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sábado, 14 de julho de 2012

A Crise Que Eu Não Queria - por Luiz de Almeida Neto


Dizem que agora há uma crise sem precedentes prestes a assolar nossas ruas. O enfraquecimento do ocidente enquanto sociedade estaria ameaçado. O enfraquecimento da nossa identidade enquanto “ocidentais” estaria ameaçada...
Eu, contudo, muitas vezes me pergunto quando me defronto com este tema: será que este enfraquecimento está prestes a acontecer? Ou será que ele já aconteceu há muito tempo?
Nós passamos nossas vidas inteiras querendo nos “unir”. Unir nossas vidas à vida de um alguém que representará um amor infindável. Unir nossas esperanças de sermos ricos com esperanças idênticas de outras pessoas. Unir nossas opiniões com as de pessoas parecidas conosco. Unir nossos destinos com nossa “turma”.
Contudo, as imagens expressam nossa hipocrisia: tantas pessoas expremidas dentro de um trem sem trocar uma palavra, reprimidas, umas com medo das outras. Multidões silenciosas e anônimas trancafiadas em apartamentos e guetos, consumindo algum tipo de ópio (incluo a televisão e alguns usos que se faz da internet na categoria de “drogas moderadas”).
E aí, eu retorno: onde estamos unidos? Será que todas as pessoas são tão ruins que não mereçam ser ajudadas, ao menos com uma palavra de “bom dia” em um trem lotado?
Quantas pessoas estão hoje, neste exato momento, separadas, intrigadas, de algo que sequer compreendem? Com seus sonhos reprimidos e destruídos, estão refugiadas de si mesmos, sem coragem de se encarar. E tudo isso porque queriam um pouco de reconhecimento, um pouco de atenção, de carinho, e nós fomos incompetentes.
Incompetentes por não saber amar as pessoas que erram, que não são tão eficientes e não se encaixam na nossa leitura de mundo. Nós nos separamos das pessoas da forma mais covarde possível: a indiferença.
Grandes cidades se erguem no mundo inteiro, sobre as costas de pessoas anônimas, que são ignoradas, deixadas de lado, reprimidas e, ao final, ainda conseguem encontrar sentido em suas vidas. São os heróis, que, quando olhados em uma filmagem do alto, parecem formiguinhas apinhadas, fazem a cidade parecer opulenta, e revelam suas misérias, ao mesmo tempo em que sobrevivem.
Nós? Bem, nós sonhamos, nos unimos com gente parecida com nós mesmos, e gostamos de escutar dos outros as coisas que nós mesmos pensamos.
Qualquer dia desses estaremos oficialmente decadentes. Contudo, desde já os digo, eu tenho certeza que nossa decadência já começou, o que me faz concluir algo muito simples: ao nos unirmos com umas poucas pessoas, nós escolhemos nos separar de todo mundo. Espero que vocês todos encontrem união, em um mundo que se rasga igual a uma roupa velha, deixando muitos descamisados.
Mas espero também que um dia todos nós consigamos acordar e nos reconciliar, pois hoje estamos, definitivamente, separados.
 


 

domingo, 30 de janeiro de 2011

Uma Bela Vista - por Luiz de Almeida Neto

Quando a tarde já ia embora, quase na esquina da noite, aquele tom que colore o céu fica mais lindo, o mundo inteiro fica mais pacífico e parece que tudo deu certo. Eu me sento de frente para a vista linda que contemplo, sem me perguntar nada, em um raro e inesquecível momento de contemplação.
E me lembro dos dias que já vivi, e dos dias que ainda virão, e me pego com minhas lembranças, minhas lindas e marcantes lembranças. Do pôr do Sol, da companhia, da amizade, do respeito.
Depois, contudo, sem querer, o futuro vem e bate à porta como que cobrando, querendo, adivinhando, suspeitando. E parece então que tudo se estragou.
Sorte minha o céu estar pintado em cores lindas para me animar neste momento, e eu penso, quase sem pensar, que o rosa e amarelo sutis deste momento devem valer uma vida inteira. Nada é tão bom quanto viver este momento entre o passado e o futuro, que contemplamos enquanto lembramos e adivinhamos, e que, por tantas vezes, desperdiçamos.
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domingo, 18 de outubro de 2009

Duelando Manchetes IX: Justiça no Brasil - Reportagem Enviada por Luiz de Almeida Neto

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MARIDO TRAÍDO PROCESSA AMANTE DA MULHER, E SENTENÇA FALA EM ‘SOLENE CORNO’


“Solene corno.” Essas e outras expressões, no mínimo curiosas, foram usadas por um juiz numa sentença do 1º Juizado Especial Cível do Tribunal de Justiça do Rio. A decisão foi dada em um processo em que um marido traído acusa o amante de sua mulher de calúnia e ofensa à honra e pede indenização por danos morais.
Segundo a ação, o caso começou quando o marido, um policial federal, descobriu que a mulher o traía. Ele, então, resolveu telefonar para o amante para cobrar explicações e exigir seu afastamento. O policial teria feito ameaças ao rival.
Assustado, o amante recorreu à corregedoria da PF, onde denunciou as ameaças. Não houve, no entanto, sigilo no processo administrativo e o marido, sentindo-se ultrajado pelo deboche de colegas de trabalho, decidiu entrar na Justiça pedindo danos morais ao amante.

Devaneio sobre homens de meia-idade
Antes de anunciar sua decisão, o juiz devaneia e faz uma comparação entre o homem e a mulher de meia-idade e seus motivos para trair e ser traído.
“Alguns homens, no início da ‘meia-idade’, já não tão viris, o corpo não mais respondendo de imediato ao comando cerebral/hormonal e o hábito de querer a mulher ‘plugada’ 24hs, começam a descarregar sobre elas suas frustrações, apontando celulite, chamando-as de gordas (pecado mortal) e deixando-lhes toda a culpa pelo seu pobre desempenho sexual”, diz, na sentença, o juiz Paulo Mello Feijó.

Mulheres ‘traem de coração’, diz juiz
Em contrapartida, o juiz afirma no documento que as mulheres na fase pré-menopausa “desejam sexo com maior frequência, melhor qualidade e mais carinho – que não dure alguns minutos apenas”. Mulheres nessa situação, diz o magistrado, têm dois caminhos: ou se fecham deprimidas ou “buscam o prazer em outros olhos, outros braços, outros beijos (...) e traem de coração”.
Nesses casos, o pensamento é, segundo Feijó: “Meu marido não me quer, não me deseja, me acha uma ‘baranga’ - (azar dele!) mas o meu amante me olha com desejo, me quer - eu sou um bom violino, há que se ter um bom músico para me fazer mostrar toda a música que sou capaz de oferecer!!!!”

Sentença diz ainda: ‘solene corno!’
O juiz, que cita os clássicos da literatura “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, e a Capitu de “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. Depois de expor as hipotéticas situações conjugais, Feijó conclui: “Um dia o marido relapso descobre o que outro teve a sua mulher e quer matá-lo - ou seja, aquele que tirou sua dignidade de marido, de posseiro e o transformou num solene corno!”.
“Portanto, ao réu também deve ser estendido (...) perdão, porque as provas nos autos demonstraram que o autor perdoou sua esposa e agora busca vingança contra o réu, que também é vítima de si mesmo juntamente com a esposa do autor.” Com isso, finalmente, o magistrado julga o pedido do marido improcedente e o processo deve ser arquivado.



Fonte: G1
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Autor Desconhecido: Crenças - Citado por Luiz de Almeida Neto

Um senhor de 70 anos viajava de trem, tendo ao seu lado um jovem universitário que lia o seu livro de ciências.
O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos.
Sem muita cerimônia, o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:
- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?
- Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?
Respondeu o jovem:
- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda creem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.
- É mesmo? - disse o senhor. E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?
- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.
O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário.
Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo, sentindo-se pior que uma ameba.
No cartão estava escrito:

Professor Doutor Louis Pasteur
Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França
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“Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima.”
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(Fato verdadeiro, parte integrante da biografia de Louis Pasteur, ocorrido em 1892.)
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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Estou Lendo... Ten Little Niggers, de Agatha Christie- por Luiz de Almeida Neto


“A personagem que mais me fascina em todo o mundo é, sem dúvida nenhuma, Hercule Poirot. Adoro, e já li muitas estórias com ele. Quando comecei a ler este último livro, fiquei extremamente chateado quando percebi sua ausência. Contrariado, na verdade. Pensei em parar de ler.
Mas devo admitir que é, sem dúvida, um dos melhores romances da dama do crime. Fiquei fascinado por este romance também. Ela é ótima, e indiscutível, mas eu continuo não gostando de Miss Marple.
O livro é ‘O Caso dos Dez Negrinhos’, atualmente relançado sob a alcunha de ‘E Não Sobrou Nenhum’, que era, por sinal, o título, em inglês, do filme, lançado em 1945 e adaptado desta obra. Em português o nome deste filme é ‘O Vingador Invisível’.
Recomendo tudo, livro, filme... tem também uma outra adaptação de 1989, enfim, tudo. Sabe por quê? Porque o enredo é simplesmente impecável. De matar de inveja escritores medíocres como eu. Abraços.
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P.S.: Só não vão viajar muito na do assassino... ele é completamente surtado, não importa que pareça plausível o que ele diz. hehehehehehe.”



George Pollock, René Clair

sábado, 5 de setembro de 2009

O “Ragamofe” - por Luiz de Almeida Neto

É, meus amigos, hoje entraremos em um território pouco explorado. Suspeito eu se tratar talvez até da prática de um crime, ou coisa assim. O fato é que de todo jeito o artista, superando seus delírios momentâneos, conseguiu superar seu estado de alucinação e nos trazer uma verdadeira pérola, rica em detalhes sobre seus distúrbios, e que, portanto, faz o texto ser analisado agora.
O fato é que o compositor da música em apreço acabou por ingerir uma “mistura”, que tem bom sabor, mas que faz a pessoa “pirar”, nos termos usados por ele próprio, possivelmente alguém que colocou em sua bebida para alterar seu estado nervoso normal e fazer sabe Deus o quê com a vítima. É um crime comum, mas o que há de raro aqui é que, no momento em que estava em estado de alucinação, inclusive a pensar que era uma “baratinha”, o artista não se rendeu à substância e, ao invés disso, resolveu sentar-se e escrever um relato sobre a droga que lhe vitimara. Vejamos:

“Música: Baratinha.
Artista: Banda Requebra

Sou baratinha e a rapa chegando outra vez
Trazendo o ragamofe e a suinguera também
Mistura gostosa faz você pirar
Sacode a galera faz o povo delirar
Vai
Rebola Bola eu quero ver você dançar
Rebola Bola e vamos todos balançar
Rebola Bola e dá uma paradinha assim
Rebola Bola e vem em câmera lenta para mim
Aperte o botão para a musica andar
Jogando as mãos para frente....”

Como o próprio poeta mostra, a “mistura” faz o povo “delirar”, “pirar”, e ainda não está aí tudo. A substância psicotrópica, infelizmente desconhecida, traz consigo, além de uma “suingueira”, um objeto esquisito, nunca dantes avistado nos anais da História moderna, que o autor denomina “ragamofe”, este objeto vem, vem, e dá ao alucinado a impressão de que as pessoas estão se sacudindo, ele vai, segue, desesperado, num problema disléxico causado pela droga, instando as pessoas a bolar e rebolar, balançar, querendo que as pessoas passem a movimentos mais graciosos, porque do delírio de onde ele as avista elas estão a se sacudir, se debater, é uma visão estarrecedora.
Ele não aguenta em alguns momentos, e em uma fraqueza ele chega a pedir que as pessoas parem, ou que ao menos sigam em slow motion, vejamos, in verbis: “Rebola Bola e dá uma paradinha assim / Rebola Bola e vem em câmera lenta para mim”. O “ragamofe”, que ele infelizmente não conseguiu descrever em detalhes, judia do rapaz, e faz, inclusive, ele querer apertar algum botão imaginário, não consegue perceber a música em seu curso normal, pensa que ela está parada, e pensa que o supramencionado botão teria o condão de dar andamento ao espetáculo, em dados momentos ele quer até jogar suas mãos para a frente. Olhe, é uma tristeza, mas, o pior, é que não se esqueçam que ele acredita ser uma baratinha, e mesmo assim acha que conseguirá fazer uso de membros tipicamente humanos, pensem bem: uma barata jogando braços para frente, ou até tentando apertar um botão. Nossa! Eu não consigo visualizar a crueldade desta substância.
O “ragamofe” depois retorna com força total. E aí é uma tristeza, porque ele começa a vê-lo em todos os lugares, e fica tentando capturá-lo para extirpá-lo de sua vida. Vejamos um outro trecho:

“Olha o ragamofe é
Se liga na parada
Olha o ragamofe é
Eu quero ver a mulherada
Olha o ragamofe é
Se liga na parada
Olha o ragamofe é
Eu quero ver a mulherada”

É claro que o que ele quer ver é a “mulherada”, pois, apesar de se considerar momentaneamente no reino dos animais, ele não abandona seus instintos oficiais, só que o “ragamofe” fica aparecendo, causando distúrbios, e atraindo sua atenção. Quero que constem desta análise literária o sacrifício e a abnegação deste artista, pois, mesmo vitimado por um engodo que lhe fez ingerir tão monstruosa substância, ele consegue, apesar dos delírios, focar na composição de uma obra de arte de valor instrutivo, para que as pessoas venham a perceber seu drama, que, em última análise, qualquer um de nós poderia vir a sofrer, ser enganado e começar a ver um “ragamofe”, é uma coisa triste. Cuidado, pessoal, com as companhias. E ainda piora, vejam só.
O “ragamofe” começa a atirar coisas nele, e ele começa a sentir pancadas, é uma barata sofrendo com agressões de um objeto inimaginável, e em intervalos curtíssimos de apenas dois segundos. O que nos mostra que a droga ingerida tem também uma carga de dor física. Sintam só:

“Um dois jogou bateu
Um dois jogou bateu
Um dois jogou bateu
Um dois jogou bateu”

E assim ele seguirá, até que o efeito deste alucinógeno, que tanto mexe com o inconsciente das pessoas, venha a perder seus efeitos. Lamentável.



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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Passou, Amor - por Luiz de Almeida Neto

Inteligente, bonita, engraçada.
Toda a felicidade, numa piada
e o universo num grão de mostarda,
com pitadas de entusiasmo
pra alegrar a vida,
esquecer a despedida
e acabar com o meu cansaço.

Mas já passou.
Passou, amor,
passou o amor.

E foi de vez, sem dar desculpa
tal qual letra de samba,
sem aplausos, indiferente.
Angústia, aperto, tentativa de fuga
música que ninguém dança,
dor que ninguém sente.

Mas já passou.
Passou, amor,
passou o amor.

Agora tem você a acalentar,
colar pedaço,
fugir de estilhaço,
tentar navegar.
Pensamento de solidão,
fome de compaixão,
coberto de arrependimento.
Setinhas pra baixo,
não sei o que acho,
confusão por dentro.

Porque passou.
Passou, amor,
passou o amor.

Você quer, sente, amor.
O que eu quero eu não sei,
perdeu a graça.
De nós dois só você pode compor
Trono de mentirinha pra rei
com nuvens de fumaça.

Acabou, enfim só,
como tanto busquei
sem saber.
Falou, sem dó
que eu que não sei
esquecer.

Mas não é isso
é que passou.
Passou, amor,
passou o amor,
e eu não sei mais do que preciso.



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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Tema da Canção do Verdureiro - por Luiz de Almeida Neto

Amor,

..........Passei muito tempo pensando em como te dizer isso. E só há duas formas.
..........A primeira é um cãozinho, que eu comprei pra criar. Ele ia passando e avistou um brinquedo sujo, meio esculhambado, que eu até já pensava em jogar no lixo. Acabou que se apegou de tal forma a esta peça que não a larga mais. É o dia inteiro pra cima e pra baixo com o brinquedo em baixo do braço, ou melhor, da pata.
..........A segunda é aquele verdureiro imbecil, que fez de minha rua palco para suas vendas e que não para de gritar nem por um instante, querendo falar das ofertas a qualquer um dos transeuntes que lhe dê atenção.
..........Deu-se que eu acabei descobrindo que ele tem um entendimento com Dona Gertrudes, aqui do 375, e que os dois passam as noites a fazer peripécias. Pois é, certo dia eu também ia passando e, ao avistá-lo, escondi-me logo atrás de uma outra banca e fui dando a volta cuidadosamente para não ser abordado por um de seus berros.
..........Eis que o sujeito estava cantarolando uma melodia fraca, feia, e sem sentido, que falava coisas sobre cachaça, mulheres de caráter duvidoso e outras desgraças afins. Mas eu parei pra contemplá-lo e acabei descobrindo que ele não estava cantando aquilo. Na verdade ele estava feliz, apaixonado, e cantando a única canção que sua farta ignorância lhe pôs à mão.
..........Assim é o que sinto por você. Passava eu por você tal qual Aderbal pelo meu brinquedo velho, e desde então tenho tido muitas atitudes irracionais que minha grande estupidez me põe à mesa. Mas de todas as atitudes que eu tomo, no fundo, e depois de pensar bastante, vejo que o tema é você. E eu tenho que arrumar pelo menos uma canção para cantarolar.


P.S.: “É rapariga, é cabaré, é ‘bagacera’, muita mulher. De primeira qualidade...”.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O Artista Lúdico - por Luiz de Almeida Neto

Hoje, o tema tratado é de uma tristeza ímpar. Na verdade, é a continuação da nossa análise sobre a arte popular brasileira, com vistas a poesias e ritmos que encantaram nossa população nos últimos tempos. E eis que nos deparamos com um tema que talvez não encontre semelhança em toda a arte da humanidade, seja em tempos passados, ou na contemporaneidade. A vanguarda do artista se expressa através de um sentimento sem igual.
Trata-se, a bem da verdade, de algo tão sublime que quase chega a passar desapercebido ao exercício da razão. Vejamos:


Boneco Doido
(Terra Samba)

“Boneco doido, vai boneco doido
Vem boneco doido, vem pro povo, vem se balançar
Boneco doido, vai boneco doido
Faz um movimento que a galera vai te acompanhar”

É na singeleza das palavras do artista que percebemos a afeição dispensada a um boneco, que, por desventura, acabou encontrando na insanidade seu descaminho. Entretanto, indignado com tal situação, vem o poeta a querer inseri-lo na sociedade, trazer o seu boneco, objeto de seu apreço, para o seio da comunidade. E o meio utilizado para esta iniciativa não é outro senão a dança.
Ele então passa a incentivar seu boneco à realização de movimentos dançantes, pedindo que este realize um movimento e afirmando para ele que a sua população, aqui designada como “galera” (gíria local, contemporânea do poeta), irá seguir os seus passos.
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Em outro trecho, deixa o artista evidente a proposição anteriormente feita a pessoas de família, além de constatar já um certo sucesso por parte do objeto, vejamos:

“O Terra Samba tem uma dança
Que é sucesso na Bahia
Dança papai, vovó e titia”

Aqui o autor já começa a revelar que as famílias, de um modo geral, têm apoiado a sua iniciativa terapêutica de tratamento do boneco através da dança. Inclusive todas essas pessoas auxiliando o poeta com a dança, dançando eles próprios, de acordo com o que já foi descrito por nós.
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Enfim, não obstante todo o esforço feito pelo compositor, ele demonstra de maneira elevada seu altruísmo, convidando você também. Isso! Você, que fica a escutar a melodia e as palavras, acaba sendo igualmente convidado a participar de todo o projeto do autor, e inclusive é autorizado a tomar parte na dança que, por sua vez, já envolvia o próprio autor, o boneco infelizmente debilitado, a vovó, a titia, o avô, enfim, todos juntos para construir uma rede de carinho e compreensão para ajudar o boneco.
Sinta você também o convite:

“Se você não aprendeu
Pode chegar
Eu vou jogar a dança
E você vai me acompanhar
(...)
E você dança, canta, pode se soltar
Mexa o seu corpo, deixa balançar
Balance seus braços, jogue para o ar
Bata na palma, você vai gostar”
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E assim ele (o autor) segue em seu ritmo envolvente, que aliás é uma das características da poesia aqui tratada, enquanto continua sua obra social, ajudando seu amigo de pano menos favorecido.
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Obs.: Nada contra a dança, que é boa e relaxante, de verdade. A bem da verdade é muito descontraída e divertida, especialmente nos shows da banda, que são, sim, bastante animados. Não há também aqui nenhuma crítica à obra, nem nada nesse sentido, sendo apenas uma brincadeira, para nossa diversão.
De mais a mais, abraço ao pessoal do Duelos pela atenção do Selo concedido, foi muito bacana mesmo a lembrança.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Bernard Schlitzingel Von Altrophten - por Luiz de Almeida Neto

Bernard Schlitzingel Von Altrophten nunca aceitou que fosse popularizado um apelido sequer sobre o seu nome. Nem sobre sua pessoa, diga-se de passagem. Sujeito de manias e costumes estritamente aprovados pelo Estado Austríaco, no qual ele aliás cria e admirava.
Por força de uma ou outra ocasião de vida se exaltava, mas em geral permanecia quase que sempre com uma cara fechada, carrancuda, com olhar de mau e pose de quem está sempre prestes a pular no seu pescoço. O temperamento era facilmente descrito como irritadiço e impaciente. Em suma, senhores, Bernard Schlitzingel Von Altrophten nunca nos faria uma visita aqui no Duelos.
Nem fazia visita a ninguém. Contentava-se com sua garrafa de uísque mais que reprimida na poltrona solitária de sua sala. E é lá que está ele agora.
Com uma roupa de gala, sua seriedade intacta, vivendo seu grande momento.
Ele já consegue visualizar, entre um gole e outro, seu filho admitindo o quanto sua educação e disciplina foram importantes, sua mulher a lhe implorar perdão pelo desquite, enquanto ele gentilmente a conforta, demonstrando toda sua honra.
Sua filha então se debulha em lágrimas, confessando que efetivamente pecara antes do casamento, e admitindo que ele realmente era um sujeito astuto, e que descobrira toda a farsa encenada entre ela e o então namorado, que agora encontram-se obrigatoriamente casados.
Tudo isso enquanto ele concede uma entrevista a um jornalista famoso, que sempre faz as perguntas certas, às quais ele responde sempre muito bem, e com muita eloquência, acerca de sua vida honrada e magnífica.
Enfim, 10 da noite. Bernard Schlitzingel Von Altrophten observa o relógio e constata que está enfim na hora da ceia de Natal, e percebe o quanto estivera distante, em um sonho. Em um sonho muito melhor que a realidade. Então, liga avisando ao filho que não irá, que está cansado e na hora de dormir. Como eu disse, ele não visita ninguém. Mas todos vão lá todas as noites prestar seu tributo a ele.



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domingo, 2 de agosto de 2009

Análise Literária - por Luiz de Almeida Neto

Obra interessante essa do Asa de Águia. Vasta em sabedoria e aplicação de princípios. Começamos sua análise destacando um trecho de suas composições.



“A dança da tartaruga, a dança da tartaruga
A dança da tartaruga, da tartaruga meu amor
A dança da tartaruga, a dança da tartaruga
A dança da tartaruga, da tartaruga me balançou
No swing da tartaruga, no swing da tartaruga
No swing da tartaruga, da tartaruga vem meu bem
No swing da tartaruga, no swing da tartaruga
No swing da tartaruga, da tartaruga eu vou me dar bem
Tchuca você foi meu grande amor, hei!
Sempre que eu me lembro de você
Bate forte uma saudade pois a gente ainda se ama
Quero amar você e ser feliz, hei!
Viva nosso jeito de viver
Só uma tartaruga fica esperando o seu bem querer
A dança da tartaruga iôiô
A dança da tartaruga iáiá
A dança da tartaruga
Eu não consigo viver longe de você
A dança da tartaruga iôiô
A dança da tartaruga iáiá
A dança tartaruga
Ainda te vejo numa tela de cinema”
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No texto em apreço o autor descreve com detalhes um provável romance com um ser vivo, comumente designado como “tartaruga”, mas que ele carinhosamente, ao descrever sua relação com o animal, chama carinhosamente de “Tchuca”. É uma poesia rica em detalhes sobre o “swing” da espécie que ele está a analisar. Depois, ao analisar psicologicamente as tartarugas, o autor consegue constatar que “Só uma tartaruga fica esperando o seu bem querer”. Por fim, em um tipo de catarse elevada o poeta ainda deixa transparecer levemente suas aspirações quanto ao futuro do ser amado, ao dizer que ainda espera vê-lo em uma tela de cinema, demonstrando claramente sua esperança de que a tartaruga querida atinja o estrelato.
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Durval Lelys

sábado, 1 de agosto de 2009

Palavras Sábias - por Luiz de Almeida Neto

“Gatinha põe o dente no pescoço do rapaz, na dança do vampiro você se satisfaz.”
Gênio criador do compositor do Asa de Águia.



Durval Lelys
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sexta-feira, 31 de julho de 2009

O Último Gole - por Luiz de Almeida Neto

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O que vale mais que o tormento da eternidade? Nada. Tem umas coisas que o ser humano desafia só por causa de sua natureza. É evidente que sempre reclama à nossa consciência a possibilidade de não haver punição eterna. Evidentemente há a hipótese de inexistência de céu e inferno. Mas… E se existisse… Haveria algo que valeria sofrimento tão pujante? Nada. Nem mesmo toda a razão da sua própria existência? Talvez nem mesmo isso. O sofrimento é capaz de destruir tudo, e até sua existência não faria sentido sem uma perspectiva de futuro, ainda que tal perspectiva fosse a própria morte.

Gemiti, homem já velho e criado pelos bares, regado a belas doses e desabrochado nos mais belos colos da Rua do Alto Mandamento, acordou certa vez pra sempre, ou dormiu certa vez pra sempre, depende muito do lado do qual você observa. Olhando para o local onde falecera, percebeu que seu copo jazia ali, inerte, à espera de sua boca sedenta, mas não conseguia tocá-lo. Tentou muitas vezes, e, malogrado o êxito de sua campanha rumo ao gole de rum, deu-se por satisfeito de ficar ali, embasbacado, olhando para a garrafa abandonada.
Aí chegou “a inesperada”, com foice, capuz e tudo mais quanto tinha direito. Toda de preto pra não deixar dúvida. Até o vento traiçoeiro da meia-noite bateu, e percebia-se, inclusive, certos uivos pelo ambiente. Chegou perto de Gemiti, como quem não queria nada, sem que ele pudesse perceber, mas, naturalmente, era como se sempre estivesse ali, como se ele sentisse sua presença e lhe pudesse farejar. Saiu em disparada pela Rua do Alto Mandamento e só quando já ia à altura da Rua do Almirante se deu conta que não havia ninguém. Tudo era sereno.
A neblina imperava com seu ar pesaroso como se já fosse o velório. Gemiti, incrédulo, relutava, sem acreditar que a divina hora chegara, mas teve coragem: decidiu esperar ali, pra ver o que sucederia, e… principalmente… o que lhe esperava. Pensou que talvez pudesse invocar alguém, algo, qualquer coisa. Não tinha nada. Ficou cabisbaixo, como que a matutar sobre qual a atitude mais honrada, o que melhor fazer diante daquilo tudo.
Nesse ínterim, subia a Velha Dona Morte, com uma passada desleixada, com sua árdua e perene tarefa, com uma tranquilidade que não parecia verossímil aos olhos do iminente defunto, acostumada e relaxada na hora cabal pra cada um, costumeira sempre a ela. Chegou perto, e seu bafo era horrível, mas, mesmo assim, lendo um papel, teve de falar.

- Gemiti dos Santos?
- É… É… Eu - eu… Me-me-smo.
- Vamo. Tá na hora.
- Hora de quê?
- De subir, né, querido?
- Então é isso? Ao menos quer dizer porque vou subir?
- Não sei muito bem. Não sou eu que resolvo isso. Mas você desenrola quando chegar lá.
- Desenrola uma porra! Eu tô sabendo que não tem jeito. Daqui pra frente não tem mais chance. Já dancei.
- Mas não é assim. Com uma boa justificativa a gente sempre desenrola alguma coisa por ali.
- Desenrola nada! O que tá feito, tá feito.
- Que nada! Com uma boa justificativa a gente sempre pode mudar o peso dos atos.
- Ih! Sei não…. Olha lá, hein! Depois eu entro errado aí e não tem mais volta!
- Olha, eu tenho um cara que tá esperando no cruzamento da Frei Caneca com a Escrava Isaura. Morreu de facada. Imagina a situação! E tu só aqui enrolando. Tá ruim assim.
- Mas eu não tenho direito nem a um último desejo?
- Mas tenha pena do pobre coitado que tá lá estirado no chão. Já tá juntando mosca por causa de você aqui.
- Caramba! Tá tudo certo. Mas se eu pudesse, ao menos…
- Ao menos o quê?
- É que eu deixei um serviço incompleto aqui entre os homens.
- Conversa!
- É sério. Palavra.
- Que foi que ficou pela metade?
- Pela metade, não. Mas ainda falta só uns três dedinhos assim…
- Mas pelo amor de Deus! A essa hora, Gemiti?! Assim não tem quem aguente!
- Mas que “vexame” é esse também? É essa hora sim! Qual é a outra que eu tenho?
- Olha, o cara tá lá esperando, viu?! Isso é até pecado!
- Mas como é que já se viu! Ser autoritário desse jeito! E mexendo com coisa tão importante!
- Tá bom. Faço um acordo então. Você fica até beber tanto quanto conseguir. Desisto! Mas também… Quando não conseguir mais beber… Eu volto… E você desce direto!
- Direto? Sem nem um julgamento? Mas isso não é inconstitucional?
- Direto!
- Tá bom. Mas só quando eu não conseguir mais entornar nada. Tá certo assim?
- Tá feito. Tchau.

E foi assim que Gemiti, acordando com a face em cima de uma mesa de bar, teve a desfaçatez de olhar bem na minha cara e dizer: “De hoje em diante não bebo nunca mais! Nem mais um gole!”, e nunca mais voltou. Deixou inclusive a conta pendurada nas minhas costas.
Sei não. Acho que só tem duas coisas que fazem um homem enganar aquilo que não pode ser enganado: a covardia ou a preguiça. Um brinde aos preguiçosos pela sua inocência.



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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Um Lance de Ocaso - por Luiz de Almeida Neto

Foi só uma rajada,
uma lufada de ar fresco
O tempo de pegar a almofada
ou de chegar primeiro.

O tempo inteiro eu organizado
E na hora de valer
Tudo decidido ao contrário
do que eu esperava ver.

Fazer de conta que controla tudo
ou crer que alguém controla
por você
Não faz diferença em um mundo
que na hora do deita-e-rola
não se sabe o que vai acontecer.

No fim das contas é só uma torcida
Uma ponta de esperança
mastigada, pisada e cuspida
esperando vingança.

Não sou eu quem vai dizer
até porque não há nada
por trás de um segundo:
ridículo e imenso prazer,
ou se é uma porrada,
gesto escroto e imundo.

Difícil fazer sentido
Quando tudo se explica
no rolar dos dados do infinito
fazendo friozinho na barriga.

Mais uma carta, senhor?
Eu quero mais é passar do vinte e um.



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sábado, 11 de abril de 2009

Passagem - por Luiz de Almeida Neto

Todos os trens passam,
e pouco se importam comigo
como sempre deve ser.
A relação entre mim e eles
reside unicamente
na minha observação
e no retorno que meus escritos
talvez um dia construam.
Aprender a lidar
com o aluguel, a água e a luz
foi mais fácil
que conviver com as derrotas
do Vasco da Gama,
muito pior foi descobrir
que pouco se importam
com a dor de cada um
com as que eu constato
com as que eu não trato.

Sem pretensão filosófica alguma
eu aprendo a conviver
com este mundo louco
que tanto me impressiona
e que eu não consigo impressionar.
Talvez um dia eu me acostume
com as variações do destino
que podem nascer,
do abre-e-fecha de um sinal de trânsito,
ou de uma falta na bica da área.

Não consigo de jeito nenhum
deixar de amar
e olha que eu nem era “essas coisas toda”,
foi devagarzinho,
bem diferente do jeito brusco
que os trens passam,
que os sinais fecham,
que meu povo vai trabalhar.

Quem sabe eu não aprenda o ritmo,
descubra a rima,
acerte na Sena,
e faça de conta que me dei bem.
A verdade é que sempre pensarei
em todos vocês, que neste momento
estão a ler estas coisas.
E isso nem é uma mensagem de amor,
porque o amor não comporta mensagens,
porque eu não comporto mensagens,
é mais uma constatação,
como sempre é,
sem graça,
sem ritmo,
sem rima,
que é o que eu consigo produzir.

Ainda pode ser que alguém,
movido por curiosidade,
se decida a dedicar alguns segundos
à leitura dos sinais que determinam
o nosso destino
e que um dia convencionamos.
Afinal, quem é que protesta
quando vê uma colisão de automóvel,
com o sinal de trânsito?
Quem é que culpa
a velocidade deste trem
quando passa da estação do trem
que deveria ter descido?
A vida é louca,
e mais louco ainda é quem tenta compreendê-la.

Assim venho até aqui,
enterro meus pensamentos
e me entrego de corpo e alma
à mediocridade daqueles que não tem esperança
e me destino a viver
uma vida de sanduíche.
Única capacidade que se pode atribuir
à minha qualidade de ser humano,
portadora inerente de continue’s e game over’s
sabedora de misérias e de dinheiros.
Nova vida
“Pra rimar com tudo!!! Pra rimar com tudo”



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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Pro Futuro - por Luiz de Almeida Neto

Nunca fui muito bom
de ver o futuro.
Também nunca acertei nas previsões,
se há algum ente que prediz,
fazendo o papel de chato
na vida de todo mundo
graças a Deus nunca me visitou.

Até hoje não sei o que acontecerá amanhã
E até o último segundo
de minha vida
não gostaria de saber
que ela ia acabar,
e se algum chato me dissesse
perderia toda a graça.

Nunca apostei em búzios,
nem carteado,
e minha sorte sempre foi lançada
com a dignidade de quem aposta
sem ter medo de perder.
Agora chega o cara e me diz:
“Você ainda vai ser bem sucedido”,
ao que me ofende,
com este comportamento.

Não quero e nunca quis
ser bem sucedido,
fosse assim já estaria cantando
sertanejo ou pagode,
quero mesmo é ser como eu sou
e se minha vida não mudar
até o dia em que eu me mudar
pro terreno que eu comprei no céu
em um dos leilões da Universal
eu estarei feliz.

Pra mim tá tudo certo
e do meu futuro só espero
ter sempre mais um dia pra viver
porque me apaixonei pelas coisas
que me cercam
e não sei viver sem aquilo
que possuo.
Que possuo hoje,
sem projeto,
sem expectativa,
aprendia a amá-las
e ponto.

Se você tem um projeto
para semana que vem
descarte-o,
faça da sua vida
um bom lugar para você mesmo
e viva sem o peso
daqueles que pensam
que só um dia irão viver.



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quarta-feira, 1 de abril de 2009

O Iluminado - por Luiz de Almeida Neto

O Iluminado é mais o roteiro que Jack Nicholson em si também. Mas tudo isso é mais um gosto meu que propriamente opinião.



Sinopse: Cineclick
Trailers: Youtube, Youtube
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Resposta a comentário de Ana em
Um Estranho no Ninho, de Luiz de Almeida Neto.
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E você? Que filme gostaria de comentar aqui?
Stephen King, Stanley Kubrick

terça-feira, 31 de março de 2009

Luiz de Almeida Neto em As Nossas Palavras III

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A vida sempre faz o seu trabalho, nós é que a preferimos obsoleta.



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Melhor é Impossível - por Luiz de Almeida Neto

“Melhor é Impossível” ele [Jack Nicholson] tá o máximo!!!



Sinopse: Cineclick
Trailer: Youtube
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Resposta a comentário de Ana em Um Estranho no Ninho, de Luiz de Almeida Neto.
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E você? Que filme gostaria de comentar aqui?
James L. Brooks

segunda-feira, 30 de março de 2009

Os Infiltrados - por Luiz de Almeida Neto

(...) Os Infiltrados não é inovador, mas quando Scorsese era inovador não ganhava Oscars, e só veio a ganhar quando perdeu a mão (E eu concordo de verdade que ele exagerou nesse filme).



Sinopse e trailer: Cineclick
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Resposta a comentário de Ana em Um Estranho no Ninho, de Luiz de Almeida Neto.
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E você? Que filme gostaria de comentar aqui?
Martin Scorsese