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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O Jogo - por Leo Santos

Tenra vida lançou-se ao mar
porque abriu mão de viver;
outra fez o mesmo,
pois não abriu mão daquela,
tentando convencer que ela,
não estava em tempo de morrer;

Que estranha opção! Qual razão,
pra um pulso tão jovem,
lançar-se ao fogo?
Danando a terra
quebrando sementes, atos dementes,
de quem perdeu tudo no jogo.

Mas qual jogo?
Se nem idade tinha,
pra frequentar um cassino…?
A vida começa a morrer,
quando nosso labor, nosso lazer,
se dão num barco clandestino.

Mercadores de ilusão
atraem a alma pra alto mar,
sorte trágica!
A terra firme da família tem muita luz,
e somente na penumbra,
se opera sua mágica…



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domingo, 7 de julho de 2013

Leo Santos e o “Naturismo” - Citado por Alba Vieira

É coerente o medíocre escritor
se expor à risada analítica
se é limitado como autor
seria genial na auto-crítica?

Um estímulo sempre extravasa
quando outro atrevido se arrisca
e até o braseiro sonha com asas
contemplando voar a faísca

Perfil desnudo em cada haicai
digitais sobre o pergaminho
impressa em versos a cara do pai
inda que esse se esconda no ninho

Um perdido tentando a si mesmo buscar
melhor dirigir-se em apelos
os pés do solo impossível tirar
puxando os próprios cabelos

Poesia, pois, impudico ativismo
pleno exercício do despudor
visitas regulares ao naturismo
sempre trajado a rigor

nessa arte atrevida, insana
meu tempo e cuidado esbanjo
de poesias, são, disse o Quintana
os livros pornográficos dos anjos



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Mário Quintana

quinta-feira, 23 de maio de 2013

In Natura - por Leo Santos

As coisas do Brasil visito sim
entre as notícias me esbaldo
com o novo carro do Rubinho
e a velha noitada do Ronaldo

Os fatos da terra, claro, procuro
mesmo não faltando nada
encontro nova taxa de juros,
e a velha desculpa esfarrapada

As tralhas que deixei rememoro
saudade, afinal, é um problema
acho um novo retrato da miséria
no velho glamour do cinema

Na velha fonte bebo, fazer o quê
a sede fere a goela, é mal
vejo a nova vítima do BBB
a velha imbecilização nacional

Afinal, não sou desnaturado
mas a distância deturpa a figura
me faz comprar enlatados
pedaços de corrupção in natura

Ainda assim, amo minha gente
não dizem que o amor é cego?
A maioria, espero, é decente
inda que uns, não valham um prego
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Frações - por Leo Santos

Como não acusar o golpe
e fingir que desconheço?
Se me mostrar fico nu,
se me esconder, apareço…

Ah alma, diáfano cristal,
incrustado na verdade!
Sob a capa do desleixo
eis o corpo da vaidade!

Quem pode ocultar a dor,
quando o amor veste mortalha?
Às vezes, se nega o ter sofrido,
porque o amor-próprio atrapalha…

Ah alma! Translúcida carência,
álgebra das frustrações;
A buscar números inteiros,
onde só vivem frações…

Não tem artifício que apresse,
o tempo d’um coração;
As onze-horas abrem às onze horas,
às favas o horário de verão!



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quinta-feira, 21 de junho de 2012

As Botas do Diabo - por Leo Santos


Uma expressão comum nos meus existenciários interioranos, é mandar um desafeto para os “cafundós do Judas”. A ideia é de um lugar distante, inóspito, indigno, onde deve o nefasto ex-apóstolo, morar.
De onde teria surgido essa cultura contida no imaginário popular? Será que a dignidade de um ser humano associa-se, necessariamente, ao seu habitat? Na verdade, o dito cidadão era o tesoureiro do cristianismo em gestação, se bem que, Cristo, nunca deu a mínima para dinheiro.
Em seus bordejos, Judas esteve no Sinédrio negociando a venda de seu Mestre, de modo que frequentava lugares elevados, antes que viver em cafundós.
Outros, desejando “exorcizar” desafetos mandam pra onde “o diabo perdeu as botas”, possivelmente, o mesmo lugar. Na verdade, o diabo frequenta púlpitos, e Judas mora no Congresso. A diferença é que domou antigos escrúpulos a tal modo, de substituir a forca pelos discursos sofísticos.
Isso de associar a condição moral ou espiritual ao “status quo”, à condição social de alguém, jamais derivou dos ensinos de Jesus; Ele disse: “acautelais-vos da avareza, pois a vida de qualquer um, não consiste na abundância do que possui.” Daí, que se pode viver nos “cafundós” e ser íntegro, santo.
Alguém disse, acho que foi Einstein, que “a tradição é a personalidade dos idiotas”. Discordo em parte, pois há preciosidades mantidas atavicamente; porém, repetir coisas sem pensar, apenas porque as ouvimos, nos coloca sob aquela pecha. Como disse Henri Ford, “pensar é trabalho mais duro que há; essa, talvez, seja a razão porque tão poucos se dedicam a isso.” Quando li duvidei, depois, “trabalhei” um pouquinho e me refiz.
O drástico é que grande parte do neocristianismo explora a miséria social como filão, prometendo céu na terra em troca de grana, a uma geração estúpida por não trabalhar os neurônios. Ah, se pensassem um pouquinho! Mandariam essa choldra para os cafundós do Judas...

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Gangue das Loiras Planejando um Assalto - por Leo Santos

 
Eram sete ladras treinadas no ofício que se reuniram com Juca Felino, o chefe, para planejarem o próximo golpe.
- Hoje vamos fazer uma limpa num condomínio...
- Particular?
- Onde você viu condomínio particular, Nívea?
- Desculpe, foi curiosidade apenas...
- Já escolhi a dedo um no Morumbi.
- Vamos roubar equipamento esportivo do São Paulo?
- Nããão, Alva, bairro Morumbi, não, estádio.
- Ah...
- Usem todo charme pra engabelar aos vigias, mas nada de afogar o ganso.
- Vai ser em Santos o golpe?
- Ah, não, Clara, minha paciência tem limites, o ganso em pauta não é o jogador do Santos, haja saco! É o seguinte: sejam discretas, arranjem uma desculpa qualquer, e verifiquem se há circuito interno de TV na segurança...
- Como vamos abrir a TV sem chamar atenção?
-Aaahhh, é demais, vociferou o Juca.
- Não, Branca, ensinou Alvinha, quando acontece um circuito a coisa pega fogo...
- Para, para tudo, bradou o chefe. O que vocês precisam saber é se há câmeras filmando o movimento na portaria.
- Claro, interveio Bionda, se eles estiverem filmando os movimentos, faremos tudo sem nos mover...
- Cheeega!!! Áurea que tudo ouvia em silêncio resolveu contribuir:
- O que o chefe está querendo dizer é que devemos ser atentas e discretas, agir sem levantar nenhuma suspeita, chegar com um papo mole e dobrar os guardas e mandar ver, afanar o que puder, e se pintar sujeira, fugir na velocidade do som.
- Bravo, o Juca estava surpreso.
- Mas como saberemos a velocidade do som? Inquiriu Nívea.
- Ora, volveu Áurea, uma de nós sobe no décimo andar e joga o iphone, e as outras ficam em baixo e calculam...
 
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sábado, 30 de abril de 2011

União - por Leo Santos

Dizem que ela faz a força
adágio que arraigado está;
mas, à força carece propósito,
em si mesma, nem boa nem má

União nasce de mirantes comuns
associando pleiteantes iguais;
o mérito dirá se a mesma é boa
ou mero rebanho de animais

Afinal, uníssonos já ecoaram
por Hitler, Mussolini e Idi Amim;
contra Cristo, opostos se uniram
impondo sua força enfim.

Como se canonizasse impurezas
muitos empunham o lábaro da união;
devassos morais tomam as ruas,
mostrando a força da devassidão.

Até criminosos se aliam em motim
carecem da força pra destruir;
uma vez rompido o muro do fortim
cada qual se ocupa de si.

Uma bandeira, um estádio, um clube,
o digno, o vil, o novo e o arcaico;
se abraçam festejando o mesmo feito
isso não é união, é um mosaico.

Mas é o que a maioria consegue
tal "união" em estado de graça;
solidão ausente já não persegue
na abolição do indivíduo, a massa.

Há espíritos livres pisando a terra
tendo, apenas, valores em comum;
às mesmas vilezas fazem guerra
pelo simples fato de que são um...
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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Problemas Anais - por Leo Santos


Acabo de ouvir uma observação sobre um menino que “tem três aninhos” o que gerou minha curiosa pergunta: Quantos dias tem um aninho?
Salvo o bissexto, como esse, em que fevereiro tem 29 dias, os demais, têm 365 dias. Seriam, esses, aninhos, o atual, um anão?
Mas, quem se ocuparia com esses problemas anais? De qualquer modo, usarei uns supositórios, (digo, umas suposições).
Na verdade, apesar de extático, costumamos fazer a leitura do tempo, em termos de passar moroso ou pressuroso, qualidades humanas, às quais, Cronos se furta.
A leitura do tempo é um fator psicológico, derivado de estados de alma, que, uma vez de posse de expectativas promissoras, faz parecer que o tempo demora passar, porém, no gozo dessas situações deleitosas, dizemos que o tempo voa.  Medimos, antes, a presença ou ausência do prazer, às expensas do tempo.
Pois, se ele faz mesmo isso, voar, certamente o faz, com nossas asas.
O fato é que, nos meus “aninhos,” eles eram deveras demorados, pois, meu orgulho “maschio” desejava ter pelos na cara e noutras partes, e como demorava! Agora que os tenho indesejadamente, nem sempre acho tempo para me livrar do incômodo.
Em pleno desfrute de meus anões, muitos sonhos e projetos pendem pelo caminho em face à carência de tempo. Na real, são agora meus aninhos, e bem idos, meus anões.
Acho que quando dizemos que um infante tem xis aninhos, não medimos seu tempo, nem seus anelos psicológicos, apenas, o tamanho do “relógio”...
 

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domingo, 20 de março de 2011

Liça - por Leo Santos

Retido o clamor do instinto animal,
o fado inda tem seus feitores;
vencido o embuste do vil metal,
priva, então, da ternura das flores.

O tempo garboso, em suas alfaias,
sisudo passa, e nunca envelhece;
trombetas naturais, tocam os atalaias
a alma ouve, mas logo esquece.

Às vezes o ciclo da liça,
renova a surrada lição;
o ventre desafia a preguiça,
e as pedras se partem em pão.

A tinta verde breve se esvai,
a cinza inda enche a pena;
sonho fecha a porta e sai,
enquanto realismo, encena.

Flocos de neve já cobrem o pêlo,
efeito estufa? Desconhece o tal.
Hibernam quimeras, utopias, apelos,
e o ser volta à era glacial…

Resignado lamento, menos que isto,
por apurar a vista, quando tarde é;
masmorra fez o Conde de Monte Cristo,
e a liberdade faz a nobreza da ralé.
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sábado, 12 de março de 2011

Ceifa Global - por Leo Santos

E daí, se eu pintar o desespero de verde,
somar os verbos,
conjugar a matemática?
Se tiver uma dúvida enfática,
bailar uma dança extática,
ou surfar numa raia hípica?

Afinal, vejo violentos, da paz,
defensores ladrões,
governos que são ONGs,
burocratas,em seu ping-pong,
my God! The lie is very strong!!
A razão, só conveniência política…

As alimárias não falam,
mas, mantêm coerentes grunhidos,
do outro lado do “elo perdido”,
nada, nada se perdeu!
Mas, abaixo do Equador,
bem como acima, onde ele for,
Homo Sapiens, sapiência matou
e, na implosão, morreu,

Em palavras anêmicas claudica,
sob um peso, que não é cruz;
feiticeiros coroados canonizam,
a fumaça, que oculta a luz,
Gaia e o libelo ao malfeitor,
ainda gira, mas não igual;
do affair de lucidez e loucura, nasce,
o gelo do amor, e aquecimento global…
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Amor Virtual - por Leo Santos

Ao amor virtual falta um tchan
aquilo, que a todos impele;
por fazer de teclas e mouse
um acesso que é coisa de pele

Ainda que seja touch screen
o carinho se faz na lata
um toque que não toca enfim
e a suspeita face da gata

é fácil conquistar o IBOPE
sem carecer pesquisa alguma
basta a magia do photoshop
e a perfeição preenche a lacuna

Agora, se viva a webcam
o disfarce é psicológico
onde é tarde se fala manhã
e o improvável se faz de lógico

Majestosa ilha da fantasia
onde aportam os desavisados
encenando ou aplaudindo magia
que verte por todos os lados

o opositor virtual é sincero
não se fabrica contradição
ter com estes, antes, quero
a ser ninado pela ilusão

Como veem, não creio em tal amor
sucesso, contudo, ao que a ele se entrega
que colha fruto depois da flor
ao menos, como exceção, confirmando a regra

boa sorte ao nauta que se ilude
que encontre a felicidade,
mas amor é vassalo do reino da virtude
www.sentimento.com verdade
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..............Visitem Leo Santos
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Bálsamo - por Leo Santos

Uma face lhe foi negada
mas uma certeza não:
Em algum ponto da estrada,
haveria mudança de estação.

Até a voz profética fugiu em parte,
ficando porém, a certeza que falou;
quebrando petrechos regidos por Marte,
pras vestes de Vênus, apontou.

O que andara por terceiros,
só pra servir de bom grado,
viu a fila andar, foi feito primeiro,
então por si, laborava o arado.

O tempo da ceifa, enfim chegado,
o galho pendia com o fruto maduro;
também a sombra onde assentado,
virava a página escrevendo o futuro.

Feridas deixaram de molestá-lo,
sentia-se então, rumando pro céu;
e daí, as mãos marcadas de calos?
Esses agora, se tornaram um troféu.

O sumo de muitas ervas amargas,
e imenso penar durante a subida;
frasco pleno que traz nas ilhargas,
destilado bálsamo, consolo de vidas…
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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Inocente - por Leo Santos

A delicada mão da chuva
descascou flores,
mais cores ao dia;
que nem carecia,
pois o potro tordilho da aurora,
trouxera com galhardia,
luz aos vergéis, que vemos agora.

Tapete engalanado
lugar de limpar os olhos,
maciez, encanto, poesia;
poeta algum se omitiria,
ser culpado, quem quer?
De omissão, todavia,
mas quisera ser, do alento de uma mulher…

Essa inocência dói,
de jogar alto o arranjo,
sem, contudo, ter quem pegue;
ou, azo pra que em mãos entregue,
o afeto, de pétalas salpicado;
sabe, quem entender consegue,
que é bem melhor ser culpado…
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....Visitem Leo Santos
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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Insônia - por Leo Santos

O cansaço embalando, e a chuva em cantos de ninar,
contudo o sono insiste em fugir,
vã é a tentativa de repouso,
se algo impede de repousar.

É que há tumultos na sala,
onde recuerdos e afetos,
inquietos bagunçam tudo,
e quem dorme com sua fala?

De quais insumos o sono é feito?
conjugando-se conforto e cansaço,
seus braços inda se cruzam,
e acusam a dura maciez do leito.

Enfim, chega, quando o tumulto acalma
porém a senha se ignora,
aflora alheio aos reclames do corpo,
talvez, uma concessão da alma…
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Renascimento - por Leo Santos

A maioria da humanidade
desconhece esse conforto
só pode renascer de verdade,
aquele que sabe que está morto

É que nossos mortos respiram,
dentro de corpos finitos
e gênios malignos os inspiram
a refutarem a vida aos gritos

Chamam vida, à existência
tanto a fazer e a gastar
a senhores falsos fazem continência
ao Único, recusam a honrar

Esperam renascer novamente
muitos corpos pra zombar de Deus
plantaria Ele, de novo, a semente
que teve uma vida e O não conheceu?

Da água e do Espírito, só uma vez
Cristo convida ao renascimento
antes que seja morta, Inês,
que se preparem a tempo

Buscam refúgios ridículos agora
a senda da cruz é muito feia
avestruzes co’a bunda de fora
e a cabeça enterrada na areia

É fácil chutar o pau da barraca
se um hipócrita a Cristo infama
fazer desse acinte uma capa,
é prático, como lavar-se com lama

Meia dúzia de gente desperta
os demais não creem no sismo
mais vale a vereda com chegada certa
que alameda florida rumando ao abismo...
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Visitem Leo Santos
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domingo, 30 de janeiro de 2011

Geometria - por Leo Santos

Um colchão pra dois,
esquecido atrás do roupeiro;
No estrado, um colchão de solteiro.
O que chamara esse de ultrapassado,
convive com motejos,
do que foi ressuscitado.

Coração tapera,
ocupado por nenhum;
em outro solo, brasas
no colo de um terceiro;
Na glória sonhara se ter realizado,
sorve a ignomínia,
destino zombeteiro…

Plantador sem terra,
porque desapossado;
Não mira o prado,
poupa seus olhos;
Não é um desinformado,
sabe que há na terra da vide,
viçosa prole dos abrolhos.

Triângulo amoroso?
De geometria sabem nada,
onde há perfídia,
é inóspito pro amor;
Ademais, a figura é quadrada,
Com as digitais de Apolion,
o destruidor…
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Desmascarando Deus - por Leo Santos

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Fiz coisas boas que me deram prejuízo, e coisas más que me deram lucro.
(Graciliano Ramos)
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É inerente ao ser humano pautar suas ações em virtude de algum bem, segundo seu apreço peculiar. Como versa a citação supra, o bem moral, e o materialmente vantajoso, não tem, necessariamente relação.
Entre os temas que ensejam posições contraditórias, nada se equivale à existência ou não, de Deus. Pelo menos um Deus pessoal, que vise disciplinar a vida humana, segundo sua vontade. Quanto à um “Deus” genérico, oco, amoral, distante, esse não incomoda; na verdade, serve de bengala à maioria das pessoas. Contudo, se, evocado segundo o que seria a Sua Palavra, gera reações violentas, contraditórias, apaixonadas. É como se um ente maligno (seria Ele?) ferisse às consciências e às mentes, dando azo a refutações desinteligentes, desconexas.
Uns, advogam que os crentes devem se atualizar, deixando postulados medievais e acompanhando a evolução humana; logo, afirmam que a Bíblia foi “atualizada” muitas vezes, de modo que já não guarda a vontade original de Deus, que seria mais antiga. Ora somos antiquados demais, outra, atualizados demais... Há ainda os que não toleram ouvir a simples citação de textos bíblicos que discordam, e nos acusam de intolerantes. Ainda, os conceitos emitidos por Deus acerca do comportamento humano são redefinidos como preconceitos; mais: pessoas desconhecidas, em razão de crerem de modo diverso, são chamadas de hipócritas... mas, não seriam os tais pessoas falsas, que dizem uma coisa e fazem outra? Se apenas suas opiniões são conhecidas, e não seus atos, essa pecha não seria preconceituosa? Enfim, a existência de Deus, mesmo a ser confirmada, parece fazer mais mal que bem. Sendo assim, parece válida qualquer tentativa para extirpar isso. Sendo um mal universal, deve ser cuidadosamente investigado, e, se possível, erradicado.
Vamos tentar fazer isso, atentando a duas possibilidades: a) Deus não existe, trata-se de um mito; b) Até existe, mas não é tudo isso.
Sabemos que o homem, malgrado sua veia criativa, não é um criador “ex-nihilo” a partir do nada, antes, um manipulador do pré-existente, daí, o dito que “nada se cria, tudo se transforma.” Isso se dá, mesmo no campo das idéias, pois os mitos são fruto da tentativa humana de explicar e entender o transcendente. Qualquer homem, porém, à luz de uma análise honesta, descobrir-se-á imperfeito. Natural, então, que os mitos, gregos, romanos, nórdicos etc. sejam deuses eivados de imperfeições, à imagem exata de quem os criou. Aliás, foi por questionar a validade de tais “deuses” que Sócrates, o filósofo, encontrou a morte em Atenas. Referindo-se a certos deuses que contariam mentiras em seus interesses, objetou: “Se são deuses não podem mentir, se mentem, não podem ser deuses.
Se, pois, as projeções mentais humanas não podem exceder aos valores que o homem encontra em si mesmo, de onde teria surgido a ideia da perfeição? (Perdoem-me se faço o papel de advogado de Deus, por ora isso é necessário, em vista do que possam dizer eventuais adversários, precisamos nos precaver.) Prosseguindo, com qual “matéria-prima” o homem elaborou um conceito tão nocivo à raça, bem como o mito de Jesus Cristo que, segundo Paulo, seria a fraqueza e loucura de Deus; contudo, resultou mais forte e mais sábio que todos os homens? Parece que um gênio maligno persegue a humanidade, nos lançando em rosto nossa imperfeição e fazendo-nos desejar o impossível. A favor da ideia do mito temos ainda os ensaios ateístas que escrevem por aí... mas, alguém combateria algo que não existe? Escrevem, os tais, por convicção ou incerteza? No primeiro caso, porque não descansam nisso, ao invés de um engajamento tão difícil? Quererão, talvez, libertar multidões que estariam presas no engano? Por que? A ideia de amar ao próximo não seria um conceito de Deus? Ou estariam eles tentando cooptar mentes, fugindo da solidão, para junto a outros, se aquecerem mutuamente como os pinguins no rigor antártico? Talvez, se usarmos no tribunal a ideia do mito, nossos adversários nos coloquem em muitas saias justas, como vimos. Restaria a alternativa de que Deus, de fato, exista, mas não esteja com essa bola toda. Afinal, QUEM ELE PENSA QUE É? SÓ POR QUE TERIA CRIADO ESSE UNIVERSOZINHO, SENTE-SE NO DIREITO DE GOVERNAR O MUNDO? TERIA ELE DIREITO DE DAR PITACO ATÉ MESMO EM NOSSA VIDA SEXUAL? QUE ATREVIDO!!! SERÁ QUE ELE SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO??? Como esse falar, deriva sempre daquele livro antiquado chamado de Bíblia, basta lançar o livro em descrédito e a empáfia de Deus cessará.
Precisamos fazer a coisa direito, contudo. Não podemos, por exemplo, usar a “técnica” de Oscar Wilde que disse: “Nunca leio um livro que vou criticar, pois temo ser influenciado.” Precisamos, pois, de alguém que não apenas leia, mas, ponha em prática os preceitos, uma vez que o Livro ensina que a virtude não consiste apenas em palavras. Como se trata de um mal global e de promessas eternas, precisamos de uma experiência razoável, com certa consistência em face ao tempo; um ano, dois, talvez. Feito isso, e comprovado “in loco” que as promessas bíblicas não se cumprem, denunciaremos a plenos pulmões que se trata de estrondosa fraude; envergonharemos, pois, Deus e seus mensageiros. Imaginem que um deles, americano, chamado Mccandlish Philips ousou dizer o seguinte: “Você não põe o verdadeiro evangelho fora de combate com três ou quatro perguntas desajeitadas; antes, suas ilusões vão ruir, destacando mais claramente a verdade.” Aliás, parece que o próprio Jesus Cristo teria feito o desafio nos seguintes termos: “A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou; se alguém quiser fazer a vontade Dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se falo de mim mesmo.” Evangelho de João.
Essa missão se revelou maior que minhas forças, contudo. É que pratiquei imperfeitamente os preceitos bíblicos e, mesmo assim, encontrei paz interior, segurança, esperança, salvação, domínio próprio, abandonei uma série de maus hábitos e, o mais grave: sou tomado por um desejo muito forte que outras pessoas recebam o que recebi; de modo que invisto meus dons, na esperança de convencer alguns, que vale a pena conhecer Deus.
Solicito, “urbe et orbe”, a ajuda de alguém que seja melhor do que eu, pois fracassei vergonhosamente, e não sirvo para o papel...
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domingo, 16 de janeiro de 2011

Duelando Manchetes XI: Homossexualidade (III) - por Leo Santos

Desculpe-me, mas dizer que não aceito o debate é um argumento desonesto, uma vez que tenho participado abertamente dizendo o que penso. Entretanto, fui aconselhado a guardar minha opinião para o âmbito das igrejas, logo, evitar o debate. O que não fiz.
Quanto ao “não brinco mais”, trata-se de uma ironia que não precisa ser genial pra entender, e não uma ameaça.
Umas coisas mais: primeiro, nunca defendi nem defendo qualquer sorte de violência contra ninguém, seja homo ou hetero, portanto tais refutações também são vazias no que me diz respeito. Segundo, é fácil chamar alguém de preconceituoso e adjetivos afins, mas, antes, carecemos ver o que é preconceito. Se minha ignorância não me trai, trata-se de um conceito precipitado, um juízo “a priori”, como julgar rejeitando alguém antes de conhecer suas atitudes, seu caráter. Daí, o preconceito contra negros, judeus, muçulmanos etc. Acontece que homossexualismo não é um tipo de pessoa, mas de comportamento, e como tal passível de apreciação.
Mais uma coisa: alguns me mandaram cuidar de minha vida, cada qual da sua. Ao fazerem isso não estão querendo gerir a minha? Porque não vivem como aconselham?
Quanto aos erros do Papa, os católicos que o defendam se quiserem.
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Resposta a:
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sábado, 15 de janeiro de 2011

Duelando Manchetes XI: Homossexualidade (I) - por Leo Santos

Não se trata simplesmente de ser algo natural ou não. Tampouco se os animais o praticam, afinal, a mensagem de Deus não visa a salvação de animais, mas de humanos. O fato de ser algo “natural” não o legitima perante o Eterno. Todavia, se a Sua Vontade expressa pode ser lida como “um princípio tão frágil” então, como diria Raul Seixas, “faça o que tu queres pois é tudo da lei”. Claro que se deve respeitar os direitos dos homossexuais de serem como quiserem, mas, igualmente, se deve respeitar o direito dos que creem na Palavra de Deus, de a terem por verdadeira. Afinal, sentir desejo por uma pessoa comprometida é natural a todo ser humano, o que não legitima o adultério, ou a poligamia. Afinal, a mensagem do Salvador em momento algum estimula a dar livre curso à natureza, antes adverte: “negue-se, tome sua cruz e siga-me.” Luc 9; 23. Ademais, ensina: ”o homem natural não entende as coisas do Espírito de Deus, pois elas se discernem espiritualmente.” Então, pode ser até inteligente o texto supra, mas em momento algum merece o adjetivo de sábio, ao menos aos olhos dos que creem em Deus, pois “Não há sabedoria nem ciência nem mesmo conselho contra o Senhor.” Pv 10; 22. Abraço!
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Resposta a Duelando Manchetes XI: Homossexualidade, de S. Ribeiro.
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Duelando Manchetes XI: Homossexualidade (II) - por Leo Santos

Ninguém advogou que a heterossexualidade por si é santificada, portanto, a refutação labora no vazio. Quanto à mensagem de salvação restringir-se às igrejas, seria como dizer que o homossexualismo se mantivesse entre quatro paredes que é seu lugar; contudo, sai às ruas em passeatas, tentando se impor às consciências que o rejeitam. No âmbito filosófico, há distinções claras entre o particular e o universal; quanto ao primeiro, desnecessário explicar o que é, já o conceito de valor universal é aquele que pode ser praticado indistintamente por todos, sem efeito deletério algum. Vamos ver, então, o homossexualismo à luz da filosofia, para fugirmos da bitola fanática e religiosa da Bíblia. Se é um comportamento normal, pode ser adotado por todos os seres humanos. O que aconteceria se, num passe de mágica, o mundo todo se tornasse homossexual? Dentro de cem anos a humanidade acabaria por não gerar mais filhos. Eis o imenso potencial do homossexualismo! Agora, se não é um valor universal, antes, mera propensão particular de alguns, como se pode impor à sociedade que, via de regra, é heterossexual? Há muito, o que se pleiteia não é o direito à prática, mas sua imposição aos demais, inclusive silenciando pregadores para que não denunciem como errado diante de Deus. Ninguém defende, como acusa o sr. Varella, que o sexo seja apenas para a procriação, tampouco, que não possa ser praticado dessa ou daquela forma entre cônjuges, apenas cremos que Deus existe, de fato, e que revelou Sua vontade ao ser humano, a qual veta tal prática.
Penso ser esse um espaço aberto a toda sorte de opinião, contudo, se não é assim, devemos rever muitas publicações, inclusive minhas, eivadas de minha crença em Deus e sua palavra.
A propósito de dignidade, quem define o que é digno? A Bíblia define homossexualismo como abominação, contudo, alguém que nasceu ontem, vocifera: Tal é homossexual, mas é digno... a partir de que parâmetro? Sua opinião? Quanto a sua vale mais que a minha? Quer dizer que a apologia do homossexualismo pode ser feita com argumentos pobres que qualquer um refuta, e deve passar injulgada, sendo vetadas opiniões contrárias? Desculpem, mas, se é assim, não brinco mais...
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Resposta a Duelando Manchetes XI: Homossexualidade (I), de Escrevinhadora.
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