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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Lobo do Mar - por Casé Uchôa

Nos portos que conheci
Deixei pedaços de mim
Lembranças que trago agora
Dos dias que já vivi

Verões que não voltam mais
Trovões que não mais ecoam
Saudades de cada cais
Gaivotas que já não voam

Espectros do que eu fui
Visitam-me a cada noite
Remorso que me possui
Carrasco com seu açoite

E o velho lobo do mar
Não resistiu à lembrança
E voltou a navegar
Alimentando a esperança
De encontrar pela frente
Trovão, raio, tempestade
Onda gigante, naufrágio…
A morte é melhor que a saudade.

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sábado, 1 de agosto de 2009

Fatos ou Fotos? - por Casé Uchôa

Se quero fotos, quero retratos,
Não quero muitos
Apenas o bastante para registrar os fatos.

Quero amigos interessantes
Pra toda hora, de todo jeito
Quero conversas edificantes
Quero Cultura, é meu direito!

Quero ser fútil de vez em quando
Mas nada grave, um deslize só
Quero falar, mesmo que não ouçam
E se alguém ouvir, quer coisa melhor?




...........Visitem Casé Uchôa
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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Reflexos - por Casé Uchôa

Em momentos diferentes
Atitudes repetidas
O passado e o presente
Reflexos de outras vidas



Inspirado em Mote do Gio I, de Gio.
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Visitem Casé Uchôa
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sábado, 9 de maio de 2009

bacANA - por Casé Uchôa

Quero aqui, neste Duelo
Expressar a gratidão
De todos que aqui escrevem
Disso, há convicção

Àquela que visita
Cada texto que se escreve
E deixa o seu comentário
Mesmo que este seja breve

Não há pessoa no blog
Que escreva com frequência
E não tenha recebido
Um sim, uma aquiescência

Um “gostei!”, um “parabéns!”
Um “muito bem!”, um “valeu!”
E até quem pouco escreve
Com certeza recebeu

Um elogio sincero
Um estímulo bacana
É por isso que eu berro
MUITO OBRIGADO, ANA!!!!!!



Visitem Casé Uchôa
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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Passeio do Tempo - por Casé Uchôa

O vento que chega
De lá, do oceano
Traz lá do outro lado
De outro continente
Um quê de passado
E um quê de presente
Carrega daqui pra outro lugar

Quando lá chegar
É o nosso futuro
De lá é o presente
O vento passeia
Com o nosso passado
Será que ele volta?
Maior confusão
Se o vento voltar!




Visitem Casé Uchôa
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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Casulo - por Casé Uchôa

A menina escreve o que lhe vem à cabeça
Terá alma de poeta a menina que escreve?

A menina sonha
E eu vejo o seu sonho ali,
Nas palavras,
No papel

É linda a menina que sonha
É linda a menina que escreve
É linda a menina que é

E o tempo vai passando...
Amores e desamores
Encontros e desencontros
Vão fazendo da menina,
De mansinho,
Uma mulher




Visitem Casé Uchôa
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terça-feira, 7 de abril de 2009

Os Degredados Filhos de Eva - por Casé Uchôa

Há uma pedra no sapato da gente
Há uma guerra no caminho da paz
Há uma bala no peito do inocente
Naquela vala há um corpo que jaz

Deu no jornal notícias de uma tragédia
Logo a seguir, notícias do carnaval
Em um minuto a tragédia esquecida
A dor dos outros é uma coisa banal

Quem se arrisca a explicar o progresso
Que benefícios esse cara nos traz
Se cada um fica trancado em seu mundo
Atrás dos muros, dos alarmes e tais

As relações se dão pela internet
Sem aconchego, sem o toque das mãos
Alguém me diz qual é a tecla que aperto
Pra transmitir online a minha emoção

Esses humanos
E a sua desumanidade...
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Visitem Casé Uchôa
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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Teu Ciúme - por Casé Uchôa

E por ouvires o que não te digo
E escutares o que não te mostro
É que não posso mais ficar contigo
É que não quero mais saber de ti

E por achares o que não escondo
E por pensares que sabes de tudo
É que prefiro estar calado, mudo
É que preciso me afastar daqui

E assim, talvez, depois que eu me afastar
Percebas a desconfiança vã
Que te comeu por dentro, devagar
Feito a lagarta dentro da maçã

Quem sabe ainda dê pra consertar
Eu nada sei do dia de amanhã
Que outras voltas meu mundo dará
Se minha vida vai ser plena e sã
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Escravos Urbanos - por Casé Uchôa

Acorda Tom, que já raiou o dia
Urubu já pousou lá no lixão
Vamos lá catar papel, renovar nossa agonia
Que eu até desistiria de viver, humilhação

Acorda Tom, vem ver
Que a vida não melhorou
Acorda Tom, vem ver
Deixa de ser sonhador

Quem sabe a gente encontre
Nas sobras de um banquete
Algo que se aproveite
Pra matar a nossa fome

Quem sabe a gente conte
Com um pouco de sorte
Pra escapar da morte
Mas escapar pra quê?

Acorda Tom, vem ver
Que a vida não melhorou
Acorda Tom, vem ver
Deixa de ser sonhador

Vem ver que essa cidade
Por falta de caridade
Desde a tua tenra idade
Te largou, te abandonou

Vê que a rotina é dura
Não há espaço pra candura
No menino que atura
Do lixo ser catador

Vê que não há beleza
Na criança que peleja
Na dor que tudo caleja
Na falta do cobertor

Vê que não há poesia
No lixo de todo dia
Desespero que judia
Da alma do sofredor

Acorda Tom, vem ver
Que a vida não melhorou
Acorda Tom, vem ver
Deixa de ser sonhador


Inspirado em O Homem no Lixo, de Ana.
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

As Únicas Águas - por Casé Uchôa

Hostil o solo, a terra, a mãe da vida
Vida não nasce neste solo mãe
Só aridez aonde vai a vista
A vida seca de esperança

Osso de boi morto de sede
Vira brinquedo nas mãos do menino
Pobre menino, morto de fome e sede
Tanta tristeza e dor em seu destino

A reza, e a chuva não vem
A reza, e a chuva cai não
A reza, e a chuva não cai
A reza é a dor do sertão

Pobres mulheres, as suas lágrimas
São as únicas águas com que podem contar
Pobres mulheres, as suas lágrimas
São as únicas águas que não vão ver secar

O padre fala na missa de domingo
De esperança e fé em Deus
Mas Deus não fala, não dá notícias
Terá abandonado os filhos seus?


Inspirado em Haikai, de Alba Vieira.
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Pedido - por Casé Uchôa

Vá à luta, solte o verbo
Por favor, não se restrinja
O duelo Ana - Raquel
É Samurai contra Ninja

Que esse duelo não cesse!
Estou me divertindo à beça.


Resposta a Entendi e Não Gostei, de Ana.
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Silêncio - por Casé Uchôa

Nada fala mais alto que o silêncio
Nada nos diz mais claro que o não dizer
Se é pra falar, falemos
Se é pra gritar, fiquemos mudos
Quem da vida bem conhece vai nos entender

Falar é importante, calar é soberano
O infinito, apenas o silêncio traduz
Feito faca cortante, o grito dilacera
O som do nada é bálsamo que a dor reduz

Silêncio pra pensar, pra se dizer que ama
E para contemplar a imensidão do céu
Olhar o pôr-do-sol com um silêncio n’alma
Silêncio que acalma

Uma pedra preciosa no caminho
O silêncio é uma flor sem o espinho



Inspirado em Sensibilidade, de Érica Amorim.
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sábado, 17 de janeiro de 2009

Ímpar - por Casé Uchôa

É sem igual a moça que anuncio
Só se compara à lua cheia, plena
Que resplandece lá no céu, serena
E enche de luz o meu olhar vazio

Amiga dessa e, sei, de outras vidas
Conheço o seu olhar de outras eras
De outros mundos, de outras esferas
Sorriso que curou-me outras feridas

É doce a voz dessa mulher, candura
Que sabe ser feliz, mulher poeta
Sutil e ao mesmo tempo tão concreta
Criança e ao mesmo tempo tão madura

É ímpar a mulher que anuncio
É ímpar a mulher
É ímpar

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