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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A Carta do Pai - por Thiago Benício

Até parece que nada te dei. Tudo o que tem, sempre sonhei. Foi pra você que fiz, e hoje sei que pareceu não ser suficiente, Não tive a sorte como pai de ter um filho consciente. Agora estou deixado pra trás. Nem sei de minha morte. Procuro mesmo não saber. Espero que tenha sorte e que progrida sem desprezo. E aqui estou neste lugar, um lugar de abandono seu, não tem ninguém pra conversar e discutir um futebol. Se um dia vier me visitar, traga aquela camisa do meu time, juntamente com o jornal de esportes para discutirmos...



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terça-feira, 28 de abril de 2009

Som da Razão - por Thiago Benício

Domingo, não sei quando de Setembro ou Agosto de 2008.

Em par comigo, busquei apego a coisas que nunca tive apreço. Tentei, porém os preconceitos desvairados, que tomam minhas razões, nem sempre cheias de razão, fizeram com que deixasse de lado a ânsia de aprender o novo pra renovar o que já conheço bem.

Meu velho e desbotado violão olhava pra mim, como um filhote de vira-lata, quando te olha, a fim de ser levado pra tua casa. Nunca resisto a este olhar seu, pego-o em meus braços e dele faço eu; juntos músicas fazemos, mas só pra nós dois, mais ninguém.

O descompromisso de minha liberdade repentina me levou a crer que, mesmo querendo, não consigo ser o que não sou. Eu sou eu e meu violão, só. Algo mais estraga, pelo menos por enquanto. A ânsia maior minha, é pensar que não conseguirei viver o que quero viver - assim, voz e violão vira-lata. Não sei se é a vida que cobra demais ou se eu é que não tenho nada para dar para a vida… A minha vida.

Em luz adormeço e quando devo acordar e que me lembro que a vida está a me cobrar, deixando o som das cordas de nylon do empenado violão em meio a ilusões que não sei se são razão. Ainda assim, prefiro voz e violão…



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terça-feira, 14 de abril de 2009

Breno, o Indomável - por Thiago Benício

Os domingos de sol, propícios para aquelas brincadeiras típicas da Rua Quatro, em que sempre arrumávamos coisas diversas para fazer, era o maior momento das semanas. Se não tivesse um futebol, era taco… Mas me lembro que, nesta época, a febre na Vila Brasília era a bicicleta. Cada um com a sua, subíamos e descíamos as ruas a ponto de atormentarmos a vizinhança com as gritarias e afins.
Dona Rosa sempre reclamava:
– “Essa molecada dos inferno!” – desse mesmo jeito! Pouco ligávamos, afinal como iríamos nos divertir sem barulho?
Sempre tivemos uma amizade incrível. Crescemos juntos, aprendemos as coisas juntos, jogávamos no Estrela. Era uma época incrível.
Mas vá lá, voltemos à “bicicletomania”. Dentre todos da rua, destacava-se apenas um, um primo meu, recém chegado do Interior de São Paulo. Esse destaque não se refere ao mais valente, mais corajoso ou coisas desse tipo. Não! Era destacado por não sair de casa, não conversar com ninguém e o pior: não saber andar de bicicleta. Leandro, Cauê, Zé e eu, por sermos parentes, tínhamos uma missão: ensinar Breno a como andar de bicicleta. Sabíamos que não seria fácil, que seria muito trabalhoso ensinar nossas técnicas animais a ele.
Com o passar do tempo e com os ensinamentos, Breno – O Grande Brenosmerda – foi pegando o jeito e já estava dando suas primeiras pedaladas.
Um mês, dois, se passaram, Breno a perceber seu dom, já dominava a magrela como ninguém na rua. Empinava, dava cavalo-de-pau, andava sem as mãos no guidão… Era espetacular vê-lo fazer as manobras. O porém desta fase de Breno, se devia ao fato de que ele não tinha bicicleta e andava com as nossas, que, por sinal, eram de última geração, todas de dezesseis marchas.
Breno era atrevido e quando surgiu a oportunidade de mostrar sua astúcia, logo providenciou o empréstimo da bicicleta da Priscila, sem marchas. Mas mesmo com aquela velha e enferrujada Caloi, Breno ainda realizava as manobras mais ousadas de toda a Vila.
Os dias passavam, a ousadia crescia e a Caloi ia se acabando, mas nada que pudesse parar Brenosmerda.
E foi que, num desses domingos, todos nos aventurávamos descendo e subindo as ruas e o grande conosco, porém sem andar. Ele estava preparando um número espetaculoso, que passou o dia anterior inteiro desenvolvendo. Paramos de andar e Breno pegou sua enferrujada emprestada, subiu até o fim da rua, começou a descer em alta velocidade. Ficou sobre o banco, em pé – até levantamos, lá do começo da rua.
– “Cara, irado!!” - era o que se ouvia.
Breno, após essa grande manobra, sentou-se no banco de Caloi, ainda em grande velocidade. Foi então que ele percebeu: sua singela magrela havia perdido o freio. Breno, estranhamente, teve seus sentidos de domador de duas rodas vetados com essa situação. Percebemos a aflição de nosso ídolo, e gritávamos para frear, enquanto ele nos respondia:
– “Não dá, não dá!”.
– “Vira, Breno!”
E a resposta era imediata:
– “Não consigo!!”
Breno passou na nossa frente com um foguete indomável, descendo em velocidade constante até o muro mais próximo, o da garagem de ônibus, o ponto de referência maior de nossa vila.
Imediatamente corremos até o local do desastre e nos sentíamos como um país derrotado em guerra, ao ver o líder caído e sem ter referência nenhuma.
Breno foi hospitalado, com graves problemas e após um mês voltou à vila, dizendo que nunca mais na vida iria andar de bicicleta.

A Era das Bikes passou, vindo a ser substituída pela época dos Skates.
Ah, essa época era boa, agora era ainda mais radical. Nossos skates eram animais e todos da rua tinham, menos um, o Breno.
Meus primos e eu, a fim de incluir Breno, tínhamos uma missão: ensinar Breno a domar o skate!
Recuperado, Breno passou a aprender as manobras da pranchinha sobre rodas e dominou aquele objeto. Se tornou o grande ídolo dos skatistas da Vila Brasília.
Um mês, dois, se passaram, Breno a perceber seu dom, já dominava o skate como ninguém na rua.
(…)



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sexta-feira, 3 de abril de 2009

O Salva-vidas II - por Thiago Benício

“(...) Estávamos em oito carros descendo a serra, rumo à baixada para aquele fim de semana de sol. Em todos os carros havia uma família. Nós combinamos que seria o fim de semana mais inesquecível de nossas vidas e que nada poderia nos atrapalhar. Essa afirmação foi errônea...

A Imigrantes estava vazia e os oito carros enfileirados a curtir tal paisagem serrana. Comunicávamos ao telefone quando havia necessidade de parar ou coisa assim. O dia ensolarado contribuía para a harmonia que sentíamos até então... Após o último túnel - aquele longo, de, no mínimo, 3 km - o tempo já se mostrava cinza. O vento frio e serra pouco visível, parecendo mostrar um tom de desconforto, a ponto de desorientar nossa harmonia, sentida antes de tais fatores. Parecia ser um sinal...

Eis que, olhando para trás, minha mulher não enxerga o último carro - éramos o sétimo.

- Bem, o carro de trás não está aqui!! - Acentuou minha esposa ao fato. Estávamos tão próximos há pouco, e naquele momento o último carro havia parado.

O telefone toca, eu atendo:
- Alô!
- Alô!
- Oi! Vocês pararam?!
- Estamos sendo assaltados por uma leva de motoqueiros mal-encarados. Parece que são durões. Pelo amor de Deus, nos ajude!

Comuniquei no exato momento todos os outros amigos dos carros da frente. Era o momento de ajudar um amigo em perigo!
Logo saí em cavalo-de-pau e todos os outros fizeram o mesmo. Era o primeiro da frota dos carros-amigos, como um líder de batalha, que guia seus soldados para derrotar os inimigos. Ao retornar, nos deparamos com a situação: cinco motos, cada uma com duas pessoas, a rodear o carro-amigo número 8. Estacionei meu carro e todos os outros fizeram o mesmo, Desci e, juntamente com meus amigos, partimos em busca de justiça e salvar o carro número 8, que estava em apuros. Cada um, com sua habilidade, rendeu facilmente cada um dos malfeitores. Nosso amigo, do carro número 3, era delegado e guardava algumas algemas em seu porta-malas. Sim, foi o que fizemos, algemamos os bad-moto-boys no guardirreio e chamamos as viaturas locais para colocar um basta nos cafajestes! E como num passe de mágica, o céu se abriu, mostrando o Sol radiante, como deveria ser. Até a natureza reconheceu a justiça feita...”
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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Vaga para Estágio - por Thiago Benício

Sérgio tem 18 anos, está no segundo semestre do curso superior de Administração de Empresas. Não tem muita experiência profissional, pois trabalhou apenas como office-boy há um ano, na empresa de seu tio. Ele está ansioso para a sua primeira entrevista para a vaga para estagiar na área de Administração de Vendas, numa empresa de grande porte, conhecida em todo o país.

- Olá, bom dia! Prazer, sou Amaral, gerente de vendas.
- Bom dia! Prazer, Sérgio!
- Ah, você é o Sérgio?!
- Sim, sou eu...
- Podemos começar, Sérgio?
- Claro!

- Bom, vejo em seu currículo, que tem 18 anos.
- Sim, tenho.
- O que te fez concorrer a esta vaga de estágio, aqui nesta empresa?
- Bem, esta empresa é grande, o que pode me permitir um plano de carreira, um crescimento profissional, aliado ao pessoal. Sou uma pessoa que, apesar de jovem, adoro desafio, e ingressar aqui, começar uma, quem sabe, carreira aqui, é uma conquista que pretendo alcançar.
- Bom, muito bom... Você faz Administração de Empresas, né?
- Sim.
- Está em que período?
- Segundo semestre.
- Certo... Você tem interesse em ingressar nesta empresa pela probabilidade de uma carreira, de um crescimento profissional...
- Sim, mas para isso terei de demonstrar meu valor. É a questão de credibilidade, quanto mais eu faço, mais reconhecimento vem com isso, com meu esforço. Acho que isso me faz crescer e implica no crescimento da empresa também. Claro que me falta maturidade, mas por isso estou me candidatando e buscando oportunidades de estágio.
- Claro. Decerto gostei de sua forma de se expressar. Para esta área relacionada a vendas, é o que necessitamos, de pessoas com desenvoltura. Agora, você trabalhou, há seis meses, nesta empresa, como auxiliar administrativo. O que você fazia lá?
- Era office-boy, interno e externo. A empresa era de meu tio. Mas não tive uma oportunidade de engrandecer meus conhecimentos e não via horizonte lá. O crescimento era muito restrito; pouco, bem pouco provável de acontecer.
- E você saiu de lá, por quê?
- Por isso, pela impossibilidade de crescimento. Pela escassez de agregação de conhecimento que estava adquirindo.
- Mas ficou lá por seis meses apenas...
- Porém durante esse pouco tempo já percebi que não era o lugar em que me sentia feliz.
- E você acha que aqui pode alcançar essa felicidade?
- Sim. Pretendo crescer, o que vai me tornar feliz e acho que aqui, pode ser bem possível.
- Ok. Você me falou de suas qualidade, que é uma pessoa aguerrida, com um ótimo poder de persuasão, que vem me demonstrando com sua fala. Agora quero que me relate um defeito que possui...
- Sou humano, tenho “n” defeitos, assim como qualquer um tem. Mas que mais se destaca em mim é a tal da ansiedade, que me faz ser espontâneo demais. Isso eu tenho trabalhado muito para, ao menos, diminuir. Como respirar fundo e analisar bem o caso antes de tomar qualquer decisão, por exemplo.
- Ok. Conte-me um pouco sobre sua vida. O que costuma fazer nos fins de semana.
- Procuro sempre estar das pessoas que mais quero bem. Minha família e amigos. Não consigo ficar uma semana sem vê-los. Nos fins de semana, geralmente, jogo futebol aos sábados e aos domingos, em casa, fazemos um churrasco, para reunir a família.
- Ah, legal. Você é bastante sociável...
- Sim. Gosto de lidar com gente!
- Olha, Sérgio, gostei muito de seu perfil, se encaixa perfeitamente no que procuramos. E para esta vaga, é muito complicado se a gente contratar alguém que não sabe lidar com pessoas e que têm pouca capacidade de relacionar com elas. Mas temos um porém: você é muito jovem e por isso possui pouquíssima experiência. Para esta vaga necessitamos alguém com, no mínimo, um ano. Mas não se preocupe, seu currículo será guardado em nosso banco de dados, daqui a algum tempo, quando surgir uma nova oportunidade, tenha certeza que te chamaremos.
- Entendo... Aliás, Sr. Amaral, não entendo nada. A descrição da vaga é “Estágio em Administração de Vendas”, ou seja, vocês procuram alguém que está estudando, provavelmente alguém jovem que possa desenvolver um trabalho e adquirir conhecimento com o passar do tempo que estiver aqui. Não compreendo, do fundo de minha alma, como pode exigir tal experiência para uma pessoa que procura estágio. Por que não contratar um profissional? Já sei! Talvez pelo fato da mão-de-obra cara, que um estagiário, otário, escravo, não custe tanto como um profissional experiente, cabido dentro de regimes CLT, não? Ora, Sr. Gerente de Vendas Amaral, eu sou estudante e você mesmo ressaltou minha adequação para esta vaga. Agora me vem com essa história de experiência. Estou cagando para a experiência que necessita essa droga de vaga, miserável! Acho pouco provável que os senhores, administradores desta tão contemplada empresa, tenham em mente que o futuro somos nós e não vocês... Espero que ache alguém para este lugar, e que este alguém se torne seu chefe, e que não pense pequeno como você. Agora, me dê licença, que me vou! E direi a quem quiser ouvir que esta empresa não tem seriedade. Obrigado pela oportunidade. Essa foi minha primeira entrevista para um estágio, e espero nunca mais me deparar com o gerente de vendas chamado Amaral.
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terça-feira, 31 de março de 2009

Eu - por Thiago Benício

Eu sou, fui...
Quem sempre soube que serei
Aquele que nem sente o que vê
Mas sabe que vê, lá na frente, o que sente.
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Quero Ser Grande - por Thiago Benício

[...]
Eram exatas dez horas, eu em meu canto de sempre – meu quarto – a pensar sobre as coisas que costumo pensar, na maioria coisas fúteis e sem sentido – sonhava em ser super-herói, mas não naquele dia. Ante as noites que passava sem noção de como poderia ser meu futuro, hoje penso que ainda não tenho idéia alguma sobre os rumos que deverei tomar em minha singela vida. A janela do quarto mostrava uma paisagem diferente naquele dia, não parecia mais ser como antes.
O tornar-se adulto era uma coisa bastante complicada para que minha cabeça jovem pudesse assimilar, aliás, ainda acho que está se formando uma mentalidade fixa somente agora. Os carros que passavam pela rua de baixo pareciam sem graça, sem atrativo para que ficasse olhando; estava tudo mudado. Via as crianças de lá como crianças que eram, não como colegas que me pareciam há tempos antes. Enfim, tomei o curso de ir ao banho, como era costumeiro, e ao olhar-me num espelho, notei em minha face coisas esquisitas, vermelhas e que até doíam se nelas tocasse. Estranho fiquei, mas pensei que fosse coisas de mosquito.
No banho, notei que alcançava até o suporte de xampu sem precisar ficar nas pontas dos dedos, achei muito bom, pois não mais escorregaria pulando feito louco para poder lavar a cabeça. Após tudo aquilo, decidi ir jantar, e mais alguma coisa estranha fui notar, minha voz. Estava doente, só poderia, voz rouca sem gritar, cara com pintas vermelhas e um caroço na garganta, que diziam ser “pomo-de-adão” e eu, sem saber, ficava desesperado.
Como costumeiro, após jantar fui pro sofá, acompanhado de meu pai, assistindo ao filme após a novela das oito, acabei pegando no sono, na hora de ir pra cama, meu pai já não me carregou até meu quarto, teve de me chamar – “Acorda, filho, vai pra cama.” – O sono queria me derrubar, subi as escadas sem entender, afinal toda noite meu pai me levava pro sono maior.
Era meia-noite, a janela ainda aberta, acabei despertando e fui dar uma olhada em meus cadernos, que já não tinham mais os carimbos da tia Débora, tampouco os recadinhos da tia Jô. Foi então que percebi, não era mais criança, tinha que começar a caminhar por mim mesmo.
Fechei a janela, deitei-me sobre minha cama sem desenhos; dormi pra acordar pra um outro dia cheio de descobrimentos, afinal, era quase-adulto e esperava por um futuro inconseqüente.
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Central de Atendimento - por Thiago Benício

– Central de Atendimento, boa tarde!
– Boa tarde! Com que eu falo?
– Joana. Em que posso ajudá-lo, senhor?
– Joana, eu gostaria de fazer o cancelamento de minha assinatura da tevê a cabo.
– Pois não senhor. Qual o número do seu RG?
– 12-469-566-5.
– Aguarde um momento, por favor…

Musiquinha…

– Eu falo com Juarez Jordano Própolis?
– Sim é ele mesmo…
– Senhor, em que posso ajudá-lo senhor?
– Joana?
– Não, aqui quem fala é Paloma…
– Oi, Paloma. Eu havia informado a Joana, que gostaria de cancelar minha assinatura da tevê a cabo.
– Qual o seu código de assinante, senhor?
– Que código?! Não sei de nenhum código, não…
– Este código se encontra acima do código de barras, na sua conta.
– Espera aí, tenho que pegar essa conta…

(…)

– Alô!
– Pois não senhor, conseguiu o código?
– Sim. É 18-462-564-8963 tracinho 2.
– Um momento, por favor…

Musiquinha…

– Senhor Juarez?
– Sim!
– Senhor, aqui quem fala é Rebeca, tudo bom?
– Olha aqui, Rebeca. Não estou pra brincadeira! Primeiro falei com uma Joana, depois Paloma e agora você, e ainda não consegui fazer o que quero! Será que é demais?! Estou querendo encerrar minha assinatura com esta porcaria de vocês, já estou há meia hora no telefone e ainda não consegui!!!
– Ok, senhor. Estamos aqui para melhor atendê-lo. Por favor, me informe seu CPF…
– PQP!!! Não seria mais simples buscar pelo meu nome, ou vocês são burras demais pra isso?! Não vou informar meu CFP coisa nenhuma!
– Senhor, por que se altera? Eu vou estar verificando esse cancelamento… Um momento…

Musiquinha…

– Sr. Juarez, em que posso ajudá-lo?
– Sim! Quem é nessa p…?!
– Olá senhor, aqui quem fala é Diogo, como vai?
– Péssimo, seu FDP!
– Senhor, se passar a me ofender eu não posso ajudá-lo…
– Dane-se! Vai à merda você e toda essa equipe!
– Senhor acalme-se!
– Estava calmo, até ligar para vocês!
– Senhor, já que está insatisfeito com nossos serviços, por que não cancela a sua assinatura?

‘Tu-tu-tu-tu…’
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