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quinta-feira, 4 de março de 2021

A origem jurídica de Bolsonaro

 




Desde a teoria do “domínio do fato” o Brasil começou a perder sua soberania e democracia gradativamente. Essa teoria possibilitou que a classe dominante, ou seja, os mais ricos, pudessem espraiar o ódio aos pobres e em um partido (PT) em especial, e, ao mesmo tempo, prender as pessoas que retiraram sua exclusividade nos aeroportos e acesso a artigos luxuosos.

Anos atrás, um jovem que participa de um grupo de proprietários de motocicletas da marca Harley-Davidson, manifestou sua indignação em uma plataforma de rede social pelo fato do filho de sua empregada possuir uma Harley-Davidson igual a sua, pois, em sua visão, empregados não deveriam possuir os mesmos bens de consumo e frequentar os mesmos lugares dos patrões e sentenciava seu preconceito com o seguinte bordão: “quem pensa que estou errado é por que é burro ou gosta da turma do José Dirceu!” Abaixo de seu comentário havia muitas palavras de apoio sobre o” lugar de cada um”. Nesse momento a classe dominante, a “elite do atraso” , a serpente fascista do Brasil, chocou seu primeiro ovo.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Tecnologia da letra






       A tecnologia pode ser entendida como a aplicação do conhecimento do homem para a resolução de um problema ou dificuldade. Independe da época ou situação cultural em que ele esteja inserido.
      Quando certa tecnologia é descoberta e divulgada para os demais, acarreta em mudanças irreversíveis na sociedade, e, o tempo em que ela não existia torna-se um marco ultrapassado, enfim, cria-se um novo paradigma.
      Um exemplo de tecnologia que ampliou as possibilidades foi a invenção da tipografia por Johannes Gensfleish Zur Laden Zum Gutemberg.
      A tecnologia desenvolvida por Gutemberg mudara para sempre a forma como os homens relacionavam-se com a informação e o conhecimento. Através de Gutemberg, os livros, manuscritos, possuídos por poucos, disseminaram-se em proporção  nunca antes imaginada, o que contribuiu muito para o desenvolvimento da moderna economia baseada no conhecimento.
      Concomitantemente com a proliferação do conhecimento, que antes calcava-se na oralidade para ser transmitido, o invento de Gutemberg fez o homem valorizar mais a imagem que o som, em outras palavras, o homem “auditivo” tornou-se “imagético”, por que o conhecimento que era oral passou a ser adquirido pelas imagens fornecidas pela letra da palavra impressa.
      Marshal Mc Luham em seu livro A galáxia de Gutemberg já apontava na década de 60 as mudanças que a tipografia causara no homem. O fato de o livro impresso ser produzido em grande escala, atingindo um número maior de leitores, fez o ser humano direcionar seu foco de entendimento, especializar-se em apenas um segmento do conhecimento, fato inimaginado antes da invenção da prensa.
      Os homens “multifuncionais” da renascença, como Leonardo da Vinci e outros, não se desenvolverão na era pós Gutemberg. O homem especialista é o que imperou e continua até nossos dias.
      O fato de a palavra impressa ter mudado o modo de o homem perceber e produzir conhecimento também fora o responsável por criar inventos em proporções que ultrapassam, em muito, os inventos criados antes da era gutemberguiana.
      Se por um lado a tecnologia da prensa fizera o homem produzir inventos em escala geométrica, por outro, fez esse mesmo homem isolar-se no que chamamos de aldeia global. O homem “gutembergueano” isola-se em sua especialização, dialoga apenas com seus pares, dificilmente expande seus conhecimentos devido ao individualismo trazido pelo livro impresso.
      Antes da invenção da prensa, a leitura era feita em voz alta e na maioria das vezes era uma ação coletiva, após a chegada do livro impresso, ocorreu o contrário, e, até os dias de hoje, as imagens das letras impressas no livro fazem o homem isolar-se para obtenção de conhecimento e, com isso, alterar sua interação social.
      A tecnologia contribui em muito com o desenvolvimento do homem, mas seus efeitos isolacionistas podem ser observados. É possível afirmar que as contribuições foram mais positivas que negativas na atual sociedade em que a imagem adquiriu mais importância que o som. Sociedade “gutemberguiana”.



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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Amor à primeira lida



     Contava sete anos quando me deparei com ela. Empatia recíproca, entre tantos garotos que lhe fizeram a corte, tinha eu grande chance de ser seu escolhido.
     Era a escola o principal cenário de nossos encontros. Diariamente eram-me reveladas algumas particularidades de sua personalidade, seus meandros e possibilidades. Eram inúmeros.
     Bibliotecas, bancas de revistas, Chico Buarque, Oswaldo Montenegro, Domingos de Oliveria, Glauber Rocha, Aldoux Huxley, George Orwel, Karl Marx e muitos outros que conheci através de seu intermédio fizeram-me ficar mais apaixonado por ela.
     Como saber se era correspondido? Como saber se estava à altura de suas expectativas?
     Como não tinha certeza se teria sucesso ao me declarar para ela, resolvi investir em meu intelecto e conhecimento de mundo. Acreditava que se tivesse leitura e viagem suficiente, conseguiria conquistar seu amor e devotamento.
     Passava o tempo, livros e autores. Cada nova obra que conhecia era um motivo para aumentar minha estima por ela e a incerteza do seu sentimento por mim. Ela era gentil, dócil, amiga, meiga e envolvente. E amor? Ainda não havia resposta.
     Muitas vezes pensara em declarar-lhe minhas intenções e acabar com essa dúvida.
     Em meus devaneios apaixonados, ela tomava a iniciativa e confessava-me que sempre me amou , que o fato de eu lhe admirar já era prova suficiente de amor e de uma união que seria para sempre feliz. Ah, imaginava com tanta concretude que por um átimo essa cena me parecia realíssima.
     Quando atingi a maioridade de meus sentimentos e impulso, entendi que chegara a hora de ser franco, sincero, sem temer a possível rejeição. Ela sabia de meu caráter, minha boa índole e não iria se ofender se lhe expusesse meus recônditos sentimentos.
     Com voz melíflua, em um fim de tarde com o rosto contra a luz segredei-lhe anos de paixão, devotamento e ardoroso amor apaixonado.
     Contei-lhe os inúmeros livros que lera, discos que ouvira, peças teatrais que assistira, debates culturais que participara no afã de estar à sua altura, cultural e sentimentalmente ,e assim, confessar todas as sentimentalidades de enamorado, que fora cativado por ela, enfim, contei-lhe que a amava.

     Ela, como resposta, dissera que o amor sempre esteve entre nós. O amor sempre estará entre cada vírgula e reticências de nossas efêmeras vidas. Assim tornei-me amante da palavra.




                                                                        
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

CASA GRANDE & SENZALA - Gilberto Freire - por - KBÇAPOETA








        Uma obra que deveria ser lida por todo brasileiro desejoso de entender e realmente conhecer o seu país.
        Gilberto Freire nessa obra mostra-nos um Brasil construído nos seu primórdio por sangue índio e o braço do negro com temperos árabes e sob o jugo português.
        A libido nas alturas e saciadas por belas índias nuas e posteriormente renovada nas belas curvas da africana e posteriormente a mulata.
        O Brasil branco com  a casa grande servida por índios “preados” pelos campos ou os cativos tementes a deus.
        Com o lucrativo  mercado negreiro, os olhos e esperma do português descansaram nas “negras minas”, muitas delas tornando-se  senhora de escravos.
         A cozinha, biotipo, afetividade, sexo e todas as consequências sociopolíticas no Brasil estão calcados no índio, negro e europeu.
         A permanência da casa grande e da senzala ainda persiste no Brasil.
         Povo inculto idolatrando os letrados doutores, estes desdenhosos de seu país cuja as classes C,D e E em ascensão lhe causa náuseas e fobias.
         Na terra da casa grande e da senzala, essas que deveriam ser derrubadas,  pouca coisa mudou.




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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

BRASIL DIVIDIDO ? - por - Kbçapoeta








      O Brasil além de não ter sido mais descoberto por Pedro Álvares Cabral, agora ficou dividido.
      Fico estupefato com a criatividade da mídia golpista  e dos jornalões puxa- sacos da casa grande que vivem de criar slogan para defenestrar os locatários indesejados do planalto.
      O movimento popular, pífio em radicalismo, subserviente ao capital e minimamente desenvolvedor de políticas sociais é visto pelos simpatizantes do conservadorismo de direita como um Josef Stalin que deve ser banido para a antiga prisão siberiana.
      Uma prova cabal que a elite “jacu”, cafona e grosseira, a elite Brasileira é desprovida de qualquer bom senso foi a vaia da presidenta Dilma.
      Os ocupantes da casa grande não medem esforços para rever seus apaniguados no poder, os únicos merecedores de um “enterro de penacho”.
      A revista‘Veja” ,“época” e "isto é" mostraram como ser um veículo de imprensa subserviente aos coronéis e empresários detentores da maior parte do capital do país.
      O agenda setting, o preconceito social, e o massivo discurso midiático dos ícones do futebol, ex-artistas pornô , atores de novela, o “reaça” do Lobão e os descerebrados do stand –up foram os fiéis cabos eleitorais do PSDB. Tudo em vão.
      Por outro lado, Chico Buarque, Beth Carvalho, Zeca Baleiro, o talentosíssimo Chico Amaral, Luiz Fernando Veríssimo entre outros artistas renomados foram alguns dos Cabos eleitorais da petista.
      Essa eleição entra para história como o primeiro confronto de ideias entre a casa grande e a senzala. O slogan do Brasil dividido não irá germinar. A razão venceu a mídia.





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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

ELITE + PSDB = DISCURSO EMBOLORADO - por - KBÇAPOETA


      Na última semana de campanha eleitoral é possível ver claramente os projetos antagônicos apresentados por Aécio Neves e Dilma Roussef.
      O projeto de Aécio Neves consiste em ampliar as vias neoliberais onde a presença do estado deve ser mínima com desigualdade social ampliada em nome do mercado.
     Qualquer cidadão minimamente informado lembra-se quando a PETROBRAS foi renomeada para PETROBRAX no intuito de ficar mais palatável em uma possível privatização e voltou a ser PETROBRAS devido a estupidez e subserviência ao mercado de Wall Street.. 
     Da mesma forma esse mesmo cidadão reconhece que foi um equívoco eivado de propinas a privatização da VALE DO RIO DOCE.
     Na parte de corrupção basta citar a compra de votos para reeleição onde um presidente legislou em causa própria com o aval das elites, Rede Globo, folha de São Paulo e a plutocracia em geral.
     O projeto de Dilma consiste na transferência de renda através do Bolsa família e outros programas.
     As elites, os moradores da casa grande, detestam qualquer forma de transferência de renda. O preconceito é tão gritante que pessoas pertencentes a elite ou suposta elite, afirma que o bolsa-família é uma forma de fomentar os pobres a usar os  filhos como modo de sobrevivência. Quer maior exemplo de preconceito ?
    Gregório Duvivier, ator e criador do site “porta dos fundos”, foi insultado por ser simpatizante de Dilma Roussef.
    O ator Dado Dolabella chamou o ator de “marginal’ por declarar voto à petista.
    É natural a crítica advinda das elites, reflete a insensibilidade com a ínfima transformação social que ocorreu no Brasil,mas, preferem os discursos “embolorados” de sovietização, Hugo Chaves etc.
    É muita irresponsabilidade intelectual ou ignorância afirmar que alguém teria condições políticas de  fazer algum regime totalitário no Brasil.
    Por esse rebaixamento do debate é que a direita evoca generais de pijama por vislumbrar no Brasil uma sociedade capitalista ao estilo do nosso vizinho Paraguai, de Horácio Cartes.



              
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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Dis dos Namorados - por Kbçapoeta

 


     Antigamente Julia, feminista e seguidora de Leila Diniz, detestava o dia dos namorados por não possuir um.
     Hoje ela não gosta da data porque além de ser uma data comercial inventada para o comércio vender mais para o gado (povão) ,  tem mais de um rapaz querendo ser sua cara-metade e ambos exigem sua presença nesse dia.
     Motivos não lhe faltam para querer estar só e continuar detestando a referida data comercial.
     Segundo a feminista, o dia dos namorados agrada apenas as mulheres banais ávidas por regalos de homem, afinal a carteira é dele.
     Fruto de uma sociedade consumista, capitalista e machista que condicionou a mulher ser  infeliz se possuir a carteira do casal, a fã de Leila Diniz que é mais abastada que os dois postulantes de seu amor, não vislumbra uma luz no fim do túnel de seu terrível drama.      
     Dinheiro, machismo e a liberdade sexual feminina modificaram para sempre as relações sociais, mas, preservaram os mesmos hábitos monetários. Os homens nunca mais foram felizes com ascensão feminina ao mercado de trabalho. Julia chora só diante do espelho embaçado de seu banheiro no dia dos namorados.




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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O HOMEM INVISÍVEL - por Kbçapoeta



      O futuro de ontem que estamos vivendo no presente culmina com o aprimoramento das possibilidades de sermos encontrados a qualquer tempo, visíveis vinte quatro horas por dia.
      Quando surgiu o serviço do Messenger (MSN) da Microsoft muitos se perguntaram se ele poderia acabar com os modos tradicionais de comunicação ou  escrita.
      Óbvio que o MSN modificou e ampliou a comunicação entre as pessoas que participam e tem acesso ao mundo virtual.
      O MSN foi e hoje temos o SKYPE decadente que em breve dará lugar ao whatsapp, ou seja, não é preciso mais ter um computador para ter acesso e participar do mundo conectável.
      Estando conectado na web e disponível de manhã à noite, as pessoas participam de um Big Brother voluntário, sempre acessível e ao alcance de todos. Você pode ignorar ou não responder as mensagens, mas, você e os outros sabem e veem você ali.
      Acredito que redes sociais surgem e acabam para dar lugar a uma plataforma mais sedutora que também terá sua obsolescência abreviada pela urgência de lucros. Orkut e MSN são exemplos disso.
      O contrário também ficou possível.
      Se alguém não quer ser percebido, quer “sumir” socialmente, basta não estar conectado e interagindo com tais instrumentos.
      Não terei whatsapp quando acabar o Facebook para dar lugar a outra rede social mais moderna também não irei aderir.
      Vou me tornar oculto na sociedade digital. Serei o homem invisível digital.

      O homem moderno carece de solidão.




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sexta-feira, 20 de junho de 2014

A SEXTA-FEIRA QUE ADORAMOS- por Kbçapoeta



        Desde a minha puberdade eu tenho adoração por sexta-feira.
        Lembro-me que quando tinha nove anos, morava com meu pai e a sexta-feira significava o dia que iria ver minha mãe, meus amigos, enfim minha verdadeira casa.
        No final do primeiro ano de convivência com meu pai, vi que era bom morar com minha mãe.
        Meu pai tinha mais grana e dava uma condição econômica melhor, mas minha mãe mesmo sem grana era muito melhor.
        Outra época que eu me lembro de idolatrar a sexta era quando contava doze anos. Percebia que sábado e domingo eram dias sem aulas. Não faltavam motivos para amar a sexta-feira.
        Hoje, adulto, senhor do meu tempo, adoro todos os dias, todas as horas, todas as estações climáticas, dias chuvosos e ensolarados.
        Entendo nos dias de hoje a vida como um milagre e que independente de data ou hora continua sendo um mistério e maravilhoso.

        Apesar de todo esse entendimento pela vida e os dias ainda prefiro a sexta-feira. Deve ser a energia que o dia carrega. Energia muito positiva.





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terça-feira, 27 de maio de 2014

DURA NA FRONTEIRA - Por Kbçapoeta



    Lembrei-me da vez em que eu estava em uma estrada deserta. Cenário bucólico ideal para esquecer-se de si, relaxar, enfim, desligar.
    Eis que nesse êxtase encantador observo o belo dia, verdes pastagens que foram aradas pelo latifúndio, vazio do pós-colheita. É o protetor de tela do Windows.
    O mergulho ao âmago do meu ser foi tão forte que que resolvo ligar para minha mãe.
    Falo vinte minutos com a coroa e desligo. Vou entrar no carro para partir, mas, eis que surge uma s-10 do GEFRON (Policiais do Grupo Especial de Fronteira) e pede-me para me afastar do automóvel.
    Começa uma revista em meu carro para saber se portava drogas para o tráfico ou não.
    Nesse momento quase posso suar frio. Não sou traficante mas dou uns tapas de vez em quando e estava por um triz de ter que enfrentar o constrangimento e ser tachado legalmento como “usuário”.
    Olharam embaixo do painel do meu carro, porta-malas embaixo do banco. Tudo ok, estava limpo.
    Junto com minha mochila, violão e outros pertences estava meu saquinho de erva, filtros, fechador de cigarros e seda, ou seja, um kit maconheiro.
    Por precaução eu enrolei esses materiais em umas três sacolas plástica de supermercado. Um dos guardas que olhava minha mochila, violão e outros pertences pegou nas mãos o saquinho. Gelei novamente, ele olhou nos meus olhos que estavam vermelhos como de uma lebre, deu um sorriso de canto de boca e largou o saquinho de volta.

    Os guardas entraram na caminhonete e sumiram pelas estradas do Montese. Nunca mais os vi. Nunca mais fui lá.






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segunda-feira, 17 de março de 2014

JAGUAPIRÚ - por Kbçapoeta


    No ônibus as 06h15min da manhã. Hora boa para escrever e ouvir bobagens alheia.
    Passo a aldeia Jaguapiru, galinhas na rodovia, casas eternamente em construção e muita pobreza entre os indígenas que  muitas vezes ficam indigentes.
    Cultivo de soja e ausência de árvores e seres humanos permeia na região. Apesar de todos esses fatores, não impede que Dourados seja a maior tribo indígena urbana do Brasil.
    Quem vem de regiões mais desenvolvidas, espera que os índios habitem ocas de palha, andem nus e não tenham qualquer acesso ou conhecimento de ciência ou tecnologia contemporânea.
    Tal discrepância de realidade leva ao preconceito, tão praticado pelo senso comum no qual índio não pode ter tênis, automóvel e muito menos senso de pertencimento onde a terra existe para exercer e afirmar e reafirmar sua cultura, cultuar seus mortos, suas origens que se confunde com sua própria vida.


    Infelizmente instituições composta por cidadãos, pessoas que em sua maioria tem a horrenda cultura do senso comum. Cultura preconcebida e preconceituosa




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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sonhando com o Copacabana Palace - por Adir Vieira

Há pessoas, na vida, tão tranqüilas que são, que nos enchem de paz e nos fazem sentir absolutamente seguras em sua companhia.
É aquele jeito de que tudo está bom.
Tudo é perfeito e transformável ao seu belprazer. Parece que o mundo conspira a favor, dispondo tudo ao redor de uma forma magnificamente feliz.
Ao chegar na casa dessas pessoas você já sente a boa receptividade no ar. Alguma coisa é nova, e aí você sente que mora mal, tamanha a claridade, a entrada de ar e o sol. Ah! O Sol!
Sem exagero, no verão, na sala, se você passar no corpo desnudo um filtro solar ou um bronzeador, vai pegar a cor ideal vendo TV. A sala é ampla e tem dois ambientes, meu sonho de consumo. A decoração de todos os cômodos é alegre como os seus donos e suas paredes são ornadas com quadros multicoloridos, produzidos por uma das moradoras. Ainda na sala temos, a nossa disposição, TV/DVD/som, sem que tenhamos que pular cadeiras para chegar às tomadas.
O janelão, razão de eu nomear a casa de Copacabana Palace, deixa à mostra todo o bairro e nos torna, dentro da casa, uma extensão dele, além de nos fazer visualizar, sem esforço, as moradias de, no mínimo, três pessoas conhecidas. Ah! Se eu tenho um binóculo! Garanto que os três, sem saber, estariam participando do meu “Big Brother”.
Esse mesmo janelão, à noitinha, empurra para dentro o vento, aquele que me lembra as regiões praianas - seguro, suave e constante - que vem para nos refazer do dia e para ordenar nossos pensamentos inúmeros, quando em contato com seres como os donos da casa. Não sei se a proximidade com a casa de entes queridos ou sei-lá-o-quê, essa casa traz uma calmaria inconfundível.
A cozinha, prática e sem as frescuras da época atual, e a variedade de pratos já preparados para a nossa chegada, faz com que nos sintamos em um apart-hotel. Sabe aquela coisa de abrir o frigobar e escolher o que comer na hora que quiser?
Banho, sono? Nunca em horários predeterminados, só depois de cumpridas as conversas intermináveis, a ponto de nos deixar sugar aprendizados dos mais variados estilos, surgidos nos longos bate-papos.
O estranho é que não há, para fortificar o prazer, praia próxima, danceterias, bares da moda, nem restaurantes aprazíveis. Todo esse glamour está dentro da própria casa. Só o que há e enche o ambiente é a presença e a luz dos donos do local, pessoas felizes e designadas para fazer o bem.
Com poucas pessoas assim, no dia-a-dia, tive o prazer e a glória de conviver, mas confesso que um grande vazio se instala em nós, quando deixamos o local, na hora da separação.
Foi o que eu mais senti na minha volta para casa, depois de passar quatro dias em perfeito estado “zen”.
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terça-feira, 12 de novembro de 2013

ETC E OUTRAS COISAS - por Kbçapoeta




        É estranho os seres humanos buscarem uma unidade, religião, entendimento com o próximo se eles são tão díspares entre si.
        Chego quase a afirmar que, o que une as pessoas são as diferenças, como o que alivia os
homens não é a presença de Deus, mas, sim a sua ausência.
        Em nossa sociedade de agora ou de outrora as verdades sempre foram transitórias. Vejamos alguns exemplos disso: Ovo, chocolate, sexo, drogas, religião, trabalho, sono e muitos outros exemplos que poderia citar.
       Atualmente minha verdade, consciência e entendimento transitório sugerem-me que um mundo igual, uniforme e corriqueiro seria um tédio. Não evoluiria e talvez nem existisse.
       Crentes dizem que Deus surgiu, fez surgir o mundo, pessoas e formas de vidas diferentes, porém a ciência afirma que o choque de micro células diferentes que se completaram é que fez surgir o mundo.
       A certeza é que tanto Deus ou a ciência admitem que as formas de vida existem por causa das manifestações das diferenças que se deram através do contato com o diferente, ou seja, a vida animal, humana e até o sexo se deram pela junção dos diferentes.
      O prazer pleno se dá através do outro. Nem a masturbação funciona se não houver a imagem de outro ser diferente.
     Não estamos sozinhos no mundo justamente por que somos diferentes, etc e outras coisas



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"Ser diferente é do caralho"
Vozes populares

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Por um Mundo Depois das Nove - por Bruno D’Almeida

Fábio Tanajura acordou tarde naquela manhã. Estafa, estresse, canseira, irritação constante, dois xingamentos ao colega de trabalho e uma falta de ereção com a esposa o levaram a procurar ajuda. Estava doente e recebeu calmantes, daqueles que deixam a pessoa lerda com espasmos escorrendo pelo cantinho da boca, um atestado médico com recomendações de durma bem e estima de melhoras. Depois de vinte anos madrugando para chegar ao trabalho no horário, mais quinze de escola funcionando ao nascer do sol, sentiu a sensação de acordar sem horário determinado. Estava um pouco melhor. Correu para o computador e mandou ver:

Eu odeio acordar cedo. Fico o dia inteiro com sono. De que adiantar cumprir um horário tão chatinho e descumprir o direito augusto de viver bem? Passei minha vida inteira cumprindo com minhas obrigações e descumprindo os objetivos que tracei para mim. Tudo que tenho a fazer é viver como uma máquina de produção de força de trabalho com sentimentos amordaçados? Nada de poesia e de nostalgia, nada de pensar que sou gente e que posso acordar naturalmente? Sinto-me tão depressivo em levantar no horário que acordo antes do despertador só para ter o prazer de desligá-lo.
Os bancos abrem às dez horas. Muitas agências de publicidade começam a funcionar às nove. Os shoppings também abrem às nove. O comércio abre a partir das oito da manhã. Por que diabo as escolas começam a funcionar às sete horas da madrugada? Uma crueldade sem tamanho fazer uma criança ou adolescente acordar às cinco, sair de casa às seis e vegetar sentado na cadeira no horário previsto. Dizem que é pra criar disciplina. Acho que cria muito mais remela nos olhos e bocejos de vitamina de banana com chocolate.
Ao acordar cedo demais, deixamos de contemplar a beleza das coisas. Fazemos tudo no automático. Imaginem milhões de beijos automáticos de bom dia flor do dia sem o menor amor acontecendo neste exato momento em algum lugar do mundo. Muita gente se deprime por causa disso e recorre a coisas esdrúxulas. O cidadão adoece diante do desejo de se libertar das amarras do tempo comportado. Por isso muita gente acaba aderindo a uma seita fabricada em manuais de auto-ajuda, que fazem uma lavagem cerebral e deixam você gritando de manhã cedo coisas do tipo bom dia plantinha, bom dia mundo, bom dia qualquer porcaria. Até a tentativa forçada de libertação para horários tão malucos para acordar semeia a insanidade.
Sou a favor de um mundo que comece depois das nove. As pessoas acordariam às sete, no máximo, e chegariam tranqüilas ao curso de suas vidas. Imagine uma legião de pessoas sorridentes, libertadas de acordar com as galinhas. Imagine tirar as olheiras horrorosas do rosto. Lembre-se que toda olheira é um pé-de-galinha em potencial. Vamos gastar menos dinheiro com cremes.
Por isso estou criando o movimento consciente pelo ócio. Sem pressas de carros, ônibus, metrô e motocicletas, todos os meios de transporte querem acelerar o mundo, mas o máximo que conseguem é uma profusão de engarrafamentos e tudo fica devagar às avessas. O mundo não agüenta a rapidez da velocidade paranóica e simplesmente pára. E causa mais irritação. Por que não assumimos conscientemente que podemos fazer tudo bem e devagar? Pense um pouco sobre isso.

Tanajura terminou o texto, leu, releu, tirou os erros de ortografia, releu, lambeu e lambeu a cria, sua jóia rara da humanidade, pegou sua lista de contatos do correio eletrônico e mandou para todo mundo solicitando que fizessem o mesmo. Ainda disse que se todos fizessem isso, em cinco dias o mundo se tornaria um canteiro de felicidade e que qualquer um tinha o dever de cumprir sua missão de um mundo melhor.
Alguns depois responderam que ele deveria parar com a mania de abarrotar suas caixas de mensagens com textos açucarados e utópicos, mas Tanajura nem ligava. Naquele dia, talvez somente naquele dia, ele sentia um misto de alegria comedida e sensação de dever cumprido, assistindo televisão às dez da manhã. Dava risadas sozinho e anotava a receita de creme de frango com brócolis que passava na telinha.


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terça-feira, 23 de julho de 2013

Sobre Pessoas Econômicas - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Antigamente eu acreditava que pessoas econômicas só fossem aquelas que economizam dinheiro, nada mais.
Contudo com o tempo aprendi, convivendo com tanta gente que passou pela minha vida, que as pessoas podem ser econômicas de carinho, de palavras, de sorrisos, de tudo, até de luto.
Tem aquelas pessoas que escrevem em uma linha e querem que a gente consiga entender toda uma vida às vezes numa única frase.
Não quero dizer que gosto de pessoas prolixas.
Não! não é isso.
Falo daqueles que parecem ter preguiça de usar os dedos no teclado, a cabeça para pensar, a mente para usar…
Outras, são tão econômicas que beijam de leve rapidinho como se fosse uma borboleta que roçou no seu rosto e quando você percebeu ela já tinha ido…
Existem pessoas que mandam e-mails tão curtos que você acha que no teclado do computador delas estão faltando letras e por isso elas economizam tanto…
E os economizadores de sorriso? Já conheceu algum? ele ri pela metade. É como se fosse rir e de repente parasse. O sorriso fica assim no meio do nada, desconcertado, inquieto, incerto.
O econômico de afetividade é assim, um meio sorriso, um abraço pela metade, um carinho pairando no ar mas que nunca chega em você, uma ligação onde só se ouve o alô e ela cai, o abraço que vinha e desistiu no caminho…
Porque será que as pessoas estão assim? Será que é reflexo da bolsa americana? da quebra dos bancos? do medo? da insegurança? do amanhã?
E pensar que quanto mais você dá, mais você recebe. Talvez seja isso… As pessoas econômicas dão menos porque não querem receber muito.
No skype elas aparecem sempre como ocupadas, no msn off line e na vida ocupadas demais para se dar aos outros.
Existem até os econômicos do luto: choram por segundos e param em minutos…
Sofrem por minutos e esquecem num segundo…
Ah…. que coisa sou tão perdulária nos meus abraços, nos meus carinhos, nos meus afagos, na minha saudade, na minha dor e no meu luto….
Sou perdulária na minha forma de ser, de me dar, de receber.
Efetivamente não nasci para ser miserável no amor…
Descobri que nas letras e no afeto eu sou gastadora, perdulária, incontida, irreverente sou assim gente como a gente.

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Discutindo a Relação - por Cacá

- “Se você disser que eu desafino amor, saiba que isso em mim provoca imensa dor”.

Isso foi depois de “um dia em que ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar”... Olhou-a de um jeito muito mais frio do que sempre costumava olhar e disse:
- “Não sei por que insisto tanto em te querer”... “Como vai você”? “Eu preciso saber da sua vida”! Nem que seja “só pra contrariar”.

E ela, na rotineira ausência de cumplicidade conjugal, pensava:
- “Todo dia ele faz diferente, não sei se ele volta da rua, não sei se ele traz um presente, não sei se ele fica na sua. Talvez ele chegue sentido, quem sabe me cobre de beijos? Ou nem me desmancha o vestido? Ou nem me adivinha os desejos”?

Que confusão! É que ele quer uma letra, num acorde de um violão, ela quer um batidão (tum,ti,tum,ti,tum), ele quer um documentário, um filme, algo especial, ela quer uma novela, uma imagem digital com detalhes que mostrem celulites nas mulheres e a cor real da raiz dos cabelos alourados por tinturas mil.

E se ela quer Caras, ele quer um livro. Ela falou pro didjei, ele falou pro maestro: se ela dança, eu ouço uma sinfonia. Ela descia na boquinha da garrafa. Ele, contrariado, descia uma garrafa na boquinha. Não era um 12 anos, mas apaziguava. E ela ralava na boquinha da garrafa e ele ralava com as palavras para encontrar algo que descrevesse tanta “vida besta, meu Deus”!

- “Valei-me Deus, é o fim do nosso amor, onde foi que eu errei? Será que minha ilusão foi dar meu coração com toda força pra essa moça”? Pensava ele.

Se é “cada um no seu quadrado”, uma hora dessas ele vai acabar optando por um triângulo. Mas antes que ela dissesse mais alguma coisa, ele “se instalou feito um posseiro dentro do seu coração” - liga não! Disse ele. “É que no peito de um desafinado também bate um coração”. E o assunto ficou para a próxima vez que precisassem discutir a relação.
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Nota: As palavras, expressões e frases entre aspas são referências a letras de músicas e trechos literários.
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domingo, 28 de outubro de 2012

Luis Fernando Veríssimo e o “BBB” - Enviado por Anônimo


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço... A décima terceira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 11 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 11 é a realidade em busca do IBOPE...
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 11. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível.
Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados...
Heróis são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONG’s, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína, Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

E aí vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares ou serem comprados mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa... ir ao cinema... estudar.... ouvir boa música... cuidar das flores e jardins... telefonar para um amigo... visitar os avós... pescar... brincar com as crianças... namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
 

 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Setembro - por Adir Vieira


Começa o mês de setembro e vejo que, para mim, a conotação de um mês onde eu jogava todas as cartadas simplesmente acabou.
Lembro de que, quando criança, esperava o mês de setembro, suas cores vibrantes, as flores e via e sentia o mundo melhor. Atribuía isso ao mês de aniversário da minha mãe que, embora com ou sem grandes festejos, talvez lá no meu inconsciente fizesse reverência à grande rainha.
Fui seguindo pela vida e, já no emprego, ele também tinha uma conotação feliz. Afinal, era o mês dos aumentos polpudos de salários, visto que a avaliação funcional se dava nessa época, para mim. Fazia então grandes planos financeiros e isso tornava o início da primavera mais belo, porque trazia consigo a realização de alguns pequenos sonhos de consumo.
Por tremenda coincidência, meu amor maior surgiu na minha vida próximo a esse grato mês e tornou a vida ainda mais maravilhosa. Lembro sempre de sua frase costumeira – quando setembro vier, completaremos tantos anos de união.
E foi assim por toda a vida: o mês de setembro trazendo com ele belas e boas surpresas.
Mas, há três anos, a vida mudou de rumo e o mês de setembro também.
Nessa época, próximo ao seu aniversário de oitenta e dois anos, perdi minha mãe. Uma semana depois sofri a expectativa febril da recuperação do marido que, angustiado com a morte da velhinha, sofreu um infarto grave. Por Deus, teve uma ótima recuperação e está perfeitamente bem, mas as marcas sobre o mês de setembro ficaram.
Hoje, com certeza, por mais que eu me esforce, ele, o mês de setembro, perdeu o brilho original, aquele que me seguiu por toda a vida.
É assim mesmo, coisas que não se explicam, mesmo deixando lucros.




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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Dicionário - por Cacá

Corria o ano de 1986 e a minha primeira filha estava esperando para vir ao mundo. E eu não podia me dar ao luxo de muitos gastos. A gravidez era de risco e o inesperado é sempre companhia da temeridade. Ainda que não seja nenhuma tragédia anunciada, inspira poupança. Juntando isso com os sobressaltos de conviver com um plano econômico a cada mês e reajuste salarial apenas uma vez por ano, temores havia sempre. Imagine comprar hoje um quilo de tomates a um real e amanhã ele ser dois, depois dois e cinquenta. Era assim que funcionava o tal do dragão da inflação, mesmo com o Sarney, na época presidente e sem atos secretos, convocando a população para agir como fiscal nas ruas para vigiar os preços. Quem trabalhava o dia inteiro mal tinha tempo de fiscalizar seu emprego ameaçado a todo momento.

Mesmo assim eu não resisti à tentação e comprei o meu primeiro AURÉLIO, oferecido em quatro prestações fixas (encontrar prestação fixa era como ganhar prêmio em sorteio). E ele solidariamente resistiu, talvez como o maior patrimônio que adquiri em minha vida - pelo menos em meu conceito de valor. Afora as minhas duas filhas, mas isso não se conta como patrimônio intelectual nem material. É muito mais que possam explicar nossas teorias de apego. Não entro no mercado com meus sentimentos postos a avaliações. De lá para cá ele me acompanhou em boletins sindicais escritos quase que diariamente, me acompanhou durante toda a minha graduação e mudou um sem número de vezes de casas e apartamentos. O cuidado quando de seu manuseio era como se estivesse transportando cristais. Sua encadernação é de linhas costuradas.

Agora está chegando ao seu esgotamento físico imposto pelo tempo, esse implacável e impassível senhor das razões e loucuras, das alegrias e das amarguras, assim como faz com gente feita de tutano e osso, neurônio e outros tecidos sem costura. Alguém pode dizer: mas com a wikipédia aí disponível, com um google de todo tamanho, que tolice! Para os muito leigos eles realmente satisfazem. Já para quem se relaciona quase ludicamente e lubricamente com as palavras sabe do que falo. Nele quando o significado traz algum sinônimo lírico, poético ou literário há citação de traços ou trechos de obras literárias exemplificando. Nele há etimologia, há pronúncia. Sem contar que na página em que se está pesquisando algum verbete, há sempre a tentação de namorar outro ali do lado, acima ou abaixo por pura curiosidade ou aquela quedinha inevitável para uma outra palavra. E para quem gosta de pesquisa, a wikipédia não é algo ainda totalmente confiável Enfim não dá para descrever o prazer das consultas quase terapêuticas, da mesma forma que dói a separação.

Ele se vai. Não há mais remendo possível, reencadernações. Não há quem o restaure mais originalmente sem cobrar um valor de uma peça tombada pelo patrimônio histórico, artístico e cultural como merece, aliás. Muito ao meu gosto, mas longe de minhas posses.

E minha filha, vendo o meu drama patético, resolveu me presentear com outro, já que carrega o simbolismo de seu ano de nascimento. Não gosto que se apiedem de mim, mas acho que ela ficou com um dó danado.
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quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Exibicionismo, Hoje tão Presente em Todas as Atividades - por Adir Vieira

Meu novo point, duas vezes por semana, é uma grande academia de ginástica.
Ali, às terças e quintas, durante uma hora, observo o comportamento humano.
Não estou ali para me exercitar (embora, confesso, até precisasse fazê-lo), mas, sim, para levar minha sobrinha à aula de ginástica artística.
Naquele imenso salão, grandes áreas acolchoadas delimitam espaços reservados para ginástica artística e ginástica olímpica.
Camas elásticas, cavalos, barras e cordas suspensas decoram o ambiente e se prestam para várias atividades, com o fim de treinar as crianças de três a quatorze anos para competições ou iniciá-las num esporte saudável para suas vidas, onde aprenderão disciplina, educação, autocontrole e, sobretudo, a exercitar o corpo.
Meu point é a academia mais cara do shopping e, de cara, percebe-se que os frequentadores têm hábitos dignos daqueles que não precisam se preocupar com dinheiro. Vê-se que as mamães que ali aguardam por seus filhos portam celulares de última geração e trazem em mãos chaves de veículos sofisticados. Desde seus trajes até sua forma de falar, primam pela exibição.
Nas minhas divagações, fico buscando explicações para essas posturas, mesmo hoje, quando as várias formas de financiamento aproximam ricos de pobres nos seus gostos de consumo.
Prosseguindo nas minhas costumeiras observações - mal de psicólogo -, atenho-me às crianças.
O comportamento é o mesmo em todas ou em quase todas. Na aula de ginástica olímpica, as crianças têm de três ou quatro anos, mas parecem mini-moças, com seus corpinhos de barbie, completamente delineados, talvez um desejo das próprias mães para si mesmas. Em todas, sem exceção, o exibicionismo é a palavra de lei. No falar ou nos trejeitos deixam claro sua prepotência, tão grande em seres tão pequeninos. Outra palavra de lei é competição.
Detenho-me agora a uma das professoras de ginástica olímpica (uma menina de uns vinte anos que, com certeza, ainda não sabe nem o que é vida) que, ali, graças à força que lhe dão, reina absoluta naquilo que julga ser primordial para aquele tipo de ensino.
Um dos princípios do esporte é propiciar o autocontrole, o equilíbrio, a educação etc., mas a professora, com seus gritos histéricos, amedronta as crianças e irrita-as ainda mais, desenvolvendo desejos de vingança contra os equipamentos e contra ela mesma, a quem em alguns momentos até desafiam sob o olhar inerte das mães na platéia.
Dali da assistência e percebendo as mães imóveis ou com máquinas digitais em punho a registrar momentos que, com certeza, serão exibidos em casa para pais ou avós, revolto-me internamente com a sua impotência diante de tanta aberração.
Atenho-me ao espaço onde minha sobrinha está recebendo aula e fico, ali de fora, pronta para o ataque. Graças a Deus, o pai a colocou num esporte mais suave, embora exija força, e sua professora já tem alguns anos de estrada, o que, com certeza, já a fez corrigir esse grande mal da humanidade, o exibicionismo.
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