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terça-feira, 12 de maio de 2009

Murilo Andrade - Perfil

Cidade Aracaju
Estado Sergipe
Idade 20
Influências Stephen King, Machado de Assis e qualquer outro que eu tiver lido há pouco tempo.
Hobbies Ler, escrever, filmes, aprender cada vez mais. Observar o mundo. Acredito que meus hobbies, além de divertidos, servem como aprendizado para meu ofício de escritor.
Trabalhos Alguns contos e romances inacabados.
Descrição Sou um cara que estuda muito e por conta disso nem sempre tem tempo de escrever. Mas sempre que posso atualizo meus blogs e rabisco no Duelos Literários. Se achar que não tem nada melhor pra fazer, procure meus textos.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Sensações - As Nossas Histórias IX

Misturar. Esta ideia me veio de súbito. Misturar cores, sons e sabores os mais variados na festa que vou dar aqui em casa domingo. Uma festa onde só quero felicidade... chega de tristeza!!!
Então comecei a planejar o cardápio, a trilha sonora e a decoração. E, principalmente, comecei a pensar nos convidados. Queria misturar pessoas de gostos e interesses diferentes. Tinha que ter tudo de tudo para que todos os tipos de pessoas podessem se divertir na festa. Com esse objetivo me joguei no trabalho. Não seria fácil... é complicado agradar gregos e troianos.
Comecei pelo espaço, que tinha que ser enorme para abrigar as multidões que esperava que viessem. (Eu e esta minha mania de grandeza!) Mas, na verdade, eu teria mesmo era que acomodar todo mundo aqui em casa.
Aí me dei conta da limitação do espaço. Não era pequeno, mas nem de longe tão grande quanto gostaria. Uma certa frustração se acercou, mas mandei-a embora. Adequaria minha pretensão inicial ao que de fato dispunha.
Tendo decidido isto, convidei todas as pessoas que conhecia, que eram de uma diversidade escandalosa: evangélicos, darks, umbandistas, emos, kardecistas, vegetarianos, hare krishnas, flamenguistas, DJ's, patricinhas, faxineiros, reikianos, economistas, botafoguenses, nadistas, bancários, prostitutas, atletas, aposentados, esquizofrênicos, corintianos, militares, hinduístas, churrasqueiros, palmeirenses, muçulmanos, sindicalistas, mauricinhos, estivadores, beatas, empresários...
Festa para ficar na memória por muito tempo! Ops! Olha a mania de grandeza aí de novo. Que fazer se a minha expectativa era esta? Festa bombando e no melhor estilo “Torre de Babel”.
Que sensação! De estar no mundo: misturada a tantas formas de pessoas, ondas sonoras, vibrações coloridas, a tantas línguas incompreensíveis entre si e olhos curiosos, a tantos territórios distintos entre cercas vivas, a tantos alimentos exóticos e um buffet clichê, a tantos hábitos excludentes em brindes coletivos, a tantos conceitos opostos e assuntos supostos, a tantos valores complementares e adnominais, a tantos cotidianos contraditórios em um domingo de festa... Tantas sensações numa só noite, registradas para sempre nas paredes de minha memória, como um psicodélico holograma emoldurado.



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terça-feira, 14 de abril de 2009

Banho - As Nossas Histórias VII

Era um dia nublado, pesado, destes que doem na alma. Um dia para ficar na cama deixando vir esta inquietude, sentindo-a e pensando para onde ela o queria levar. Na cama e coberto com um edredon bem quentinho.
Pegou um livro que estava sobre o criado mudo, e reiniciou pela enésima vez a leitura daquele livro, tão sem graça como esse dia acinzentado, mas ler ou fazer qualquer outra coisa estava fora de cogitação.
Seu pai falecera na noite anterior e agora ele se dirigia ao enterro. A face sombria. Nem sabia se o dia estava mesmo nublado, ou se era o seu estado de espírito que fazia parecer que estava. Talvez o dia estivesse ensolarado, todos os que conhecia estivessem saindo de casa para ir à praia e quem sabe seu pai nem tenha morrido. E se tudo for apenas um sonho ruim, um pesadelo desses que todo mundo tem de vez em quando e quase sempre não lembra ao acordar?
Quem dera. O pai já era velho. Já era a hora dele. E ele não ia querer me ver choramingando pelos cantos. É isso. Ele morreu e vou ter que aprender a conviver com isso. Tenho que guardar esse dia para passar aos meus filhos para que quando o mesmo acontecer comigo tomem a minha atitude como experiência. Mas de uma coisa eu tenho certeza: eu serei tão bom pai quanto o meu foi. Isso é certo.
Neste momento, caiu do céu uma chuva repentina, gelada, renovadora. Era como uma resposta, como uma mensagem, como um banho bom de chuva como aqueles que tomávamos, meu pai e eu, quando, às vezes, voltávamos das pescarias. Recebi aquelas gotas como beijos de despedida.
Adeus pai. Você definiu quem eu sou.



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