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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O Jogo - por Leo Santos

Tenra vida lançou-se ao mar
porque abriu mão de viver;
outra fez o mesmo,
pois não abriu mão daquela,
tentando convencer que ela,
não estava em tempo de morrer;

Que estranha opção! Qual razão,
pra um pulso tão jovem,
lançar-se ao fogo?
Danando a terra
quebrando sementes, atos dementes,
de quem perdeu tudo no jogo.

Mas qual jogo?
Se nem idade tinha,
pra frequentar um cassino…?
A vida começa a morrer,
quando nosso labor, nosso lazer,
se dão num barco clandestino.

Mercadores de ilusão
atraem a alma pra alto mar,
sorte trágica!
A terra firme da família tem muita luz,
e somente na penumbra,
se opera sua mágica…



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quinta-feira, 23 de maio de 2013

In Natura - por Leo Santos

As coisas do Brasil visito sim
entre as notícias me esbaldo
com o novo carro do Rubinho
e a velha noitada do Ronaldo

Os fatos da terra, claro, procuro
mesmo não faltando nada
encontro nova taxa de juros,
e a velha desculpa esfarrapada

As tralhas que deixei rememoro
saudade, afinal, é um problema
acho um novo retrato da miséria
no velho glamour do cinema

Na velha fonte bebo, fazer o quê
a sede fere a goela, é mal
vejo a nova vítima do BBB
a velha imbecilização nacional

Afinal, não sou desnaturado
mas a distância deturpa a figura
me faz comprar enlatados
pedaços de corrupção in natura

Ainda assim, amo minha gente
não dizem que o amor é cego?
A maioria, espero, é decente
inda que uns, não valham um prego
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Frações - por Leo Santos

Como não acusar o golpe
e fingir que desconheço?
Se me mostrar fico nu,
se me esconder, apareço…

Ah alma, diáfano cristal,
incrustado na verdade!
Sob a capa do desleixo
eis o corpo da vaidade!

Quem pode ocultar a dor,
quando o amor veste mortalha?
Às vezes, se nega o ter sofrido,
porque o amor-próprio atrapalha…

Ah alma! Translúcida carência,
álgebra das frustrações;
A buscar números inteiros,
onde só vivem frações…

Não tem artifício que apresse,
o tempo d’um coração;
As onze-horas abrem às onze horas,
às favas o horário de verão!



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quarta-feira, 10 de março de 2010

Midas - por Leo Santos

Falta uma orquídea que inda não floriu,
e o jardineiro rega, em paciente espera;
até que vibre a corda do amor,
acordando a esperança que dormiu,
ao ecoar o som, da harpa da primavera…

Falta uma seta, Cupido guardou,
e Vênus distraída, nem notou a concorrência;
senão, já teria advertido,
e seu filho arqueiro a teria ferido,
pra mim e a deusa, a sobrevivência.

Sobra um cálice amargo, não bebo,
pois o teor não apraz minha sede;
um vagar por vagar, ir ao léu,
correr para o mar anelando o céu,
sob o peso das asas, e a restrição da rede.

Falta coragem pra dizer o que gritei,
quando o eco devolvia sem uso, minha voz;
é que agora ouviria alguém,
que por certo, falaria também,
ah, essa insegurança atroz…!

A canção do amor, planta mal regada,
Sina de um Midas, em fértil solo:
Primeiro,ouro, tocando em tudo,
e por fim – pobre louco! – orelhudo,
por ter questionado a vitória de Apolo…
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quarta-feira, 3 de março de 2010

Natureza - por Leo Santos

Há manhãs de agosto, que afrontam o inverno,
ares primaveris, e cantos de nidificantes;
E tardes de outubro que voltam a “César”
cujas cinzas espalham, sonhos de antes

Ao câmbio do tempo e circunstâncias,
a liça de viver, pesado trabalho;
A natureza que pulsava dentro da noite,
ora canta e pula, de galho em galho.

Quase sádico que esse outubro revele,
prematuro fim, de ditoso começo;
Um pulso que fora sangue e pele,
agora, penas e apreço.

Cronos, maestro, e sua batuta,
ante uma partitura tocada em dó;
a sina de um livre como só um homem,
preso, como um homem só…
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Poema Molhado - por Leo Santos

Quis escrever um poema na chuva,
óbvio, rasgou-se o papel;
Enquanto memorizava escorreguei,
e então, o palavrão, o fel;
Lá estavam inúteis versos no chão,
manchados pela poluição.

Além da intenção tolhida,
por momentos deteve-me a ida;
Poças ilhavam-me, mas uma silhueta esguia
precedeu-me, mostrando a saída…

Uma vez que de veio genuíno,
há quem veja poesia num palavrão;
Prefiro, contudo, o ramo na brisa,
que a fragmentar-se no furacão.

Foi tolice querer escrever na chuva,
é claro que não poderia;
Aliás, nem era necessário,
bastava ler o soneto que ela escrevia…

Disseram que ela traz coisas do ar,
pode ser: É amplo o que encerra.
Molhava sensual, as vestes naturais,
insinuando os seios da terra…
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Prisões - por Leo Santos

Sei que não és perfeita,
mas é bela a missão que te legou Deus;
De dar vida a mim e aos meus,
troféus simples, mas são teus,
que nos vê, a ti espreita…

Mas essa garra que te prende,
ah, se alhures existisse,
algum mestre que instruísse,
pra um frágil vergar o arco de Ulisses,
e traspassar aquele que te ofende.

Quão grande seria tal momento,
júbilo e gozo completo.
De mim e da solidão ganhaste um neto,
um opúsculo com meu afeto,
pra que embales ao colo, esse rebento.

Fizeste de letras tua dita,
quando livremente te dividias,
meio a meio, os teus dias,
entre teus pupilos e tuas crias,
tua faina era bonita.

Por certo herdei de ti,
esse apreço pela escrita,
ocupação venturosa, bendita,
e agora que o dom palpita,
recordo o que aprendi.

E ver-te assim, em grilhões,
nas garras do desatino,
fere meu lado menino,
que roga ao Senhor do destino,
que desfaça essas prisões…
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Boia-louca - por Leo Santos

Vi o amor em dois poemas
Em outros mil, ele oculto;
Ora uma criança apenas,
outra sóbrio e grave adulto.

Vãs as tentativas de sistematizá-lo,
ordenando o conteúdo e a forma;
Um milhão de alfabetos não bastaria,
idiossincrasia é a norma.

Cada palato prova o sabor,
a despeito da versão alheia;
Enquadra e fotografa o amor,
Com o filme que pulsa nas veias.

Risca na pauta nota e pausa,
De uma canção triste, intermitente;
Sintomas que apontam a causa,
cuja dor, só conhece o paciente.

No estranho domínio do dominado,
o carcereiro preso ao labor;
Boia-louca mercê do peixe,
peixe fisgado, mercê do pescador.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Dúbio - por Leo Santos

Há uma criança
que insiste em ter esperança;
enfrentando um varão sisudo,
que teima em duvidar de tudo.

Um perverso que cobiça,
olhando a seara alheia;
e um santo que, no entanto,
a meta da virtude, anseia.

Um gladiador que chuta o balde,
forte, a tudo enfrenta;
e um timorato que estremece,
quando o tempo esquenta.

Um animal pelejando ávido,
na sina de predador;
e um anjo lutando,
pra fazer do espírito, vencedor.

Habitantes da mesma casa,
cujos aposentos, conhecem de cor;
um Arquiteto olhando interessado,
torcendo, que vença o melhor…
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Tribos - por Leo Santos

Olha só, a obesa denúncia do conforto que
desenvolvemos! E a famélica digital da injustiça
social; uns exercitando-se pra “queimar” as sobras,
Faz-de-conta,
outros mendigando, comendo as pontas…

E esse papo de esquerda e direita, cada qual com
sua receita; futebol e carnaval,
a finta e a fantasia, perfeitas.
O canhoto que protestava, já não é desta feita…

Questão de perspectiva,
do lado que aponta a placa;
a lateral direita de quem defende,
é a ponta esquerda de quem ataca…

Agora, são urnas eletrônicas, não há fraude assim;
aperfeiçoamos os meios, apodreceram os fins…

Que fácil prometer, o que outros devem fazer!
Ai Deus os coloca no alto, pra que todos possam ver.

Fragmentada nação, no fundo, veraz nação não é;
tribos içando estandartes, com a força de seus caciques,
e o feitiço de seus pajés.

Compramos inativas armas, pra deter a violência
disseminada. Canetas assassinas impunes, assinam,
os desvios da corrupção; a violência profissional
segue armada. Almas que não se desarmam, fazem a
ocasional, matando a pedradas…
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............................................Visitem Leo Santos
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Passageiro - por Leo Santos

De repente quis
não mais escrever
sobre coisas que passam;
passei a não ter o que fazer…

Ora, tudo o que podemos,
é contar a saga de uma passagem,
na tola presunção de criar,
somente viajamos, com sonhos e bagagem.

Ficam pegadas, reles impressões,
enfim, nosso jeito com a leitura;
tíbias interpretações,
camufladas entre figuras.

Inevitável, o resignado, constatar
que tudo ficará pra trás;
no máximo como uma pista,
onde um especialista colherá digitais…
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Quimeras - por Leo Santos

O futuro que o passado negou,
ocupava a sala;
o presente bateu na porta,
desfazendo a quimera qual neblina;
no espaço, nova pauta, outro clima…

Sofrível coabitar com a nostalgia,
parceria que desloca o viver;
faz ver alguém onde não está,
talvez por estar, no jeito de ver.

O passado está escrito em um rosto,
que espreita na próxima esquina;
o futuro, tinta que a pena dos sonhos,
espalha, em escrita fina.

Ora, o agora, rumina os idos,
outra, faz o porvir latente;
na sua crise de identidade,
chame-o, ele nunca dirá: Presente.
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Engenho - por Leo Santos

Não vês o que Pai prepara,
por trás do não, de cada dia;
Constrói uma ponte Sua engenharia,
sobre o rio que nos separa.

Inda que contido o pulso,
nos mostra graça, o Senhor;
E só o faz por puro amor,
pra dar ênfase, dar impulso.

O trampolim da espera montado,
na piscina da sabedoria;
Base do mergulho na alegria,
quando o salto for autorizado.

Por ora, essa distância perto,
abstinência involuntária;
Pois tal sina, não é arbitrária,
é o exercício do deserto.

O treinador sabe que é preciso,
purgar o jardim d’uns insetos;
P’ra depois alar aos afetos,
que voarão no paraíso…
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A Obra - por Leo Santos

A escrita da vida verte lenta, enfadonha,
já nem sonha compor bela redação.
Pois sabe que peca em sua insipiência,
pela repetência de parágrafos já escritos,
ditos, não ditos, esperas, desilusão…

Às vezes, finda a linha, e o hífen separa,
palavras que inteiras, devem ser lidas…
Outras, se vira a página pra não mais buscá-la
Nem tentar soerguer
a empresa, então falida.

Maravilha-se ante o desconhecido,
pródiga, em seus pontos de exclamação.
Porque deriva um sentido imaginário,
tendo à mão o dicionário,
por que não pontos de interrogação?

Mui além das letras, mais que papel e tinta,
é deveras amplo, seu insumo;
imenso tomo, mas o que escapa?
Cabe na contracapa, quando o mestre tempo
vem, e faz o resumo…
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................................................Visitem Leo Santos
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Pedaços - por Leo Santos

Que peso rude traz o dia!
Dor e dúvida marcam os passos;
Engendrando uma aporia,
à qual Sophia cruza os braços…

Conflito em busca do mais forte,
travado sob um céu não azul;
Entre o olhar que anela o norte,
e a alma que ruma p’ro sul.

Os que miram, anelam a fuga,
psiquê, almeja o retorno;
O lenço cúmplice enxuga,
devolvendo o elíptico contorno.

Dicotomia não platônica,
pois o corpo não participa;
será a alma divisível ou atômica,
se ambígua força se exercita…

Não são os olhos, janelas da alma,
por onde se expressa ao mundo?
Não afirmei nada, calma!
Apenas, acho o poço profundo…

É que muitos pedaços,
são visíveis, por seus reclames;
Ora, tomos p’ra retos passos,
outra, p’ra veredas infames.

O orgulho, a vergonha, o medo,
a carência, o perdão, o amor;
Pedaços d’alma, acabou o segredo,
ante infortúnio, o estripador…
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Desalento - por Leo Santos

Lá estava a sorte grávida,
fazendo a chantagem clássica,
tácita censura no olhar,
trágica consequência nas mãos.

Roleta de escolha única,
dando azo à face úmida,
lúdica faceta mostrando,
lúcida, resignada opção…

Esperança em tumba gélida,
e adeus à face angélica,
réplica da terra fiel,
bélica zona e seu canhão.

Desfeita a pose atônita,
restou enjaular a fera indômita,
incômoda já nem é tanto,
irônica talvez a situação.

E o sonho da diva mítica,
foi-se, turbou a água límpida,
olímpica derrota inglória,
fatídica consternação…



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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Miniglossário - por Leo Santos

Egoísmo: O amor abrindo falência
sem o dono perceber,
que o umbigo é cicatriz d’uma dependência,
não um centro de poder.

Opinião: Um cego tateando
intentando a descoberta;
quantas texturas confundem!
Ora erra, ora acerta.

Soberba: quando um verme escala um prédio
e faz leitura ao revés;
Antes que temer a queda,
pensa ter a cidade aos seus pés.

Sofisma: Transplante de órgão,
medicina maravilhando a humanidade;
Um coração de porco pulsando
no arcabouço da verdade.

Vaidade: Pluma ao vento
pairando pelo ar;
Pesa menos que a gravidade
e pensa que sabe voar.



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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Anti-horário - por Leo Santos

Porque queres nadar comigo,
se já me afastei do riacho
das minhas quimeras?
Não respondes, apenas vais,
dizendo que me esperas…

Mas, se eu mantiver a distância,
preservando as águas da tua inocência,
e tua espera for vã?
Resoluta vais, pra onde dizes que me esperas,
inda que até amanhã…

Talvez aches alguma veste,
que nas margens esqueci,
ou, nenhum vestígio, afinal…
Pois o tempo furta os sonhos e nos joga no oceano,
onde a vida cheira a sal.

Já que insistes, pequena, esqueço Cronos,
ignoro cachoeiras e pedras,
te vejo, no fim da piracema;
mas se queres que o enlevo te pareça real,
esqueça então, as marcas do sal…



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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Rosto na Água - por Leo Santos

Indisfarçável vazio,
sem máscara,
a nudez do coração;
que insiste num pulsar externo,
incapaz de evitar
tal exposição…

Um som nostálgico,
e o striptease;
peça por peça, a dor,
a solidão e a mágoa;
semblante fechado, aberto o coração,
em versos que são o rosto na água…

A ilusão faz enfermar,
e até a lascívia
suprime o amor;
por fim, a desilusão traz a cura,
perenes efeitos,
e amargo sabor…



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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Autorretrato - por Leo Santos

O tédio traz o não quisto,
o já visto e revisto,
algemando ânsias,
latentes de vida.

O ser a debater-se
por algo fora dele,
constatando que a vida segue bem,
sem ele; ah, a vida…!

Imanência detida no todo,
malgrado o denodo,
mera existência,
ausência no foco da vista.

Realidade adormecida,
minúcia omitida
na tela abstrata,
de um quadro impressionista.

Só restam águas da pena,
o trampolim do poema,
mergulho transcendente,
de novo, o abstrato;
no cinza-escuro do atelier,
ante monótono reflexo,
Van Gogh perplexo,
pintando o autorretrato.



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