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sábado, 24 de agosto de 2013

Amor Totalitário - por Flavio Braga

Meu bem, ama-me como se eu fosse
o Guia da Locomotiva da Sua Libido.
Sou o dono do seu umbigo
e de outros orifícios mais cotados.
Eu sou a força motriz de sua Revolução,
mesmo sendo a sua negação
a favor do “status quo”
do seu confuso coração.
Chamo-te de puta e tudo,
mesmo que o pano de fundo
seja meu amor em estágio mais bruto
subjugando seu amor burro
como raças inferiores,
refém dos meus humores
e da minha natureza destrutiva,
mesmo quando estou por cima.
E em nome da moral e dos bons costumes
mantenho-te imune
aos românticos perversos socialistas
e raros arruaceiros anarquistas
Eu sou seu Camisa Negra
e seu coração, minha Roma,
onde marcho, piso, cuspo
e ocupo para combater o absurdo.
Quero que me chame de Genial Camarada do Prazer,
mesmo sem ser
Porque o prazer é todo meu
e o ônus do amor totalitário é totalmente seu.

É o fim das suas liberdades, minha querida!
Caíste nas armadilhas de um amor extremista.

Minha cara, o amor é lindo,
mesmo transformado em dogma a-histórico.



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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Amor e Futebol (IV) ou ainda A Ereção - por Flavio Braga

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Não, agora não.
Juro que não estou impedido.
Se eu estou, é por questão de centímetros.



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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Resposta (I) - por Flavio Braga

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Perfeito, Paulo!
Isso tudo é o reflexo de uma espécie de “idiocracia”, até porque parece que um QI de 140 não vai colocar duas suecas na cama de ninguém, já que inteligência e cultura parecem não servir para muita coisa nos dias de hoje. Adorei o texto, nem me atrevo a comentar mais com medo de ser redundante, pois sua análise foi cirúrgica. Parabéns!
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Resposta a “Começou mais um BBB”, de Paulo Chinelate.
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Resposta (II) - por Flavio Braga

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É uma boa questão, Escrevinhadora!
Suponho que seja essa coisa de ser celebridade, mesmo sem fazer nada de muito célebre para merecer tal título, que leva essas pessoas a se submeterem a toda essa exposição. O mundo de hoje é assim: se você não aparece na TV, não é uma pessoa importante, e não importa o que você faça na TV. As pessoas parecem cegas com essa coisa de aparecer a qualquer custo para ter uns 15 segundos de fama.
Ah, e com certeza você é uma exceção dentre os que assistem BBB, porque para a maioria das pessoas dá uma preguiça pensar, ler, escrever, transformar o que resta do seu ócio em ócio criativo, e sem contar que é louvável de sua parte assistir o programa pelo simples fato de vê-lo com esse tipo de olhar mais atento a detalhes que passam batidos por 99,5% das pessoas que assistem ao BBB. Está muito longe de ser um pecadilho! Haha
Abraço!
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Resposta a Resposta, de Escrevinhadora.
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sábado, 15 de janeiro de 2011

Aos Amigos Professores de Português - por Flavio Braga

Uma coisa que aprendi sendo carioca é que a gente não pode ficar com medo de qualquer coisa, até porque um sujeito que tem mais experiências de quase morte do que um regimento inteiro de fuzileiros navais americanos na guerra do Iraque é osso duro de roer. Claro, tenho muitos medos, mais até do que eu queria. Mas não é qualquer tiro de fuzil que me faz gritar feito uma garotinha indefesa, não senhor (talvez DOIS tiros de fuzil me façam ter essa atitude)! Mas uma coisa que me faz suar frio é o simples fato de conversar com professores de português. Não, aqui no Rio nem todos carregam uma faca Guinso na bolsa ou nos dentes, ao estilo de Rambo, muito pelo contrário, em sua maioria são criaturas dóceis e com uma conversa legal. Mas é que eu tenho medo deles justamente por achar que eles vão voar no meu pescoço ao menor deslize no uso de nossa língua. É como se eles tivessem um ranking de pontuação na mente, no estilo de no primeiro erro do interlocutor, levanta uma sobrancelha, no segundo faz uma careta, no terceiro dá um cartão amarelo e no quarto erro dá uma voadora no peito do analfabeto. Então, mesmo sabendo que um ranking desse tipo não existe (eu espero que não exista, certo?) eu tenho medo. Mas não é o medo de ser corrigido - até porque todo mundo erra, até mesmo os professores de português -, é uma espécie de desconforto meu, que ainda fica mais evidente quando peço para que leiam alguma coisa que escrevi. Quando eles falam que você escreve “direitinho”, atenção, é sinal que você é um analfabeto com diploma em Burrologia. Desconfie!
O mais engraçado dessa história é imaginar como deve ser conviver com um professor de português na sua intimidade, no casamento, por exemplo. Há um tempo eu tive um bocado dessa experiência, e acho que me saí bem, fora uma meia dúzia de “Estados Unidos é” ou o uso do “que nem” ao invés de “feito” ou “igual” – que já até esqueci o que argumentaram contra o “que nem”. Casar com uma professora de português deve ser adrenalina para o resto da vida, ou o caminho mais curto para se cometer um assassinato, o que vier primeiro. Mais ou menos assim:

- Amor!
- Oi!
- Vem ver o que aconteceu!
- O que foi?
- O Estados Unidos é o maior a nível de cirurgia plástica, e...
- Não, amor, para aí. “O Estados Unidos é” não, amor. O certo é “Os Estados Unidos são”. E outra, “a nível de”, não, amor, não faz isso.
- Tá bom, tá bom.
- Continue.
- Certo. Os Estados Unidos são – falei certo agora? – os maiores consumidores de cremes e cirurgias plásticas, e a gente somos os segundo.
- Amor, com que você tem andado? Com o Lula? “A gente somos”? Por favor, né?
- Vem cá, você é o professor Pasquale, agora? Coé!
- Mas amor, eu só estou te corrigindo...
- Mané corrigindo, você tá é de implicância comigo! Pensa que sou ingnorante?
- “Ignorante”.
- Pois é, ingnorante.
- Não, o certo é “ignorante”.
- Desisto!
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domingo, 9 de janeiro de 2011

Eu e Meus Óculos Escuros - por Flavio Braga

Até pouco tempo atrás, eu não gostava muito de óculos escuros. Sei lá, implicância minha, achava que óculos escuros me faziam parecer um besouro com um pouco mais que 1,80m. Mas eu vi que, se eu quisesse enxergar alguma coisa no sol que estava fazendo nesse verão senegalês daqui do Rio, eu teria que comprar uns óculos escuros. Comprei. Achei um que eu acabei parecendo o Exterminador do Futuro, versão negra, subdesenvolvida e resumida. Um Scwarzerneguinho. Mas o que interessa é que os óculos não só caíram bem como me fizeram mudar radicalmente a minha opinião sobre os óculos escuros. São esconderijos que cabem no bolso! Eu, que sou tímido, sempre tive dificuldade de olhar desconhecidos nos olhos. Agora olho numa boa, só falta fazer careta para eles. Fiquei com um ar meio perigoso, mas perigoso no sentido “ei, gatinha, quer descobrir o que tem de bom por trás desses óculos?”, não o perigoso “ei, madame, perdeu, isso é um assalto!”, sabe? Até para dar aquela olhada sacana para as moças na rua os óculos servem. Eu olho e elas não percebem. Ou percebem, sei lá. Depende se elas estão indo ou vindo.
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Resoluções de Ano Novo - por Flavio Braga

Sei que todo ano é o mesmo papo, prometo um monte de coisa e no fim do ano eu vejo que não fiz nada. Mas esse ano vai ser diferente, sei lá, estou sentindo um clima favorável, um amor no coração, ou o álcool me fazendo ficar meio emotivo e chapado, não necessariamente nessa ordem. Que seja. Mas eu só vou prometer o que posso cumprir.
Por exemplo, esse ano vou enfim cuidar do meu corpo. Vou malhar, fazer exercícios, essas coisas. Mas não vai ser agora em janeiro, nem em fevereiro, março, agosto ou outubro. Só lá para o fim de novembro, para dar tempo de ficar em forma para o próximo verão, até porque para esse verão não dá mais tempo.
Juro que dessa vez paro de fumar, mas vai ser aos poucos. Agora só fumo depois do sexo, ou quando eu estiver nervoso, ou quando estiver buscando alguma ideia legal que vá mudar minha vida, ou ainda quando quero dar uma relaxada ou só quando estiver de bobeira. No resto do dia, nada de cigarro!
Quanto ao álcool, eu estou determinado a parar de beber demais. Vou beber na medida. Na medida do copo, com direitos a várias repetições. Odeio desperdício.
Também vou ser mais sincero, exceto na hora de falar aquelas mentirinhas sociais.
Vou parar de falar mal das pessoas, pelo menos na frente delas. Isso facilita na hora de arrumar menos briga, que é outra promessa para o ano novo.
Tentarei ser mais tolerante com as diferenças entre as pessoas. Chega de chamar os homossexuais de viadinhos, os brancos de vela, os gordos de rolha de poço, o pessoal do candomblé de macumbeiros, o pessoal do reggae de maconheiros, os sem-pernas de cotó ou o PT de comunista.
Vou tentar fazer uma coisa que vai fazer minha mãe ficar orgulhosa, vou parar de falar a caralhada de palavrão que falo desde a adolescência. É um vício da porra que tenho. Vou parar antes que essa mania foda com minha vida social.
Vou também ajudar quem precisa. Vou parar de rir da cara deles. Coitados, esse povo não tem culpa de tanta desgraça que acontece na vida deles.
É...Esse ano promete!
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Doente... - por Flavio Braga

- Senhor Flavio, tenho boas notícias.
- O que houve, doutor, vocês mudaram meu sexo?
- Quê?
- Desculpa, doutor, estou brincando. Acho que esses remédios estão me deixando meio chapado. A propósito, meu amigo Ringo te mandou um alô.
- Quem é Ringo?
- Você não conhece, é meu amigo invisível. Ele é um elefante rosa botafoguense que se comunica comigo falando javanês.
- Estou espantado.
- Com o quê, doutor? Com minha fluência em javanês ou por eu ser amigo de um elefante rosa?
- Não, por ele ser botafoguense.
- E anarquista! Elefante rosa botafoguense E anarquista! Acredita? Esse Ringo é mesmo uma figura!
- Sei... Bem, como ia dizendo, tenho boas notícias para o senhor. Como a operação é de rotina e o tempo de recuperação é curto, amanhã você pode voltar para casa e dentro de dois dias você pode voltar ao trabalho.
- Estou decepcionado...
- Por quê?
- Eu pensei que vocês iam me dar um pouco mais de tempo para me recuperar, coisa pouca, tipo uns seis meses.
- Hum... Entendo.
- Sabe como é, preciso de umas férias. Doutor, posso te perguntar uma coisa?
- Claro.
- É uma coisa que vou perguntar e preciso ser forte o suficiente para poder escutar a resposta, que pode acabar com todo o sentido da minha vida. Deixa eu respirar. Preciso ser forte para aguentar a resposta, talvez eu nunca suportei escutar de alguém algo tão sincero, mas preciso que o senhor não minta para mim.
- Tudo bem, diga.
- Doutor, antes de ser mandado para casa, uma enfermeira morena, com quadris fartos e sedenta por sexo selvagem com o primeiro paciente que apareça na sua frente, que por coincidência, sou eu, vai me dar banho?
- Hum... Talvez.
- Legal! Espero não ter exigido muito.
- Não, que é isso! Boa noite, Flavio, volto aqui amanhã de manhã.
- Tudo bem, doutor. Doutor?
- Sim?
- Liga não, é tudo brincadeira. Serve uma enfermeira loira.
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ou ainda O Necessitado ou Relacionamento em Crise ou talvez Trabalhos Manuais - por Flavio Braga (Erótico)

- Pô, cara, tô necessitado.
- Como assim, necessitado?
- Sexo.
- Hum.
- Mas a coisa está feia. Tenho medo de ter esquecido como se faz, e pior, talvez eu fique muito surpreso se eu lembrar de como se faz.
- Há quanto tempo você não faz sexo?
- Com uma pessoa?
- É, animal! Claro! Ou você acha que conta boneca inflável ou sua mão esquerda?
- Claro que não. Até porque com a mão esquerda a impressão é de se estar com uma estranha.
- Não enrola, cara. Quanto tempo faz que você não faz?
- Sei lá.
- A propósito, você já fez sexo?
- Com uma pessoa?
- Não, com um bode reprodutor, anta! Claro que é com uma pessoa!
- Do mesmo sexo ou de sexo diferente?
- Eu achava que você era hetero.
- E sou.
- Então por que tá me perguntando isso?
- Sei lá, gosto de te ver nervoso.
- Tá certo. Quanto tempo, garanhão?
- Não sei, talvez uns dois ou 20 anos, por aí.
- Porra, mas essa é sua idade.
- Pois é. Não sei mais o que faço.
- Ué, cara, internet serve justamente para pervertidos como você. Procura uns filmes, compra umas velas, um champanhe, para sua mão ficar no clima, sei lá.
- Não adianta mais.
- Como assim, cara? Na internet você encontra tudo de mais bizarro, fica a seu critério a escolha.
- Mas a coisa tá complicada: já vi todos os filmes de Brasileirinhas, de tailandesas, de russas, filmes hentai, softcore, hardcore, forrocore, bondage, sadomasoquismo, sexo com travestis, com anões besuntados com Gelol, senhoras de 114 anos, sexo com mendigos... Nada mais me satisfaz.
- Entre mendigos? Me dá o link?
- Oi? Desculpa. Tava distraído.
- Crise. Seu relacionamento está em crise.
- Como assim, eu não me relaciono com ninguém!
- Como não? E sua mão? Já pensou em sexo com prostitutas?
- Já, mas é como fazer com a mão esquerda. É uma estranha.
- Então amigo, faça as pazes com quem sempre te satisfez. Salve seu casamento com sua mão direita ou vai ter que fazer algo muito difícil.
- É? O quê?
- Arrumar uma mulher.
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Eu e Emanuelle - por Flavio Braga

Quando a conheci, eu nem tinha maldade o suficiente para imaginar posições sexuais. Escutava os meninos mais velhos, de 15, 16 anos, falando de posição X ou Y e eu fazia força para tentar imaginar como que era. E, na maioria das vezes, achava aquilo tudo impossível, a menos que se estivesse transando com uma ginasta romena. Mas isso foi até eu conhecê-la. Até pouco tempo achava que ela era muda. Pior. Muda e bem mais velha. Não sei se minha mãe aceitaria que seu então filho inocente se relacionasse com uma mulher mais velha.
Não sei onde Emanuelle se metia durante a semana toda (ou se era metida a semana toda, vai saber), mas a madrugada de sábado era nossa. Ela chegava lá em casa por volta das duas e pouca e ficava até... Não sei até que horas ela ficava. Só sei que eu ficava exausto um pouco antes das três e ia dormir sem me despedir, e ela nem ligava. Entrava muda e saía calada lá de casa, porque o barulho podia acordar as outras pessoas da casa. Pois é, sexo perigoso e divertido.
E ela me mostrou até alguns lugares do mundo, mas ela me mostrou também seu belo par de peitos. Isso para um garoto de 14 anos é bem mais interessante que viajar para ver touradas, ir a África ou ao Oriente. Pensando bem, dependendo do par de peitos e do conjunto da obra, é bem mais interessante até hoje. Que seja. Lembro que tinha vezes que ela parecia outra pessoa. Tinha dias que ela tinha um jeitão tão anos 1980, em outros era um mulherão ao estilo anos 1990, mas sinceramente, pouco me importava. Só sei que tinha dias que as luzes ficavam meio baixas, o quarto parecia rodar... Algumas vezes ela até me pediu para colocar uns óculos 3D, para apimentar um pouco mais a noite, mas nunca consegui usar os tais óculos, por dois motivos: o primeiro era que eu achava – e ainda acho – ridículo usar óculos em lugares escuros. O outro motivo era que eu não tinha os malditos dos óculos. Mas era bom, mesmo que com ela eu sempre tive a impressão de estar sozinho. Mas dane-se. Ela era minha.
Mas não era só minha. Meus amigos também conheciam Emanuelle. Como? Não sei. E faziam todas aquelas coisas que eu fazia com ela. Estranho. Não me lembro de ter participado de nenhum gang-bang, ainda mais com conhecidos, alguns que até hoje são bem mais feios que eu. Não faziam o tipo de Emanuelle, tenho certeza. Só podia ser mentira, blefe de moleque invejoso. Calúnia! Mas desde sempre sabia que não podia confiar em Emanuelle, que parecia separada de mim por um vidro, uma tela. Fiquei transtornado, inconsolável, pelo menos até o primeiro par de peitos que de fato toquei. Mas isso é outra história.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Amor e Futebol (III) ou ainda O Reserva ou talvez Ode ao Obina - por Flavio Braga

Pode até ser bom
Mas só quebra galho.
Quem nasceu para carregador de piano,
rala por anos e anos,
mas nunca será o astro.
O técnico sempre diz que ele merece uma chance,
mas a gente sabe
- aqui entre nós, coisas do amor e do futebol -
que nunca terá.
Ele pode até ser bom,
Mas só quebra galho.
Reserva:
Chore no banco que é lugar quente.



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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Amor e Futebol (I) - por Flavio Braga

Do que adianta ter uma torcida maior do que a do Fla-Flu
se o zagueiro só faz cagada?
Meu time é tão forte quanto a seleção do Peru,
e pior do que ficar no Zero a Zero
é ficar no 5 a 1




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domingo, 22 de novembro de 2009

Amor Tímido - por Flavio Braga

Eu te amo baixinho como um sussurro
Mas um tanto assim que o mundo
Não seria suficiente para abrigar tanto amor.

Eu te amo guardado a chaves e cadeados
Quebrados; todos sabem que ando mais desligado
E distraído como de costume.

De cabeça baixa e pensativo te escrevo um poema
Imaginando um amor digno de cinema
Mas preso à triste realidade
- cinema americano faz mal à saúde!
(mas a vida é um azedume)

Quando procuro sua mão é uma batalha vencida
contra a timidez, maldita proteção que me fez
não fazer tanta coisa que devia
e fazer outras tantas que não podia

Eu te amo humilde e ruborizado
Mas nada que um coração tímido e apaixonado
Possa aguentar, e até esperar
Pelas reviravoltas nas voltas que o amor nos dá

Mas tudo bem na minha, sem confusão.



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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ano Um - por Flavio Braga

Hoje, por um breve momento, olhei para meu passado recente. Um ano atrás, para ser mais exato. Olhei e não me reconheci. Vi que procurei o que me é fundamental nos lugares errados. Em portas erradas, em cidades erradas, em pessoas erradas. Estava me conformando em ter como única companheira até meus últimos dias a Solidão. Já preparava até algo para eu e a Solidão fazermos para passar esse tempo que me resta – que espero que seja muito ainda. Sei lá, um filme, um jogo de xadrez, ficar falando amenidades, que seja. O fato é que a solidão nunca tinha batido na minha porta com tanta força, e - o que é mais triste - eu estava disposto a abrir a porta para ela. Mas na última hora, fechei. Fechei e joguei as chaves fora, fui ver o que o mundo podia me oferecer. E ele, que dá muitas voltas, me ofereceu o sorriso mais lindo que eu já vi. Não quis mais voltar para meu mundo. Vi que queria fazer parte de outro mundo. Do mundo dela, da minha amada.
E assim o fiz.
Na hora em que vi seu sorriso, sorri como não sorria há muito. Era a hora. A hora de eu enfim sorrir. E sorri, e continuo sorrindo com igual intensidade até hoje. Verdade, chorei também. Mas muitas dessas lágrimas foram de felicidade por tê-la encontrado.
E assim foram meus dias no último ano. Acordar e abrir um sorriso, por tê-la do meu lado.

E já não me vejo sem ela por aqui, do meu lado. Angelical que só ela.



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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O Escritor e a Falta de Inspiração - por Flavio Braga

A falta de inspiração é uma companheira constante na vida de um escritor. Não tem jeito. Um dia a dona Inspiração fala que não vai poder comparecer porque está com dor de cabeça ou porque está presa num engarrafamento-monstro. Então, resta ao escritor esperar por uma bênção divina. Se ele não acredita nessas coisas, é nessas horas que ele passa a acreditar. Quer ver um escritor ateu se converter em dois segundos? Das duas, uma: ou ponha fogo na casa dele ou torça pra ele não ter inspiração.
É dura a rotina quando não se está inspirado. A gente fica revirando nossos pensamentos, tentando encontrar algo que preste. Vira, revira, e re-revira, e revira de novo. Não acha. Tudo bem. Já que cabeça vazia é oficina do Diabo, quem sabe ele não dá uma ideia dos infernos? Diante de um quadro tão desesperador, o escritor apela para tudo. E haja café. E haja cigarro. E haja insônia. E haja paciência. A caneta já passeou por boa parte do corpo do escritor: da mão para a boca, da boca para detrás da orelha, da orelha ela sai para coçar a cabeça, da cabeça volta para a boca, da boca vai acabar jogada num canto qualquer, porque ele está em vias de desistir. É um pobre coitado. Sem inspiração, sem dinheiro, mal lido, muitas vezes mal interpretado e na maioria das vezes mal amado, e ainda pode acabar doente por conta dessa maldita caneta.
Será que sai um poema? Não, não sai. As rimas deixaram um bilhete dizendo que foram ali na esquina comprar um maço de cigarro e voltam só daqui a seis meses. E uma crônica? De jeito nenhum. Dona Crônica, preguiçosa que só ela, está neste momento dormindo e se for acordada ela deixará de ser uma dama e acabará arrumando uma confusão daquelas dignas das mulheres barraqueiras. Será que não sai nada? Não sai. A Inspiração tem espírito de moleque, daqueles bem boca-suja e malcriado. Agora, por exemplo, o escritor, completamente exausto, olha para um canto da sala e vê a Inspiração, rindo da cara dele e ainda fazendo aquele gesto brasileiríssimo da mão espalmada batendo na outra fechada. O escritor anda vendo muita coisa. Precisa parar de ingerir essas substâncias proibidas. Se ele é careta, é melhor procurar ajuda médica. Coitado. Está até tendo visões. Precisa mesmo é ter uma vida social, já que seus melhores amigos, uns escritores iguais a ele, como Lima Barreto, Jorge Amado, Machado de Assis e outros estão meio... meio... meio... como posso dizer? Estão meio mortos para sair para tomar umas cervejas. É nessas horas que o escritor se entrega. O dia amanhecendo e o papel em branco. Então ele usa o último recurso, que todos os escritores odeiam usar, mas sempre usam, devido à falta de inspiração ou a uma ressaca: escreve sobre a sua falta de inspiração.



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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Da Vez em que Encontrei Jesus - por Flavio Braga

- Jesus?
- Sim, sou eu.
- Oi, meu nome é Flavio e vim do futuro.
- Como assim?
- Sei lá. Só sei que eu ia visitar o Papai Noel. Saí de casa, fui para um ponto de ônibus, então parei o primeiro ônibus que passou. Perguntei “Pólo Norte?” e o motorista respondeu “Méier”. Então pensei: “Zona Norte, Pólo Norte, tudo fica para os mesmos lados da rosa-dos-ventos”, e entrei no ônibus. Só que acabei pegando no sono, e quando acordei estava aqui.
- Então você tem uma missão, meu filho. É coisa divina.
- Tenho não.
- Claro que tem! Você é um enviado dos Céus.
- Penso o contrário, mas tudo bem. Vou te avisar uma parada. Você fica fazendo milagre por aí, como andar na água, fazer cego enxergar, essas coisas?
- Sim, por quê?
- Cabeludo, para com isso!
- Por quê?
- Os romanos já estão de olho em você... tem gente do seu povo que tem uma inveja danada de você, abre o olho, rapaz. Conselho de amigo.
- Mas eles não podem me crucificar por eu ser um iluminado, digo, “O” Iluminado.
- Podem, e vão. Vai rolar sangue. Seu Sangue.
- Como assim?
- Já te disseram que você faz muitas perguntas?
- Como assim?
- Você transformou água em vinho ontem e bebeu um bocado ou você é assim mesmo?
- Desculpa, é que estou meio confuso. Peraê, eu realmente transformei água em vinho ontem, como você sabe disso?
- É que já escutei umas histórias sobre você.
- Hum?
- Longa história. Daria um livro. Uma Bíblia, de tão longa que é essa história.
- Mas você vem de quando no futuro?
- Pouca coisa, dois ônibus, 20 quilômetros e 2000 anos.
- Tudo isso?
- É. Mas faz esse favor para mim, fica fazendo esses milagres na moita, escondido, porque isso vai dar problema para você.
- Mas caí nas graças do povo! É todo mundo é gente fina. Eles gritam meu nome.
- Gente fina que vai preferir um ladrão a você quando você for julgado. Guarde bem esse nome: Barrabás.
- Como assim?
- Jesus, é meio complicado eu explicar essas coisas todas agora... mas segue meus conselhos, para evitar problemas futuros, para mim e para você.
- Por que problemas? Como assim?
- De onde venho, tem uma época do ano que comemoramos seu aniversário.
- Que bom! Mas qual o problema disso?
- É que uma data que teoricamente seria de reflexão virou um inferno! É computador vendido em 482x com uns juros exorbitantes, é Papai Noel descendo de helicóptero no Maracanã, é briga no supermercado por castanha, é aquela música insuportável da Simone... é complicado, Jesus, muito complicado...
- Vou ver o que posso fazer, mesmo sem saber o que é supermercado, helicóptero ou Simone.
- Tudo bem. Nem eu sei te dizer o que é a Simone. Posso te fazer uma pergunta?
- Claro!
- O 680 passa aqui?



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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Carta para Minha Menina - por Flavio Braga

No dia em que te conheci não fazia sol. Muito pelo contrário, parecia que havia uma enorme nuvem carregada sobre minha cabeça. Mas dei uma olhada pela janela e vi que o tempo estava feio. Quanto ao meu tempo, ele já estava fechado tinha um bom tempo. Mas ele precisava melhorar, bem rápido. Ou ele melhorava, ou eu viveria com aquela nuvem carregada que insistia em ficar sobre minha cabeça o resto da vida. Queria céu de brigadeiro, sol. E você de biquini. Ainda lembro da primeira vez que vi você, e tudo que consegui falar foi uma cantada mais barata que bala Juquinha. Foi a cantada mais infame, mas a mais sincera que falei para alguém. Eu disse “você é linda” e você ficou sem graça. Eu falei que você era linda, uma, duas, três vezes, muitas vezes. Quando vi, não parava de pensar em você. E quando me dei conta, você estava gostando de mim. Perguntei a você se você era maluca, mas eu perguntei só uma vez, porque você é uma maluca linda. E sabe quando uma doida tão bonita quanto vai me dar mole de novo? Nunca.
E tive amnésia. Esqueci de todas as mulheres que vieram antes de você. Esqueci delas porque perdi tempo com elas. Elas gastaram meu tempo precioso. Tudo que me lembro é da primeira vez que vi seu sorriso, das vezes em que meu estômago revirava de nervosismo quando eu ia te ligar, das piadas horrorosas que te contei – mas eu sempre te arranquei um sorriso – e do dia em que você falou que me amava. E de todos os dias que você fala que me ama, e de todas as vezes que falo que te amo. Todos os momentos ao seu lado são especiais, meu anjo, seja uma manhã ensolarada, uma noite fria – que dá pra dormir juntinho e que sempre acabam quentes -, numa segunda-feira chata de trabalho ou num sábado preguiçoso. Eu te amo. Não tem tempo nem hora ruim para te dizer isso. Te amo.



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