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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Caminhar - por eros.ramirez


Era tudo mais simples.
Não, não era mais fácil, era mais simples.
Quando se conheceram eram novos e a vida se expunha como potencial. Poderiam ser tudo. Se encontraram, apaixonaram, começaram um relacionamento.
E tudo seguia bem até que perceberam que já não poderiam passar apenas como o que vão ser, eles teriam de trabalhar para fazer acontecer. A vida, que já não era fácil, se tornou complicada. Algo se partiu
nesta caminhada e ficou perdido.
Como se o que tinham apenas poderia existir naquelas condições normais de temperatura e pressão.






Distanciaram-se e hoje constroem sozinhos o caminho para o que serão.




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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O Tratamento que o Médico Precisa - por eros.ramirez

Cara Alba,

É muito simplista dizer que a condição da saúde em que  nos encontramos é culpa dos profissionais de saúde. Ela é, em minha opinião, tão complexa quanto o ser humano que você pinta tão bem com sua aquarela de letras, uma vez que é produto dele. Ela resulta de um intrincado sistema de relações que em sua base tem a educação (formal ou não) e os próprios pesos e valores que utilizamos para conduzir nossa vida.

Vou explorar apenas dois pontos para esclarecer o que disse. Primeiramente, quantas vezes assistimos pessoas peregrinando por uma via sacra de profissionais em busca de uma pílula da felicidade, do emagrecimento, da analgesia, por ouvirem destes que a cefaleia ou insônia podem advir dos conflitos familiares/laborais/existenciais. Ou que para emagrecer é preciso manter atividade física regular e observar a alimentação, assim como fazemos com nossos gastos e receitas onde a quantidade que entra tem que se ajustar a que sai para a conta fechar. O que se observa, na verdade, é a constante procura pelo atalho, ao invés da estrada serpenginosa (sedimentada mas difícil) do autoconhecimento em análise ou de privações alimentares. Afinal "aquele médico é muito bom, pediu todos os exames" ou "não volto mais nele porque ele nunca me passa uma receita" são frases muito comuns.

Um segundo ponto é o seguinte: a população terá o atendimento de saúde que merecer (assim como tem os governantes que merece). Atualmente vivenciamos um movimento da classe médica por menor interferência dos planos de saúde nas condutas médicas e melhorias nos honorários. Atentando apenas a questão dos honorários, o que se propõe é um reajuste do valor da consulta dos atuais R$60,00 em média  para R$80,00. Em BH uma faxina não sai por menos do que isso. Quanto custa atualmente uma tarde em um salão de beleza? Um almoço em uma boa churrascaria? Qual a será a relevância de tais serviços frente a importância de uma avaliação médica? Qual responsabilidade do cabelereiro ou do chef? Quanto tempo, esforço, e dinheiro eles gastaram (e gastam, será que gastam? Continuam eles a se especializar e reciclar após o curso inicial?) para sua formação? Entretanto grande parte da população paga por tais serviços sem pestanejar enquanto acha caro pagar o mesmo valor para uma consulta com um profissional altamente especializado que o orientará sobre sua saúde - que o possibilitará sair para comer o churrasco ou ir ao salão para depois dançar na festa. Reclama quando retorna após o período de retorno e terá de pagar nova taxa. Não segue as orientações, não toma as medicações corretamente e espera uma mudança no panorama de sua saúde (Obs não relacionada diretamente ao assunto do texto: frequentei uma escola de medicina, não Hogwarts ou um processo de beatificação, e lá me ensinaram a orientar e prescrever tratamentos, não mágica e milagres).

A sociedade atual é muito cruel com o médico. Espera dele o conhecimento pleno de todas as condições de saúde e ao mesmo tempo que seja um superespecialista. Quer atendimento rápido e ágil, completo em seu aspecto biopsicossocial, mas pela tarifa do plano. Que ele trabalhe por amor pois "a medicina é um sacerdócio", embora tenha suas contas vencendo e não possa pagar o pão com beijos no padeiro. Enquanto mantivermos esse comportamento com o médico teremos a saúde assim como ela está.

Tenha um médico - e não vários que a fatiarão. Escute com atenção o que ele diz, pois na esmagadora maioria das vezes ele de fato quer o melhor para você - por se importar com você ou com sua própria fama.

Trate-o bem

Valorize-o.

Um abraço aos médicos do país.
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sábado, 7 de abril de 2012

(Sem título) - por eros.ramirez


Cuidado com seus pensamentos, pois eles tornam-se palavras.
Cuidado com as palavras, pois elas tornam-se ações.
Cuidado com as ações, pois elas tornam-se hábitos.
Cuidado com os hábitos, pois eles tornam-se a sua personalidade.
Cuidado com a sua personalidade, pois ela torna-se o seu destino
                                                          Margaret Thatcher

 
Imagine-se em uma instituição pública qualquer, senado, banco, escola, hospital... no final do expediente aparece alguém pedindo para "ajudar" através de uma pequena manobra fora dos procedimentos da casa. Você faria?

E se fosse o motorista do ônibus que passa próximo a sua casa?

E se fosse um funcionário de outro setor da mesma instituição?

E se fosse para ajudar um parente?

E se fosse para você?

É preciso tomar cuidado com as pequenas contravenções, ou para amenizar a linguagem, com o nosso internacionalmnte famoso "jeitinho". Além da corrupção de nossos próprios valores ele leva ao uso indevido do recurso público. Que além de seu é obviamente de todos no país. Se quiser favores ou ter privilégios pague com seu próprio dinheiro e não com sua própria ética.
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terça-feira, 20 de março de 2012

Cavaleiros Andantes - por eros.ramirez

No princípio, ao me deparar com a arena, com seus saudáveis e variados embates, cercados de camaradagem e talento, fiquei em um canto mais observando, esperando um momento para entrar de fato nos duelos. Entretanto o tempo dos cavaleiros atingiu seu poente antes de minha hora chegar. Frustrado, por vezes visitei o campo de batalha vazio, ouvindo seus ecos de outrora. Até que a nobre realeza convocou novamente os cavaleiros para o espetáculo. Desta vez entrei de cara no embate. Outros remanecentes também deram as caras. Mas o clima não é o mesmo. Aparentemente os Sanchos se tornaram protagonistas. Sem fraquejar vamos tentando manter os duelos vivos, ativos. E ansiosamente esperamos o retorno de nossos Quixotes.

segunda-feira, 12 de março de 2012

O Adeus de um Soberano - por eros ramirez

O mundo perdeu no último dia 7 um dos últimos grandes soberanos que existia. Após um procedimento médico faleceu Idi Amin. Desde jovem sua liderança e humor temperamental se destacaram, cativando alguns, afastando outros. Com mão forte foi impiedoso com as tentativas de invasão de sua terra matando os tumultuadores. Manteve-se no poder devido a sua inegável truculência, mas também por atos cativavam quem o cercava. Entretanto com o passar do tempo foi ficando solitário e, com a idade pesando, aceitou receber algumas novas figuras em seu palácio. Para uns sinal já de uma saúde debilitada e da deterioração de uma mente antes implacável. Até que, após receber sedação para testes, sofreu uma parada cardiorrespiratória e não sobreviveu. Deixa uma grande lacuna que só o tempo poderá preencher.

***Para quem possa estar confuso, o gorila Idi Amin chegou ao zoológico de Belo Horizonte em 1975, vindo de uma instituição francesa, ainda criança, com 2 anos. Era o animal símbolo da instituição e faleceu na semana passada.

domingo, 4 de março de 2012

Só Por Hoje - por eros.ramirez

O despertador me acorda e ao levantar o dia não parece promissor - como ontem, e o dia anterior... No chuveiro tento extrair alguma força vital da vibração das moléculas de água para ajudar na minha entropia. Meu mantra, ou mania, mas usualmente ajuda e sigo o dia. Que às vezes é ruim, às vezes é bom, e geralmente fica na média. E quando o despertador me acorda de novo tenho uma grande sensação de dejà vu, e é porque realmente já vi e vivi. Algumas vezes também pensei em desitir. Só sempre espero que hoje seja melhor que ontem.

Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu espero conseguir
Aceitar o que passou o que virá
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz
 ...
Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu não vou me destruir
Posso até ficar triste se eu quiser
É só por hoje, ao menos isso eu aprendi
                                           Renato Russo 
                                                          Ouça no volume máximo
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.Legião Urbana

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

¿(Des)Equilíbrio?

Prótons e elétrons. Ação e reação. Bem e mal. Deus e Diabo. Para cada pólo ou entidade existe um contraponto, sua antípoda. O universo busca estabilidade, equilíbrio. Difusão. Lei das massas. Leis de Newton. O ar frio fica pesado e desce para esquentar e subir. Tudo obedece a esse simples conceito. Tudo menos a vida. A formação da célula foi nosso primeiro ato de insubordinação. Para manter-se funcionando foi preciso acumular certos íons e moléculas de um lado e expulsar outros. Este foi nosso primeiro castigo. Trabalho e busca constante. Esse processo resultou no aumento da complexidade dos seres. A perversa vingança. Fomos longe demais. Tiramos a terra de debaixo dos nossos pés para cobrir os buracos que fizemos em volta. E quando, por sorte ou acaso, tropeçamos e caímos fora do buraco que meticulosamente esculpíamos, corremos para a segurança da cavidade mais próxima. E voltamos a cavar. Até que chega o dia em que não conseguimos manter as instáveis desigualdades que sustentam a vida. Jogarão terra nos buracos que criamos. O universo equilibrou a coisas de novo. Cara e coroa...
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Um Amor que Vai - por eros.ramirez

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Um amor que vai começar traz consigo a excitação do desconhecido. Nenhum amor pode ser igual ao outro. Um amor que vai explodir em êxtase tem toda a energia acumulada em nossos sentimentos. Nenhum amor pode ser reprimido. Um amor que vai amadurecendo cria a paz em quem (se) ama. Nenhum amor pode ser um Big Bang para sempre. Um amor que vai acabar lentamente separa seus amantes. Nenhum amor pode resistir à distância (geográfica ou não). Um amor que vai ser vivido platonicamente satisfaz e ilude a quem solitário ama. Nenhum amor pode viver sozinho. Um amor que vai abre caminho para outro chegar.
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domingo, 7 de novembro de 2010

Valores - por eros.ramirez

Pense quanto você paga em um salão de beleza quando faz hidratação e um corte de cabelo. Ou na conta da última vez que foi a uma boate. Ou no valor da “geral” que você deu no seu carro. Agora compare com o preço de uma consulta médica paga por uma das maiores empresas de planos de saúde, R$38,00. O trabalho de um profissional que passou, por baixo, 6 anos na faculdade e mais 2 na especialização, responsável muitas vezes pela diferença entre a vida e a morte, entre qualidade de vida ou deficiência e sofrimento. Isso numa sociedade que valoriza o máximo ganho com o mínimo de esforço, na geração control+V/control+C, onde o contato com amigos (muitas vezes do próprio bairro) é feito no Orkut, Facebook, Twitter, aumentando o isolamento na era do mundo global. Uma sociedade crédula na existência de uma pílula da felicidade, do emagrecimento, do qualquer-coisa-que-eu-quero-mas-não-me-esforço-para-ter, que não come frutas e verduras e toma comprimidos de concentrados de vitaminas. Onde eu Google o que acho/quero que tenho baseado na opinião do meu vizinho, colega de trabalho ou avó e afronto o profissional que passou anos se capacitando para fazer a condução do processo da minha saúde. Confronto seu diagnóstico sem saber que existem mais de 100 sorotipos somente do rinovírus, principal causador do resfriado comum. Não sigo suas orientações, tomo um frasco de vitamina C e em 3 dias ela “cura” minha gripe, que iria curar sozinha nos mesmos 3 dias, mas quem disse que a opinião de vários pesquisadores em saúde de todo o mundo que reproduziram várias vezes o mesmo resultado em ensaios clínicos controlados são mais qualificados do que eu para dizer o que funciona ou não? E sem falar nas peregrinações por vários profissionais, até conseguir alguém para dizer o que quero ouvir. Sem esquecer da nova moda de “Humanização da medicina”. Até onde se pode comprovar sou e sempre fui humano e, a não ser que eu tenha pego no sono em quase todas as minhas aulas eu também não estudei anatomia ou fisiologia venusiana. Se esse é o novo paradigma de saúde para a maioria das pessoas me colocarei à parte disso, oferecendo um cuidado segundo minhas convicções e minha formação profissional. Por favor, não me procure para um check up completo, usar da minha certificação para conseguir uma tomografia de encéfalo por conta da dor de cabeça que apareceu depois de brigar com o namorado ou tomar uma sentada do chefe, muito menos para prescrever um remedinho para emagrecer ou um Centrum. Tenho meus valores e eles são bem mais altos do que está na etiqueta que tentam pregar em mim.
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sexta-feira, 12 de março de 2010

O Buraco - por eros.ramirez

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Tinha um buraco no meio do caminho. No meio do caminho tinha um buraco. Antes de me deparar com ele achava que obstáculos eram as pedras que se agigantavam encolhendo nossa passagem. Hoje temo mais os buracos que sorrateiros nos esperam, por vezes até camuflados com um pouco d’água. Nunca me esquecerei deste acontecimento na vida de minhas botinas tão castigadas. Enquanto as pedras se exibem permitindo que passemos a largo, os buracos nos surpreendem quando nos vemos já dentro deles.
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Alucinação - por eros.ramirez

Por um instante achei que estava tudo bem. O barulho da chuva contra a janela. O cheiro de terra molhada. A alta umidade como um abraço. Gravidade zero.

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