Mostrando postagens com marcador .Vicenzo Raphaello. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador .Vicenzo Raphaello. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Medo - por Vicenzo Raphaello
Medo
Vem de repente
o medo
Por quê?
Não sei
Reajo
me fecho
Su fica triste
Sofia se espanta
que merda!
Mais frontal
e
de mentira
medo não tenho.
.
Vem de repente
o medo
Por quê?
Não sei
Reajo
me fecho
Su fica triste
Sofia se espanta
que merda!
Mais frontal
e
de mentira
medo não tenho.
.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Assassinato - por Vicenzo Raphaello
Estava a vazar
Veio o incauto inseto
e lá me pica
que vermelha fica
Num gesto preciso
meu jato acerta
o infeliz mosquito
Assim assassinado
para a descarga vai
o pobre coitado
Cometido foi
o crime perfeito
Apesar da prova que fica
a escondida picada
e tábua molhada.
.
Veio o incauto inseto
e lá me pica
que vermelha fica
Num gesto preciso
meu jato acerta
o infeliz mosquito
Assim assassinado
para a descarga vai
o pobre coitado
Cometido foi
o crime perfeito
Apesar da prova que fica
a escondida picada
e tábua molhada.
.
domingo, 20 de outubro de 2013
Folhetim da Periferia - por Vicenzo Raphaello (Erótico)
Odete no telefone.
- Vem ele acabou de sair, tá indo pra Nova Iguaçu, só volta à noite.
Lá vai ele apressado, foi uma sorte reencontrar aquela mulherão após tantos anos, era o tipo da gostosona, seios fartos, cintura quase fina e a bunda, que bunda, bunda de tanajura, que esconde, lá, uma aranha que quando se agita é loucura só.
Ele estava em casa sem nada fazer, na verdade pouco fazia, vivia de um bico aqui outro ali, mas mais de pequenos golpes em cima de mulherada já mais pra lá do que pra cá. Michê de periferia.
Odete ainda menina mostrava curiosidade por aquilo que os meninos tinham pendurados entre as pernas, divertia-se em brincar com os escondidinhos que cresciam quando neles tocava, aprendera desde cedo a gostar de sentir a excitação que provocava na molecada, aquele calor e sabor na sua boca e a esguichada que vinha depois era divertido.
Crescera, agora galhinhona do pedaço, vivia cercada de marmanjos, mas casamento nem pensar, era mulher falada.
Temperamento alegre, despachada, adorava dançar, vez ou outra ia a um salão de baile onde era soberana, faziam fila para com ela dançar, divertia-se vendo o sufoco de seus parceiros para disfarçar o volume que crescia sob as calças, era o sucesso do pedaço.
Fora ali que conheceu Orestes, sujeito tímido já nos seus cinquenta e tantos, dono de uma calvície precoce que lhe acentuava a idade, esguio com um início de uma barriga a avolumar sob a camisa. Funcionário público concursado, cheio de mesuras e gentilezas, próprias de quem passara a vida submisso para manter o cargo, assistente do chefe de gabinete, “o faz tudo”.
Homem só, viera da Bahia, parentes não tinha, amigos eram poucos, conhecidos na verdade, mulheres só aquelas do trabalho, mantinha-se distante e respeitoso, apesar de pensar em algumas quando aliviava-se com uma Playboy na mão, era virgem aos cinquenta.
Seu prazer estava nos bailes dos sábados, lá num salão da Cinelândia, sentado na mesa da pista ficava a olhar os pares dançando, na expectativa de ser convidado para uma rodada, era uma espera permanente.
Até que surgiu Odete que, despachada, tirou o solitário para uma dança, foi encanto na primeira roçada, Orestes vermelho não conseguiu esconder a excitação e a mancha que crescia na calça, Odete divertida provocava mais.
Foi o passo para ela juntar suas coisas e morar com ele, ganhou estabilidade, perderam-se as revistas. Orestes, limitado por seus pudores e respeitos, não avançava mais do que o papai e mamãe, Odete, conformada, era o receptáculo daquela relação.
Daí, foi um passo para ela reencontrar o Edu de outros tempos, e conversa vai conversa vem acabaram atracando-se na cama do Orestes, durante o expediente do infeliz.
- Amor, hoje vou até Nova Iguaçu, volto tarde.
- Tá, vai com cuidado.
Ele sai, ela pega o telefone.
- Vem rápido, ele viajou e volta tarde, temos mais tempo.
Edu chega apressado, Odete o espera vestindo uma camisola que nada cobria, despertando fogo no garanhão, aos beijos e apertos vão para o quarto, iniciando uma luta fingida dele querer a tanajura e ela negaceando.
Entre mordidas, chupões, tapas e gemidos ele pede:
- Me dá a tanajura.
- Só se você pagar.
- Pago, pago, mas dá logo.
- Quanto?
- Não me atice, a vara vai estourar.
Silêncio.
Escutam a porta do apartamento se abrir.
- Melou, disse ela, num pulo fecha a porta do quarto.
- Du, pega tua calça e pula a janela.
- Queridaaa tô aqui, esqueci um documento.
- Ô Odete são dois andares, diz ele indeciso sentado no peitoril da janela com a calça e sapatos nas mãos.
- Pula rápido, e dando um tranco, o infeliz despachado é dois pisos abaixo.
- Amor acorda, abre a porta.
- Ai, ai quebrei a perna, fica o outro gemendo se arrastando tentando se recompor com as roupas que caíram com ele.
- Ô amor te acordei, mas era preciso, meu documento ficou aqui.
- Ai, ai vem o gemido lá do pátio.
- Odete, tem alguém gemendo lá no pátio.
- É o gato da vizinha, deixa pra lá.
- Ai, ai, huummm como dói.
- Odete gato não fala, diz ele indo em direção à janela. Odete tem um homem com a perna quebrada, vou lá.
- Esquece, olha teu documento aí, e vai senão você perde o ônibus.
Orestes sai do quarto e vai ao pátio.
- O que aconteceu? Posso ajudar?
- Sim, diz o quebrado, pega lá meu sapato e me ajuda aqui, aquela tanajura do segundo me empurrou da janela pra escapar do flagra do corno do marido, que chegou na hora errada.
Orestes, lívido, cerra os punhos e manda uma porrada quebrando as fuças daquele já estropiado. Arrasado sobe, encontra Odete aos prantos sobre a cama.
- Sua vadia porque? Com o cinto nas mãos parte para cima dela e no seu descontrole Odete descobre o homem que se escondera por tantos anos atrás dos seus preconceitos e respeitos, entre xingamentos, cintadas e bofetadas segura as pernas da tanajura levando os joelhos até os seios, expondo aquele escuro marisco como nunca antes houvera visto. Come-o por traz, pela frente, enfia onde enfiar ele podia, em pé ela ajoelhada é obrigada a sugar toda a raiva que vinha daquele frustração.
Exaurido, Orestes ajoelha-se e chora abraçado em Odete que não chora mais.
A viagem ele perdeu.
Odete alegria ganhou.
Edu coxo ficou.
.
- Vem ele acabou de sair, tá indo pra Nova Iguaçu, só volta à noite.
Lá vai ele apressado, foi uma sorte reencontrar aquela mulherão após tantos anos, era o tipo da gostosona, seios fartos, cintura quase fina e a bunda, que bunda, bunda de tanajura, que esconde, lá, uma aranha que quando se agita é loucura só.
Ele estava em casa sem nada fazer, na verdade pouco fazia, vivia de um bico aqui outro ali, mas mais de pequenos golpes em cima de mulherada já mais pra lá do que pra cá. Michê de periferia.
Odete ainda menina mostrava curiosidade por aquilo que os meninos tinham pendurados entre as pernas, divertia-se em brincar com os escondidinhos que cresciam quando neles tocava, aprendera desde cedo a gostar de sentir a excitação que provocava na molecada, aquele calor e sabor na sua boca e a esguichada que vinha depois era divertido.
Crescera, agora galhinhona do pedaço, vivia cercada de marmanjos, mas casamento nem pensar, era mulher falada.
Temperamento alegre, despachada, adorava dançar, vez ou outra ia a um salão de baile onde era soberana, faziam fila para com ela dançar, divertia-se vendo o sufoco de seus parceiros para disfarçar o volume que crescia sob as calças, era o sucesso do pedaço.
Fora ali que conheceu Orestes, sujeito tímido já nos seus cinquenta e tantos, dono de uma calvície precoce que lhe acentuava a idade, esguio com um início de uma barriga a avolumar sob a camisa. Funcionário público concursado, cheio de mesuras e gentilezas, próprias de quem passara a vida submisso para manter o cargo, assistente do chefe de gabinete, “o faz tudo”.
Homem só, viera da Bahia, parentes não tinha, amigos eram poucos, conhecidos na verdade, mulheres só aquelas do trabalho, mantinha-se distante e respeitoso, apesar de pensar em algumas quando aliviava-se com uma Playboy na mão, era virgem aos cinquenta.
Seu prazer estava nos bailes dos sábados, lá num salão da Cinelândia, sentado na mesa da pista ficava a olhar os pares dançando, na expectativa de ser convidado para uma rodada, era uma espera permanente.
Até que surgiu Odete que, despachada, tirou o solitário para uma dança, foi encanto na primeira roçada, Orestes vermelho não conseguiu esconder a excitação e a mancha que crescia na calça, Odete divertida provocava mais.
Foi o passo para ela juntar suas coisas e morar com ele, ganhou estabilidade, perderam-se as revistas. Orestes, limitado por seus pudores e respeitos, não avançava mais do que o papai e mamãe, Odete, conformada, era o receptáculo daquela relação.
Daí, foi um passo para ela reencontrar o Edu de outros tempos, e conversa vai conversa vem acabaram atracando-se na cama do Orestes, durante o expediente do infeliz.
- Amor, hoje vou até Nova Iguaçu, volto tarde.
- Tá, vai com cuidado.
Ele sai, ela pega o telefone.
- Vem rápido, ele viajou e volta tarde, temos mais tempo.
Edu chega apressado, Odete o espera vestindo uma camisola que nada cobria, despertando fogo no garanhão, aos beijos e apertos vão para o quarto, iniciando uma luta fingida dele querer a tanajura e ela negaceando.
Entre mordidas, chupões, tapas e gemidos ele pede:
- Me dá a tanajura.
- Só se você pagar.
- Pago, pago, mas dá logo.
- Quanto?
- Não me atice, a vara vai estourar.
Silêncio.
Escutam a porta do apartamento se abrir.
- Melou, disse ela, num pulo fecha a porta do quarto.
- Du, pega tua calça e pula a janela.
- Queridaaa tô aqui, esqueci um documento.
- Ô Odete são dois andares, diz ele indeciso sentado no peitoril da janela com a calça e sapatos nas mãos.
- Pula rápido, e dando um tranco, o infeliz despachado é dois pisos abaixo.
- Amor acorda, abre a porta.
- Ai, ai quebrei a perna, fica o outro gemendo se arrastando tentando se recompor com as roupas que caíram com ele.
- Ô amor te acordei, mas era preciso, meu documento ficou aqui.
- Ai, ai vem o gemido lá do pátio.
- Odete, tem alguém gemendo lá no pátio.
- É o gato da vizinha, deixa pra lá.
- Ai, ai, huummm como dói.
- Odete gato não fala, diz ele indo em direção à janela. Odete tem um homem com a perna quebrada, vou lá.
- Esquece, olha teu documento aí, e vai senão você perde o ônibus.
Orestes sai do quarto e vai ao pátio.
- O que aconteceu? Posso ajudar?
- Sim, diz o quebrado, pega lá meu sapato e me ajuda aqui, aquela tanajura do segundo me empurrou da janela pra escapar do flagra do corno do marido, que chegou na hora errada.
Orestes, lívido, cerra os punhos e manda uma porrada quebrando as fuças daquele já estropiado. Arrasado sobe, encontra Odete aos prantos sobre a cama.
- Sua vadia porque? Com o cinto nas mãos parte para cima dela e no seu descontrole Odete descobre o homem que se escondera por tantos anos atrás dos seus preconceitos e respeitos, entre xingamentos, cintadas e bofetadas segura as pernas da tanajura levando os joelhos até os seios, expondo aquele escuro marisco como nunca antes houvera visto. Come-o por traz, pela frente, enfia onde enfiar ele podia, em pé ela ajoelhada é obrigada a sugar toda a raiva que vinha daquele frustração.
Exaurido, Orestes ajoelha-se e chora abraçado em Odete que não chora mais.
A viagem ele perdeu.
Odete alegria ganhou.
Edu coxo ficou.
.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Saudade Morta - por Vicenzo Raphaello (Erótico)
Ele a esperava, na véspera avisara que iria.
Havia tempo que se mudara.
Ele a conhecera ainda jovem, o tempo passara, mais madura, mãe, mantinha o viço da juventude apesar das pequenas rugas surgindo junto aos seus olhos, o que a tornava mais interessante.
Há quanto tempo não se viam.
Surgira a oportunidade de voltar àquela cidade, ligara procurando roubar um pouco do seu tempo, pedira a ela que reservasse um flat próximo de sua casa, era cômodo, num pulo lá estaria e noutro ela voltaria.
Ela chega, por um momento ele se vê envolto em ternura, o encontro era de fato desejado, sentia saudades, do seu jeito, da sua vontade de fazer sexo, do carinho que demonstrava.
Era bom.
Beija aquele rosto, onde, sempre presente, um sorriso alegre.
Já na porta ela mete-lhe na boca a língua ágil, procura recordar o sabor e calor guardados em suas lembranças, sem surpresa ele retribui, duelos de línguas, gemidos, mordidas de lábios, orelhas, lambidas no rosto, no queixo, nariz, sugar de saliva, lubrificados os sexos, o passado torna-se presente.
Nesta luta, caem no sofá, ágil ela levanta a saia, que nada por baixo esconde, arqueia o corpo oferecendo o rasgo sob a sedosa plumagem, que penetrado é, movimentos tranquilos e agitados se sucedem, até o frêmito dos corpos tensionados.
Relaxam.
Como vai você? E as meninas? Teu marido?
Perguntas sem sentido, conversa jogada fora, nada importa do saber do outro, apenas o prazer de ali estarem novamente.
Volto logo, ela diz recompondo-se saindo do quarto, ele deixa-se ficar sem questionamentos, ainda entumescido, tenta relaxar.
Breve ela volta, trazendo de casa vinho do Porto e caviar.
Tira a roupa, sentada numa banqueta deixa cair lentamente líquido pelo colo que flui entre os seios, acomoda-se suavemente no umbigo até chegar ao fruto, agora adocicado pelo licor.
Passando o caviar pelos fios de cabelos que ornam sua concha, ali sentado no chão ele sorve tudo temperado com o sabor que vem do seu interior.
O líquido escorre, chega no pequeno orifício, a língua naquela grota alcança o poço e inicia vigorosa massagem acompanhada de pequenas estocadas.
Sussurros e gemidos aumentam quando seu dedo penetra naquele estreito buraco, ali se acomoda alargando aquela passagem em cuidadosos movimentos.
E o licor correndo.
Abraçando aquele corpo coloca-a na cama, apoiada nos cotovelos, arregaçada expõe tudo o que expor podia.
Ela pede, come, come, come o que quiser.
A boca na flor marrom, lambe e chupa, com fome há muito não sentida, levanta-se, com delicadeza ali enfia devagar e depois com forte movimento chega ao fundo, um gemido.
Ele imóvel fica.
Ela em movimentos circulares e num vaivém, geme, sem pudor pedindo mais e mais.
Numa explosão de prazer gozam, ele com suas mãos agarradas nas suas ancas.
Caem no chão, olham-se, abraçados, mudos, assim ficam.
Está morta a saudade..
Havia tempo que se mudara.
Ele a conhecera ainda jovem, o tempo passara, mais madura, mãe, mantinha o viço da juventude apesar das pequenas rugas surgindo junto aos seus olhos, o que a tornava mais interessante.
Há quanto tempo não se viam.
Surgira a oportunidade de voltar àquela cidade, ligara procurando roubar um pouco do seu tempo, pedira a ela que reservasse um flat próximo de sua casa, era cômodo, num pulo lá estaria e noutro ela voltaria.
Ela chega, por um momento ele se vê envolto em ternura, o encontro era de fato desejado, sentia saudades, do seu jeito, da sua vontade de fazer sexo, do carinho que demonstrava.
Era bom.
Beija aquele rosto, onde, sempre presente, um sorriso alegre.
Já na porta ela mete-lhe na boca a língua ágil, procura recordar o sabor e calor guardados em suas lembranças, sem surpresa ele retribui, duelos de línguas, gemidos, mordidas de lábios, orelhas, lambidas no rosto, no queixo, nariz, sugar de saliva, lubrificados os sexos, o passado torna-se presente.
Nesta luta, caem no sofá, ágil ela levanta a saia, que nada por baixo esconde, arqueia o corpo oferecendo o rasgo sob a sedosa plumagem, que penetrado é, movimentos tranquilos e agitados se sucedem, até o frêmito dos corpos tensionados.
Relaxam.
Como vai você? E as meninas? Teu marido?
Perguntas sem sentido, conversa jogada fora, nada importa do saber do outro, apenas o prazer de ali estarem novamente.
Volto logo, ela diz recompondo-se saindo do quarto, ele deixa-se ficar sem questionamentos, ainda entumescido, tenta relaxar.
Breve ela volta, trazendo de casa vinho do Porto e caviar.
Tira a roupa, sentada numa banqueta deixa cair lentamente líquido pelo colo que flui entre os seios, acomoda-se suavemente no umbigo até chegar ao fruto, agora adocicado pelo licor.
Passando o caviar pelos fios de cabelos que ornam sua concha, ali sentado no chão ele sorve tudo temperado com o sabor que vem do seu interior.
O líquido escorre, chega no pequeno orifício, a língua naquela grota alcança o poço e inicia vigorosa massagem acompanhada de pequenas estocadas.
Sussurros e gemidos aumentam quando seu dedo penetra naquele estreito buraco, ali se acomoda alargando aquela passagem em cuidadosos movimentos.
E o licor correndo.
Abraçando aquele corpo coloca-a na cama, apoiada nos cotovelos, arregaçada expõe tudo o que expor podia.
Ela pede, come, come, come o que quiser.
A boca na flor marrom, lambe e chupa, com fome há muito não sentida, levanta-se, com delicadeza ali enfia devagar e depois com forte movimento chega ao fundo, um gemido.
Ele imóvel fica.
Ela em movimentos circulares e num vaivém, geme, sem pudor pedindo mais e mais.
Numa explosão de prazer gozam, ele com suas mãos agarradas nas suas ancas.
Caem no chão, olham-se, abraçados, mudos, assim ficam.
Está morta a saudade..
domingo, 3 de março de 2013
Vai Entender... - por Vicenzo Raphaello (Erótico)
Toca o telefone
Alô.
É você!!!!
Ele reconhece aquela voz, há tempo que não a escutava, da última vez mostrara-se um trapalhão, a assustara, esquecia-se com frequência da idade e agia impulsivamente como se jovem fosse ainda.
Gestos de carinho e genuína amizade ela manifestara muitas vezes, ele como um primata confundiu como uma insinuação, uma promessa, respondendo por aí, acabou com uma relação de amizade cara a ele.
Aquele comportamento da juventude não o abandona, a sedução sempre foi-lhe fácil, mas agora abstrai-se da realidade da sua aparência, esquecendo que muitos anos já vivera, e que o espaço de tempo que o separa daquilo que deseja é maior do que pode sua vontade.
Fora ridículo.
Quanto tempo, sinto saudades.
Pois é, tenho trabalhado muito, não me sobra muito tempo.
Desculpa esfarrapada pensa ele, pra uma ligação tempo não falta.
E aí?
Preciso da sua ajuda, dá pra vir aqui?
Claro, responde, não perguntando para quê, já que qualquer motivo era suficiente para vê-la.
Amanhã, tá?
Claro, passo aí.
Pela manhã faz a barba, coisa que fazia vez ou outra, arruma-se com um pouco mais de cuidado, em frente ao espelho tenta encolher a barriga que já não encolhe mais.
Vai para o encontro.
Que bom que você veio disse ela beijando-lhe o rosto.
Qual é o problema, menina?
Sentados junto a uma mesa, ela fala dum assunto que não o interessa, olha aquele rosto, uma mecha de cabelo desprende-se do penteado arrumado, com os dedos ele atreve-se a arrumá-lo como doutras vezes já fizera.
Ela olha-o desviando a atenção dos documentos sobre a mesa, deixa cair o lápis sobre sua calça, sua mão num gesto rápido tenta pegá-lo, mas pega a ele, a princípio tímida, mas firme depois. Não larga.
Surpreso, excitado ele se avoluma, olhando aquele rosto das suas fantasias, enrubescido pela audácia, beija-o.
Sonhei com isto, diz num sussurro.
Ela curva o corpo em direção ao seu colo, desabotoa a calça lentamente, sua boca envolve o sexo que aparece entre o tecido, iniciando carinhosa massagem.
Ele segurando seus cabelos, movimentando-os no ritmo que lhe agrada.
Cerra os olhos e pensa, ela queria..
Alô.
É você!!!!
Ele reconhece aquela voz, há tempo que não a escutava, da última vez mostrara-se um trapalhão, a assustara, esquecia-se com frequência da idade e agia impulsivamente como se jovem fosse ainda.
Gestos de carinho e genuína amizade ela manifestara muitas vezes, ele como um primata confundiu como uma insinuação, uma promessa, respondendo por aí, acabou com uma relação de amizade cara a ele.
Aquele comportamento da juventude não o abandona, a sedução sempre foi-lhe fácil, mas agora abstrai-se da realidade da sua aparência, esquecendo que muitos anos já vivera, e que o espaço de tempo que o separa daquilo que deseja é maior do que pode sua vontade.
Fora ridículo.
Quanto tempo, sinto saudades.
Pois é, tenho trabalhado muito, não me sobra muito tempo.
Desculpa esfarrapada pensa ele, pra uma ligação tempo não falta.
E aí?
Preciso da sua ajuda, dá pra vir aqui?
Claro, responde, não perguntando para quê, já que qualquer motivo era suficiente para vê-la.
Amanhã, tá?
Claro, passo aí.
Pela manhã faz a barba, coisa que fazia vez ou outra, arruma-se com um pouco mais de cuidado, em frente ao espelho tenta encolher a barriga que já não encolhe mais.
Vai para o encontro.
Que bom que você veio disse ela beijando-lhe o rosto.
Qual é o problema, menina?
Sentados junto a uma mesa, ela fala dum assunto que não o interessa, olha aquele rosto, uma mecha de cabelo desprende-se do penteado arrumado, com os dedos ele atreve-se a arrumá-lo como doutras vezes já fizera.
Ela olha-o desviando a atenção dos documentos sobre a mesa, deixa cair o lápis sobre sua calça, sua mão num gesto rápido tenta pegá-lo, mas pega a ele, a princípio tímida, mas firme depois. Não larga.
Surpreso, excitado ele se avoluma, olhando aquele rosto das suas fantasias, enrubescido pela audácia, beija-o.
Sonhei com isto, diz num sussurro.
Ela curva o corpo em direção ao seu colo, desabotoa a calça lentamente, sua boca envolve o sexo que aparece entre o tecido, iniciando carinhosa massagem.
Ele segurando seus cabelos, movimentando-os no ritmo que lhe agrada.
Cerra os olhos e pensa, ela queria..
sábado, 31 de outubro de 2009
Acaso (Sorte) - por Vicenzo Raphaello
Estamos aqui pelo acaso
Do acaso cósmico
Ao acaso do espermatozóide mais competente
Pertencemos sem opção
A um lugar na vida que não escolhemos
Criamos teias afetivas neste acaso
Criamos sentimentos
Amamos
Nossos caminhos em acasos caminham
Em acaso de encontros, seres fazemos
Que por acaso de outros
Vão encontrar
Como ocorrem?
Simplesmente ocorrem
Nossa existência se determina
Pelo acaso de outras existências
Não existe lógica para ordenamento deste caos
Simplesmente nos deixamos levar.
.
Do acaso cósmico
Ao acaso do espermatozóide mais competente
Pertencemos sem opção
A um lugar na vida que não escolhemos
Criamos teias afetivas neste acaso
Criamos sentimentos
Amamos
Nossos caminhos em acasos caminham
Em acaso de encontros, seres fazemos
Que por acaso de outros
Vão encontrar
Como ocorrem?
Simplesmente ocorrem
Nossa existência se determina
Pelo acaso de outras existências
Não existe lógica para ordenamento deste caos
Simplesmente nos deixamos levar.
.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Ponto - por Vicenzo Raphaello (Erótico)
Ela o apresentara àquele ponto.
Não era um ponto qualquer.
Chegar nele requeria sedução, e convite.
Cedo ela aprendera alcançá-lo, agradá-lo; outros na juventude chegaram nele sem sucesso, para jovens não há lugar para sutilezas.
Em Veneza, já mulher, brincando com sedutora amiga aprende a dar ao ponto novas formas de prazer.
O tempo
Vão-se o entusiasmo e a amiga.
Seus dedos dão a ele a atenção que não recebe de outros, acaricia-o onde houvesse chance de.
Esse ponto seu vício, adora tocá-lo exibindo-se frente a um espelho, no banho acaricia-o, num tempo sem tempo, excita-se com o cheiro e sabor que seus dedos trazem do seu corpo.
Neste ato solitário, falta testemunha e cúmplice para seu jogo.
Seduz um amigo, ensina-o como fazer.
Este exacerbado no seu despudorado exibicionismo, agrada-a mais do que ela própria consegue.
Entre os ruivos cabelos que adornam sua concha, ele surge, o pequeno e róseo ponto, deixa-se tocar pelos habilidosos dedos, lubrificado pela boca ansiosa em sugá-lo e mordê-lo, em meio a grunhidos e gemidos; próxima da tensão ela assume o controle do seu ritmo e ele expondo sua virilidade a mão agita jorrando, lubrificando-o.
Complementam-se no desejo, na forma, na exibição, na cumplicidade de novas descobertas, a lição de Veneza é sua sexualidade, as mãos, a boca, o sexo do companheiro não são mais suficientes, todo corpo é necessário, deitada de bruços roçando com suavidade seus seios nas suas costas, atrita o ponto no corpo arqueado do amante, molhando-o com o fluir da sua excitação, tudo a satisfaz, costas, coxas, ombros, a rigidez do seu sexo sem penetrar, apenas o roçar.
O tempo
Prolongada rotina cansa, desejo acaba.
O ponto é, para ele, apenas lembranças de visões, cheiros e sabores.
Para ela, razão de nova procura.
.
Não era um ponto qualquer.
Chegar nele requeria sedução, e convite.
Cedo ela aprendera alcançá-lo, agradá-lo; outros na juventude chegaram nele sem sucesso, para jovens não há lugar para sutilezas.
Em Veneza, já mulher, brincando com sedutora amiga aprende a dar ao ponto novas formas de prazer.
O tempo
Vão-se o entusiasmo e a amiga.
Seus dedos dão a ele a atenção que não recebe de outros, acaricia-o onde houvesse chance de.
Esse ponto seu vício, adora tocá-lo exibindo-se frente a um espelho, no banho acaricia-o, num tempo sem tempo, excita-se com o cheiro e sabor que seus dedos trazem do seu corpo.
Neste ato solitário, falta testemunha e cúmplice para seu jogo.
Seduz um amigo, ensina-o como fazer.
Este exacerbado no seu despudorado exibicionismo, agrada-a mais do que ela própria consegue.
Entre os ruivos cabelos que adornam sua concha, ele surge, o pequeno e róseo ponto, deixa-se tocar pelos habilidosos dedos, lubrificado pela boca ansiosa em sugá-lo e mordê-lo, em meio a grunhidos e gemidos; próxima da tensão ela assume o controle do seu ritmo e ele expondo sua virilidade a mão agita jorrando, lubrificando-o.
Complementam-se no desejo, na forma, na exibição, na cumplicidade de novas descobertas, a lição de Veneza é sua sexualidade, as mãos, a boca, o sexo do companheiro não são mais suficientes, todo corpo é necessário, deitada de bruços roçando com suavidade seus seios nas suas costas, atrita o ponto no corpo arqueado do amante, molhando-o com o fluir da sua excitação, tudo a satisfaz, costas, coxas, ombros, a rigidez do seu sexo sem penetrar, apenas o roçar.
O tempo
Prolongada rotina cansa, desejo acaba.
O ponto é, para ele, apenas lembranças de visões, cheiros e sabores.
Para ela, razão de nova procura.
.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
O Gato - por Vicenzo Raphaello
Lá no meio do mato
O matuto
De amor se toma pela morena
Dela ninguém se atrevia
Achegar
Filha de caboclo bravo
Pensando nela
De amores o matuto sofre
Pela distância imposta
Coragem cria
Numa noite escura
Como gato arrasta-se sob a casa da formosa
Que de madeira elevada era
E sob o quarto da amada
Arranha o piso na esperança de um encontro furtivo
Não era, porém, o quarto certo
Mas do caboclo
Que, de arma na mão
Atirando sai
Naquele bicho irritante
E o pobre coitado humilhado
Como gato pardo na mata se vai
Corre
Corre pela vida
Na cidade vai parar
Onde empresário se faz
Contador de histórias
Aos sobrinhos conta
Divertido
Aquela do infeliz gato pardo.
.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Tua Voz - por Vicenzo Raphaello
Tua voz
tanto tempo depois
da última voz
Saudade malvada
como você
Por que agora tua voz?
Foi-se o sossego
Maldosa
Tormenta
de lembranças adormecidas
do teu cheiro
teu calor
detalhes do teu corpo
me atormentam
Maldosa
Por que agora tua voz?
Se não permite o desejo
Por que outra vez?
Se vez não tem?
Maldosa
por que?
No que resta do meu tempo
um tempo me nega
o último
Por que?
Maldosa.
.
tanto tempo depois
da última voz
Saudade malvada
como você
Por que agora tua voz?
Foi-se o sossego
Maldosa
Tormenta
de lembranças adormecidas
do teu cheiro
teu calor
detalhes do teu corpo
me atormentam
Maldosa
Por que agora tua voz?
Se não permite o desejo
Por que outra vez?
Se vez não tem?
Maldosa
por que?
No que resta do meu tempo
um tempo me nega
o último
Por que?
Maldosa.
.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Certeza - por Vicenzo Raphaello
Em frente ao espelho o olho esquerdo conversa com o direito
Não tenho certeza
Do que?
De nada
De nada?
Sim, de nada
Como?
Pois é de nada
E agora?
Agora?
Sim agora
Agora reza pra Deus
Deus?
Sim, sabe o que é?
Acho que sei, mas não tenho certeza, o que é?
Bem também não tenho certeza, pode ser... olha não sei explicar é complicado
Como complicado ? Todos falam Dele...
Veja, acho... hummm é mais ou menos assim, já pensou porque você está aqui?
Como é?
Pois é pensa um pouco, e depois pra onde você vai?
Hã?
Hã nada, tá confuso?
Tô
É pra estar, é melhor rezar pra Deus.
Mas resolve?
Sim quem acredita diz que resolve
Então é assim?
É mais ou menos, mas não pensa muito não, senão você não vai ter certeza, disso tenho certeza.
.
Não tenho certeza
Do que?
De nada
De nada?
Sim, de nada
Como?
Pois é de nada
E agora?
Agora?
Sim agora
Agora reza pra Deus
Deus?
Sim, sabe o que é?
Acho que sei, mas não tenho certeza, o que é?
Bem também não tenho certeza, pode ser... olha não sei explicar é complicado
Como complicado ? Todos falam Dele...
Veja, acho... hummm é mais ou menos assim, já pensou porque você está aqui?
Como é?
Pois é pensa um pouco, e depois pra onde você vai?
Hã?
Hã nada, tá confuso?
Tô
É pra estar, é melhor rezar pra Deus.
Mas resolve?
Sim quem acredita diz que resolve
Então é assim?
É mais ou menos, mas não pensa muito não, senão você não vai ter certeza, disso tenho certeza.
.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Depoimento - por Vicenzo Raphaello (Erótico)
Dotô delegado tô numa robada...
Tava num achego com a gata faz um tempinho, nóis não tinhamo uma boca isolada.
Um canto sussegado prá nóis ficá, sacô?
A grana é curta e o tempo.... o tempo seu dotô delegado, vê só, de noite temo que tá no barraco, a veia é fera, durante o dia trabáiamo.
Só a hora do rango morô?
Nóis queria uma cachanga, mas a miséria não dá, ai a mina sacou o lance do aluguer.
Pagá, nóis não podia não, então nóis pegava o jornal e descolava algum prá alugá, iamô lá visitá, ai acontecia, a gata se enroscava toda e a gente mandava bem.
Tavamô na boa, sacou né?
Nóis fûmo levando prum tempo, num e nôtro luga, até que cumessamo a vortá prá onde nóis já tinha ido.
Ai deu bandeira, aquele enxerido do quardadô do prédio manjô o lance, ai de sacanagem, se amoitava atráis da porta, nóis sabia, mas não dava bola não, era um barato vê o bicho atiçado.
Ma veja dotô, hoje o cabra se animô e queria comê também.
Ai pintou sujeira.
Ele duro cumo pau se sebo patio pá inorânça, a gente se pegô, a mina no meio levô um castigo, ai ela caí da paisajê.
Pôxa dotô, a gata tava lá em baixo arrebentada e ainda sem rôpa.
Partí prum castigo, ele ia dá de pinote, escorregou, cai lá em cima da guria.
Foi uma robada.
É legitima né?
Vê se o outro lá, dá ai, minha carça.
Se o dotô me grampeá, a patroa dá o pinote e aquela gata agora troncha num quero mais não.
Dá um jeito ai dotô delegado..
Tava num achego com a gata faz um tempinho, nóis não tinhamo uma boca isolada.
Um canto sussegado prá nóis ficá, sacô?
A grana é curta e o tempo.... o tempo seu dotô delegado, vê só, de noite temo que tá no barraco, a veia é fera, durante o dia trabáiamo.
Só a hora do rango morô?
Nóis queria uma cachanga, mas a miséria não dá, ai a mina sacou o lance do aluguer.
Pagá, nóis não podia não, então nóis pegava o jornal e descolava algum prá alugá, iamô lá visitá, ai acontecia, a gata se enroscava toda e a gente mandava bem.
Tavamô na boa, sacou né?
Nóis fûmo levando prum tempo, num e nôtro luga, até que cumessamo a vortá prá onde nóis já tinha ido.
Ai deu bandeira, aquele enxerido do quardadô do prédio manjô o lance, ai de sacanagem, se amoitava atráis da porta, nóis sabia, mas não dava bola não, era um barato vê o bicho atiçado.
Ma veja dotô, hoje o cabra se animô e queria comê também.
Ai pintou sujeira.
Ele duro cumo pau se sebo patio pá inorânça, a gente se pegô, a mina no meio levô um castigo, ai ela caí da paisajê.
Pôxa dotô, a gata tava lá em baixo arrebentada e ainda sem rôpa.
Partí prum castigo, ele ia dá de pinote, escorregou, cai lá em cima da guria.
Foi uma robada.
É legitima né?
Vê se o outro lá, dá ai, minha carça.
Se o dotô me grampeá, a patroa dá o pinote e aquela gata agora troncha num quero mais não.
Dá um jeito ai dotô delegado..
.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Abandono - por Vicenzo Raphaello (Erótico)
Como de costume, ele chegou pela manhã.
Sentou-se na mesa e esperou, olhou para aquele lugar feito para ela, simples, despojado, poucos móveis, móveis que ela havia escolhido, tudo feito ao seu gosto, a cama meio japonesa, o biombo meio translúcido, o grande espelho ao lado da cama, testemunha muda daqueles encontros, nas paredes apenas uma foto, uma pequena foto dela.
Levantou-se, foi até a geladeira da garrafa de vodka, serviu-se, pegou uma folha de papel e tentou escrever, mas nada lhe vinha à mente.
A porta abre, ela entra como sempre com aquele sorriso, desta vez porém, diferente.
Aconteceu algo? - perguntou tentando decifrar aquele sinal.
Ela responde com um beijo doído, morde-lhe os lábios, arranhando suas costas sobre a camisa ainda não tirada.
Era o início de mais uma luta, beijos molhados, sugando o ar que não alcançam os pulmões, arfam os peitos, as mãos procuram o calor dos sexos, já sem roupas enroscam-se, as línguas sugam o sabor salgado dos corpos suados, sexos umedecidos, sentados brincam, abre seu sexo, com delicadeza vai mordiscando, vai lambendo, língua atrevida que se atreve a tudo, neste corpo que tudo permite.
Com o calor do seu corpo na sua boca, ela suga sua alma, suga seu ser.
O telefone toca, num pulo ela atende, junto à parede ajoelha-se.
Sim...
Depois...
Agora não...
Mais tarde...
Já vou....
Não, já estou indo....
Lágrimas escorrem de seus olhos.
Com a cabeça encostada na parede balbucia palavras, ele percebe o significado do momento.
Levanta-se, encostado nas suas costas, apoiado na parede, sua mão se agita, explode num silencioso gozo sobre o corpo da amada, na última e simbólica marca de posse, antes do abandono..
Sentou-se na mesa e esperou, olhou para aquele lugar feito para ela, simples, despojado, poucos móveis, móveis que ela havia escolhido, tudo feito ao seu gosto, a cama meio japonesa, o biombo meio translúcido, o grande espelho ao lado da cama, testemunha muda daqueles encontros, nas paredes apenas uma foto, uma pequena foto dela.
Levantou-se, foi até a geladeira da garrafa de vodka, serviu-se, pegou uma folha de papel e tentou escrever, mas nada lhe vinha à mente.
A porta abre, ela entra como sempre com aquele sorriso, desta vez porém, diferente.
Aconteceu algo? - perguntou tentando decifrar aquele sinal.
Ela responde com um beijo doído, morde-lhe os lábios, arranhando suas costas sobre a camisa ainda não tirada.
Era o início de mais uma luta, beijos molhados, sugando o ar que não alcançam os pulmões, arfam os peitos, as mãos procuram o calor dos sexos, já sem roupas enroscam-se, as línguas sugam o sabor salgado dos corpos suados, sexos umedecidos, sentados brincam, abre seu sexo, com delicadeza vai mordiscando, vai lambendo, língua atrevida que se atreve a tudo, neste corpo que tudo permite.
Com o calor do seu corpo na sua boca, ela suga sua alma, suga seu ser.
O telefone toca, num pulo ela atende, junto à parede ajoelha-se.
Sim...
Depois...
Agora não...
Mais tarde...
Já vou....
Não, já estou indo....
Lágrimas escorrem de seus olhos.
Com a cabeça encostada na parede balbucia palavras, ele percebe o significado do momento.
Levanta-se, encostado nas suas costas, apoiado na parede, sua mão se agita, explode num silencioso gozo sobre o corpo da amada, na última e simbólica marca de posse, antes do abandono..
.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Amargas Rosas - por Vicenzo Raphaello
Mulher agradável
O tempo havia passado por ela
Mas ainda um frescor de juventude
Corava seu rosto
Desce mais cedo numa manhã
Para o café
Amargo café
Seu marido bonachão
Médico afável
Abraçava a empregada
Dando às mãos todo uso
Que delas podia fazer
Em prantos ela se desmancha
Próximo
Um vaso com rosas
Levanta-o
Ele se abaixa
De um projétil que não vem
Trêmula
O vaso escorrega-lhe
Nas mãos ficam-lhe as rosas
Mastiga-as
Mastiga-as
Mastiga-as
As rosas
Que dele ganhara
No aniversário de casamento.
.
O tempo havia passado por ela
Mas ainda um frescor de juventude
Corava seu rosto
Desce mais cedo numa manhã
Para o café
Amargo café
Seu marido bonachão
Médico afável
Abraçava a empregada
Dando às mãos todo uso
Que delas podia fazer
Em prantos ela se desmancha
Próximo
Um vaso com rosas
Levanta-o
Ele se abaixa
De um projétil que não vem
Trêmula
O vaso escorrega-lhe
Nas mãos ficam-lhe as rosas
Mastiga-as
Mastiga-as
Mastiga-as
As rosas
Que dele ganhara
No aniversário de casamento.
.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Traição - por Vicenzo Raphaello
Prazer maior não há
No prazer da conquista
Jogar charme
Dizer palavras tolas que iluminam os olhos
Bloqueiam a razão
Insensatez
Como é bom
Envolver com gestos
Olhares
Insinuações
Os desejos ainda não declarados
O jogar charme
Que naturalmente flui
Sem controle
Tolo
Generoso
O ridículo não conta
Pois aceito
Retribuído é
O primeiro toque
Inesquecível
O vibrar de todas as sensações
O vibrar da excitação
Como é bom
Não há culpa
Remorsos
Quem sabe depois
Mas depois outra história é
De cínico me faço
Junto à mulher companheira
Todos os encantos aprendidos
Noutras conquistas
Conquistadas
Sobre ela derramos o aprendizado
Culpa não há
Ser cínico não é tão ruim.
.
No prazer da conquista
Jogar charme
Dizer palavras tolas que iluminam os olhos
Bloqueiam a razão
Insensatez
Como é bom
Envolver com gestos
Olhares
Insinuações
Os desejos ainda não declarados
O jogar charme
Que naturalmente flui
Sem controle
Tolo
Generoso
O ridículo não conta
Pois aceito
Retribuído é
O primeiro toque
Inesquecível
O vibrar de todas as sensações
O vibrar da excitação
Como é bom
Não há culpa
Remorsos
Quem sabe depois
Mas depois outra história é
De cínico me faço
Junto à mulher companheira
Todos os encantos aprendidos
Noutras conquistas
Conquistadas
Sobre ela derramos o aprendizado
Culpa não há
Ser cínico não é tão ruim.
.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Vicenzo Raphaello
.
UM POUCO DO VICENZO RAPHAELLO
Inculto
Leio pouco
Vocabulário restrito
Sentenças longas me afligem
Pois de pontuações nada entendo
Já li
Quando jovem
Hoje dono de uma preguiça vergonhosa
Não consigo me fixar em textos complexos
Não gosto de poesia que me obriga a ler várias vezes o mesmo texto
Acho que leitura e seu entendimento devem ser mensagens simples e de fácil compreensão
Difícil é, entretanto, dar a compreensão de uma idéia de forma sucinta
Aprecio muito o minimalismo
Sobretudo na pintura
De música gosto de tudo
Bach a Satie de Scarlatti a Beethoven de Wagner a Lennon de Gershwin a Djavan e por aí afora
Sou fã dos sonetos de Camões
Astronomia e seus mistérios me fascinam
A incompreensão da física quântica é frustrante
Já viajei bastante
Vi a morte de perto
Tive experiências extremas
Afetivas e físicas
Tenho poucos amigos
Vivo cercado de estrógeno
Mulher, filha, netas, sogra e companheiras de trabalho, ajudantes da casa
Acho uma tolice astrologia
Hoje estou tomado de um profundo sentimento de impotência e desalento
Política e políticos.
Pinto, já fiz jóias, arquitetura, desenho, planto árvores, cuido de orquídeas
Uso o corretor do computador para que tantos erros não apareçam na ortografia e gramática.
E por aí afora.
Johann Sebastian Bach, Erik Satie, Domenico Scarlatti, Ludwig van Beethoven, Wilhelm Richard Wagner, John Lennon, George Gershwin, Luís Vaz de Camões
UM POUCO DO VICENZO RAPHAELLO
Inculto
Leio pouco
Vocabulário restrito
Sentenças longas me afligem
Pois de pontuações nada entendo
Já li
Quando jovem
Hoje dono de uma preguiça vergonhosa
Não consigo me fixar em textos complexos
Não gosto de poesia que me obriga a ler várias vezes o mesmo texto
Acho que leitura e seu entendimento devem ser mensagens simples e de fácil compreensão
Difícil é, entretanto, dar a compreensão de uma idéia de forma sucinta
Aprecio muito o minimalismo
Sobretudo na pintura
De música gosto de tudo
Bach a Satie de Scarlatti a Beethoven de Wagner a Lennon de Gershwin a Djavan e por aí afora
Sou fã dos sonetos de Camões
Astronomia e seus mistérios me fascinam
A incompreensão da física quântica é frustrante
Já viajei bastante
Vi a morte de perto
Tive experiências extremas
Afetivas e físicas
Tenho poucos amigos
Vivo cercado de estrógeno
Mulher, filha, netas, sogra e companheiras de trabalho, ajudantes da casa
Acho uma tolice astrologia
Hoje estou tomado de um profundo sentimento de impotência e desalento
Política e políticos.
Pinto, já fiz jóias, arquitetura, desenho, planto árvores, cuido de orquídeas
Uso o corretor do computador para que tantos erros não apareçam na ortografia e gramática.
E por aí afora.
Johann Sebastian Bach, Erik Satie, Domenico Scarlatti, Ludwig van Beethoven, Wilhelm Richard Wagner, John Lennon, George Gershwin, Luís Vaz de Camões
sábado, 18 de abril de 2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Banho - por Vicenzo Raphaello
Era um dia nublado, pesado, destes que doem na alma. Inquieta, com nuvens ainda mais escuras dentro de mim, procurava resolver aquela aflição de forma racional. Impossível... Minha alma estava cinzenta, dolorida, o coração batia com dificuldade, como se quisesse parar diante de tanto esforço. Resolvi não pensar, sentar e me acalmar aos poucos. Fiquei quieta, olhos no nada, mente vazia, enquanto os olhos se inundavam de uma dor que eu jamais conhecera. As lágrimas escorriam pesadas, abundantes, mostrando-me um sentimento que havia em mim num lugar intocável, numa tristeza anônima. Sem soluços, sem desespero, sem compreensão, banhei-me naquela fonte repentina e, lavando-me em dor, clareei minha alma, libertei meu coração e perfumei meu dia. Ao levantar, era um outro alguém que se despedia de uma realidade interior absolutamente desconhecida e enigmática.
Esse meu lavar de dentro para fora me fizera compreender que a angústia tão profunda era que, na verdade, ficara ainda aquele gosto amargo da minha incompreensão do meu próprio eu.
Não há como fugir das nossas limitações a não ser racionalizando aquilo que não compreendemos e aí algum alívio dar ao coração.
Complemento a “Banho”, de Ana.
.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Banho - As Nossas Histórias VII
Era um dia nublado, pesado, destes que doem na alma. Um dia para ficar na cama deixando vir esta inquietude, sentindo-a e pensando para onde ela o queria levar. Na cama e coberto com um edredon bem quentinho.
Pegou um livro que estava sobre o criado mudo, e reiniciou pela enésima vez a leitura daquele livro, tão sem graça como esse dia acinzentado, mas ler ou fazer qualquer outra coisa estava fora de cogitação.
Seu pai falecera na noite anterior e agora ele se dirigia ao enterro. A face sombria. Nem sabia se o dia estava mesmo nublado, ou se era o seu estado de espírito que fazia parecer que estava. Talvez o dia estivesse ensolarado, todos os que conhecia estivessem saindo de casa para ir à praia e quem sabe seu pai nem tenha morrido. E se tudo for apenas um sonho ruim, um pesadelo desses que todo mundo tem de vez em quando e quase sempre não lembra ao acordar?
Quem dera. O pai já era velho. Já era a hora dele. E ele não ia querer me ver choramingando pelos cantos. É isso. Ele morreu e vou ter que aprender a conviver com isso. Tenho que guardar esse dia para passar aos meus filhos para que quando o mesmo acontecer comigo tomem a minha atitude como experiência. Mas de uma coisa eu tenho certeza: eu serei tão bom pai quanto o meu foi. Isso é certo.
Neste momento, caiu do céu uma chuva repentina, gelada, renovadora. Era como uma resposta, como uma mensagem, como um banho bom de chuva como aqueles que tomávamos, meu pai e eu, quando, às vezes, voltávamos das pescarias. Recebi aquelas gotas como beijos de despedida.
Adeus pai. Você definiu quem eu sou.
Pegou um livro que estava sobre o criado mudo, e reiniciou pela enésima vez a leitura daquele livro, tão sem graça como esse dia acinzentado, mas ler ou fazer qualquer outra coisa estava fora de cogitação.
Seu pai falecera na noite anterior e agora ele se dirigia ao enterro. A face sombria. Nem sabia se o dia estava mesmo nublado, ou se era o seu estado de espírito que fazia parecer que estava. Talvez o dia estivesse ensolarado, todos os que conhecia estivessem saindo de casa para ir à praia e quem sabe seu pai nem tenha morrido. E se tudo for apenas um sonho ruim, um pesadelo desses que todo mundo tem de vez em quando e quase sempre não lembra ao acordar?
Quem dera. O pai já era velho. Já era a hora dele. E ele não ia querer me ver choramingando pelos cantos. É isso. Ele morreu e vou ter que aprender a conviver com isso. Tenho que guardar esse dia para passar aos meus filhos para que quando o mesmo acontecer comigo tomem a minha atitude como experiência. Mas de uma coisa eu tenho certeza: eu serei tão bom pai quanto o meu foi. Isso é certo.
Neste momento, caiu do céu uma chuva repentina, gelada, renovadora. Era como uma resposta, como uma mensagem, como um banho bom de chuva como aqueles que tomávamos, meu pai e eu, quando, às vezes, voltávamos das pescarias. Recebi aquelas gotas como beijos de despedida.
Adeus pai. Você definiu quem eu sou.
.
domingo, 12 de abril de 2009
Espera - por Vicenzo Raphaello
Num tranco a ninja me acertou.
Em seguida a desalmada samurai
minha cabeça cortou.
Perdido sem eira nem beira
Numa caverna agora estou.
Sangrando entre estalactites e
estalagmites,
Esperando uma nova cabeça ganhar
Para novos trancos levar.
E poder aí dizer que bonita ficou esta história.
Em seguida a desalmada samurai
minha cabeça cortou.
Perdido sem eira nem beira
Numa caverna agora estou.
Sangrando entre estalactites e
estalagmites,
Esperando uma nova cabeça ganhar
Para novos trancos levar.
E poder aí dizer que bonita ficou esta história.
Resposta a “Labirinto - As Nossas Histórias V”.
.
Grota - por Vicenzo Raphaello (Erótico)
Bom estar na grota
úmida e quente
onde me aquieto
no lento movimento
e me agito
na volúpia com que me devora
Bom estar nesta grota
cujo caminho conheço
de tantas vezes percorrido
Bom estar nesta grota
que suga meu tempo
e neste tempo
retrocedo
ao jovem que inexato
não sabia o quanto
que aqui
já nesta minha idade
a idade retrocede
O último estar
não seja breve
dure mais tempo
que o meu tempo puder
Que valha mais
que todos os estares
a outras grotas estadas
Que possa deixar semente
agora infértil
com mais ternura
que doutras vezes deixadas
úmida e quente
onde me aquieto
no lento movimento
e me agito
na volúpia com que me devora
Bom estar nesta grota
cujo caminho conheço
de tantas vezes percorrido
Bom estar nesta grota
que suga meu tempo
e neste tempo
retrocedo
ao jovem que inexato
não sabia o quanto
que aqui
já nesta minha idade
a idade retrocede
O último estar
não seja breve
dure mais tempo
que o meu tempo puder
Que valha mais
que todos os estares
a outras grotas estadas
Que possa deixar semente
agora infértil
com mais ternura
que doutras vezes deixadas
.
Assinar:
Postagens (Atom)