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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Medo - por Vicenzo Raphaello

Medo
Vem de repente
o medo
Por quê?
Não sei
Reajo
me fecho
Su fica triste
Sofia se espanta
que merda!
Mais frontal
e
de mentira
medo não tenho.
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terça-feira, 23 de julho de 2013

Medo de Amar - por André Dametto

Quero
Imagino
Me aproximo
Deixo
Sinto
Desconfio
Racionalizo
Duvido
Comunico
Enlouqueço
Recomeço…
Medo de amar



Visitem André Dametto
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domingo, 3 de junho de 2012

Ah! O Apagão! - por Adir Vieira

Naquele dia, às 22 horas preparamos o quarto para fugir do calor. Como de hábito, ligamos o ar-condicionado e, da sala, esperávamos o tempo hábil para a refrigeração, quando após apenas quinze minutos da meia hora que deveríamos aguardar, veio o apagão!
Apressamo-nos a correr para desconectar todas as tomadas antes que a volta repentina da luz estourasse os equipamentos elétricos.
Após esse feito, ficamos no aguardo do retorno da energia elétrica que, não fossem as notícias da CBN pelo rádio de pilhas, não saberíamos que não voltaria tão logo.
O fato, por si só, já mandou pra bem longe o meu sono, antes já instalado. Tenho perfeito horror a escuro. Sou daquelas que, mesmo estando no vigésimo sono, se a lâmpada da cabeceira se apagar, acordo de pronto. Como tudo nessa hora acontece, as pilhas da lanterna tão pouco usada não funcionaram e recorremos às “velas”. Quatro grupos de castiçais queimavam as únicas velas restantes, coisa que durou mais de seis horas.
Por mais de duas horas, o ar fresco na varanda permitiu que ficássemos repousando ao aguardo. Passado esse tempo, resolvemos entrar e tentar dormir. Meu marido logrou êxito, mas eu, como já esperava, não. Tenho pavor de velas acesas dentro de casa e, com isso, fiquei imóvel ao seu lado, com o cuidado de não acordá-lo com minhas reviravoltas na cama.
Eis que exatamente à uma e vinte da manhã, horário marcado no meu celular, a secretária eletrônica soltou um grito de no message que me arrepiou inteira. Recuperei-me e decidi apagar as luzes da cozinha e banheiros que ficaram acesas não sei porquê e ligar a geladeira.
Tão logo conclui meu feito, sem qualquer aviso tudo se apagou de novo, me deixando em pânico naquele breu e sem velas na mão. Foi um percurso interminável da cozinha ao quarto e, achando a cama, deitei-me de novo, quando lembrei que teria que voltar para, novamente, desligar a geladeira. Rezei, me benzi e lá fui eu. Já mais calma, retornei ao quarto, deitei-me e ali fiquei até as três e quinze da manhã, quando voltou a luz. Claro que aguardei uns quinze minutos para religar a geladeira...
Lembro que só consegui concatenar o sono por volta das quatro e meia da manhã.
Nos dias seguintes só se falava nisso e os incompetentes a quem estamos entregues estão tentando discutir o que houve. Só no Brasil!



Visitem Adir Vieira
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Medo - por Alba Vieira

Medo é barreira auto-imposta
Que nos isola em impedimentos
Fazendo com que a personalidade
Murche em vida, sem movimento.

Medo pode ser desculpa
Para não se conhecer.
Pode gerar repulsa
À oportunidade de se desenvolver.

É tanta coisa que fenece
Por causa do medo atroz
Que às vezes até parece:
Que não se vive, é a morte vindo veloz.

Medo é areia movediça
Que aos poucos toma conta de nós.
É também defesa com ponte levadiça.
É ficar encolhido debaixo dos lençóis.

Não há que se ignorar o medo.
Fugir é nada salutar.
Melhor entender bem o desassossego,
Criando condições de poder enfrentar.

O que torna o medo pleno de poder
É aquilo que cerca o tanto que existe de real.
Somos nós que incrementamos o que poderá acontecer
Com nossa fantasia, nossa imaginação surreal.

Então melhor usar a tal imaginação
Sempre e muito bem, ao nosso favor.
Diminuir o que nos ameaça é uma solução.
E fortalecer o ego ajuda a eliminar o pavor.
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A Grande Notícia! - por Adir Vieira

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Sabe quando você aguarda uma notícia boa por meses?
Aquela notícia dos seus sonhos, que vai minorar de uma só vez a maior parte dos seus problemas?
Pois é. Se você pensa que quando ela chegar você vai ficar feliz, ledo engano.
Sem explicação, bate um aperto no peito e um medo tão grande de ser feliz...
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tributo aos Meus Amigos - por Alessandro Santos

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MEDO DO ABANDONO
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Tenho medo de ser abandonado
Não abandonado por meus amores
Pois são estes efêmeros.
São chamas que se apagam
Ao balancear de ventos fortes
Que anunciam as tempestades.

Tenho medo que me faltem os amigos
Que eles me abandonem
Que me falte o brilho de seu sorriso
E a melodia de suas vozes
Ao entoar lindos hinos de alegria.

Tenho medo que as amizades virem cinza
Em meio ao fogo de um momento
A raiva de um instante
A discussão de um minuto
O estopim de uma palavra
Mal dita e mal entendida.

Tenho medo de que a distância
Por mais perto que pareça
E mais longe que seja
Seja um precipício, intransponível
Vigiado por um rio profundo
E inquietante em seu percurso,
Que evita que nos aproximemos novamente,
Que lembremo-nos dos bons tempos.

Tenho medo de que meus sonhos
Se tornem ambiciosos demais
E sufoquem os sonhos de meus amigos
Tenho medo de que meus sonhos
Se tornem inquietantes demais
E que em busca de realizá-los
Eu me esqueça de minhas amizades.

Tenho medo de acordar
E descobrir que as amizades
Eram apenas sonhos.

Tenho medo de dormir
E descobrir, ao acordar,
Que meus amigos se foram.

Tenho medo de dormir novamente
E mais uma vez acordar
Dormir, acordar,
E não desfrutar do prazer que amigos nos dão.

Tenho medo de ser eu
Sem ter você, amigo
Companheiro, chato
Brilhante, sincero,
Falso, inteligente...
E todas as faces que você tem
Quando eu preciso delas
E, mesmo sem dizer nada,
Você sabe qual deve usar.

E ao mesmo tempo em que tenho medo
Tenho esperança
Esperança de que nunca me faltem amigos
Esperança de que nunca eu perca amigos
Esperança, ESPERANÇA.

Tenho esperança
Esperança de que as cinzas das discussões
Geradas em meio ao fogo de um momento
Em meio à raiva de um instante
Em meio à discussão de um minuto
Em meio ao estopim de uma palavra
(Mal dita e mal entendida)
Seja matéria-prima da ressurreição
Assim como Roma voltou das cinzas,
Assim como a fênix ressurgiu das mesmas.
Ambas mais fortes, mais inabaláveis,
Mais tudo.

Se eu acredito serem possíveis tais coisas?
Eu acredito em tantas coisas más que o mundo me impõe
Que acreditar em meus amigos
E a infindável amizade entre nós
É uma das maneiras de ser feliz.

A certeza de uma vida repleta de amigos
É combustível suficiente
Para a certeza e o desejo de viver.

E assim
Tendo a esperança do meu lado
Meu medo se dissipa
Esperança, como dizem,
É a última que morre
E enquanto ela não morrer a certeza continua
E uma luta também:
Viver com um infinito de amigos
E ter um infinito de amigos pra viver.



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sábado, 8 de agosto de 2009

Xô, Medo de Cachorro! - por Alba Vieira

Não sei o que acontece comigo
Que nem dá pra me segurar.
Se avisto um cachorro na rua:
Cruz-credo! Parece que vou desmaiar.

É um medo que me pelo,
É tortura sem razão.
Acho que ele vai me morder,
Que não tenho salvação.

Mas eu devo perceber, qualquer dia,
Que nem todo cachorro é ruim.
É que esse pavor já virou mania
E não dá mais pra ficar assim.

Vou entender que existem medos
Que vivem na nossa imaginação.
E pra poder voltar a ter sossego,
Só mesmo usando a mágica do balão.

Botamos num saco todo pensamento
Que causa muito, muito medo na gente.
Mandamos num balão o saco pro firmamento
E assim todo mundo fica feliz e contente.

E quando o medo vai embora,
A gente pode perceber, devagarzinho,
Que o cachorrinho correndo lá fora
Agora já pode ser nosso amiguinho.



(Poesia composta para um blog infantil.)
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Visitem Alba Vieira
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quarta-feira, 25 de março de 2009

Hoje é Dia de Pânico - por Adir Vieira

Pelo menos, para mim, é assim, todos os meses, quando eu tenho que ir a um Banco movimentar o famigerado provento da aposentadoria.
Às vezes penso se tal pânico vem lá de dentro, do âmago, por não saber como esticar a pequena quantia e cobrir as necessidades básicas ou se vem mesmo da violência atual.
No momento em que saio de casa, não me importo com a razão real, prefiro atentar para o que aparece em minha mente, de forma superficial: a violência que assola o país.
Chego a apostar que em outra época de minha existência já fui assaltada e espancada, tamanho é o meu pavor nessa situação.
Prefiro ir a pé para relaxar enquanto caminho e observo-me no percurso: músculos da face tensos e rígidos, sem se permitirem ao menos um sorriso disfarçado, se encontro um conhecido, as pernas pesam, negando-se a ir em frente e chego a despender o dobro do tempo até o local, mesmo indo apressadamente.
O medo me persegue e ao abrir a porta e adentrar o Banco, meus olhos e toda a minha fisionomia demonstram esse medo. Chego a perceber que as pessoas, ao me olharem, mostram surpresa e algumas assimilam meu pavor ficando também assustadas.
Vou em busca da senha rezando por obter um número próximo e também para que o sistema não saia do ar até chegar minha vez. Como sempre, observo, da ala em que estou, gente de toda a espécie, de idade avançada. Na minha faixa de idade posso perceber não mais de três pessoas.
Inquieto-me porque visualizo aquele velhinho que habitualmente esquece a senha e depois da quinta tentativa entrega seu segredo ao caixa que, encabulado, prossegue no atendimento sob a reclamação dos demais. Vejo também a mesma senhora de lábios agressivamente pintados de vermelho que, na vez anterior, preencheu os trinta minutos de espera contando-me todas as cirurgias que já fez em minúcias e fujo dela, porque no seu único interesse de falar, nem percebeu o meu desagrado no assunto e, por certo, se eu ficar perto, vai repetir a dose.
Um pouco mais na frente, uma mãe com olhar sofrido tenta doutrinar a filha, deficiente mental, para que se acalme, enquanto um dos clientes que recebeu um forte chute da menina nas pernas foi se queixar ao gerente.
Tudo é tumulto nesse pequeno espaço.
No físico e na minha mente.
As figuras, enquanto aguardam a vez, se atropelam e se cuidam entre si para não perderem o número no painel. Falam demais, para minha agonia.
Meus olhos percorrem tudo com desvairada atenção.
Para mim, a qualquer momento, um bando de assaltantes, com fuzis e pistolas em punho, vai manter todo mundo no chão, enquanto esvaziam os caixas.
Sempre é a mesma coisa. Tento me acalmar, me convencendo de que tudo é fruto de minha imaginação e não percebo que chegou a minha vez, até um velhinho de rosto redondo e vermelho gritar: olha o 316, morreu ou está aí?
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segunda-feira, 16 de março de 2009

Medo - por Raquel Aiuendi

Gerar um novo horizonte
Gerir essa esfuziante fonte
Que bole por dentro, embola
O antes linear e extrapola...

Coração pulsar vivente, mas
Fraco impulso rumo à paz
É um vazio que só ratifica
Vontade tímida e raquítica

Que estrangular esse medo
Não ousará agora e nunca
Ego de puríssimo arremedo
Deixa a pessoa inerte, muda.

Vive um eterno carnaval
Numa fachada sem igual
Lutas, affes e dicotomia
Mutas em up e agonia.
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Escrever - por Vicenzo Raphaello

Dei pra escrever
difícil
pois
nem um memo consigo
quanto mais poesia

Talvez
até um dia possa juntar palavras
e em texto
o abstrato transformar
em elegantes metáforas
e o concreto formar

Me assusta porém
talento não ter
e aí
parar de escrever.
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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Sexta-feira 13 - por Adir Vieira

Hoje, ao virar o calendário, deparei-me com a data – sexta-feira, 13.
De pronto, veio à minha mente posicionamentos remotos em relação ao dia que, segundo sempre se soube, anunciava momentos ruins.
Lembro de uma das minhas irmãs, a cada início de ano, checar o calendário anual e verificar se trazia alguma sexta-feira 13. Lembro também que, sempre próximo a essa data, chamava nossa atenção com prognósticos aterrorizantes sobre esse dia fatídico.
Hoje, creio que bem mais madura, isso não mais me afeta, mas, de súbito, como se eu não pudesse contestar, noto que minha postura em relação ao dia vai assumindo, sem que eu perceba, conotações de alerta.
Temo iniciar qualquer tarefa prazerosa intuindo que não dará certo.
Vejo-me andando de um lado para o outro, sem nada fazer, com medo mesmo de enveredar-me por armadilhas silenciosas enviadas pelo ar.
Vejo-me calada, com aquele temor específico de que qualquer som por mim emitido possa traduzir-se em discussão ou mal-entendido.
Vejo-me em constante alerta e precavendo-me de qualquer ato desabonador à paz.
Meus temores, imaginados esquecidos, tomam força maior ao constatar que além de sexta-feira 13, ainda é dia de lua cheia, o que assinala maiores expectativas negativas.
Penso de repente que tudo caminha de acordo com minhas lembranças e tento estabelecer metas reais para o meu dia.
Constato, no entanto, que apesar de todos os esforços não consigo dar termo a essa apreensão velada, a essa negatividade firmada em recordações infundadas de muito tempo atrás.
Enfim, que a sexta-feira 13 se vá e eu possa voltar a viver sem esses medos.
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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Medo

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em "comentários", que nós postaremos.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Covardia - por Alba Vieira

Perna bamba é
Fraqueza e paúra.
Seja homem, sô!
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A Ponte e o Rio - Tércio Sthal

O medo de passar a ponte
tem a ver com rio logo abaixo
ou não.

Talvez o medo de passar a ponte
nada tenha a ver com o rio logo abaixo
ou não.

Se o rio estiver acima da ponte
o medo será do quê?

Se o rio estiver no nível da ponte
o medo será do quê?

O medo pode persistir
ou não!
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Medo de Chuva - por Alba Vieira

Chove bem forte. Há relâmpagos. Vejo tudo esbranquiçado quando olho pela janela. Estremeço a cada trovão. Fecho os olhos pra não enxergar a chuva, agora mais fina, que cai insistentemente.
Estou angustiada. Esta chuva que não pára me deixa assim: apavorada. Suo frio e quase desmaio. Penso nos que estão ao relento, nos que precisam sair e encontrarão dificuldades, e nos que moram em casas perigosas, em terrenos instáveis que podem deslizar a qualquer momento. Sinto na pele o frio do desamparo. Mas sei que são apenas justificativas para este incômodo.
Sei que este medo de chuva não é meu, atual. E sim da criança que fui e que ainda hoje fica tão vulnerável se a chuva não cessa.
Então saio de mim. Caminho até ela, que quase desfalece em um canto da casa e a seguro pelas mãozinhas frias, faço que se levante, a tomo nos braços e coloco no colo.
Aperto-a contra o meu peito protetor.
Agora respiro outra vez profundamente, neste corpo de adulta que não manifesta, porque já não sente medo de chuva.

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O Medo - por Raquel Aiuendi

É uma arma e escudo que equivocadamente nos permitimos em muitos momentos da nossa vida. Passar na vida como objeto nas mãos das pessoas pode ser o resultado dessa escolha.

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domingo, 21 de dezembro de 2008

Se Minha Criança Sofre… - por Ana

Os receios de criança
que persistem em nossas vidas
são lixos a jogar fora…
Vide a estrada percorrida:

seu corpo cresceu, mudou,
você amadureceu
em outros tantos aspectos
dentro do seu próprio eu;

passou por problemas diversos
com coragem os enfrentou;
sofreu com tristezas, perdas…
e com força as encarou;

cresceu profissionalmente
às custas do próprio valor;
ajudou tantas pessoas
com carinho e com amor.

Foi crescendo no tamanho
sem perceber que, a seu lado,
há uma menina pequena
que precisa de cuidado

e arrasta, pesadamente,
com as pequenas mãos feridas,
temores, medos, pavores
que lhes dificultam a vida.

Por vezes ela te domina
com seu pessimismo aprendido,
isto arrasa a alegria,
faz tudo perder o sentido.

Ela não pode influenciar,
você nela não deve crer;
pare, adulta, para ouvi-la,
para que ela possa viver

leve, como veio ao mundo,
alegre, feliz, satisfeita,
risonha e brincalhona,
uma criança perfeita.

Coloque a menina no colo,
cuide dela, beije, abrace,
console, acalente, sorria,
olhando-a face a face.

Diga que tudo passou,
“Das tristezas cuido eu,
cuido das dificuldades,
cicatrizo onde doeu”.

A ela cabe sorrir,
confiar na sua ação
assertiva nos momentos
em que lhes faltar o chão.

Diga a ela que aqui,
nesta terra de humanos,
há problemas, coisas boas,
sortes e desenganos,

mas que você constrói os dias
da melhor forma possível:
semeando alegrias,
afastando o que é terrível.

Se bobagens vêm à porta,
entrando sem permissão,
você cuidará de tudo,
pois esta é a sua função.

Que você sabe, convicta,
que cada pessoa uma vida;
as dores que são dos outros
não pertencem à sua lida.

Que você ajuda, se pode,
apóia, se for aceita,
colabora, tão amiga,
não faz corpo mole, não “deita”.

Mas que se algum mal surgir
dizendo respeito a vocês,
ela estará protegida
em seus braços, desta vez.

Desta vez e em outras tantas,
sempre que precisar,
pois adultos são pra isso:
defender e amparar.

Diga a ela que crianças
não devem se preocupar,
diga que não faz sentido
e explique, pra confirmar:

“Por que vai se preocupar
se o caso tem solução?
E por que se preocupar
Se é sem resolução?

É coisa tão sem propósito,
isto de preocupação…”
Esclareça a garotinha…
Acalme seu coração…

Depois de tranqüilizá-la
com todo afeto e calor,
faça uma coisa por ela,
definitiva, por favor:

desembarace a pequena
da tristeza do seu fardo,
jogue fora, de uma vez,
aquele lixo pesado.

Libere as suas mãozinhas,
cuide de seus ferimentos,
trate bem sua criança
e use bastante ungüento.

Depois de passado um tempo,
quando ela estiver curada,
toda boba, saltitante,
sentindo-se tão amada,

agradecendo com olhares,
te esticando os bracinhos,
pedindo colo, dengosa,
quando cansar no caminho,

te fazendo mil gracinhas,
sorrindo o tempo inteirinho,
te afogando em abraços,
te enchendo de beijinhos…

chame-a pra, com você,
novo hábito iniciar:
passar os dias da folhinha
sem temer o que virá.

Assim seguirá a vida,
mais tranqüila, finalmente,
envolta em felicidade
e segurança… plenamente.
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Escaldado - por Leo Santos

O espinho feriu a mão
e então guardou a rosa,
oscilando na noite,
inda presa ao talo;
o latido ameaçador
feriu o silêncio
e guardou o átrio,
mesmo sem nada a ameaçá-lo…

Ao chocalho do ofídio
o pé guardou distância,
detida a ânsia do passo
nas cordas do temor;
pelo medo da perfídia,
o tatuado pela insídia
não tira a camisa,
negando que precisa do amor…

Ao aceno do ginete
nasceu o galope,
a cavalgadura receosa
do “estímulo” do açoite;
entornado o refrigerante,
o gato escaldado
saltou precipitado
e sumiu no breu da noite…

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