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domingo, 1 de dezembro de 2013

Viagem nas Cores - por Alba Vieira

Viajar nas cores é deixar a imaginação levar você por caminhos inesperados, tortuosos, promissores e sempre gratificantes.
É ampliar sua visão, permitir que ela se estenda para além do que é evidente.
Tentar enxergar o que está por trás é uma necessidade nos tempos atuais. Se o concreto não preenche suas lacunas, se tantas vezes o assusta, tente ver por outro ângulo.
Continuar a viver mantendo a esperança, única possibilidade existente para termos paz, só depende da transformação que pode ser efetuada em cada um de nós, se assim quisermos.
É sempre possível melhorar e resgatar os valores que parecem irremediavelmente perdidos, desde que consigamos ampliar a consciência e desenvolver a flexibilidade. Devemos então estar abertos para as mudanças e sermos rápidos nesse processo de adaptação à nova realidade.
A pintura abstrata traz um universo de cores que se misturam e compõem imagens que podem ser concebidas por cada observador, segundo o seu ponto de vista.
Assim, a proposta de viajar nas cores é exercitar a capacidade de desenhar a paisagem do caminho que você fará ao caminhar, com as cores que se permitir combinar, enxergando novas possibilidades em tudo o que viver. Ou seja, é treinar desenvolver a habilidade de criar a sua própria realidade, de acordo com os seus pensamentos e sentimentos.
Ter uma boa viagem só depende de você.



Visitem Alba Vieira
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Naomi - por Ana

Naomi, minha cara Naomi,
Que belos traços você tem!
Mas vejo que atrás de ti
Há um fantasma narigudo
Que não assusta ninguém.
É a Campbell ou não é?
Me debruço neste estudo,
Mas só sei que é mulher!


Inspirado em Naomi, de Raquel Aiuendi.
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domingo, 24 de outubro de 2010

Beija-flor - por Alba Vieira

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Um beija-flor dança no ar suspenso em alegria.
Toca de leve as flores coloridas e perfumadas,
Desenhando caminhos de intensa energia
Para os olhos que veem na alvorada.
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Visitem Alba Vieira...........
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.Pintura “Suavidade”, de Alba Vieira.
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dádiva - por Ana

Penso que existem muitíssimas coisas no céu e na terra que nos chegam invasoras e incompreensíveis.
Será que, pela primeira vez, um toque chegou até minha alma através de sua delicadeza e mansidão?
Será que encontrou você o caminho oculto de meu coração que leva até mais dentro, até a dor de ser, até a parte imortal milenar e lembrou-lhe que é capaz de amar?
A que natureza pertence este sentimento que amacia, suaviza, transforma, sensibiliza, torna intocáveis a pele e o pensamento?
O que você acende, faz existir, torna possível?
Será que me sente com a inteireza da alma, jogou-se sem saber neste abismo em que caio feliz?


Inspirado na pintura Dádiva, de Alba Vieira.
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Esplendor dos Chakras - por Ana

Eu te amo, régia claridade diante da qual me inclino em adoração, em desejo, em espera de teu movimento para mim e de teu sentimento para comigo. Curvo-me sem erguer os olhos, apenas sentindo fortemente tua presença e em êxtase por imaginar que teu olhar possa voltar-se em minha direção e me perceber.
Eu te amo como um vassalo que é só obediência e fidelidade.
Eu te amo como uma igual que se impõe pela sedução e altivez.
Eu te amo como a criança deseja o colo seguro.
Eu te amo como a sabedoria leva a infância pela mão.
Eu te amo como a curiosidade observa o novo.
Eu te amo sem opção, e se assim não fosse, por ela seria.
Eu te amo porque vivo e enquanto viver te preciso.
Eu te amo de muitas formas, com todas as minhas formas, profunda e intensamente.
Eu te amo porque apenas existo dentro desse amor.
Eu te amo por teus olhos, lábios, voz, cabelos, rosto, pelos gestos todos, por teu corpo e como me recebe e se doa, pelas inquietações, dúvidas, certezas, pelos temores infantis, teimosia cega, explicações falseadas, pela ansiedade exógena e tensão congênita, pela busca irrefreável e lacunas exigentes, por tua linda sensibilidade que permeia tudo aquilo que és.
Eu te amo simplesmente porque minha alma só conhece a plenitude por ter encontrado a tua.


Inspirado na pintura Esplendor dos Chakras, de Alba Vieira.
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segunda-feira, 29 de março de 2010

Cascatas Incandescentes - por Ana

Quantos passos dados sem você!…
Quantas lágrimas choraram saudade solitária, voltadas para a parede que testemunhava meu entristecer se transformando em dor e angústia.
Quanto me culpei por ter errado, por ter deixado ir, por ter calado, por não ter fechado as mãos nas suas dizendo fique porque de você preciso.
Quantas palavras imaginei que explicavam, amavam, acariciavam, pediam, acompanhadas da reafirmação de meu amor.
Quantos abraços em sua lembrança tão viva.
Quantos beijos senti novamente em meio a um enorme vazio que antes era preenchido por seus carinhos.
Quantos anos chamei seu nome baixinho, com o olhar voltado para a direção de seus dias.
Quantas noites sonhei você a meu lado, buscando a paz que havia perdido.
Quanto minha alma se estranhou, partida, solitária, muda, dissociada, aleatória, infeliz, opaca, aprendendo que viver somente é cumprir o tempo se está distante de você.


Inspirado na pintura Cascatas Incandescentes, de Alba Vieira.
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segunda-feira, 22 de março de 2010

Escaravelho - por Ana

A lua deslumbrante ilumina o quintal. Suavemente cai uma folha, a joaninha não está mais ali e a flor de ontem murchou; amanhã uma nova folha nasce, surge um escaravelho bicolor. Assim as coisas mudam devagar e não são hoje mais o que eram antes, sem que saibamos. Mas quando o roseiral floresce, todos vêem e admiram.
Trago um roseiral dentro de mim, perfumado e lindo, com flores de pétalas delicadas e cores suaves, todas dedicadas a você, que entrego uma a uma em forma de palavras, gestos, olhares e promessas não ditas.
E eu prometo meus passos ao lado dos seus, meu olhar apaixonado, meu coração acelerado, minha pele sensível, minha alma tranqüila, meu sorriso leve, minhas mãos carinhosas, meus beijos profundos ou envoltos em sorrisos felizes, meu colo macio que descansa tão bem você. Prometo envolver sua vida e passos porque assim eu existo em você.


Inspirado na pintura Escaravelho, de Alba Vieira.
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Verdades - por Ana

Blusa, jaqueta, cartola,
O negro mostra o que sou.
Máscara na face risonha,
As cores mostram o que doo:

Olhos em azul-celeste,
Um pouco do céu no olhar;
Cabelos em verde-claro,
A esperança a me guiar;

Sorriso gigante em vermelho,
Otimismo a extravasar;
Base branca em todo o rosto,
Muita paz pra harmonizar.

Assim me torno um palhaço
Transmitindo, aonde vou,
Meus ideais, minhas crenças,
Até o último voo.
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..................Inspirado em Palhaço, de Adhemar.
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domingo, 13 de dezembro de 2009

Toco de Vela - por Clarice A.

Saíam de casa ainda não havia clareado totalmente o dia. Andavam cerca de trinta minutos até a estrada onde pegavam o ônibus, rodavam mais uma hora, mais uns quinze minutos de kombi e chegavam na obra em torno das sete horas.
Vieram juntos do Ceará atrás de melhores condições de vida. A miséria extrema de onde nasceram e cresceram fez com que decidissem sair de lá. Quando arrumaram trabalho e moradia providenciaram a vinda das famílias.
Na obra em que trabalhavam eram conhecidos como Cabeção e Toco de Vela. Lá todos tinham apelido. Jamanta, Maguila, Tatu, Xuxa (por causa do cabelo oxigenado), Gambiarra, Mineiro etc. Cabeção não se importava, acostumou-se logo com a irreverência dos colegas de trabalho, mas Toco de Vela não aceitava de jeito nenhum. O amigo o aconselhava a deixar para lá, todos tinham apelido. Ele discordava. O Mineiro nasceu em Minas é mineiro, tá tudo certo, mas eles nasceram no Ceará então porque são paraíbas? Mais a mais, não eram os únicos cabeçudos e baixinhos da obra. Na verdade, baixinho como ele (1,50m de altura) não tinha mais ninguém, mas o amigo concordava para não aborrecê-lo.
Ele era “pavio curto” e brigão e como os outros não quissessem briga, mas apenas zoação, quando dispersos na obra, afinavam ou engrossavam a voz para que ele não pudesse reconhecer e gritavam: Toco de Veeeeeela, Toco de Veeeeela. Ele furioso, mas sem saber quem era, tinha que aturar. Um dia, um novato desavisado o chamou pelo apelido e saiu uma briga daquelas. Homens com força física e resistência, foi um custo para apartar. Alguém comentou que ele parecia um pitbull, baixinho e muito forte. Passaram a gritar: Pitbull Toco de Veeeeela, Pitbull Toco de Veeeeeeela. De longe, é claro.
Naquela segunda-feira, durante o trajeto para o trabalho, o baixinho desabafou com o amigo: a patroa estava braba que só, queria um dinheiro que ele não tinha. Trabalhava de segunda à sexta na obra, fazia bico nos finais de semana, ainda fazia a casa em que moravam. Ele e o amigo haviam comprado o terreno e faziam suas casas na medida do possível. Não passavam fome e tinham um teto para morar, ela esquecera rápido da vida que levavam antes. O amigo ouvia calado, deixava-o falar, era melhor que desabafasse.
Trabalharam em silêncio a manhã toda. Na hora do almoço, esquentaram a comida e sentaram-se para comer. Quando o baixinho abriu a marmita levou um susto. A mulher fritara um pé de galinha até esturricar e colocou o feijão, o macarrão, o arroz branquinho e aquele pé de galinha crispado, horrível em cima do arroz. O amigo achou que a comadre tinha exagerado na vingança por não ter a vontade satisfeita, mas nada disse. O baixinho comeu porque aprendeu com a fome que não se rejeita comida, mas aquilo estragou seu dia.
Voltaram ao trabalho, carpinteiros de primeira, o baixinho excepcional, seus telhados eram perfeitos e ele, homem de pouca altura, a desafiava nos telhados, um equilíbrio, uma técnica e uma coragem fora do comum. Precisava também de muita atenção e concentração, mas sua cabeça estava longe. Quando chegasse em casa, ao invés de tomar banho e comer, teria que falar sério com a mulher. Era enfezado na rua, mas em casa não gostava de confusão, casa era para se ter paz. O amigo queria trabalhar na parte mais segura, não falou, mas achou que ele não estava bem. Ele insistiu e foi para a ponta do telhado. E aconteceu. Desconcentrado, um passo em falso, a falta de apoio para o pé, o corpo sem controle inclinando-se para trás, o braço estendido e a expressão incrédula do seu amigo-irmão, o azul do céu em suas retinas e o nada. O baque do corpo no chão fez tremer o amigo. A notícia correu na obra, vieram todos, expressões consternadas, um deles se fora. Cabeção chora e vinda do grupo ouve-se a voz do Mineiro em triste constatação: Toco de Vela se apagou.
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Inspirado na serigrafia Construção, de Anita Bastos.
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pertinho do Céu - por Clarice A.

.....Sentada num grande galho da jaqueira a menina acenava para a mãe que a procurava da janela da cozinha. A mãe já não se preocupava mais com a mania da menina de subir nas árvores, acostumara-se com isso. Quem a ensinou foi o irmão mais velho e ela o acompanhava ágil, segura, ele ensinando-lhe onde pisar, a procurar os galhos mais fortes, os entroncamentos onde podia sentar-se e descansar da subida, a ter cuidados com as lagartas, distinguir entre elas as perigosas que queimavam, como pegar as frutas mais distantes sem cair. Era atrás das frutas que ele subia; ela, porque gostava de subir nas árvores, e quando chegava o mais alto que conseguia esticava o braço com a mão espalmada para o alto como se quisesse tocar em algo e gritava: mãe, estou pertinho do céu. A mãe mandava que ela descesse e viesse para a jaqueira que ficava bem perto dos fundos e podia avistá-la enquanto fazia o serviço da casa. Além disto, o galho em que a menina sentava-se era forte e não muito alto. Ela dizia para a mãe que as coisas diminuíam de tamanho quanto mais alto subisse e descrevia os ninhos que via, mas não tocava.
.....A menina gostava de brincar com os irmãos, colegas, os numerosos primos mas a correria e o barulho a cansavam rapidamente e preferia ficar sozinha observando os pássaros, as fileiras de formigas e os demais insetos que habitavam o seu quintal. Não tinha medo, não os pegava, apenas observava. Ajudava a mãe a cuidar do jardim, regava as plantas, sabia a época das flores e das frutas. Criança observadora e de natureza contemplativa.
.....Um domingo à tarde a tia apareceu com os primos para irem juntos ao parque de diversões. Tarde promissora de céu azul e temperatura agradável.
.....No parque as coisas num ritmo frenético. Primeiro os carrinhos, desviando, batendo uns nos outros, os risos, os gritos de susto e alegria. Dali vieram as voltas num carrossel e depois a montanha-russa com a lenta subida e a descida vertiginosa. Quando chegaram lá embaixo a menina apertando a mão da mãe pediu com voz chorosa que voltassem para casa. Tonta, enjoada, as pernas bambas, o coração acelerado, não entendia como aquele lugar podia se chamar parque de diversões. Queria estar em casa, na sua jaqueira.
.....As duas separaram-se do grupo, sentaram-se até que a menina se recuperasse e foram dar uma volta pelo parque enquanto os outros brincavam. Ao avistar a roda-gigante a menina observou o lento movimento para cima, seus olhos voltaram a brilhar e ela pediu à mãe para dar uma volta. Enquanto a roda subia lentamente, o sorriso e a alegria voltaram ao rosto da menina e, quando a cadeira em que estavam atingiu o ponto mais alto, ela esticou o braço com a mão espalmada e disse a frase que a mãe já esperava: mãe, a gente tá pertinho do céu. Enfim, naquela tarde, naquele mesmo parque, a menina encontrou o significado do lugar se chamar parque de diversões.


Inspirado na serigrafia Roda-gigante, de Anita Bastos.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A 5000 Pés - por Violeta

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Visitem Violeta
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Metamorfose - Imagem Enviada por Marcelo Ferla

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Fonte: Eclisse
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.Visitem Marcelo Ferla
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domingo, 18 de outubro de 2009

Palhaço - Imagem Enviada por Adhemar

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.A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Visitem Adhemar
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Bicicleta - por Anita Bastos

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sábado, 26 de setembro de 2009

sábado, 19 de setembro de 2009

Pormenores que Marcam - por Aaron Caronte Badiz

Em nossa vida, comumente,
Acontecimentos importantes
São tidos como inesquecíveis
E considerados os mais marcantes.
No entanto, pensando bem,
Há pormenores que marcam,
Às vezes mais do que tudo,
E deles os homens não escapam.



Inspirado em Pormenores que Marcam, de Violeta.
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Pormenores que Marcam - por Ana

A fita azul manchada no vestido impecável
A borboleta rara na janela, ao acordar
A barra da calça suja de lama em plena festa
A unha quebrada doendo sem parar

O filhote de lagartixa esmagado atrás da porta
O caracol atravessando devagar a entrada da garagem
A rosa murcha escondida num buquê estonteante
A náusea passageira antes da viagem

O mínimo rasgo na capa do livro que adoro
A mecha de cabelo suspensa pelo vento
A bolha de ar dentro do vidro do copo
Os sapatos que rangem ao menor movimento

O fio de lã solto na colcha da cama
O ponto de ferrugem no armário da cozinha
O segundo mais doloroso de toda a minha vida
A consciência de que estou sempre sozinha



Inspirado em Pormenores que Marcam, de Violeta.
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Pormenores que Marcam - por Violeta

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Visitem Violeta
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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Grilo Falante - por Ana

Perto da minha casa
Há um terreno baldio
Muito grande, abandonado.
É lá que eu me refugio

Do inferno de lá de casa,
Dos moleques cá da rua,
Onde faço as lições da escola,
Onde durmo sob a lua.

Um dia ainda estava dormindo,
Chegaram uns caminhões.
Descarregaram cada coisa!
Xícaras, cavalos, aviões...

Nunca tinha visto aquilo!
Um mundo todo em pedaços!
Fios, engrenagens, cabos,
Muita gente e estardalhaço!

Vi tudo sendo montado
Até que tomou sentido.
Ajudei, muito animado
Com a variedade e o colorido.

Quando acabaram os trabalhos,
Observei tudo em volta.
Meu coração, feliz,
Não lembrava de choro ou revolta.

Durante toda a temporada
Fui o moleque ajudante,
Era pau pra toda obra.
Me apelidaram Grilo Falante

Por ser magro de dar dó
E falar pelos cotovelos.
Mas eu nem liguei pra isso,
Pois eu tinha carinho e zelo

Das pessoas do parquinho
Que, de pronto, me adotaram.
Se interessavam por mim,
Alimentavam e orientavam.

E na hora de ir embora,
Ajudei a desmontar
Peça a peça, alegremente,
Pensando no outro lugar

Para aonde iria o parque
Fincar sua alegria,
Remontar felicidade,
Movimentos e fantasia.

Quando, então, nos despedimos,
Em mim não ficou um vazio,
Pois eles trouxeram, sem saber
Pra minha vida um desvio.

O tempo, então, foi passando,
Eu seguindo a minha estrada
Que foi, por aquele parque,
Totalmente modificada.

Hoje, quando lembro disso,
Meus olhos enchem de emoção
Por lembrar bem do momento
Em que vi minha vocação

De ser portador dos bilhetes
Que aproximam do céu:
O moço da roda-gigante
Do Parquinho Beleléu.



Inspirado na serigrafia Roda-gigante, de Anita Bastos.
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