. O mentiroso cria ou recria. Ou recreia. A fronteira entre estas duas palavras é tênue e delicada. Mas as fronteiras entre as palavras são todas tênues e delicadas.
Entre a recriação e o recreio assenta todo o jogo. O que não quer dizer que o jogo resulta sempre. Resulte seja o que for ou do que for.
A Ambiguidade é a Arte do Suspenso. Tudo o que está suspenso suspende ou equilibra. Ou instabiliza. Mas tudo é instável ou está suspenso.
Pelo menos ainda.
Ainda é uma questão de tempo. Tudo depende da noção de tempo ou duração ou extensão. A aceleração do tempo pode traduzir-se pela imobilidade, pois que a imobilidade pode traduzir-se por um máximo de aceleração ou um mínimo de extensão: aceleração tão grande que já não se veja o movimento ou o espaço ou a duração.
Tudo está sempre a destruir tudo. Ou qualquer coisa. Ou alguém. Mas estamos sempre a destruir tudo ou qualquer coisa. Ou alguém.
Os construtores demolem. No lugar onde estava o sopro, pormos pedras ou palavras: sinônimo de construção. Ou destruição. Ou ação.



In “O Mestre”.
.