Creative Commons License


Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




Mostrando postagens com marcador *Amarílis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador *Amarílis. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Ao que Passou - por Marília Abduani


O que um dia foi ventura
fez-se agora esquecimento
A canção virou lamento.
O que um dia foi poesia
fez-se agora tempestade.
Lembrança virou saudade.
O que um dia foi amor
fez-se agora a velha história.
Ternura virou memória.
O viver virou tormenta
Fez-se em treva a claridade.
Fez-se em derrota a vitória
um passo pra eternidade.

 

.
.

domingo, 3 de agosto de 2014

Procura - por Marília Abduani


O que buscas tão longe
se o que precisas está justamente
dentro de ti?
Por que choras tão alto
quando o silêncio
embala melhor o grito.
A dor é silenciosa. Ninguém precisa ouvir.
O que esperas da vida?
Constante primavera?
Outono? Verão?
O frio também aquece
quando vem, em forma de prece,
direto do coração

 

Visitem Marília Abduani
.
.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Apatia - por Marília Abduani

Eu flutuo no tempo.
No interminável, indomável tempo, cínico,
repleto de poeiras e pedras.
E ainda me mantendo atenta
ressequida de sombras.
Antes, eu trazia o medo pendurado nos ombros,
nas solidões varadas.
O tempo foge.
Impossível prender seus rastros
expostos na madrugada.
Há fantasmas nas ruas, pedradas riscando o ar.
E eu sei que estou acordada,
saindo de mim
pra correr, te encontrar.
Apatia,
doentia lentidão, íntima represa.
Sou areia e pedra,
água e vento,
luz e dia,
fantasia presa.
Mas eu gosto de mim assim:
coisinha estabanada, sem brilho,
sem encantos.
Sou feita de silêncios, aragens,
mel escondido, sou fundo de cestos de cada pomar,
de cada manhã.
nessa indizível, inconstante, improvável saudade.



.

domingo, 5 de maio de 2013

Por Nós - por Marília Abduani

E assim correremos pelo mundo:
olhos abertos,
mão na mão,
almas lavadas.
Subiremos no alto, mais alto ponto de uma montanha
e tocaremos o céu.
Dormiremos nas nuvens,
estaremos em paz.
Dançaremos por nada,
viveremos por tudo
morreremos por nós.


.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Labirinto - por Marília Abduani

Sempre que fito meu rosto em teus erros
e teu perfume em minha dor se exala.
E na audição de minha voz em teus berros,
Minha voz se mistura à tua fala.

Na absoluta solidão da ausência tua
eu sinto as pernas da alma retidas.
Tenho a impressão de que chegaste à lua
tal a distância dessas nossas vidas.

Uma de mim te acompanha atenta,
a outra te perde ante os limites rasos
e a terceira nos une e nos separa.

As três pessoas que em meu corpo habitam
vão me deixando em angústia infinita,
nos labirintos dessa nossa tara.


.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

João - por Marília Abduani

João sonha acordado.
Sonhos pintados,
alucinações.
João, que sonha ser piloto,
alegre, livre e maroto
no maior dos aviões.
João também quer ser do mar.
Quer, como quer, navegar
num navio cor do céu.
E também quer ser poeta,
o mais poderoso atleta,
o general do quartel.
João sonha acordado.
Sonhos jogados:
destruição.
E desperta toda hora
em que olha a vida lá fora,
Tão grande pra sua mão.
.
.
.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Vigília Inútil - por Marília Abduani

Nem valeu a pena
o dia ter nascido.
O céu cobrir-se em sonhos,
em sonhos repartidos.

Nem valeu a pena
o sol nascer mais forte.
Canção virou lamento,
arruinou meu norte.

Nem valeu a pena
o chão romper-se aberto.
A flor brotar, serena,
ter cor o céu deserto.

É hora quase obscena,
não vale o amanhecer.
Nada valeu a pena
nem mesmo amar você.
.
.
.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O Grito - por Marília Abduani

.
Um grito acordou a noite.
Onde florescem sonhos,
borboletas se agitam
ao vento.
Movimento como se trovejassem primaveras.
Eu desperto,
tímida rosa no teu jardim
esperando o orvalho.
.
.
.
.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Conflito - por Marília Abduani

Estou perto e longe de mim.
Vejo formas e cores
bordando as linhas do meu destino
em minhas mãos.
Nem triste nem feliz,
vou me descobrindo ainda
e ainda me surpreendo menina,
mulher.
Há nuvens que persigo.
Há prantos que adormeço.
Há medos que atravesso,
mares onde me afogo,
ventos que levam
para qualquer direção.
Estou dentro e fora de mim.
E quando me olho,
vejo outra que não eu.
Meus olhos me enganam,
meus passos me distanciam de mim,
me levam
para onde, eu não sei.
Ampliar-me é preciso
para que eu me encontre.
e me veja, livre,
e seja eu mesma
a que mais amei.
.
.
.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Lunar - por Marília Abduani

Muro alto, tantas portas,
Tantos caminhos sonhei.
Pelas pontes dos teus olhos
tanto mar atravessei.

Mundo torto, vasto sonho,
nas estradas que cruzei.
Pelo vão da tua escada
me perdi e me encontrei.

Hoje sou o que quiser
traço a vida com meus pés
só o que conta é cantar.

Cantar, cantar e cantando,
te perdendo ou te encontrando,
nas invencíveis marés.

(O resto é sombra lunar.)
.
.
.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Enredo - por Marília Abduani

Eu estou para o teu corpo
como o vinho para o pão.
Feito o velho, feito o novo,
Pelo sim e pelo não.

Eu estou para o teu jogo
como o amor para o perdão.
Feito o fogo, feito a água
provocando inundação.

Eu estou para o teu corpo
como vela pro navio.
Feito orvalho, feito manto
por teu pranto ou por teu frio.

Eu estou para o teu beijo
como o toque, feito cio,
Feito orvalho: doce enredo,
Feito dor: fio após fio.
.
.
.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Estradas - por Marília Abduani

.
.

.
.
Passo por estradas

vou me procurando

muito me perdendo

muito me encontrando

Ah, mas que doidice

eu por mim buscar

feito um boi rasteiro

a me ruminar

Tudo isso cabe

num alqueire de aurora

pela noite a dentro

pela vida afora.

Passo por estradas

num cavalo alado

livre irmã do vento

puro sentimento

Sêmen prateado.
.
.
.
.....................................Visitem Marília Abduani
.
.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Noite - por Marília Abduani

Flores altas
velam o luar
e as noites longas
como a vida.
Coados os sonhos,
restam os belos.
Os assassinados pelo desejo,
esses dormem
em noturna paciência.
A noite é veloz
e voraz.
Ficam as lembranças do que fomos
na construção do nosso dia.
Âncoras nos seguram,
bússolas
governam o nosso destino.
Lembranças são pombas voando
pelas campinas,
vão e vêm, vêm e vão.
Quando cessa a noite,
constelações se despedem,
nuvens se organizam,
claras e fluidas.
E a vida continua.
.
.
.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Palavras - por Marília Abduani

Palavras voam ao vento.
Atravessam fronteiras,
chegam até onde a vista não alcança.
E são cálidas,
complacentes,
cuide para que as suas palavras
levem nas asas ouro,
levem a mais doce esperança
onde pulsa a fé, cumplicemente.
Deixe-as
seguindo o próprio percurso.
Que sejam encantadas,
delineadas,
iluminadas,
ilimitadas.
Que sejam sementes,
que saibam acalentar sonhos,
os mais simples e os mais complexos.
Palavras brancas, verdes, amarelas,
vermelhas de paixão.
As negativas, não.
Deixe-as quietas, adormecidas, talvez. Elas passarão.
Palavras, palavras...
Na recriação dos sentidos, na emoção que contagia,
na flor que desabrocha, linda.
Assim são as palavras.
Use-as, ame-as, solte-as ao sopro da brisa
e ao silencioso toque do vento.
.
.
.
.....................................Visitem Marília Abduani
.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Abismo - por Marília Abduani

A cilada em meu caminho
gradeou o meu carinho.
A viseira em meu peito
ofuscou-me o sonho perfeito.
Um noturno sentimento
fez sombra em meu momento.
A porta em minha tristeza
deixou minha alma presa.
Um abismo em minha alegria
enegreceu a poesia.
A falta de amor e sorte
transformou meu sul em norte.
Armadilha em meu perdão
transformou dor em paixão.
O desatino da guerra
explodiu minhas artérias.
A chuva na noite espessa
torturou minha cabeça.
Semearam a demência
em minha doce inocência.
O medo da solidão
apartou meu coração.
Plantaram pornografia
em meu jardim de alegria.
Um sonho imprevisível
deixou trauma irreversível.
Vinganças vis, estridentes
trituraram minha mente.
Um berro em minha garganta.
Quanto mais procuro a vida
mais a morte se agiganta.
.
.
.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Dilema - por Marília Abduani

Como fica um coração maduro
de abrir portas e varar os muros,
e bater, ainda assim, acelerado?
Coração que se enternece com a poesia
e rompe a morte, desabrocha o dia,
e ainda pulsa infantil, tão compassado.

Como fica um coração dormente
entre tantas tempestades e correntes,
que prendem, tocam, ferem, sem pudor?
e que sonhos através dos descaminhos,
mas na alma sempre o eterno passarinho,
nosso íntimo e eterno salva (dor).

Como fica um coração remanescente
olhar de vidro, puro, transparente,
tão palpável, tão sensível, tão feroz?
Mãos de ferro pra vencer a morte.
Mãos de Deus, para vencer a morte.
Mãos de bênçãos sobre todos nós.

Como fica um coração carente
entre pedras e sereias e serpentes,
tão poeta, tão perene sonhador?
Simplesmente fica. E tão somente espera,
inda ver brotar do inverno a primavera
florescendo a mansidão de todo amor.
.
.
.
...........................Visitem Marília Abduani
.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Canção - por Marília Abduani

Os olhos fechados,
a mente vagando.
As mãos vão girando a caneta no ar.
O copo ao meu lado, cigarro queimando,
um olho na terra e o outro no mar.
A boca se abrindo, sem tino, sem nada,
ensaiando sorrisos que estão por chegar.
A feição sombria de uma enamorada,
e no ar, em fumaça, escrito: criar.
Prisão sendo aberta, liberdade doada,
As cordas batendo em meu violão.
E nesses instantes de paz alcançada,
do ventre do eterno desponta a canção.
.
.
.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ciúme - por Marília Abduani

“Onde estiveste de noite”
que não chegaste mais cedo,
que te deixaste na rua?
Amor, tão frágil brinquedo.
O amor, que é tênue, que é um fio,
deixa os cabelos molhados,
corre, escorre feito um rio,
carente, desgovernado.
Onde deixaste teus pés
e penduraste o teu grito?
Lembra: O amor é infinito
e o ciúme, desgovernado.
“Onde estiveste de noite”
que não deixaste um aviso?
Sonhando, talvez, com a lua?
Inventando um paraíso?
Viva a santa liberdade,
ser livre, também machuca.
Onde estiveste de noite,
que despertaste o ciúme?
“A liberdade termina
quando a saudade cutuca.”
Clarice Lispector

.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Esperança - por Marília Abduani

Um fiapo de luz
atravessa a cortina
e entra,
sorrateiramente,até onde eu estou.
Toca, toca, levemente,
ilumina todo o espaço.
E eu fico assim, cintilante,
até que rompa o instante
e eu a carregue em meus braços.


.